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NOTA PASTORALSOBRE REINÍCIO DO CULTO PÚBLICO ...

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MENSAGEM PARA O DIA DA IGREJA DIOCESANA   Caríssimos irmãos e irmãs Saúdo com muita estima toda comunidade diocesana, nesta fase especial da nossa vida, em que estamos a viver com apreensão, mas ao mesmo tempo com esperança o retomar de muitas atividades. Todos estamos a braços com muitas mudanças que se operaram na nossa vida quotidiana e que afetaram de modo especial as famílias, com as crianças, os idosos e os doentes mais afastados das suas rotinas habituais bem como das manifestações de afeto diretas e físicas. Esperamos que a ninguém esteja a faltar o carinho e a consolação expressos, porém, de outras formas. A ausência das assembleias litúrgicas presenciais e a falta dos sacramentos, especialmente da Eucaristia, tem limitado a nossa vivência da fé, pois ali encontramos sempre a força sacramental para encarar a vida com todos as suas situações de forma diferente. A oração pessoal ou familiar e a participação na liturgia através dos meios de comunicação têm ajudado as famílias a sentirem-se Igreja Doméstica e a unirem-se pelos laços da fé. Após este tempo de distância e ausência física, fica-nos um desejo maior de vivência comunitária da fé e de celebrarmos juntos os mistérios em que acreditamos. Aguardamos com paciência, responsabilidade e amor, o regresso à normalidade plena, sem pormos em causa as medidas de segurança que têm vindo a ser veiculadas pelas autoridades públicas e pela Igreja, mas voltemos com ânimo e confiança à celebração comunitária da fé. Aproxima-se a data da celebração do Dia da Igreja Diocesana, a Solenidade da Santíssima Trindade, que ocorre a 07 de junho. Este ano a celebração será ao nível da unidade pastoral, da forma possível e considerada localmente mais adequada. Realço a importância deste dia para a nossa Diocese, pois precisamos de sinais visíveis de unidade de todo o Povo de Deus, com o bispo, os sacerdotes e diáconos, os consagrados e a multidão de fiéis leigos. Além de darmos graças a Deus por nos ter chamado a ser membros desta porção do Seu Povo, procuraremos crescer em sintonia com as orientações  pastorais que nos movem. Que ninguém fique de fora, pois a fraqueza da comunhão eclesial é também debilidade na missão que nos foi confiada. Esta é também uma grande oportunidade para valorizarmos ainda mais a realidade da Igreja Doméstica e o lugar de cada família na celebração e na vivência da fé cristã, sem que isso signifique diminuir a importância essencial da dimensão comunitária da nossa condição de cristãos e membros da Igreja. Os párocos juntamente com a equipa de animação pastoral e o conselho pastoral encontrarão as formas melhores para ajudar todos os fiéis a sentirem-se membros do Corpo de Cristo e a aprofundarem a fé na comunhão que nos une enquanto Igreja Diocesana. Procuraremos realçar os laços invisíveis e espirituais e, ao mesmo tempo, a dimensão social e visível das comunidades cristãs. Nesta situação de pandemia, quando a comunidade não pode ter as suas realizações normais, sentimos que Deus está igualmente presente nas nossas vidas e é fonte de esperança por meio de Jesus Cristo, morto e ressuscitado. A fé no Espírito Santo, que é Espírito de Comunhão e o nosso Consolador, leva-nos a ver mais longe, a discernir o que Deus nos diz por meio destes sinais dos tempos e a não desanimar no meio das tribulações. A fé cristã tem muitas dimensões irrenunciáveis e, entre as maiores, está, certamente a caridade ou o amor ao próximo. Peço a cada comunidade que na celebração do Dia da Igreja Diocesana pense muito seriamente nos seus pobres e promova ações de solidariedade humana, espiritual e material em seu favor, pois a caridade é o distintivo da fé. Que ninguém seja esquecido particularmente neste tempo de crise económica. Este é o tempo de olhar para os pobres, este é o tempo da caridade.  Estamos a terminar a execução de um plano pastoral de três anos, intitulado “Aproximai-vos do Senhor”, ao longo dos quais houve muita coisa boa e muitos progressos na vida da nossa Igreja Diocesana. Damos graças a Deus. Houve também aspetos menos conseguidos, sinal das nossas limitações ou até da nossa fraqueza. Estamos disponíveis para fazer mais e melhor no futuro. Brevemente o Secretariado da Coordenação Pastoral irá propor um caminho sinodal de avaliação do triénio que termina e a indicação de novos caminhos para a elaboração do plano pastoral para os próximos anos. Iremos centrar-nos num tema que temos bem no coração: Os jovens, a fé e o discernimento vocacional. Desejo muito que esta reflexão seja catequética, frutuosa e o motor para uma nova etapa da edificação da Igreja Diocesana. O Papa Francisco já nos ofereceu a Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Cristo Vive”, que será o documento base para o nosso trabalho. Que os cristãos não deixem de dar o seu contributo para juntos delinearmos caminho. De um modo muito especial, peço aos jovens a quem o Papa chamou o “agora da Igreja”, que se tornem participativos na reflexão e proposição em ordem ao Plano Pastoral, uma vez que sentem e conhecem na primeira pessoa a realidade na qual Cristo Vivo, quer entrar. Desejo a todas as unidades pastorais um feliz Dia da Igreja Diocesana. Que todos sejamos protagonistas de uma Igreja e de uma sociedade melhores; que sejamos arautos da esperança e que levemos ao mundo a notícia feliz de Cristo Ressuscitado, Aquele que venceu o mal, o pecado e a morte. O Secretariado da Coordenação Pastoral preparou uma catequese sobre a Igreja, um momento de oração familiar, algumas preces para a oração dos fiéis e um vídeo, que usaremos e divulgaremos de forma adequada e generosa. Tudo nos ajudará a fazer crescer uma onda de alegria, de gratidão e de disponibilidade para a missão que nos cabe, segundo a vocação que recebemos. À Virgem Maria, Senhora da Alegria e da Esperança pedimos que nos ampare e que guie a nossa Igreja Diocesana de Coimbra ao encontro de Cristo Vivo. Coimbra, 21 de maio de 2020 Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
  Orientações da Conferência Episcopal Portuguesapara a celebração do Culto público católicono contexto da pandemia COVID-19   Bendizemos ao Senhor Jesus Cristo que não nos abandonou neste tempo difícil e agradecemos à Virgem Santa Maria a intercessão nas nossas necessidades, para sermos capazes de compreender e viver todos os acontecimentos pessoais e comunitários como momentos de salvação. O novo coronavírus continua a propagar-se em Portugal, já que estamos ainda no início desta pandemia. Na parte que lhe cabe, a Igreja tem a grave responsabilidade de prevenir o contágio da enfermidade, em coordenação com as legítimas autoridades governativas e de saúde. Entretanto, face ao controlo progressivo da pandemia provocada pelo coronavírus COVID-19 no nosso País e ao início das medidas de desconfinamento, esperamos retomar brevemente as celebrações litúrgicas comunitárias e abertas e demais atos de culto público, o que corresponde à natureza da Igreja, assembleia do Senhor. Reafirmamos o nosso regozijo pela redescoberta e revalorização criativas de numerosas formas pessoais e familiares de prática religiosa, de oração e liturgia doméstica. Com esta nova vitalidade, poderemos enfrentar melhor os meses que nos esperam, sabendo bem que será preciso ainda esperar algum tempo até ao integral restabelecimento da vida eclesial e religiosa. Nada pode substituir a vida sacramental plena. Mas bem sabemos que as celebrações públicas do Culto Divino constituem o cume e a fonte, embora não sejam o todo da nossa vida de fé, esperança e caridade. Ao mesmo tempo que se retoma a participação comunitária na Liturgia, há que garantir a proteção contra a infeção. Por isso, a Conferência Episcopal Portuguesa convida todos os fiéis a fazerem por si próprios todos os possíveis para limitar esta pandemia e propõe algumas medidas de proteção que dimanam da caridade fraterna. Estas normas de proteção deverão ser concretizadas em cada Diocese, modificando-as, se for o caso, tendo em conta o que a autoridade de saúde dispuser em cada momento. O bem comum convida todas as Dioceses a caminharem juntas. ANTES DA MISSA 1. Na impossibilidade de cumprir presencialmente o preceito dominical, convida-se à leitura orante da Palavra de Deus e à oração em casa, aproveitando-se a transmissão mediática das celebrações, também disponível para os que não podem ir à igreja por razões de saúde ou idade. 2. Pede-se aos fiéis que estão ou se sentem doentes que não vão à Missa. No respeito pelas diretivas das autoridades de saúde, poderão receber a comunhão em suas casas recorrendo ao serviço dos ministros extraordinários da Comunhão, logo que possível, devendo observar as mesmas regras de higienização da Comunhão na Missa dominical. 3. Convidam-se fiéis pertencentes a grupos de risco a não frequentar a Missa dominical; por razões imperiosas, poderão ir à Missa durante a semana, em que há menos fiéis. 4. Devem afixar-se, em sítios bem visíveis, cartazes a lembrar as regras de higiene e de distanciamento (anexos da Direção Geral de Saúde). 5. As comunidades cristãs deverão organizar equipas de acolhimento e ordem que auxiliem os fiéis no cumprimento das normas de proteção. 6. Nos horários previstos para as celebrações, as portas de entrada da igreja, claramente identificáveis, deverão estar abertas para evitar que quem acede tenha de tocar nos puxadores ou maçanetas. A comunidade cristã confiará a um pequeno grupo de pessoas a tarefa de velar pelo correto decorrer das entradas. 7. Sempre que possível, as portas de entrada sejam distintas das de saída e haverá percursos sinalizados de sentido único de modo a evitar que as pessoas se cruzem. 8. Os fiéis devem higienizar as mãos à entrada da igreja com um produto desinfetante. As pessoas a quem a comunidade cristã confia esta tarefa porão à disposição frascos dispensadores com uma quantidade suficiente de produto desinfetante e verificarão que todos, sem exceção, desinfetam as mãos. 9. É obrigatório o uso de máscara, a qual só deverá ser retirada no momento da receção da Comunhão eucarística. 10. O acesso dos fiéis às Missas dominicais, às celebrações da Palavra e a outros atos de culto será limitado no número de participantes, de acordo com a dimensão da igreja e as regras aplicáveis, pelas autoridades competentes, a todos os eventos em espaços fechados. 11. Deve respeitar-se a distância mínima de segurança entre participantes de modo que cada fiel disponha, só para si, de um espaço mínimo de 4m2; deve garantir-se, com medidas adequadas, que as distâncias necessárias sejam respeitadas (por ex: barrando acesso a alguns bancos ou alternando as filas, afastando cadeiras; marcando os lugares com cores ou outra sinalética). A regra do distanciamento não se aplica a pessoas da mesma família ou que vivam na mesma casa. 12. Para descongestionar as igrejas com maior afluência de fiéis e quando os sacerdotes já celebrarem a Santa Missa no número de vezes canonicamente permitido, poderão oferecer-se celebrações na ausência de presbítero, com distribuição da comunhão, nas condições previstas. Para evitar que alguns fiéis sejam mandados embora ao chegar a uma igreja com a lotação já preenchida, sugerem-se, onde for viável, diligências de reserva e numeração dos lugares; pode também privilegiar-se o acesso, rotativamente, aos diferentes lugares, povoações ou arruamentos de cada comunidade cristã. 13. Sempre que a meteorologia o permita e haja espaços adequados, faça-se um uso generoso da possibilidade de celebrar atos de culto ao ar livre. Nessas situações dê-se precedência nos assentos às pessoas mais velhas. 14. As pias de água benta junto às entradas da igreja continuarão vazias. DURANTE A MISSA 15. Os fiéis ocupam os lugares previstos, mantendo as distâncias estabelecidas, sob a supervisão das pessoas a quem a comunidade cristã confia esta tarefa. Não se separam as famílias ou os que vivem na mesma casa. As primeiras pessoas a entrar devem ocupar os lugares mais distantes da porta de entrada. 16. Os fiéis que sintam algum mal-estar durante alguma celebração devem sair imediatamente, acompanhadas pelas pessoas que a comunidade cristã tiver designado. 17.  Habitualmente, além do sacerdote e diácono, a celebração pode desenrolar-se com o número de acólitos adequado ao espaço existente no presbitério para que se cumpram as regras do distanciamento. Nas mesmas condições, podem também intervir um ou dois leitores que poderão estar situados na assembleia. Analogamente, para a dinamização musical das celebrações recomenda-se que haja um número adequado de cantores, acompanhados de algum instrumento, de preferência o órgão. 18. Os leitores e cantores desinfetarão as mãos antes e depois de tocarem no ambão ou nos livros. Não haverá folha de cânticos nem se distribuirão desdobráveis com as leituras ou qualquer outro objeto ou papel. 19. Os recipientes para recolher a coleta não se passarão no momento do ofertório, mas serão apresentados à saída da igreja pela equipa de ordem e acolhimento, seguindo os critérios de segurança apontados. 20. Os sacristães, acólitos ministrantes e outros colaboradores da igreja, equipados com máscaras e luvas descartáveis, devem manusear e limpar os utensílios litúrgicos, e secá-los com toalhas de papel, não reutilizáveis. 21. O sacerdote e o diácono, se estiver presente, desinfetarão as mãos antes da apresentação dos dons. Apenas o sacerdote e o diácono (não os acólitos) pegam nas oferendas e nos vasos sagrados. 22. O cálice e a patena deverão estar cobertos com a respetiva pala, apenas se destapando no momento em que o sacerdote celebrante os toma nas suas mãos para a consagração; as píxides devem manter-se fechadas com a respetiva tampa. 23. O gesto de paz, que é facultativo, continua suspenso. 24. Na procissão para a Comunhão, os fiéis devem respeitar o distanciamento aconselhado. Se for o caso, marcar-se-ão as distâncias no pavimento da igreja. Sendo inevitável uma maior proximidade, os ministros que a distribuem usarão máscara. 25. O diálogo individual da Comunhão («Corpo de Cristo». – «Amen.») pronunciar-se-á de forma coletiva depois da resposta «Senhor, eu não sou digno…», distribuindo-se a Eucaristia em silêncio. 26. Na receção da Comunhão, observem-se as normas de segurança e de saúde, nomeadamente em relação ao distanciamento físico entre os comungantes e à higienização das mãos. 27. Continua a não se ministrar a comunhão na boca e pelo cálice. Eventuais concelebrantes e diáconos comungam do cálice por intinção. 28. No caso de o sacerdote celebrante ser mais idoso ou pertencer a algum grupo de risco, deve ser substituído, na distribuição da Comunhão, por algum diácono ou ministro extraordinário. 29. As regras relativas à higiene e ao distanciamento entre participantes aplicam­-se, de igual modo, às demais ações litúrgicas e aos outros atos de piedade. DEPOIS DA MISSA 30. As pessoas a quem a comunidade cristã confiou a tarefa de abrir as portas de saída devem fazê-lo depois da bênção final. 31. Os fiéis deixam a igreja, segundo uma ordem fixada em cada comunidade cristã no respeito pelas regras de distanciamento, e não se aglomeram diante da igreja. Algum membro da equipa de acolhimento e ordem velará por isso. As primeiras pessoas a sair devem ser as que estão mais próximas da porta de saída. 32. Após a Missa, proceda-se ao arejamento da igreja durante pelo menos 30 minutos, e os pontos de contacto (vasos sagrados, livros litúrgicos, objetos, bancos, puxadores e maçanetas das portas, instalações sanitárias) devem ser cuidadosamente desinfetados. OUTRAS CELEBRAÇÕES E ATIVIDADES PASTORAIS 33. Todas as celebrações e atividades pastorais, quando se realizarem ainda em ambiente de epidemia devem observar as seguintes orientações e estão condicionadas ao escrupuloso cumprimento das normas de higiene, distanciamento e outras formas de proteção (uso de máscara e de luvas) que as autoridades de saúde prescreverem. 1. Batismo de crianças 34. Para a signação, no acolhimento, o ministro procederá conforme está previsto na admissão de catecúmenos (RICA, rubrica do n. 83): traça uma cruz diante da fronte de cada batizando, sem contacto físico; os pais, mas não os padrinhos (a não ser que também eles coabitem com a criança a batizar) farão o sinal da cruz na fronte do filho. 35. Para a unção pré-batismal proceder-se-á conforme está previsto no n.º 51 do Ritual Celebração do Baptismo das Crianças: o ministro dirá a fórmula prevista, seguida do gesto da imposição das mãos sobre cada criança, mas sem contacto físico. 36. Em todas as celebrações do Batismo proceda-se à bênção de água fresca e limpa. Na administração da água batismal, haja o cuidado de que a água derramada no ato do batismo não possa ser reutilizada, sendo antes escoada pelo sumidouro ou para uma vasilha distinta, evitando qualquer tipo de contacto entre os batizandos. O ministro poderá usar para todos os batismos a mesma concha, previamente higienizada. 37. Em relação à unção pós-batismal, autoriza-se a exceção já prevista na rubrica do n.º 125 do Ritual para o caso de o número dos batizados ser muito grande: omite-se a unção e diz-se a oração com a adaptação prevista no Ritual. 38. Nenhum dos demais ritos da Liturgia do Batismo supõe qualquer contacto físico a não ser dos pais com a criança que é batizada. 39. Com estes procedimentos, pode ser autorizada a celebração de Batismos quer de uma só criança, quer de várias, com condicionamentos em relação à ocupação do espaço e às normas de higiene e distanciamento iguais às previstas para a celebração da Missa dominical. 2. Iniciação cristã dos adultos 40. Nos ritos do catecumenado, tanto de exorcismo como de bênção, a imposição das mãos far-se-á sempre sem contacto físico; o gesto do sopro será substituído pelo gesto de estender a mão direita em direção aos candidatos e catecúmenos, conforme está previsto nas rubricas (RICA 79). 41. Na signação da fronte e dos sentidos, o celebrante traça uma cruz diante da fronte dos candidatos, de modo a evitar o contacto direto (RICA, rubrica do n. 83); se os candidatos forem muitos, o celebrante traça uma cruz sobre todos os candidatos ao mesmo tempo (RICA, rubrica do n. 84), enquanto os catequistas e garantes traçam uma cruz diante da fronte dos candidatos, de modo a evitar o contacto direto; na signação dos sentidos, o celebrante profere as fórmulas, enquanto os catequistas e garantes traçam o correspondente sinal da cruz sobre cada candidato, mas sem contacto físico. 42. Os livros dos Evangelhos a distribuir a cada catecúmeno deverão estar previamente higienizados e o celebrante procederá à higienização das mãos antes de proceder à sua eventual distribuição; esta far-se-á evitando qualquer contacto entre celebrante e catecúmenos. 43. Omitem-se os ritos auxiliares já previstos como eventuais no Ritual (RICA 89). 44. As unções previstas no tempo do catecumenado far-se-ão exclusivamente nas mãos dos catecúmenos, que as estenderão com as palmas para cima; o celebrante realizará a unção servindo-se de um pouco de algodão embebido no óleo dos catecúmenos, tendo o ministro o cuidado de não tocar diretamente nas mãos dos catecúmenos. Havendo algum contacto, o ministro procederá à higienização dos dedos envolvidos antes de proceder à unção de outro catecúmeno. Após a celebração, o algodão utilizado nas unções será incinerado. 45. No rito da eleição, em vez de cada candidato inscrever o próprio nome, os nomes de todos os eleitos constarão numa lista e proceder-se-á conforme previsto na rubrica do RICA 146. No ato da eleição, os padrinhos aproximam-se dos eleitos, mas não lhes tocam no ombro, a não ser que sejam familiares que vivam na mesma casa. 46. Nas celebrações dos escrutínios, os padrinhos aproximam-se dos afilhados durante as preces pelos eleitos, mas abstêm-se de lhes por a mão direita no ombro, a não ser que sejam familiares que vivam na mesma casa. 47. No rito do «Effathá» o ministro procederá como está previsto na celebração do Batismo de Crianças: estenderá a mão direita na direção dos eleitos e pronunciará a fórmula prevista (RICA 202). 48. Na celebração dos Sacramentos da Iniciação, proceda-se à bênção de água fresca e limpa, como sempre sucede na Vigília Pascal. Na administração da água batismal, haja o cuidado de que a água derramada no ato do batismo não possa ser reutilizada, sendo antes escoada pelo sumidouro ou para uma vasilha distinta, evitando qualquer tipo de contacto entre os batizandos. O ministro usará para todos os batismos a mesma concha, previamente higienizada, ou a sua mão, evitando qualquer contacto físico. 49. Se, por motivos especiais, não se seguir a celebração da Confirmação, a unção pós-batismal será substituída como se indicou na celebração do Batismo de crianças. 50. Na imposição da veste branca, rito que se pode omitir, os padrinhos e madrinhas que ajudam os afilhados a revestir a veste higienizam as mãos antes de o fazer, a não ser que sejam familiares dos afilhados e vivam na mesma casa. 51. No rito da Confirmação proceda-se como em seguida se dirá para este Sacramento. Os padrinhos aproximam-se dos afilhados e, com máscara, dizem o nome do afilhado ao Bispo abstendo-se, porém, de tocar no seu ombro a não ser que vivam no mesmo agregado familiar. 3. Confirmação 52. As celebrações da Confirmação estão sujeitas às mesmas restrições e condicionamentos da Missa dominical. 53. Os Bispos ponderarão a possibilidade de adiar a celebração do Sacramento da Confirmação. Optando-se pela sua celebração, ministro e crismandos usarão máscara de proteção no momento da crismação. 54. Sendo vários os crismandos, use-se um pouco de algodão embebido do Santo Crisma para cada crismação, tendo o ministro o cuidado de não tocar diretamente na fronte do crismando. Havendo algum contacto, o ministro procederá à higienização dos dedos envolvidos no contacto antes de proceder à crismação de outro crismando. A saudação da paz limitar-se-á ao diálogo, sem contacto. Após a celebração o algodão utilizado na crismação será incinerado. 55. Os padrinhos aproximam-se dos afilhados e, com máscara, dizem o nome do afilhado ao Bispo abstendo-se, porém, de tocar no seu ombro. 4. Primeiras Comunhões 56. As festas da primeira Comunhão estão sujeitas às mesmas restrições e condicionamentos da Missa dominical. 57. As crianças preparadas para a Primeira Comunhão, e cujos pais assim o desejem, podem, de acordo com o pároco, fazê-la particularmente ou em pequeno número numa Missa dominical, sem excluir uma posterior participação numa celebração mais solene. 5. Sacramento da Reconciliação 58. Na celebração do Sacramento da Reconciliação, para além das medidas gerais, deve escolher-se um espaço amplo que permita manter o distanciamento entre confessor e penitente, que usarão máscara, sem comprometer a confidencialidade e o inviolável sigilo sacramental. 59. Ao terminar, aconselha-se reiterar a higiene das mãos e a limpeza das superfícies utilizadas. 6. Unção dos enfermos 60. Redobrem-se os cuidados de higiene e usem-se máscaras de proteção, evitando-se o contacto físico na imposição das mãos. 61. Na administração do óleo dos enfermos use-se um pouco de algodão embebido no óleo dos enfermos, de modo a evitar contacto físico. 62. Os sacerdotes mais idosos ou enfermos não devem ministrar este Sacramento a pessoas que estejam infetadas por coronavírus. 7. Ordenações 63. Em termos de participantes, as ordenações estão sujeitas às mesmas restrições e condicionamentos da Missa dominical. 64. Com mais do que um candidato, terá de haver procedimentos de higienização entre a realização dos gestos que impliquem contacto com cada ordinando. 65. A imposição das mãos, em silêncio, do Bispo ordenante sobre a cabeça dos ordinandos, requerida para a validade da ordenação, não terá contacto físico. 66. Na ordenação de novos presbíteros, reduza-se a representação do presbitério (membros do Cabido, formadores do Seminário, párocos de naturalidade, de residência e de estágio…); só esses farão o gesto da imposição das mãos, mas sem estabelecer contacto físico com os ordinandos (tal não é requerido ad validitatem); na saudação de acolhimento na Ordem, o abraço da paz será substituído por uma vénia recíproca coletiva. 67. Na ordenação dos diáconos, reduza-se a presença dos demais diáconos ao mínimo indispensável para a liturgia estacional. Na saudação de acolhimento na Ordem, o abraço da paz será substituído por uma vénia recíproca coletiva. 68. Antes e depois do gesto de obediência (mãos nas mãos) e da unção, ordinandos e Bispo higienizarão as mãos. 69. Os presbíteros e diáconos que auxiliarem os recém-ordenados a revestir-se com os paramentos da sua ordem também higienizarão as mãos. 8. Matrimónio 70. As celebrações matrimoniais estão sujeitas às mesmas restrições e condicionamentos da Missa dominical. 71. Os anéis (alianças) deverão ser manipulados exclusivamente pelos noivos. 9. Exéquias 72. As exéquias cristãs devem ser celebradas na igreja (com celebração da Palavra ou da Eucaristia) e/ou no cemitério com a presença dos familiares, tendo em conta as normas de segurança. 73. Apesar de tal ser difícil nestes momentos de dor, não deixe de se recomendar a omissão de gestos de afeto que impliquem contacto pessoal e a importância de se manter a distância de segurança. 10. Visitas à igreja para a oração ou adoração ao Santíssimo 74. As igrejas podem estar abertas durante o dia para visitas individuais de oração ou adoração ao Santíssimo Sacramento, desde que se observem os requisitos determinados pelas autoridades de saúde. Os fiéis abster-se-ão de tocar em qualquer imagem ou objeto expostos. 75. As visitas turísticas devem ser condicionadas, segundo as orientações das autoridades competentes. 11. Ações formativas e atividades pastorais 76. As atividades pastorais nos espaços eclesiais (paróquias, centros pastorais, casas de retiro, etc.) como reuniões, ajuntamentos, iniciativas culturais e de restauração, entre outras, seguirão as regras previstas pelas autoridades competentes. 77. As atividades de catequese e outras ações formativas continuarão a ser realizadas apenas por meios telemáticos até ao final deste ano pastoral. 78. Os Bispos ponderarão a possibilidade de adiar outras atividades, incluindo as visitas pastorais. 12. Peregrinações e romarias 79. Peregrinações, procissões, festas, romarias, concentrações religiosas, acampamentos e outras atividades similares em grandes grupos, passíveis de forte propagação da epidemia, continuam suspensas até novas orientações.   Lisboa, 8 de maio de 2020
Comunicado do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (02.05.2020)   1. Face ao controlo progressivo da pandemia provocada pelo coronavírus Covid-19 no nosso País e ao início de medidas de desconfinamento, reiteramos o nosso agradecimento à população em geral e aos cristãos em particular pela atitude responsável de prevenção ao longo desta situação, seguindo as normas e orientações da Igreja e das autoridades governamentais e de saúde. Rezamos pelas inúmeras vítimas desta epidemia e seus familiares, estamos solidários com os doentes infetados por este terrível vírus e agradecemos o precioso trabalho dos que estão na linha da frente como os profissionais de saúde, as forças de segurança e os que trabalham nos lares e outras instituições sociais. Manifestamos o nosso regozijo pela criatividade das comunidades cristãs na intensificação das formas de praticar a fé entre os jovens e nas famílias e pela ação sociocaritativa das instituições da Igreja para com os mais carentes e desempregados. Comungamos do sofrimento de tantos cristãos privados da participação efetiva na celebração sacramental da Eucaristia, cume e centro da vida cristã, na esperança de um mais rápido reinício das celebrações comunitárias da Eucaristia, fonte da nossa alegria pascal. 2. O último comunicado do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa de 21 de abril anunciava “orientações gerais, em diálogo com as autoridades governamentais e de saúde, para quando terminar esta terceira fase do estado de emergência, com a retomada possível e gradual das celebrações comunitárias da Eucaristia e outras manifestações cultuais”. 3. Terminado o estado de emergência e tendo em conta os dados apresentados pelas autoridades de saúde e governamentais, percebemos que em Portugal a situação parece ter evoluído favoravelmente. Esperamos que se mantenha a responsabilidade cívica de todos os cidadãos, em atitude de prudência e de acatamento das decisões das autoridades governamentais e de saúde, para que não aconteça um retrocesso rápido da situação. 4. Através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 33-C/2020, que estabelece uma estratégia de levantamento de medidas de confinamento no âmbito do combate à pandemia da doença COVID-19, o Governo decidiu para 30-31 de maio, no que diz respeito a “cerimónias religiosas”, o reinício das “celebrações comunitárias de acordo com regras a estabelecer entre DGS e confissões religiosas”. 5. Tendo em conta somente estes elementos, a retomada gradual das celebrações comunitárias da Eucaristia, já anunciada pelo Governo, deverá iniciar-se, em princípio, a 30 maio, véspera da Solenidade do Pentecostes. A data depende ainda da avaliação que o Governo se propõe fazer da situação, nesta primeira etapa do desconfinamento. As Dioceses insulares terão em conta as indicações das respetivas autoridades regionais. 6. As celebrações dos sacramentos que implicam contacto físico, como as unções, devem ser adiadas para o próximo ano pastoral ou, nalguns casos particulares como o batismo e a unção dos doentes, podem ser realizadas com as devidas cautelas de saúde e normas de segurança. 7. Para o sacramento da Reconciliação, é preciso seguir as normas de segurança de saúde e garantir o devido distanciamento entre o confessor e o penitente, protegendo sempre o inviolável segredo da confissão. 8. As exéquias cristãs devem ser celebradas no templo (com celebração da Palavra ou da Eucaristia) e/ou no cemitério com a presença dos familiares, tendo em conta as normas de segurança que impeçam a transmissão do coronavírus. 9. As catequeses e outras ações formativas continuarão a ser realizadas apenas por meios telemáticos até ao final deste ano pastoral. 10. Procissões, festas, concentrações religiosas, acampamentos e outras atividades similares passíveis de forte propagação da epidemia ficarão adiados para o próximo ano pastoral. 11. As igrejas podem estar abertas durante o dia para visitas individuais, desde que se observem os requisitos determinados pelas autoridades de saúde. 12. Proximamente daremos indicações comuns sobre aspetos litúrgicos e medidas sanitárias a ter em conta nas celebrações e nos templos, as quais poderão ser utilizadas pelas Dioceses, em coordenação com as autoridades locais de saúde no que diz respeito aos procedimentos práticos. 13. Neste mês de Maio, imploramos a bênção do Senhor e a intercessão da Virgem Maria, para que sejamos livres deste grande flagelo, próximos daqueles que são mais afetados pelas dificuldades, orientados pela fé, diligentes na caridade e guiados pela esperança do Senhor ressuscitado que estamos a celebrar neste tempo de Páscoa. Lisboa, 2 de maio de 2020
MISSA DO DIA DE PÁSCOA – 2020 Caríssimos irmãos e irmãs! Destroçados e confundidos, Pedro e o outro discípulo entraram no sepulcro de Jesus na manhã do primeiro dia da semana. Viram as ligaduras no chão, mas a Ele, porém, não o viram. O outro discípulo viu e acreditou. Ainda não tinham entendido as Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos. Naquela manhã única começou algo de tão surpreendente e novo, que mudou o rumo da história. As aparições do Ressuscitado completarão o percurso de fé, que mudou as suas vidas e encheu de alegria todos aqueles que, com eles, tiveram a graça de acreditar. A vida manifestou-se e destruiu o poder do medo e da morte; abriu a possibilidade da esperança que não se funda nas forças humanas, mas no poder infinito do Deus Criador e Senhor, que é a verdadeira Vida. Toda a humanidade entrou com Pedro e o outro discípulo no sepulcro de Jesus, pois toda ela conheceu ao longo da história e, particularmente nestas últimas semanas, o desalento de se ver a caminhar para a morte. O medo apoderou-se de nós e desejamos ardentemente encontrar uma luz libertadora, uma porta que se abra e dê confiança e segurança. Todas as respostas procuradas são importantes e necessárias, mas nenhuma delas é a resposta total, senão a do túmulo vazio e a do anúncio proclamado: não está aqui, ressuscitou. O que esperamos e desejamos é que toda a humanidade, que entrou no túmulo de Jesus, possa sair dele revigorada pela certeza de que a morte não tem a última palavra. Ela é uma passagem, mas não a realidade última e definitiva. Para além dela há a Vida, como dizemos no credo da nossa fé, quando proclamamos: “creio no mundo que há de vir”, quando se Cristo se manifestar na sua glória”. O que esperamos nesta Páscoa é que a humanidade veja e acredite. É impossível para nós celebrar esta Páscoa desligando da realidade pela qual o mundo está a passar. De facto, nunca deveríamos celebrá-la alheados da situação do mundo, porque Cristo veio para o mundo e a Igreja não pode viver a sua fé fechada sobre si mesma ou alheando-se do mundo. Noutras ocasiões, damo-nos conta de situações de sofrimento e morte que atinge algumas pessoas, que tocam povos e regiões distantes e facilmente passamos ao lado. Desta vez, toca-nos de perto, a dor está à nossa porta, em nossa casa, nas nossas aldeias e cidades, paralisou o ritmo da sociedade. Não há indiferença que seja possível, nem idealismo que resista diante da realidade, pois a carne humana é tocada na sua debilidade, os corações estão apertados e até os mais fortes vivem atemorizados pelo que aconteceu ou pode acontecer no presente e no futuro. Muitos de nós têm a possibilidade de experimentar pela primeira vez o que é a insegurança diante de tudo e de todos. Muitos de nós sentem pela primeira vez necessidade de palavras e de gestos libertadores, tanto das ameaças que vêm de fora, do ambiente social, como das que vêm de dentro, das convulsões e solidões do coração. Muitos de nós têm pela primeira vez a possibilidade de perceber a diferença entre uma vida tranquila e calma e uma vida atribulada e povoada de sentimentos amargos. Muitos de nós conhecem pela primeira vez o significado da palavra salvação e o alcance da Boa Nova de Deus dada aos homens, o significado da mensagem pascal sempre proclamada. Aquilo que era letra morta ou pouco relevante, aquilo que era chavão facilmente repetido e mecanicamente citado, aquilo que se dizia de forma irrefletida, ganha inesperadamente um significado claro. Este ano, acreditamos com mais fé que, “Boa Nova” significa: quando estamos confundidos podemos clamar: salva-nos Senhor! “Salvação” significa: quando estamos perdidos, podemos rezar confiantes: Senhor, diz uma palavra e serei salvo! E ainda acreditar que Deus nos escuta e nos responde com a dádiva de Jesus Cristo Ressuscitado: também Ele clamou e foi ouvido. O silêncio destas semanas de isolamento social e, particularmente, o silêncio deste tríduo pascal traz-nos algumas lições que jamais podemos esquecer. Em primeiro lugar, uma lição sobre o sentido da vida, frágil, ameaçada e sempre periclitante, mas de um valor infinito. A vida própria e a dos outros é um dom precioso, que não queremos perder. Tudo o que se faz para salvar a vida seja de quem for, novo ou velho, rico ou pobre, são ou doente, tem um valor infinito e define claramente a linha de fronteira entre o que são sentimentos humanos e o que é simplesmente instinto de sobrevivência ou de conservação da espécie. Fomos criados para viver e proporcionar razões de viver uns aos outros. Ninguém quer a morte, mesmo que tenha dias maus e, felizmente, nestes dias tem-se sabido, com muita coragem, risco e determinação, ajudar a viver e não desistir nem permitir que se desista da vida de alguém. Em segundo lugar, uma lição sobre a importância das relações fraternas e humans, familiares ou universais. Quanto desejamos estar perto dos que amamos, quanto suspiramos por reencontrar o aconchego do lar do qual estamos afastados para celebrar, festejar ou simplesmente estamos juntos! Não mais poderemos desvalorizar a amizade, a familiaridade, o sentido de pertença a uma mesma humanidade com a qual partilhamos a igual e radical dignidade de sermos pessoas umas para as outras e umas com as outras. Percebemos o sentido dos pequenos gestos tantas vezes negligenciados, das palavras consoladoras que deixámos por dizer, do amor que não teve as necessárias manifestações para ser e parecer autêntico. Em terceiro lugar, aprendemos uma lição sobre o lugar de Deus na construção do nosso bem estar pessoal e comunitário. Aprendemos que, mesmo quando faltam todas as esperanças depositadas em coisas perecíveis, continua de pé a esperança alicerçada no amor de Deus infundido em nossos corações. É inevitável a pergunta sobre o sentido da fé e sobre o seu lugar na construção de nós mesmos e na construção de uma humanidade justa, solidária e fraterna. “Afeiçoai-vos às coisas do alto”, dizia o Apóstolo, na certeza de que o nosso coração não se sacia com as coisas da terra. Irmãos e irmãs! Nesta Missa da Páscoa da Ressurreição e em nome da Igreja Diocesana de Coimbra, deixo uma palavra de conforto, de consolação e de esperança cristã a todos os que estão animados e solidários na ação junto dos que mais sentem os efeitos desta pandemia; deixo também uma palavra de ânimo a todos os que são vítimas ou não conseguem ver e acreditar. Quero ainda deixar um grande “obrigado” aos profissionais de saúde que cuidam dos doentes, obrigado aos colaboradores das IPSSs e dos lares onde se encontram os idosos, obrigado aos membros das associações humanitárias de bombeiros e outros servidores dos aflitos, obrigado às famílias que cuidam dos seus membros, obrigado a todos os que estão próximos dos outros e os ajudam a superar o medo e a manter viva a esperança, obrigado a todos os que têm de tomar decisões adequadas no meio de todas as incertezas. Que Cristo Ressuscitado seja a nossa força e a Boa Nova que nos salva. Coimbra, 12 de abril de 2020Virgílio do Nascimento Antunes, Bispo de Coimbra
VIGÍLIA PASCAL NA NOITE SANTA – 2020 Caríssimos irmãos e irmãs! Esta é a mais significativa celebração litúrgica de todo o ano cristão. Habitualmente, nela têm lugar os sacramentos da iniciação cristã – o batismo, a confirmação e a eucaristia – dentro do memorial da Páscoa de Jesus que passa pela paixão, pela morte e pela ressurreição. Ela contempla a reunião da assembleia santa, convocada para dar graças a Deus e se edificar no amor; contempla ainda a escuta da Palavra da Escritura, texto inspirado para narrar as maravilhas e Deus ao longo da história e apta para nos inspirar, corrigir e apontar caminhos de vida. Quem celebrou a quaresma litúrgica como tempo santo de conversão e quem celebra a quaresma das tribulações da vida, este ano tão duramente marcada pelo sofrimento, anseia por descobrir por meio da fé aquele vigoroso raio de luz inaugurado pela ressurreição de Jesus de entre os mortos, depois de padecer e morrer na cruz, anseia por deixar que ele inunde a totalidade da sua pessoa e da sua vida, a totalidade do mundo em que habita. A Epístola aos Romanos apontava-nos nesta noite santa o lugar da Páscoa de Cristo na nossa vida de cristãos e os caminhos que nos impele a seguir. O nosso percurso de cristãos teve a sua origem na fé que recebemos no batismo e que perdura pela ação do Espírito Santo e com a nossa cooperação ativa, a decisão da nossa vontade e o assentimento da nossa inteligência e do nosso coração. Por meio daquele sacramento memorável tivemos a graça de ser sepultados com Cristo na morte e de com Ele ressurgirmos para uma vida nova. Ao longo do percurso temos a força da Eucaristia, verdadeiro alimento, e a força do Espírito Santo, presença de Deus a inspirar-nos, a acompanhar-nos e a oferecer-nos o discernimento e a sabedoria necessários em cada momento. A participação no ritmo e na comunhão da comunidade cristã oferece-nos a certeza de que somos corpo já enquanto criaturas, mas mais ainda, enquanto filhos e filhas de Deus, que partilham uma vocação comum. Nesta noite santa da Páscoa, cada um no lugar em que se encontra a acompanhar a Vigília Pascal, é convidado a tomar consciência do mistério que o  envolve, a sentir que não é simplesmente membro de uma organização universal, mas é pedra viva do templo de Deus, inaugurado pela morte e ressurreição de Cristo. Cada um de nós é convidado a revisitar o seu batismo, essa porta da fé, que nos abriu aos dons do Espírito, à Eucaristia, à graça de uma vida nova já iniciada, à participação na vida da Igreja, qual casa de Deus na qual podemos tomar lugar e que nos dá alimento, aconchego e segurança. Para além do anúncio teológico dos fundamentos da nossa fé pascal, o Apóstolo Paulo, na mesma Epístola aos Romanos, fala-nos das consequências que a nossa nova condição tem na nossa peregrinação sobre a terra, já numa abertura de esperança à realidade do Céu. De uma forma concisa, o Apóstolo diz-nos: “totalmente unidos a Cristo, vivamos uma vida nova”.   Todo o ser humano traz inscrito na sua condição de criatura as sementes de uma vida nova, que se manifesta na sede de ir mais além, no desejo de superar as fragilidades, na ânsia de realização pessoal, de felicidade e salvação e na aspiração a abrir-se aos outros numa atitude de comunicação, solidariedade e amor. Quando, por qualquer razão, este olhar para o futuro com confiança se perde, corre-se sério risco de perda de sentido, de paralisação, de desespero e de morte. Quando faltam as razões para trabalhar, para amar, para estar com os outros, ou seja, quando falta um projeto de vida que contemple as grandes decisões ou as pequenas motivações quotidianas, começa uma escalada de desânimo ou um deixar correr as coisas segundo os ditames de cada momento impõem. Os cristãos participam dessa universal condição humana e estão sujeitos a todas as suas contingências; mas participam também da grandeza da sua condição de pessoas, que trazem inscrita no coração uma vocação única e grande. São chamados, por isso, com todos os outros homens a uma vida nova, no sentido de nunca se resignarem diante de nada e de não desistirem de procurar os anseios mais nobres inscritos na sua consciência e no seu coração. Há, no entanto, nessa condição e nesse percurso comum, uma vocação específica que nos anima, nascida do novo nascimento pelo batismo na morte e ressurreição de Cristo, pela efusão do Espírito Santo e pela comunhão com Deus celebrada na Eucaristia, que se perpetua na vida toda. Quando Paulo nos pede que vivamos totalmente unidos a Cristo, refere-se a esse distintivo único, que recebemos gratuitamente de Deus por meio da fé, pois não se deve a qualquer iniciativa humana nem a qualquer capacidade especial que tenhamos. “Estar unido a Cristo” é um novo modo de estar na vida, que se constrói dia após dia, é uma possibilidade que temos pelo facto de termos passado pela porta da fé, é um dom por termos sido inseridos no Corpo de Cristo, é uma graça que por meio da Igreja se renova continuamente em nós. A Páscoa de Cristo constitui sempre, mas de forma mais visível e sentida nas circunstâncias especiais em que este ano a vivemos, um grande sinal para todos nós e um forte apelo para entrarmos em profundidade no significado da Sua paixão, morte e ressurreição, para compreendermos à sua luz a paixão da humanidade e, sobretudo, para vislumbrarmos as possibilidades de vida nova que aí vêm. Se o mundo precisa de solidariedade humana, de amor, de união e de fraternidade para se refazer e encontrar os caminhos de superação dos seus dramas, precisa mais ainda de ver levantar-se a esperança de vida nova que irradia do sepulcro aberto de Cristo. Precisamos de conhecer os sinais de renovação humana e precisamos mais ainda do grande sinal de Deus, que é a Páscoa de Seu Filho. Na Sua ressurreição gloriosa, Jesus reúne todas as esperanças da humanidade para lhes dar a garantia da esperança que tem o selo divino. Nós somos testemunhas de tudo isso, pois já o vislumbrámos por meio da fé. Alegremo-nos e exultemos, porque o Senhor ressuscitou. Aleluia! Coimbra, 11 de abril de 2020Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
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