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Formação de animadores – Catequese Rise Up “Rise Up” é o nome do itinerário catequético dirigido aos jovens e pretende a preparação espiritual para as jornadas mundiais da juventude em Lisboa. No sábado de manhã (17 de Abril) animadores, catequistas e dirigentes do CNE da Diocese de Coimbra tiveram a oportunidade de participar à distância na catequese nº1 do itinerário. A formação Rise Up é direcionada para catequistas do Crisma, animadores de grupos de jovens e dirigentes de escuteiros da IIIª e IVª seção. Participaram 80 pessoas e o Senhor Bispo esteve também presente para fortalecer e entusiasmar este projeto na Diocese de Coimbra. O Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil fez o convite à equipa que preparou o itinerário para guiar a formação e proporcionar momentos de reflexão e partilha entre os participantes. O encontro iniciou-se com um quebra-gelo organizado pelo SDPJ e o segundo momento foi explicação das catequeses. De seguida, a introdução sobre São Lucas originou um momento de reflexão e partilha por grupos para depois dar início à concretização da formação. O tema “Levanta-te e diz Sim” faz alusão ao “Sim” de Maria e questiona os jovens sobre a “pressa de Maria” e o aceitar dos desafios e promessas da vida de cada um. Levanta-te! é o nome do itinerário catequético de preparação da JMJ Lisboa 2023. Nele se propõe aos jovens um caminho de aprofundamento da fé com base no verbo Levantar e assim seguir os caminhos que Ele preparou para cada um. É essencial juntar estes jovens para caminharem juntos, não só com as catequeses “Rise Up”, de pós Crisma, mas também através do projeto “Say Yes” para jovens até aos 15 anos. O objetivo é, por isso, haver esta força e motivação para continuar a preparar as Jornadas e o próximo ano pastoral. Carolina BarreirosSDPJ de Coimbra  
MISSA NO DIA DE PÁSCOASÉ NOVA Caríssimos irmãos e irmãs! A notícia da ressurreição de Jesus, hoje proclamada como na manhã daquele primeiro dia da semana, traz uma nova resposta às nossas perguntas e inquietações, às que surgem na mente ávida de sentido e às que chegam da tarefa que temos de fazer progredir e aperfeiçoar-se o nosso mundo. Nem a nossa razão fica tranquila com a definição de um sistema de pensamento organizado e harmónico, que integre todo o nosso percurso do nascimento até à morte; nem o nosso coração se contenta com um horizonte de relações com os outros e com o mundo, que agora floresce e depois fenece. De facto, somos mais do que isso. A ressurreição de Jesus, a grande novidade que irrompe na história da humanidade, trouxe essa nova luz de que precisamos para enquadrar adequadamente o conhecimento do percurso da nossa vida, o seu sentido, e os anseios do nosso coração, que são de superação e de eternidade. O Livro dos Atos dos Apóstolos enfrenta de forma direta o embate da notícia da ressurreição de Jesus na vida das comunidades cristãs nascentes e conhece a dificuldade sentida de a acolher. Começa por referir-se a alguns aspetos biográficos de Jesus, à sua passagem pelos diversos lugares do seu percurso e aos sinais de libertação que marcaram toda a sua ação: “passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio”. Sabemos pelas narrações evangélicas que, nessas alturas, apenas um pequeno grupo das muitas pessoas que acompanhavam, acreditaram n’Ele; todas as outras viam os sinais, ouviam as palavras, mas continuavam na sua incredulidade. Não bastou àquela gente saber o que aconteceu ou ter acesso à informação sobre os acontecimentos históricos da vida de Jesus. Os Apóstolos, como refere o Livro dos Atos, são testemunhas de tudo isso, ou seja, atestam com o conhecimento, com a vida e com o seguimento, a verdade da realidade que experimentaram, a alegria sentida após a desilusão por ocasião da paixão e da morte. Além disso, uma vez que tiveram a graça de estar entre as testemunhas designadas e a quem Jesus se manifestou, a graça de comer e beber com Ele depois de ter ressuscitado dos mortos, puseram-se a caminho para a pregação ao povo, como lhes fora mandado. Por meio das Sagradas Escrituras, nós temos acesso à informação essencial e necessária acerca da vida e obra de Jesus, lida a partir da sua Páscoa; conhecemos o testemunho dos Apóstolos que acompanharam o Senhor, acreditaram n’Ele e O seguiram; ouvimos a palavra de pregação dos que comeram e beberam com Ele. O nosso caminho de fé passa agora pelo encontro interior e pela decisão de nos pormos a caminho para O seguir em todos os detalhes da nossa vida. A nossa história mais recente tem sido pródiga em acontecimentos que são portadores de interrogações, dúvidas e notícias de derrocadas de esperanças e seguranças, bem como de falências de objetivos sociais, económicos ou políticos. Temos vivido atormentados pela crise sanitária que se abateu sobre nós e sofremos todos com ela na nossa própria carne, ao vermos desagregar-se um tecido organizado de relações e equilíbrios que, não sendo perfeito, nos dava alguma segurança e garantias de futuro. Agora temos mais interrogações do que certezas acerca do percurso que havemos de fazer para sair desta situação. Repetimos à saciedade que é preciso resiliência, solidariedade, sentido do bem comum, defesa da dignidade da vida humana, amor nas relações pessoais, instaurar mais justiça e equidade, respeito pela Criação. São pilares essenciais do nosso caminho de renovação, tão urgentes à escala local e à escala global. A páscoa de Jesus e a sua mensagem de novidade e renovação inclui tudo isso, pois nada do que diz respeito à humanidade e à sua salvação fica de fora do plano amoroso de Deus, que libertou o seu Filho da morte e nos abriu o caminho da ressurreição. No entanto, a nossa história recente e história de todos os tempos não encontra os seus caminhos de renovação somente a partir de meia dúzia de ideias, que podem ter a sua quota parte de realização a par com os seus limites. Todos esses esforços e ideários são imprescindíveis ao progresso da comunidade humana. Têm, como sabemos, pés de barro, e a maldade e o pecado humanos interferem facilmente no meio das boas intenções, fazendo cair por terra os melhores projetos. A nossa história recente e os tempos de pandemia trazem-nos muitas interrogações: os sinais de sofrimento e de morte são sempre acompanhados por clamores de vida, de superação, de libertação. Estamos diante de uma tremenda oportunidade para toda a humanidade, apesar de sabermos que oportunidades de renovação a humanidade tem perdido constantemente, como nos mostra a história tão recente de guerras, violências, massacres, perseguições, atropelos da liberdade e destruição da nossa casa comum. Acreditamos, mesmo assim, na possibilidade de que temos enquanto humanidade de refazer o nosso trajeto, de nos deixar recriar e renovar, pois, ressuscitados com Cristo podemos aspirar às coisas do alto, isto é, mudar de direção e de rumo: plenamente comprometidos com as realidades humanas e terrenas onde se decide o presente e o futuro, mas com um coração novo, com um espírito novo, com um sentido novo, na certeza de que a nossa vida está escondida com Cristo em Deus, como referia Epístola aos Colossenses. A ressurreição de Jesus, o Senhor, constitui a notícia de Deus, a revelação do sentido último da nossa existência e que, a partir da fé, nos há de levar a um compromisso cada vez mais forte com a edificação do mundo em que vivemos. Se na manhã do primeiro dia da semana se refez a alegria e a esperança dos discípulos destroçados pela morte de Jesus, também, pela sua ressurreição gloriosa, se abrem para nós, pessoas, famílias e comunidades, porventura desanimadas e abatidas, as portas da alegria e da esperança. Coimbra, 4 de Abril de 2021Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra      
VIGÍLIA PASCAL NA NOITE SANTASÉ NOVA Caríssimos irmãos e irmãs! Nesta Vigília Pascal na Noite Santa acompanhamos Jesus Cristo que sai vitorioso do túmulo. Diante do amor manifestado na sua entrega, na paixão de toda a sua vida e na sua morte, o Pai não ficou insensível e calado, mas respondeu com o mesmo amor, o amor divino. Jesus orou instantemente ao Pai durante o desenrolar do seu ministério, quando anunciava a Boa Nova, perdoava os pecados e curava todas as doenças e enfermidades entre o povo, como orou intensamente no Getsémani e no alto da cruz. A sua confiança no amor do Pai de quem vinha e para quem voltava, nunca O deixou desanimado, mas sempre O fez entrar mais intimamente nessa comunhão do amor de Deus, que nunca se esgota. A ressurreição de Jesus constitui a confirmação que foi dada de que a sua oração foi atendida. Deus não podia deixar o Filho entregue ao poder da morte, pois Ele cumpriu sempre e em tudo a vontade do Pai, como meditámos quando acompanhámos o seu percurso narrado pelo Evangelho, especialmente na Quinta e na Sexta-feira Santas. O amor de Jesus manifestou-se, a Sua obra foi realizada, a Boa Nova foi anunciada, os pecados foram perdoados, os doentes foram curados, as multidões foram saciadas, os corações foram consolados. A missão de Jesus estava consumada, a sua vida terrena, como tudo o que a preencheu, estava entregue, a humanidade tinha visto o grande sinal. No entanto, esse sinal estaria incompleto e ficaria-se-ia por uma dimensão terrena, material, psicológica, social e imperfeita se a promessa da vida eterna não tivesse o seu cumprimento. Nesta Vigília na Noite Santa, celebramos a força da oração de Jesus ao Pai, que foi atendida, a autenticidade da sua relação de comunhão com o Pai, que não era uma estratégia nem um último recurso de quem caiu na desgraça, mas sim o triunfo do amor de Deus sobre tudo o que oprime e mata. Por este motivo, estamos a celebrar o mistério pascal como o mistério da fé, a entrar no sinal maior, o que fora referido por Jesus diante dos seus opositores: destruí este templo e em três dias o reedificarei; o Filho do Homem estará três dias no seio da terra, mas ao terceiro dia ressuscitará dos mortos. Este é o terceiro dia, que se torna a manhã do primeiro dia da semana, a aurora do amor e da vida eterna para todos nós, que o acolhemos na fé. Jesus não nos disse que esqueçamos a totalidade da vida, com a entrega dolorosa no amor e com a paixão e a morte, que pesam duramente sobre nós, mas diz-nos que podemos confiar no Pai, pois Ele, com amor divino, sempre responderá à nossa oração. Deus terá  a última palavra diante da nossa paixão e diante da morte, e a sua palavra é a ressurreição de Jesus, porta aberta para a Vida Eterna e promessa da nossa própria ressurreição, como ouvíamos na Epístola os Romanos: “Se, na verdade, estamos totalmente unidos a Cristo por morte semelhante à sua, também o estaremos por uma ressurreição semelhante à sua”. Esta é a verdadeira entranha do cristianismo, este é o verdadeiro âmago da nossa fé, esta é a Boa Nova de Jesus para nós e o Evangelho que nos mandou acolher e anunciar a todos os povos da terra. Por outras palavras, podemos dizer que esta é a verdade que distingue a fé cristã de todas as outras crenças ou sistemas religiosos e, inclusivamente, de todas as expressões de humanismo que povoam os caminhos da humanidade - e são muitos os caminhos que o Espírito vem sugerindo ao longo dos séculos como lugares de aproximação à fé em Cristo e a Deus, por meio da busca do bem, do amor e da verdade. No entanto, como ensinou o Concílio vaticano II, “o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente”, e, uma vez que Cristo morreu por todos, “o Espírito Santo a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal por um modo só de Deus conhecido” (Gaudium et Spes, 22). A páscoa anuncia a certeza de que a oração da Igreja e a nossa oração de cristãos é escutada. Deus não nos abandona ao poder da morte, antes, como Pai de amor, assim como escutou a oração de Seu Filho, escuta a nossa oração, provinda do mais fundo do nosso coração de filhos. Quando falamos de oração, falamos de toda a vida do cristão, uma verdadeira paixão orante, animada pela confiança em Deus. Os momentos litúrgicos e celebrativos, os silêncios diários na calma do lar ou na azáfama laboral, os tempos de escuta e de diálogo apaixonado passados a sós ou na comunidade, dão o sentido crente à nossa vida, manifestam e fazem crescer a nossa fé. Não podemos, por isso, prescindir dessa dimensão orante, sob pena de nos excluirmos da comunhão com Deus, Aquele que atendeu as preces de Seu Filho e atende as nossas preces. Se prescindimos da dimensão orante reduzimos a fé a um sentimento e a Igreja a uma sociedade, fazemos da ação pastoral uma técnica e da caridade uma mera ação social. A oração no Espírito que reza em nós dá-nos o sentido sobrenatural e cria em nós os laços de comunhão efetiva com Deus e com a Igreja. A marca distintiva do cristão é a sua atitude orante, que o situa na comunhão com Deus e na comunhão e solidariedade com os irmãos. Quando rezamos uns com os outros, uns pelos outros e por toda a humanidade, unimo-nos à oração de Jesus, que veio para dar vida, numa comunhão total e numa solidariedade universal. A caridade, como atenção, auxílio, cuidado para com os irmãos faz parte da nossa atitude orante, pois é atuação concreta e visível da nossa comunhão e solidariedade para com aqueles que Deus quer salvar. Os tempos duros que estamos a experimentar dão-nos a oportunidade de orar pela humanidade nas suas debilidades de toda a espécie por meio do louvor e da súplica dos nossos lábios confiantes e crentes, e dão-nos a possibilidade de orar pela humanidade nas suas dores por meio da caridade em ato. Na pandemia que nos assola ou fora dela, o cristão acompanha Jesus que ora ao Pai por toda a humanidade que quer salvar, no culto e na caridade, sempre firme na confiança de que é escutado e de que Ele responde com a oferta da vida nova pela ressurreição. Como será a Igreja depois desta pandemia e depois desta Páscoa? Só pode ser uma Igreja mais orante na assembleia que celebra os mistérios da fé e uma Igreja mais orante na comunidade que testemunha a caridade de Deus para com os irmãos. Feliz e Santa Páscoa! Coimbra, 3 de Abril de 2021Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra  
SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO DO SENHORSÉ NOVA Caríssimos irmãos e irmãs! Acompanhamos nesta Celebração a paixão de Cristo e a paixão da humanidade. A Igreja dá-nos a possibilidade de celebrar aquilo que somos, desde as alegrias e esperanças maiores que nos animam, até às dores e angustias que sofremos. Tudo isso faz parte do nosso peregrinar sobre esta terra e, por isso, pode e deve entrar na celebração litúrgica, que não é alheia à nossa vida, ajudando-nos a unir a nossa alegria à de Cristo ressuscitado e a unir as nossas dores às de Cristo que sofre a paixão e morre. Celebrar a paixão e a morte de Jesus, antevendo já a sua ressurreição, não é um ato de tortura de nós mesmos nem serve para nos fechar nas nossas debilidades, mas leva-nos a assumir a nossa realidade e a dos que nos circundam, conduz-nos a alimentar a esperança, que sempre renasce. Nesta tarde, depois e escutarmos a Palavra de Deus, que nos introduz na realidade histórica dos acontecimentos da vida de Jesus, relemos também a nossa própria história. Convido-vos a fixarmo-nos em duas palavras do Evangelho. “Tenho sede”. A sede de Jesus é real, pois está extenuado e desidratado pelo percurso doloroso até ao calvário. É, para além disso, uma metáfora recorrente na Sagrada Escritura, que aponta para um mundo muito vasto de ideias, anseios, desejos, esperanças, sonhos, que povoam o coração e a mente de cada pessoa. Todos temos sede de mais e melhor, de amor, de bondade, de justiça, de felicidade, de comunhão, de amizade... A sede é também de Deus, de quem vimos e para quem anelamos voltar, mesmo que, porventura, muito frequentemente, andemos confundidos acerca da Sua identidade e do caminho a tomar para O encontrar. Sede neste sentido metafórico, todos temos. A questão fundamental consiste em descobrir, conhecer e assumir os meios para a saciar. Aí se definem as caraterísticas de uma vida, pois os caminhos reais são muito diversos e conduzem também a seguranças diferentes. A proposta de Jesus, bem assumida e sofrida como a Sua paixão, é a da fidelidade ao Pai, em quem confia até ao fim, mesmo que isso lhe custe suar sangue, sentir-se abandonado por todos, morrer como um malfeitor. Em vez de água, deram-lhe a beber vinagre, a fim de saciar a sua sede. Ficou sedento até ao fim, como ficaremos nós próprios sedentos até ao fim, até que tudo esteja consumado e sejamos acolhidos nos braços de Deus, a fonte de água viva, que sacia plenamente o nosso coração inquieto. “Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade”. A sede maior que sentimos é a da verdade. Todos os homens e mulheres de boa vontade procuram a verdade e querem encontrá-la ou, pelo menos, aproximar-se dela. Jesus ensina-nos o caminho por meio da fidelidade, que é mais do que um raciocínio ou um discurso feito de palavras. Não se encontra a verdade sem o compromisso da vida na sua procura, sem se dar a vida por amor e no serviço os outros. Jesus deu testemunho da verdade quando assumiu a sua fidelidade ao Pai e ao serviço da humanidade. Comprometeu-se e entregou-se totalmente numa oferta de si mesmo, que compreendeu corpo e espírito, a sua pessoa humana e divina. Nesta tarde de Sexta-Feira Santa entramos na escola da procura da verdade, iluminados pelo testemunho de fidelidade de Jesus, que caminha para o calvário e morre por todos nós, que temos essa sede bem viva dentro do peito. Aprendemos essa lição quando unimos a fidelidade a Deus à fidelidade aos irmãos, na atenção, cuidado e compromisso em favor da sua felicidade; manifestamos que somos homens e mulheres de boa vontade quando passamos das palavras fáceis às ações dolorosas e sofridas num compromisso que contribua para abrir vias de salvação. Ao acompanharmos Jesus que sofre e morre, acompanhemos também os que, hoje, sofrem e morrem. Aí busquemos a única Verdade que salva e que tem um nome, o nome de Jesus Cristo, o nome de cada um por quem sentiu sede e com quem continua a clamar “Meu Deus, Meu Deus, porque Me abandonaste?” Coimbra, 2 de Abril de 2021Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
MISSA DA CEIA DO SENHORSÉ NOVA DE COIMBRA Caríssimos irmãos e irmãs! Estamos muito sensibilizados com a onde de amor potenciada pela situação de extrema debilidade que varreu a humanidade em tempos e pandemia. No meio de tão grandes sofrimentos e males que tocam as pessoas e as famílias no mais íntimo da alma, no seu corpo e nas condições que enfrentam, a voz do coração tem-se feito ouvir falar mais alto. Não se resolvem todas as dificuldades e problemas, mas faz-se caminho sempre que saímos de nós para irmos ao encontro dos outros que jazem caídos à beira da estrada. Não se muda o mundo de um momento para o outro, mas estes são pequenos passos de alcance gigante na nossa história pessoal e comunitária. Todos os que têm ousado arriscar a sua saúde e a sua vida para socorrer os necessitados produzem gestos de consolação e alívio para o seu próximo e são um testemunho da mais autêntica humanidade, que é a nossa identidade e dignidade comum, tanto dos que assistem, acolhem, cuidam e amam, como dos que são assistidos, são acolhidos, são cuidados e são amados. Nesta menção, não podemos nem devemos privilegiar ou excluir nenhum grupo de pessoas, profissões ou vocações, pois da dimensão espiritual e religiosa à dimensão física, económica ou social, todos os campos onde se experimentam necessidades e debilidades são relevantes e em todos esses lugares se decide a alegria de viver ou, porventura, o desânimo que mata. No entanto, algumas pessoas, pelas funções que desempenham, têm estado mais no centro do furacão, tanto no âmbito familiar, como sanitário ou em lugares de acolhimento e residência de idosos e doentes. A comunidade humana e a Igreja que somos, felicita e agradece a todos os que diante do sofrimento e da morte não recuaram um passo, mas avançaram com coragem e amor para a linha da frente, pararam para socorrer o irmão, a irmã, como seu verdadeiro próximo. Nesta Missa da Ceia do Senhor, em Quinta-feira Santa, e num tempo tão especialmente denso de significado, é quase impossível não estabelecer uma relação próxima entre o sacrifício de Jesus Cristo, que se oferece ao Pai para dar vida aos homens, e o sacrifício daqueles que se oferecem quotidianamente para aliviar os males humanos muito concretos e que têm um nome e um rosto em cada pessoa. Quando ouvimos Jesus dizer “isto é o meu Corpo... este cálice é a nova aliança no meu Sangue” e sabemos que aquele gesto ritual está suportado pela totalidade da sua vida, percebemos o valor da sua oferta. Quando acolhemos o seu convite “fazei isto em memória de Mim”, compreendemos que se trata de dar continuidade à celebração desse sacramento que nos deixou como memorial da sua paixão, morte e ressurreição, na Eucaristia. Mas compreendemos também que se trata de um pedido que sai do seu coração que ama e nos quer levar a oferecer a nossa vida em favor dos outros, um gesto que só pode sair do nosso coração que ama. A verdade da Eucaristia torna-se mais evidente quando se dá a união entre o momento sacramental que celebramos, em que escutamos a Palavra, damos graças a Deus, oferecemos o Pão e o Vinho, o Corpo e Sangue de Jesus que por nós morreu e ressuscitou, e os momentos anteriores e posteriores de oferta de nós mesmos na vida quotidiana, em união com o mesmo Cristo. Agradecemos, hoje, a Deus, por muitas vidas verdadeiramente eucarísticas, que se têm manifestado nestes tempos em que nos encontramos, e pedimos a graça de todos nos unirmos na oferta do sacrifício de Cristo, pela descoberta cada vez mais profunda da fé e da celebração do Sacramento do amor, que salva. A Eucaristia é o sacramento do amor e a fonte da vida. De entre todas as realidades que experimentamos, esta é o maior mistério e nada a supera de tudo o que nos é dado celebrar e viver. O amor de Deus, ao qual pode unir-se o amor da humanidade, foi-nos revelado por Jesus na véspera da sua paixão e morte, quando reuniu os seus discípulos para a ceia pascal e se ofereceu ao Pai. O pão e o vinho, o seu Corpo e Sangue, a sua vida, toda ela amor, redime e salva a humanidade, resgatando-a dos laços da morte em que jazia, consequência do seu pecado. Pelo amor podemos associar-nos a Ele. Manifestamo-lo quando promovemos a vida, dando a vida. O gesto do lava-pés, narrado no Evangelho segundo São João, ajuda-nos a concretizar a atitude dos discípulos que são chamados a deixar-se purificar interiormente pelo amor de Deus. Nenhum de nós, seja qual for o seu estatuto, está dispensado de acolher esta purificação do coração, pois todos participamos do mesmo pecado de Adão, que se repercute em nós, nas nossas decisões, ações, pensamentos, palavras e omissões. Nem sequer os Apóstolos, escolhidos para levar a mensagem da salvação a todos os povos, a começar por Pedro, o primeiro deles, porque um só é o que purifica e salva, o Senhor Jesus Cristo. Por sua vez, também ninguém está dispensado de acolher o mandamento do amor e o mandato do Senhor: “Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros”. O cumprimento deste preceito, unido ao do amor a Deus, traça as linhas da condição do cristão e define os contornos da grandeza da nossa fé e da nossa humanidade. Eucaristia é mistério da caridade de Deus e impele-nos ao compromisso da nossa caridade, com contornos muito concretos e reais, de acordo com a nossa condição. Esta Páscoa, que vivemos em tempos conturbados, há de levar-nos a um compromisso verdadeiramente eucarístico de celebrar e viver na caridade de Deus, que se tem de refletir na nossa caridade. Como nos ensina a Primeira Epístola de João, “não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade” (1Jo 3, 18). É esse o testemunho de Jesus, e deve ser esse o nosso testemunho de amor que, unido ao Seu amor, salva o mundo. A entrega de amor de todos os que estão junto dos mais pobres e sofredores, de todos os que se sacrificam nas famílias, na comunidade cristã ou nas várias instâncias da sociedade, não é em vão. Estão a lavar os pés aos seus irmãos e, dessa forma, a cumprir o mandato de Jesus Cristo, o Único Salvador. Coimbra, 1 de Abril de 2021Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra