A Comissão de Proteção de Menores e Adu...

NOTA PASTORALSOBRE REINÍCIO DO CULTO PÚBLICO ...

Equipa de Animação Pastoral  Orienta&cce...

Oral

Genç

Milf

Masaj

Film

xhamster

Notícias em Destaque


Registo em video das Jornadas de Pastoral 2020 realizadas em Soure a 3 de Outubro de 2020 e com participação das diversas unidades pastorais da diocese por video confetência.
ABERTURA SOLENE DO ANO PASTORAL DE 2020-2021XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM (A) Caríssimos irmãos e irmãs! Abrimos hoje solenemente o ano pastoral de 2020-2021 animados pela esperança de poder continuar a edificar a Igreja Diocesana de Coimbra iluminados pelo Espírito Santo, conduzidos pela Palavra Viva do Evangelho de Jesus Cristo e com um olhar simples e fraterno dirigido a toda a humanidade que Deus ama. Ontem realizámos uma jornada intitulada: “Formamos um só corpo em Cristo” (Rm 12, 5), dirigida aos conselhos pastorais e às equipas de animação pastoral das unidades pastorais, dois órgãos de participação e corresponsabilidade que manifestam o caminho sinodal proposto a toda a Igreja e oficialmente acolhido pela nossa Diocese. Ficámos felizes por saber que leigos, consagrados e diáconos, conduzidos pelos párocos como legítimos pastores das comunidades cristãs, estão já a sentir-se membros vivos deste Corpo Vivo, que é a Igreja. Sentimos de forma mais clara que Cristo é o nosso caminho, o nosso método, o conteúdo e a razão de ser de toda a nossa ação e da organização em curso na nossa Diocese e nas suas unidades pastorais. Neste início de ano manifestamos a nossa alegria e disponibilidade para continuar, porventura ainda com mais entusiasmo e esperança, a percorrer os caminhos da renovação, tão desejada como urgente, da nossa fé e da vida da nossa Igreja. Hoje, somos confrontados com a Palavra de Deus que nos fala da vinha do Senhor, tanto na primeira leitura como no Evangelho. É uma imagem cheia de significado, que nos recorda o amor universal de Deus a toda a humanidade, a toda a criação e que tem na Igreja, Seu Povo, o sinal ou sacramento desse cuidado divino. Na celebração de S. Francisco de Assis, o Papa Francisco oferece-nos, neste mesmo dia uma Carta Encíclica intitulada “Fratelli Tutti”, todos irmãos, que, além de proclamar a universalidade do amor de Deus, afirma igualmente que a urgência do amor humano, caraterística da nossa condição de Filhos do mesmo Pai e irmãos em Jesus Cristo, o Filho. Estamos diante da revelação bíblica, por um lado, e do Magistério Pontifício, por outro, que a atualiza para os tempos hodiernos, dentro da grande Tradição da Igreja. Temos, agora, a graça de concretizar tudo isso na vida pessoal, familiar e eclesial, sentindo que é verdadeiro caminho de evangelização do mundo em que vivemos. A vinha do Senhor é toda a humanidade que o Pai criou e pela qual Jesus Cristo ofereceu a Sua vida. O Evangelho falava-nos do filho do dono da vinha, no qual podemos entender a pessoa de Jesus, Aquele que não se serve da humanidade, mas serve a humanidade, Aquele que não explora, mas potencia e faz crescer, Aquele que não tira a vida a ninguém, mas dá a vida para que todos vivam. A revelação do amor universal de Deus constitui o princípio fundamental do anúncio da Boa Nova, pois nele todos se podem sentir incluídos, ninguém fica de fora se humildemente acolher o dom que lhe é oferecido. Quando na Oração Eucarística fazemos memorial do sacrifício de Jesus Cristo e oferecemos o Pão, repetimos as palavras de Jesus “isto é o Meu Corpo, que será entregue por vós”. Trata-se de palavras que resumem a entrega do Filho para salvação da humanidade. Depois, oferecemos o vinho e pronunciamos as palavras de Jesus “Este é o cálice do Meu Sangue... derramado por vós e por todos”. Trata-se da declaração de Jesus e, agora, da Sua Igreja, que revela em palavras e gestos sacramentais o amor único de Deus por todos os seus filhos, no sinal do sangue derramado por todos. A vinha do Senhor é a humanidade que Ele ama com o Seu amor divino, pela qual entrega o Filho à morte e pela qual abre as portas da ressurreição. Eis o âmago da nossa fé renovada em cada Eucaristia e proclamada solenemente quando a assembleia em uníssono aclama: “Anunciamos, Senhor, a Vossa morte, proclamamos a Vossa Ressurreição, vinde, Senhor Jesus!” A Igreja não realiza a sua condição de sinal ou sacramento da salvação se não manifesta quotidianamente o amor de Deus por toda a humanidade, enquanto Sua vinha eleita escolhida e cuidada. Deste modo, toda a ação da Igreja, sacramental, litúrgica, pastoral, evangelizadora, caritativa, têm como única motivação levar a humanidade a acolher o amor de Deus e a sentir-se um povo de filhos. Convido-vos, caríssimos irmãos e irmãs, a renovar constantemente este sentido teológico e espiritual no momento de programar ou executar sejam quais forem as ações próprias da vida das comunidades cristãs. A vinha do Senhor é a Igreja, o Povo de Deus, constituído pelos que foram chamados ao batismo e à participação no Corpo de Cristo. O Profeta Isaías referira-se à casa de Israel e à casa de Judá, aludindo ao antigo Povo de Deus, chamado a ser depositário da revelação do Antigo Testamento. O Evangelho, que é presença de Jesus Cristo nas palavras e gestos para os tempos novos, anuncia o Novo Povo de Deus de que somos membros e em cuja edificação colaboramos com o auxílio do Espírito Santo. Cristo amou a Igreja, esta nova vinha escolhida, e por ela deu a Sua vida, a fim de a apresentar ao Pai, santa e imaculada. É uma graça inexcedível poder entrar na Sua missão e dar continuidade ao Seu projeto, apesar das nossas fragilidades e pecados. Convido-vos, caríssimos irmãos e irmãs, a amar a Igreja de Cristo, com o mesmo amor com que procuramos amar a Deus. Sendo a nossa Diocese, porção desse Novo Povo de Deus e cada uma das nossas comunidades lugar da sua realização na unidade e na comunhão, amá-la é caminho de fé e é sinal de esperança para todo o corpo. Não nos fiquemos por um amor em geral ou abstrato, mas procuremos que seja minucioso, concreto e real no modo como tratamos cada pessoa, cada instituição, cada comunidade, cada grupo ou cada atividade. Comecemos por uma atitude construtiva, mesmo que algumas vezes seja crítica; continuemos pela via da comunhão de sentimentos e pela unidade da ação; selemos tudo com a disponibilidade para a servir, mesmo com o sacrifício das nossas ideias, dos nossos planos e da organização das nossas prioridades e tempos. No início de um novo ano pastoral, cheio de esperanças, mas também perpassado pelas apreensões próprias do momento que vivemos, renovemos a certeza de que amar a Igreja e dar por ela a sua vida é a nossa vocação de filhos, de discípulos, de servos de Deus e de servos da humanidade. Na programação como na ação, tanto os pastores como os outros fiéis, façamos da caridade pastoral o nosso mote fundamental, para que tudo concorra para fazer crescer em nós o amor a toda a humanidade e o amor à Igreja, vinha pela qual Jesus Cristo, o Bom Pastor, deu a Sua vida. Coimbra, 04 de outubro de 2020Virgílio do nascimento AntunesBispo de Coimbra
NOTA PASTORAL CELEBRAÇÃO DOS 700 ANOS DO CULTODA IMACULADA CONCEIÇÃO EM COIMBRA A nossa história No dia 17 de outubro de 1320, o bispo de Coimbra, D. Raimundo Evrard, institui a festividade da Conceição de Maria, isto é “o dia em que a Virgem Gloriosa Santa Maria, foi concebida”, e manda que se celebre todos os anos a 8 de dezembro na Basílica de Santa Maria de Coimbra, hoje, a Sé Velha. Ainda longe de encerradas as discussões teológicas acerca da Imaculada Conceição da Virgem Maria, que durou muitos séculos, estava já, de algum modo, a fazer-se o caminho que culminaria na definição dogmática proclamada pelo Papa Pio IX, em 1854, e que confessa: “Por uma graça e favor singular de Deus omnipotente e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original no primeiro instante da sua conceição” (Catecismo da Igreja Católica, 491). Portugal, à semelhança de outras nações da Europa, insere-se de tal modo nesse percurso, espontâneo e popular, por um lado, académico e doutrinal, por outro, acerca de Maria que, a proclamação da Imaculada Conceição como sua rainha e padroeira pelo rei D. João IV, em 1646, é ponto de chegada de um caminho já feito e abertura para uma filial história futura. A própria aplicação a Portugal da tradicional expressão “terra de Santa Maria” significa igualmente o carinho que sempre fomos nutrindo pela Virgem Maria. Também Coimbra faz parte irrenunciável desta história de acolhimento da Virgem Maria pela Igreja, pois, tanto nas manifestações da piedade popular como na reflexão académica de cariz teológico dá passos muito significativos. Nesse sentido, é significativo o Decreto do bispo D. Raimundo Evrard, mas também o seu acolhimento pelo povo e pela própria Universidade, que inclui essa festividade de Maria nos seus mais altos momentos celebrativos e durante vários séculos, a ponto de podermos dizer, com justiça, que Coimbra é a cidade da Imaculada Conceição. Comemoramos e agradecemos Neste ano de 2020, e passados setecentos anos da publicação da carta do bispo  D. Raimundo Evrard, que dá um forte impulso ao culto da Virgem Maria entre nós, queremos assinalar esse momento alto, pois, de algum modo, as suas repercussões perpassam toda a história da nossa cidade e diocese de Coimbra. Nesta comemoração, sentimos o desejo de agradecer aos que nos precederam e lançaram nestas terras e nestas gentes as raízes da nossa cultura de matriz judeo-cristã, fundamentaram a nossa fé em Cristo e alicerçaram a nossa identidade apostólica e eclesial, na qual encontra lugar privilegiado a Virgem Maria. Sentimos ainda o apelo de dar graças a Deus pelo caminho que nos concedeu percorrer, com alegrias e esperanças, com dores e apreensões; queremos também agradecer a Maria por nos incluir entre o número dos seus filhos, por nos chamar a fazer parte daquelas gerações ditosas que a proclamam bem-aventurada, por estar sempre como Mãe ao nosso lado e por ir como Mestra à nossa frente a indicar Jesus como a Salvação e a Vida. Queremos ainda nesta comemoração olhar para o presente e o futuro da nossa Diocese de Coimbra e renovar nela a esperança de Maria, que esteve presente no nascimento da Igreja de Cristo no Pentecostes e acompanhou a dolorosa gestação das comunidades cristãs das origens. Sentimo-nos herdeiros de uma longa história, mas igualmente chamados a voltar continuamente à frescura do Evangelho de Jesus Cristo, à novidade da força impulsionadora do Espírito Santo, à alegria de ser Povo de Deus e Igreja que vê em Maria a sua imagem e o seu modelo de realização. Na tradição da Igreja A Igreja procura continuamente voltar às fontes bíblicas e à Tradição para encontrar as raízes da fé que professa. A propósito do lugar de Maria, a Lumen Gentium afirma: “A sagrada Escritura do Antigo e do Novo Testamento e a Tradição que veneramos, revelam a uma luz cada vez mais clara o papel da Mãe do Salvador na economia da salvação” (LG 55). Maria tem um lugar insubstituível no plano de revelação e ação de Deus que quer salvar toda a humanidade por meio de Jesus Cristo. Já alguns textos do Antigo Testamento apontam para a leitura mariológica do Novo Testamento e este, embora de forma muito contida nos ajuda a compreender como os apóstolos foram descobrindo progressivamente o mistério de Maria, sempre em ligação estreita com o mistério de Jesus e com o mistério da sua Igreja. A Tradição contínua da Igreja alicerçada na revelação bíblica foi descobrindo progressivamente o mesmo mistério de Maria e formulou as definições dogmáticas, que acolhemos de todo o coração: a maternidade divina, a virgindade perpétua, a conceição imaculada, a assunção à glória celeste. Antes, durante e depois, o Povo de Deus foi sempre exprimindo a sua devoção mariana, que era, ao mesmo tempo, consciência teológica e doutrinal acerca do lugar de Maria na relação com Cristo e com a Igreja. Deste modo, as definições dogmáticas não foram simplesmente uma formulação verbal, académica e teórica acerca de Maria, mas sobretudo uma expressão do sentir e crer dos fiéis, iluminados pela Espírito Santo. Passo decisivo foi dado pelo Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, no capítulo VIII, intitulado: “A Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja”. Apesar de não trazer nenhuma nova doutrina acerca da Virgem Maria, ajudou-nos a vê-la melhor como figura humana e marcada pela fé, dotada, sem dúvida, de singulares privilégios, mas sobretudo cheia de virtudes simples e acessíveis que podemos imitar. O Concílio Vaticano II e o Magistério Pontifício posterior trazem, de facto, um novo olhar sobre a Virgem Maria e sobre o seu lugar na Igreja, acentuando alguns pontos relevantes: ela é vista dentro do contexto da História da Salvação, inserida no projeto de Deus que quer salvar a humanidade por meio de Jesus Cristo, seu Filho e incarnado no seio da Virgem Maria; ela tem um lugar ímpar dentro do Povo de Deus e acompanha toda a sua caminhada histórica, apontando para a dimensão escatológica expressa no livro do Apocalipse; a figura de Maria não é vista como uma figura isolada, mas encontra o seu verdadeiro sentido na ligação com Cristo e com a Igreja. Ao propormos a revitalização de um caminho de acolhimento, compreensão e progresso na espiritualidade mariana, estamos a inserir-nos no caminho contínuo do Povo de Deus que sempre quis preservar a fé revelada e acreditada. Queremos continuar por esta via para sermos fiéis à nossa vocação cristã e à Tradição que recebemos, pois como afirmou o teólogo von Balthasar, toda a Igreja é mariana e é preciso continuar a descobrir o seu rosto mariano. Pela via mariana A celebração desta efeméride constitui ocasião para lançarmos alguns desafios à Igreja Diocesana, que quer prosseguir, na fidelidade à fé, pela via mariana Maria, imagem da esperança Como figura de mulher, Maria acolhe todas as esperanças proféticas do Antigo Testamento, enquanto aguarda a chegada do Messias e Filho de Deus, que há de incarnar no seu seio virginal. Ela vê em Jesus o sinal da esperança divina e transmite essa esperança a toda a Igreja cujo nascimento acompanha, partilha-a com os apóstolos e com as primeiras comunidades cristãs. Na sua maternidade espiritual Maria comunica a esperança a todo o Povo de Deus de quem se torna Mãe da santa esperança. Presente na Igreja de hoje, Maria continua a ser para a multidão dos fiéis refúgio, consolação, sinal de misericórdia e de amor, portadora da esperança de Deus. Por essa via, a humanidade tem acesso à esperança que tem por nome Jesus Cristo, morto e ressuscitado, Aquele que ultrapassa todas as barreiras, mesmo a da morte, pelo poder de Deus. Particularmente neste tempo de debilidade face à pandemia, Maria, enquanto mulher e Igreja, tem uma palavra e um testemunho a face às apreensões d e toda a humanidade. Maria, exemplo da obediência da fé Ela acreditou em Deus e em tudo o que lhe foi dito da parte do Senhor, mesmo no que humanamente lhe parecia impossível, pois a Deus, pelo poder do Espírito, nada é impossível. Acolher a fé como um dom e obedecer à vontade do Pai até à morte, aprendeu-o com Jesus, o Filho obediente até à morte de cruz. Agora ensina-nos o caminho da fé e testemunha que nos traz a felicidade que desejamos, tal como a tornou feliz a ela, apesar de ser a Senhora das Dores. Depois das figuras do Antigo Testamento, nomeadamente Abraão, que acreditou, escutou a Palavra do Altíssimo e se pôs a caminho, encontramos em Maria a realização mais perfeita da fé, que significa submissão à Palavra de Deus, que é a verdade. Diante da incredulidade reinante e de todas as dúvidas acerca da verdade, Maria ensina-nos a buscar em Deus as seguranças de que precisamos para viver. Ela encontrou-as no Evangelho anunciado e comunicado, convidando-nos a acolhê-lo e a anunciá-lo com a linguagem, o fervor e o testemunho adequados ao nosso tempo., tornando-se como se lhe tem chamado a Estrela da Evangelização. Maria, exemplo de oração e de louvor No seu “sim” e no seu “magnificat”, pronunciados com amor, Maria mostra a sua total dependência de Deus e da Sua vontade; louva o Senhor de todo o coração, como tinha aprendido da fé do seu povo de Israel. Em Caná, intercede pelo povo junto de Jesus e alcança a graça de uma resposta poderosa. No Cenáculo, ora com os discípulos amedrontados e recebe o dom do Espírito Santo esperado. Com ela, a comunidade cristã reza, louva, suplica, escuta a Palavra e recebe o Espírito Santo prometido. Maria torna-se a mestra e a escola da espiritualidade fundada no Espírito que connosco reza ao Pai. O seu “sim” é ainda a correspondência humana a uma vocação, que vem de Deus. Torna-se para nós a Mãe de todas as vocações, porque nos ensina a responder à voz que nos chama a ser filhos de Deus, mas também a seguir a vocação pessoal que o Espírito nos dá. Maria, exemplo de santidade A Escritura proclamou sempre o nosso desígnio mais alto quando nos convocou à santidade: “sede santos!”. A Igreja insistiu sempre com os fiéis no sentido de corresponderem ao apelo de santidade que Deus lhes dirige e, no Concílio Vaticano II, recordou-o de modo peremptório: “todos na Igreja, quer pertençam à hierarquia quer por ela sejam pastoreados, são chamados à santidade, segundo a palavra do Apóstolo: «esta é a vontade de Deus, a vossa santificação» (1 Tess. 4,3; cfr. Ef. 1,4)” (LG 39. Como imagem mais perfeita da Igreja, a Virgem Maria é também a figura mais perfeita da santidade e torna-se para nós a Mãe e a Mestra dos caminhos da santidade enquanto acolhimento da graça que o Espírito Santo produz em nós. Num contexto de tanto materialismo, egoísmo e relativismo moral, somos chamados a ir com a Virgem Maria às fontes do Espírito, havemos de abrir-nos no serviço desinteressado da caridade para com os irmãos e havemos de tornar-nos sinceros buscadores da Verdade. Maria, modelo de união e comunhão com Cristo e com a Igreja Da anunciação ao calvário, passando por todos os momentos em que acompanhou física ou espiritualmente Jesus, Maria manteve-se unida a Ele. Fortalecida pelo dom do Espírito, permaneceu junto aos Apóstolos e a toda a Igreja, que havia de permanecer unida a Cristo e na verdadeira comunhão. Em tempos de tantas divisões no Corpo de Cristo, que põem em causa o testemunho da Igreja e fragilizam a comunicação da fé e do Evangelho, somos chamados a voltar a Maria, modelo fiel e puro da união com Cristo e de toda a Igreja. Celebremos a Imaculada Conceição com mais amor Em momento tão significativo  e festivo para a nossa cidade e diocese de Coimbra, peço a toda a comunidade diocesana que tudo faça para revigorar o culto devido à Mãe de Deus e nossa Mãe, invocada sob o título de Imaculada Conceição. Celebremos festivamente e aproveitemos este tempo de graça para colher tudo o que Maria tem para nos ensinar como Mestra da fé, Estrela da Evangelização, Testemunha de Santidade no Seu amor a Cristo e à Palavra de Deus, Serva Fiel do Senhor, Modelo e Imagem da Igreja, que acolhe o Espírito Santo. O programa diocesano inclui como pontos centrais um Colóquio teológico e histórico, no dia 17 de outubro, e a Missa, na Sé Velha, no dia 8 de Dezembro. Às diversas comunidades cristãs, paróquias e unidades pastorais, pedimos que acompanhem com as suas celebrações litúrgicas, catequeses e momentos de piedade, segundo a riqueza legada pelas tradições locais. Que a Imaculada Conceição interceda pela nossa Diocese de Coimbra, pela sua santificação, unidade e comunhão na fé e na missão. Coimbra, 17 de setembro de 2020Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
MISSA DO XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM ACRIAÇÃO DA REITORIA-QUASE PARÓQUIA DO CORAÇÃO IMACULADO DE MARIACENTRO PASTORAL IRMÃ LÚCIA   Caríssimos irmãos e irmãs! Este é, em verdade, um dia de festa para esta comunidade cristã e para a Diocese de Coimbra, pois temos a graça de erigir em Reitoria-Quase Paróquia esta porção do Povo de Deus, até agora pertencente à Paróquia de Santa Cruz de Coimbra. Estamos diante de um sinal da fé e da perseverança de uma população, que ama a Deus e ama a Igreja, desejando criar melhores condições para que o Evangelho seja anunciado a todos, para que a caridade cristã seja viva e para que muitos encontrem a Cristo e n’Ele a salvação que nos oferece. Em tempos nada fáceis para as comunidades cristãs, que sentem muita dificuldade em crescer, e quando pode surgir a tentação de baixar os braços, surgem raios de luz e fontes de esperança, que acolhemos como um dom do Espírito Santo, Aquele que faz crescer a Igreja e que renova todas as coisas. O caminho da Igreja é o caminho da esperança fundada no Evangelho que pregamos, é o caminho do Espírito que sempre nos inunda para fazer de nós, pessoas e comunidades, sentinelas da manhã que anunciam o novo dia de Cristo Ressuscitado presente no meio do Seu Povo. O Livro do Ben-Sirá sugeria-nos como conduta de vida que nos afastemos do mal e do pecado para nos deixarmos guiar pelos mandamentos e pela Aliança do Altíssimo. Faz, no fundo, uma alusão à doutrina sapiencial da Escritura que vê no coração de Deus o lugar da sabedoria e no coração humano o lugar que a recebe, nas suas manifestações de inteligência e de amor. A Epístola aos Romanos vê em Cristo, morto e ressuscitado a verdadeira sabedoria de Deus, o sinal que o Pai nos oferece para que, pela via do coração, alcancemos inteligência e amor. E o Evangelho de S. Mateus especifica pelas referências ao perdão o que isso significa. Está, pois, diante de nós, uma mensagem que deve conduzir a vida da Igreja e desta comunidade cristã, que agora constituímos: pela via da inteligência e do amor, que tem por sede o coração sábio, encontraremos a via da edificação de todos os projetos da Reitoria do Coração Imaculado de Maria. A inteligência do coração deve levar ao conhecimento desta humanidade, que anseia pelo Deus vivo. Tem as suas peculiaridades, o seu contexto humano, social e religioso, que é obrigatório ter em conta, quando se pretende realizar aqui a obra de Deus, que consiste em acreditar no nome de Jesus para encontrar n’Ele a salvação. O pároco, com o Conselho Pastoral e a Equipa de Animação Pastoral, enquanto órgãos de participação e corresponsabilidade previstos na nossa Diocese, por-se-ão numa atitude de escuta da voz do Espírito, numa grande atenção às realidades humanas aqui existentes, para traçarem os caminhos de Deus para toda a comunidade. Este sentido da sinodalidade, que leva o pastor a estar com o seu rebanho e a perscrutar onde está a sua fome e a sua sede, levará a todos à realização da missão da Igreja de uma forma viva, dinâmica e envolvente. O amor do coração, na relação com Deus e com o próximo, que se desdobra em compaixão e misericórdia, terá expressão em tudo o que sois e em todas as ações que empreendeis. Que tudo entre vós seja expressão do amor do coração: a liturgia que celebrais, particularmente a Eucaristia, e que exprime a fé da Igreja e dá a graça do enraizamento pessoal em Cristo; a evangelização – quer sejam as ações de primeiro anúncio, quer sejam as ações dirigidas à consolidação da fé dos crentes – é um sinal da caridade pastoral; o aprofundamento da espiritualidade cristã por meio da leitura e meditação da Palavra de Deus ou por meio da imensa riqueza da piedade cristã, há de levar-vos a viver segundo o Espírito que recebestes; a caridade, que tem muitas formas de expressão, mormente a atenção aos mais pobres e aos mais débeis, selará o testemunho de uma comunidade que aceita prosseguir pela via do amor do coração. Damos graças a Deus por nos ter dado como e guia da nova comunidade o Coração Imaculado de Maria, pois no coração da Mãe de Deus se concentra o modelo do acolhimento humano da verdadeira sabedoria de Deus, inteligência e amor. Ao longo da sua vida, que inclui várias décadas passadas entre nós, em Coimbra, a Irmã Lúcia, cumprindo o mandato da Virgem Maria, difundiu no mundo a devoção ao seu Imaculado Coração. Acolhendo a mesma mensagem, temos agora a possibilidade de, a partir deste lugar, dar continuidade a esse projeto, que, acreditamos, ser caminho seguro de refúgio e consolação que nos conduzirá a Deus. Procuraremos ser comunidade cristã com a Virgem Maria, a Mãe de Deus que “é o modelo e a imagem da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo, como já ensinava Santo Ambrósio” e nos foi recordado pelo Concílio Vaticano II (LG 63). Que esta comunidade, agora erigida, não seja simplesmente uma circunscrição eclesiástica; e que a igreja que aqui quereis edificar não seja simplesmente um edifício ou um monumento, mas que sejam o sinal vivo da Mãe de Deus e nossa Mãe, do Coração Imaculado de Maria, serva fiel e pura, o sinal de um coração sempre aberto à Sabedoria de Deus, inteligência e amor, sempre aberto a Jesus Cristo e sempre aberto à humanidade que Ele ama. Queridos jovens, já presente desta comunidade e da Igreja, especialmente vós, que hoje recebeis o dom do Espírito Santo no Sacramento do Crisma, esta comunidade, porção da Igreja, é a vossa casa, pois nela Cristo vive. Entrai nela com alegria e com fé, com a inteligência e o amor, que o Coração Imaculado de Maria vos, o Coração da Mãe vos ajudará a conhecer e Jesus Cristo, sempre jovem viverá em vós. Coimbra, 13 de setembro de 2020Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
NOTA PASTORAL DO BISPO DE COIMBRAANO PASTORAL 2020-2021   \"Os Jovens, a fé e a vocação - que caminhos na Igreja?\"   I“APROXIMAI-VOS DO SENHOR”AVALIAÇÃO Damos graças a Deus pelo Plano Pastoral que acabamos de viver na Diocese de Coimbra, um triénio subordinado ao lema: “Aproximai-vos do Senhor” (1 Pd 2, 4). A Diocese, as comunidades paroquiais, os secretariados, serviços e movimentos foram iluminados pela Palavra do Senhor, procurando elaborar e concretizar caminhos de encontro com o Senhor e de missão junto da humanidade. Os três objetivos, evangelização, espiritualidade e organização, foram campo aberto para uma renovação da Igreja Diocesana em todas as suas estruturas, mas sobretudo nos seus membros, muitas pessoas disponíveis para acolher as propostas e progredir na fé e no serviço. Houve, ao longo destes anos, muito caminho feito, tanto dando continuidade a projetos que já vêm de longe, como ensaiando perspetivas e intuições novas, na esperança de que correspondam ao discernimento feito pela comunidade cristã e sempre na obediência à voz do Espírito que renova todas as coisas. A Exortação Apostólica do Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, foi o documento de base, na procura da fidelidade à Igreja, que sempre nos oferece a possibilidade de estarmos atentos aos sinais dos tempos em que vivemos, sob a iluminação da Palavra Deus e do Magistério Pontifício. A Carta Pastoral escrita para a totalidade do triénio e a Nota Pastoral oferecida em cada um dos anos procuraram iluminar as estratégias definidas e os dinamismos concretos mais urgentes para a nossa realidade diocesana. Não se ofereceu às comunidades um Plano Pastoral acabado, pois sempre quisemos fazer apelo ao trabalho desenvolvido pelos órgãos de corresponsabilidade e participação, cuja missão é definir com o pároco ou com o coordenador, conforme os casos, as linhas de ação, estratégias e atividades locais. Os Conselhos Pastorais foram chamados a dar esse contributo no que se refere à elaboração do Plano Pastoral de cada unidade pastoral; as Equipas de Animação Pastoral foram incentivadas a liderar a programação e execução, sob a condução dos sacerdotes, que presidem à comunhão das comunidades cristãs. Não me cabe, nesta altura, fazer a avaliação dos frutos alcançados, pois essa será tarefa do Povo de Deus, especialmente representado nos referidos órgãos de corresponsabilidade e participação, nomeadamente nos Conselhos Pastorais e assembleias gerais dos secretariados e  movimentos presentes na Diocese. Proponho, por isso, à Diocese que se detenha sobre os objetivos do Plano Pastoral que agora terminámos e faça a sua avaliação. Não se pretende ficar a olhar para o passado que correu bem ou correu mal, mas repassar com olhar crítico e objetivo estes três anos e perceber quais foram os sucessos e as falhas, quais as suas causas e o que se pode fazer melhor no futuro. Segundo o plano apresentado pelo Secretariado da Coordenação Pastoral, esse trabalho de avaliação deverá estar concluído no final do mês de outubro e seguindo a grelha que se encontra disponível neste mesmo opúsculo.   Seria um erro pensar que o anterior plano pastoral ou os outros que o precederam são coisas a arrumar no passado ou nos anais da história da diocese ou da paróquia. Os seus objetivos continuam presentes, pois fazem parte da vida da Igreja e estamos muito longe de os alcançar. A evangelização é a grande prioridade de todos os tempos, mas especialmente na situação em que hoje vivemos. Sem ela a Igreja não cresce e a humanidade, em cada pessoa da nossa terra, não tem  possibilidade do encontro pessoal com Cristo. A espiritualidade é caminho de todos os dias e leva ao enraizamento no Espírito Santo, que conduz a nossa vida. O vazio de espiritualidade que se sente hoje e a confusão instalada no que se refere às “espiritualidades” exigem uma opção clara da nossa parte. A organização, nos moldes concretos em que temos vindo a progredir, constitui uma mudança tão relevante na vida da nossa Diocese que necessita de longos anos de consolidação. A Unidade Pastoral enquanto modelo organizativo da pastoral territorial está na sua fase inicial, apesar de, nalguns casos, ser já uma realidade implantada e a produzir bons frutos. A missão da Igreja diocesana é muito vasta e tem muitas faces. Que não percamos o impulso iniciado com a definição dos objetivos referidos, mas avancemos para outras áreas que sentimos serem urgentes para a Igreja que somos.   IIDINAMISMO SINODALMÉTODO E CAMINHO Nos últimos anos, a par com a eclesiologia expressa nos documentos do Concílio Vaticano II e com o Magistério dos últimos pontífices, tomámos o dinamismo da sinodalidade como método e caminho da vida da Diocese. Nem o bispo nem os presbíteros, enquanto verdadeiros pastores da Igreja, renunciaram a nenhuma das prerrogativas que lhes vêm do sacramento da Ordem em virtude da sua vocação e missão, mas antes se sentem mais membros da Igreja, Povo de Deus e Mistério de Comunhão. O Povo Santo de Deus exprime melhor essa sua condição querida por Jesus Cristo, Seu Fundador, quando todos e cada um segundo a sua vocação e o dom que recebeu, partilha a responsabilidade de edificação da Igreja. Sinodalidade significa caminharmos juntos enquanto Igreja, sempre na escuta da voz do Espírito, que fala de modo supremo por meio da Palavra de Deus, mas também dando lugar à nossa capacidade de ler o que se passa à nossa volta. Os leigos, os consagrados, os diáconos, são chamados a cooperar com os seus pastores em todas as fases da definição de objetivos e estratégias, assim como a dar o seu contributo na realização da missão da Igreja, que tem muitas faces e precisa da fé e do serviço de todos. A nossa Diocese de Coimbra tem já uma grande tradição de busca da sinodalidade. Realizou ao longo da sua história vários momentos fortes aquando dos sínodos diocesanos, mas entende que a sinodalidade não se esgota na realização de um sínodo. Quer, agora, que o seu percurso seja todo ele de matriz sinodal, o que implica o desenvolvimento das formas de participação e corresponsabilidade previstas e propostas pela Igreja Universal. Quer também que a avaliação periódica da sua vida e a elaboração de um novo Plano Pastoral dê voz aos seus membros, a todos os que movidos pelo desejo salvífico de Deus, possam oferecer elementos para corrigir as debilidades e potenciar os desafios do presente e do futuro. Neste ano pastoral, para além de avaliarmos o último triénio, queremos retomar o dinamismo sinodal em ordem à construção de um novo Plano Pastoral que nos orientará de 2021 a 2024. Peço a todos os organismos da Diocese que acolham com entusiasmo a possibilidade de fazerem parte ativa da edificação do Povo de Deus e que até ao final de janeiro de 2021 reflitam, dialoguem e rezem, procurando perscrutar o que o Espírito diz à nossa Igreja de Coimbra. O Secretariado da Coordenação Pastoral preparou os instrumentos necessários para orientar este dinamismo sinodal, com linhas orientadoras dirigidas aos organismos eclesiais e aos jovens, tanto aos que estão mais integrados na Igreja e nos seus grupos como aos que estão mais distantes ou mesmo totalmente desintegrados.   IIIPRÓXIMO PLANO PASTORAL:OS JOVENS, A FÉ E O DISCERNIMENTO VOCACIONAL 1. Tema do Plano Pastoral 2021-2024 Anuncio com muita alegria e esperança que o próximo Plano Pastoral da nossa Diocese será dedicado aos jovens. Esta decisão tem vindo a ser amadurecida há vários anos nas várias instâncias da Diocese, nomeadamente no Conselho Presbiteral, no Conselho Pastoral, no Secretariado da Coordenação Pastoral e em tantas reflexões ocasionais de sacerdotes, consagrados e leigos. Queremos fazer da pastoral dos jovens a prioridade central da vida da nossa Diocese, pois acreditamos que deles, da sua integração, da sua fé e do seu dinamismo evangelizador depende o presente da Igreja. Reconhecemos que os jovens são uma força da sociedade e da Igreja, que ainda não valorizámos adequadamente. A Igreja tem uma imensa missão junto deles e eles têm muito para dar. Precisamos de descobrir quais os caminhos a percorrer para que isso aconteça; precisamos de mudar de atitude na relação com os jovens e de os considerar protagonistas na ação eclesial, uma vez que são portadores de grandes capacidades e de uma grande vontade de mudar o mundo. Reconhecemos também que os jovens são um dos sectores humanos mais ausentes da vida das comunidades cristãs. Os motivos são muito diversos e vão desde as próprias dificuldades de integração, passando por alguns problemas de aceitação do seu modo de ser por parte das mesmas comunidades, até às dramáticas questões de fé ou à debilidade do percurso catequético.   2. Sínodo sobre os jovens e Jornada Mundial da Juventude Dois grandes acontecimentos reforçam esta escolha do tema dos jovens e criam o contexto próximo, que potencia uma maior envolvência dos jovens e da comunidade cristã em geral. Em primeiro lugar o Sínodo dos Bispos sobre “Os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional”, que conduziu à Exortação Apostólica do Papa Francisco, “Cristo Vive”, publicada a 25 de março de 2019. Convido-vos a lê-la com muita atenção ao longo deste ano e a tomá-la como base de uma reflexão tão necessária como urgente entre nós. As muitas sugestões resultantes do Sínodo ajudarão a quebrar rotinas e a abrir novos caminhos de pastoral juvenil a comunidades demasiado acomodadas e envelhecidas, como são muitas das nossas.   Em segundo lugar, a Jornada Mundial da Juventude marcada para Lisboa, no Verão de 2023. O anúncio feito pelo Papa Francisco, no Panamá, encheu de alegria os jovens de Portugal e do Mundo, e já deu origem a um percurso de renovação catequética e espiritual de adolescentes e jovens, que trará grandes mudanças à vida da Igreja. Este acontecimento ímpar precisa de ser bem aproveitado para que dê um novo impulso à pastoral dos jovens na nossa Diocese de Coimbra. Já se iniciou o trabalho de sensibilização e formação com os adolescentes dos últimos anos da catequese, tendo em conta que serão os jovens de amanhã e os primeiros protagonistas da Jornada Mundial da Juventude de 2023. Neste ano pastoral estará também disponível um percurso formativo para os grupos de jovens das nossas comunidades, que constituirá a preparação remota para a Jornada Mundial. Estas propostas, que esperamos sejam largamente acolhidas, dotadas de uma metodologia de trabalho mais ativo e proporcionando maior participação e diversidade de ação, constituem já o início de um novo modo de abordar a catequese e a pastoral juvenil.   3. A fé e o discernimento vocacional O Sínodo dos Bispos e a Exortação Apostólica do Papa Francisco “Cristo Vive” centraram-nos nas questões fundamentais que movem a Igreja no trabalho pastoral com os jovens. Trata-se do crescimento da fé e da progressão no caminho da vocação cristã, que nos pedem três atitudes: acolhimento, acompanhamento e discernimento. O crescimento na fé situa-se no âmago da ação da Igreja, que tem por missão proporcionar-lhes caminhos de encontro com Cristo vivo e com a sua Igreja. Os jovens são naturalmente pessoas inquietas e desejosas de respostas para as muitas questões que povoam a sua vida e são, por isso, pessoas abertas à busca de Deus. Precisam de se deparar com pessoas, comunidades, experiências fortes e testemunhas convincentes para, na força do Espírito Santo, experimentarem a alegria da descoberta de Deus em e por Jesus de Nazaré. Enquanto Igreja temos a missão e a responsabilidade de lhes proporcionar os meios adequados, que sejam verdadeiramente significativos para eles, o mesmo é dizer, que sejam sérios, profundos, exigentes e portadores de desafios mais elevados do que todos os que a sociedade normalmente lhes apresenta. A outra parte da missão cabe aos próprios jovens, protagonistas como hão de ser da construção de si mesmos e de influenciar os que partilham a mesma fase etária, as mesmas instituições laborais, culturais, educativas, desportivas, sociais, os que levam dentro as mesmas esperanças e as mesmas perplexidades. Se os jovens são o presente da Igreja e, dentro dela, pelo seu estilo de vida, particularmente evangelizadores dos outros jovens, não podem ficar de fora deste processo de renovação, nem à espera que outros façam o que lhes compete a eles mesmos fazer. Quando um jovem partilha a sua fé com outros jovens e com toda a comunidade, partilha ao mesmo tempo a sua visão do mundo e da vida, os seus valores, os seus ideais, os seus fracassos e as suas vitórias. Mais do que nunca, o testemunho de uma vida com sentido e com o entusiasmo próprio de quem encontrou o Senhor é o mais poderoso meio de comunicar a fé entre os jovens. Este testemunho de fé dos jovens na relação com outros jovens supera mesmo o bom trabalho da comunicação da fé na família, na catequese da infância e da adolescência ou da comunidade cristã, que é essencial. E, para toda a comunidade cristã, este testemunho é húmus vital.   Convido os jovens a não ficarem à espera da iniciativa da Igreja, da sua comunidade ou dos outros, mas a porem-se eles mesmos a caminho e a serem protagonistas da busca dos caminhos do acolhimento e da comunicação da fé, como experiência pessoal.   O discernimento vocacional constitui a outra dimensão essencial do caminho dos jovens em Igreja.  O jovem, por estar numa fase da vida em que, naturalmente, olha para o futuro, além de equacionar as questões centrais, que são a família e o trabalho ou a profissão, tem de equacionar também a questão da sua vocação na Igreja, pois a fé traz sempre consigo o chamamento concreto a um estado de vida cristã. Fé e vocação são duas realidades de tal modo interligadas que não podem ser caminhos paralelos: a fé conduz ao conhecimento do chamamento de Deus e a vocação supõe e alimenta a fé. Muitos jovens correm o sério risco de pretender viver a fé sem uma definição amadurecida da vocação e outros pretendem seguir uma vocação sem o suporte de uma fé comprometida. A Igreja tem a missão de proporcionar um percurso de fé sólido que desemboque no discernimento vocacional dos jovens. Precisamos de refletir seriamente acerca dos meios e das experiências a oferecer-lhes para que não cheguem à idade adulta sem se terem interrogado sobre esta dimensão da sua vida humana e cristã. Sendo esta, teoricamente uma convicção de todos, é necessário transformá-la em propostas concretas e assumidas pela Diocese e pelos seus organismos, bem como pela comunidades variadas que a constituem.   IVCRIANDO UMA ONDA A construção do Plano Pastoral pede, para além da definição de objetivos gerais, a proposta de estratégias e de ações que levem à sua concretização. Podemos fazer muito mais e com melhor qualidade, desde que tenhamos clareza nos objetivos e entusiasmo na ação. Acreditamos na possibilidade de uma pastoral dos jovens mais atual e adequada à situação que vivemos, contando com todas as dificuldades, mas acima de tudo com o dinamismo evangelizador da fé que professamos. A definição da pastoral dos jovens como a nossa prioridade diocesana constitui o ponto de partida para virarmos a página e passarmos das lamentações, muitas delas justas, para a paixão por Cristo, pela sua Igreja e pelos jovens que Ele ama e quer agregar ao seu Povo como irmãos e como amigos. Precisamos de uma onda de entusiasmo que envolva as comunidades e que envolva os jovens, a fim de quebrarmos um certo comodismo instalado. Contamos com a colaboração e a criatividade de todos: a nível diocesano, contamos especialmente com o Secretariado da Pastoral Juvenil, o Secretariado da Pastoral das Vocações, o Secretariado da Pastoral do Ensino Superior e a Coordenação Diocesana da Jornada Mundial da Juventude (COD); a nível local, contamos com os párocos, os grupos de jovens, os catequistas de adolescentes, os movimentos de pastoral juvenil. A fim de lançar este movimento e de incentivar todos os seus protagonistas, passarei pessoalmente pelos nossos dez arciprestados para um encontro com os jovens que já concluíram a catequese. Espero, por isso, encontrá-los para um tempo de catequese, de oração e de diálogo, de acordo com um plano já agendado no Calendário Diocesano. Queremos também celebrar a Jornada Mundial da Juventude de 2021, a nível diocesano, no sábado que antecede o Domingo de Ramos, o dia 27 de março, com um programa a anunciar oportunamente. Ainda em ano jubilar, confiamos os caminhos da nossa Diocese à intercessão de Santo António, o jovem que, movido pela fé e pelo Evangelho, gastou a vida a comunicá-lo com ardor e com amor. Invocamos a Virgem Maria, a Imaculada Conceição, na celebração dos 700 anos do seu culto em Coimbra,  e pedimos-lhe que continue a ser modelo e imagem da Igreja sempre jovem que queremos ser. Coimbra, 11 de agosto de 2020Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra