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MISSA DA CEIA DO SENHOR 2017 SÉ NOVA DE COIMBRA   Caríssimos irmãos e irmãs! Celebramos nesta noite a instituição do mistério da Eucaristia, o sacramento da presença de Cristo na sua Igreja e na vida dos seus discípulos. Antes da Páscoa, o Senhor quis dar ao mundo o sinal maior do seu amor, dispondo-se a dar a vida por nós e assumindo todas as consequências desse gesto salvador. Elevou o pão e o vinho, pronunciou a bênção sobre eles e, por obra do Espírito Santo, transformaram-se no seu corpo e sangue oferecido ao Pai. Ordenou aos seus discípulos: “fazei isto em memória de Mim” e desde então, a Igreja continua a realizar esse mesmo gesto salvífico, como memorial da sua páscoa, de morte e ressurreição. Nunca mais a Igreja deixou de oferecer o pão e o vinho que, por obra do Espírito Santo presente nos seus sacerdotes, se transformam no Corpo e Sangue do Senhor. Deste modo, o sacrifício salvador realizado uma vez por Jesus, torna-se sacramentalmente presente em todos os tempos da história. A Igreja sempre considerou a Eucaristia como o maior tesouro da sua vida e da sua fé. A celebração em si mesma, a presença real do Senhor, a comunhão sacramental, a adoração eucarística, continuam a ser o centro do culto cristão e a fonte donde dimana para todo o Povo de Deus a graça divina, como alento que o conduz à fé, à esperança e ao amor.   Nesta mesma celebração da Missa da Ceia do Senhor, recordamos a lei fundamental de Jesus, a lei do amor e do serviço, como caminho de toda a sua vida que deverá ser também o caminho da nossa vida. Ao curvar-se diante dos seus discípulos para lhes lavar os pés, Jesus ultrapassa tudo o que era pensável e aceitável dentro da cultura do seu povo: assume a condição do dos servos e dos escravos, os únicos que lavam os pés aos seus senhores. “Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros”. Não há, a partir desse momento, outra lei para os seus discípulos, para os cristãos senão amar os irmãos de forma incondicional, a ponto de lhes lavar os pés, segundo a linguagem sugestiva usada por Jesus e tendo em conta a cultura do seu tempo. Significa isso que, o amor, bem entendido numa perspetiva humana e cristã, não se entende se está encerrado por qualquer lei que lhe trace qualquer tipo de condições. O amor de Jesus foi até à morte e, por isso, pode chamar-se, de fato, amor, pois é bem diferente de qualquer um dos seus sucedâneos preconizados nos tempos que correm. Os discípulos de Jesus, frágeis na sua humanidade e pessoas sempre em construção, não chegarão à perfeição do amor de Deus revelado em Jesus, mas pede-lhes a sua fé que desejem crescer sempre mais no amor, doação, entrega, serviço, sacrifício de si mesmos. Este desejo de crescer no amor é o sinal maior da autenticidade da fé, pois é pelo amor maior que mais se identificam com Jesus, o Seu Mestre e Senhor. O mundo em que estamos tem um grande problema ou, podemos mesmo dizer o seu maior problema, que podemos denominar por falta de amor a par com compreensões e expressões erradas sobre o amor. Basta pensar nas relações matrimoniais a prazo ou até que possa durar, na paternidade como um direito dos pais e não tanto dos filhos, no voluntariado como busca de consolações pessoas, nas vocações eclesiais como um meio de realização pessoal... Sempre que não passamos da fixação no nosso eu e procuramos submeter-lhe o tu dos outros, mesmo que com boas intenções, estamos a dar lugar aos sucedâneos do amor que não se coadunam com a nossa vocação humana e cristã fundamental, que é sermos dom para os outros. Na união da instituição da Eucaristia com o gesto do lava pés, Jesus mostrou-nos a totalidade da sua vida imersa no amor: dá o seu corpo e o seu sangue, dá a sua vida, nada reserva para si mesmo, tudo é para os outros; exprime de forma concreta o que isso significa dia após dia, quando se curva diante dos seus discípulos, ou seja, da humanidade, dos homens e mulheres, seus irmãos, o seu próximo.   A Igreja convida-nos a olhar para a Virgem Maria como o tipo e o modelo da Igreja que assume na sua história pessoal um estilo verdadeiramente eucarístico no que respeita à fé, à esperança e ao amor.   Maria é a mestra do conhecimento de fé, pois não se apoia nas certezas humanas, mas na Palavra do Deus Salvador. Não vê, não entende, não se apoia em mais nada senão na Palavra do Anjo, Palavra de Deus que lhe anuncia a incarnação do Verbo de Deus no seu seio virginal. De fato, apoiar-se inteiramente na Palavra de Deus é atitude de fé. Não tem mais nada em que se apoiar para acreditar na Eucaristia. Basta-lhe a palavra de Jesus: Isto é o Meu Corpo; isto é o Meu Sangue. Ela antecipa a fé da Igreja, pois acredita que Aquele que se gerou no seu seio é o Filho do Deus Altíssimo: crê e adora a Deus em Jesus feito carne, em Jesus que se oferece ao Pai, em Jesus, que é o Senhor ressuscitado e vivo, presente na Igreja pelo sacramento da Eucaristia.   Maria é a Mãe da santa esperança, pois não espera nada das suas capacidades e forças humanas, que entende como pobres e fracas. Tudo espera de Deus que é fiel às suas promessas feitas de geração em geração e à promessa da vinda do Messias, Aquele que há de libertar Israel de todas as suas culpas. Ela é mulher de esperança quando recebe o anúncio do Anjo, pois aguarda a concretização da promessa de Deus. Apesar da perturbação e das perguntas, ela guarda todas as coisas no seu coração, ou seja, medita silenciosamente na fé acerca do que, pelo poder de Deus, há de acontecer. Quando acompanha Jesus na sua paixão até à morte de cruz, Maria sofre as dores da Mãe, mas espera com a fé da Filha de Sião. E, na manhã do primeiro dia da semana, vê realizada a sua esperança, podendo alegrar-se intensamente, tal como tinha sido profetizado pelo Anjo da Anunciação que a saudara com as palavras: salvé, alegra-te, Maria. O Pentecostes e o dom do Espírito à Igreja completará essa esperança da presença do Salvador no meio do Seu povo. A Eucaristia é para ela e para toda a Igreja o sacramento da esperança em Deus, que é fiel às suas promessas.   Maria é ainda o modelo de amor ou de caridade que a Igreja deve viver, alicerçada na Eucaristia, o Sacramento da Caridade. A sua vida é um hino à obediência à vontade de Deus – faça-se em mim segundo a Tua Palavra! Nesse sentido a vida de Maria é um sacrifício contínuo, pois a obediência à vontade de Deus realiza-se no sacrifício de si mesma. Na visitação, em Belém, em Nazaré, no templo de Jerusalém, no Cenáculo, no Calvário, junto ao sepulcro, na espera do Pentecostes, a vida de Maria é um dom de amor. Ela é toda de Deus e é toda para Jesus e para os irmãos, nada reservando para si, a ponto de aceitar ser oferecida por Jesus à Igreja como Mãe. Maria manifesta o seu amor a Deus e à Igreja pelo serviço pobre e humilde que realiza ainda hoje. Ao aproximar Deus da humanidade trazendo Jesus ao mundo, realiza o eterno desígnio do Pai: que todos se salvem pelo conhecimento do nome de Jesus. Essa é também a missão de serviço da Igreja e de todos nós, que se realiza no acolhimento, na evangelização e na caridade.   Que a Virgem Maria nos leve a crer, a esperar e a amar a Deus e aos irmãos, tal como Jesus nos ensinou com a sua morte e ressurreição e como Jesus nos ensina na Eucaristia e no lava pés que hoje fazemos em sua memória.   Coimbra, 13 de abril de 2017   Virgílio do Nascimento Antunes Bispo de Coimbra  
MISSA CRISMAL 2017 IGREJA DA SÉ NOVA DE COIMBRA   Caríssimos irmãos e irmãs! A celebração da Missa Crismal, que antecede o Tríduo Pascal, renova em toda a Igreja a certeza da presença do Espírito Santo, como o grande dom de Deus. Na celebração do Pentecostes reencontramo-nos com o mesmo dom do Espírito que dá vida e conduz a Igreja pelos caminhos da salvação.  No centro está Páscoa do Senhor, o mistério da morte e da ressurreição, que não se entende nem se vive sem a presença do Espírito, Aquele que fortalece Jesus no caminho da Sua entrega e pelo qual o Pai O ressuscita dos mortos e o torna presente e atuante na Sua Igreja. Convido-vos a renovar a fé na presença do Espírito Santo em nós e na Igreja tal como esteve presente na vida e ação de Jesus. Com Ele não seremos simplesmente uma comunidade humana orientada por bons e belos princípios, nem somente uma comunidade com grandes objetivos humanitários e filantrópicos, mas a comunidade dos santos, a Igreja Santa de Deus. O Espírito Santo que recebemos nos sacramentos da iniciação cristã faz de nós homens novos e espirituais, comunidade de filhos de Deus, povo eleito e santo, que caminha por entre alegrias e dores para a Pátria Celeste. O Espírito Santo que recebemos no sacramento da Ordem faz de nós ministros de Cristo e da Igreja, ungidos como enviados para anunciar a Boa Nova aos pobres, proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, restituir a liberdade aos oprimidos, proclamar o ano da graça do Senhor. É, pois, pelo Espírito Santo que somos filhos de Deus Pai, irmãos em Jesus Cristo e Igreja enviada a dar a conhecer ao mundo o mistério no qual fomos chamados a participar pela eleição que recebemos. Não cessamos de dar graças a Deus porque nos chamou a participar deste mistério de sermos Seus e da Sua Igreja sem qualquer mérito da nossa parte; não cessamos de dar graças a Deus por nos incluir na missão de dar a conhecer ao mundo a força da salvação; não cessamos de dar graças por nos enviar com a missão de construir a Igreja por meio do anúncio do Evangelho a todos os povos da terra.   “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu”. Com estas palavras o evangelista apresenta Jesus, o Servo de Deus, que manifesta total disponibilidade para realizar a vontade do Pai, a para ser protagonista do Seu plano salvador. Já no batismo Jesus havia acolhido o Espírito que descera sobre Ele e o consagrara para a missão, no deserto confrontara-se com as tentações de realizar a sua própria vontade. Apesar de ser Filho, conduzido pelo Espírito sabe o que é obedecer e, na sua humanidade verdadeira, conhecendo a debilidade da carne, sente o abandono do Pai, mas, pelo mesmo Espírito, confia e, nas Suas mãos entrega o Seu espírito. A vida de Jesus, na fidelidade ao Pai, tem o selo indestrutível da unção do Espírito, que O torna fiel, a ponto de não fazer a Sua vontade, mas a d’Aquele que O enviou. A passagem da Escritura do Profeta Isaías lida na Sinagoga de Nazaré, cumpre-se efetivamente pela obediência de Jesus, cheio do Espírito Santo.   Caríssimos irmãos sacerdotes! Nesta celebração da Missa Crismal, em que recordamos que fomos ungidos pelo Espírito Santo para sermos ministros de Cristo e da Igreja, proponho que reflitamos sobre o modo como havemos de viver e agir na nossa condição de cristãos e de pastores.   Avivemos a fé no Sacramento da Ordem, como Sacramento da unção do Espírito Santo, pelo qual Deus nos constitui como seus, a ponto de não mais nos pertencermos a nós mesmos, mas ao Senhor. Esta força do Espírito em nós, que recebemos pela imposição das mãos e pela unção com o óleo santo, não nos afasta do Povo de Deus nem nos torna superiores a ninguém, mas dá-nos a graça de, configurados com Cristo Cabeça e Pastor, servirmos o mesmo Povo Santo na doação de nós mesmos e na fidelidade à vontade do Pai. Convido-vos a considerar sempre a grandeza do dom que recebemos, contrastante com a pequenez do que somos, para que não nos atribuamos o mérito de nada, nem nos apresentemos com arrogância diante de ninguém, mas cheios de temos e tremor. A fé viva no Espírito Santo que habita em nós só pode coabitar harmoniosamente com a consciência humilde da nossa debilidade.   O Espírito de Deus que recebemos é Espírito portador da eterna novidade e é Espírito de renovação permanente da Igreja, de cada um de nós e de todos os fiéis. Sem o Espírito Santo Cristo pertenceria ao passado, a Sagrada Escritura seria propaganda de uma ideologia, a Igreja seria uma sociedade humana e o sacerdócio seria uma função eclesiástica. O Espírito faz-nos regressar a Cristo, o Senhor da Vida, a Escritura é Palavra que salva, a Igreja é Povo Santo de Deus e o sacerdócio é participação no mistério de Cristo em ordem ao ministério, ou seja, ao serviço. No meio das dificuldades que assaltam a Igreja e os seus ministros, frequentemente atingidos pela fadiga espiritual e pastoral, precisamos de voltar a acreditar no Espírito que renova todas as coisas, que pode dar novo alento a todos os que estão cansados, confiança e esperança aos que se vêm a braços com a tentação do desânimo proveniente dos muitos insucessos. A obra que temos em mãos é obra de Deus. As nossas qualidades e capacidades são importantes e necessárias, mas insuficientes para realizar a obra de Deus, que é imensamente maior do que o que fazemos. No meio dos nossos insucessos, havemos de ver a força renovadora de Deus que faz novas todas as coisas. O que Ele nos pede é a disponibilidade para nos deixarmos renovar interiormente, para acolhermos a criatividade contínua proveniente do dom do Espírito: criatividade no coração, nos dinamismos pastorais, na comunhão da vida comunitária, nos modelos de evangelização, na adequação do ministério ao tempo em que vivemos. Juntamente com muitas perplexidades, o nosso tempo também nos oferece inúmeras possibilidades. Que o medo do presente e as desconfianças relativamente ao futuro nunca possam vencer a fé na inesgotável criatividade do Espírito de Deus que, apesar de todas as suas vicissitudes históricas, há de conduzir a Igreja à realização da sua missão.   Em sintonia com Cristo e como Corpo de Cristo, a Igreja é comunidade animada pelo Espírito Santo. Significa que cada um de nós, leigo, consagrado ou sacerdote, para ser discípulo de Cristo, precisa de viver no Espírito. Temos, porventura, dado pouco lugar à dimensão espiritual da nossa condição de cristãos e de membros da Igreja. Privilegiamos frequentemente a ação, a pastoral e a missão em detrimento do crescimento da fé, da evangelização e da oração, ou seja, em detrimento da formação interior e da espiritualidade. Tanto na catequese, como na evangelização e até na própria liturgia, precisamos de aprofundar muito a dimensão espiritual, para que se tornem verdadeiro lugar de encontro com Deus. Desse modo, por meio do Espírito Santo, Deus há de falar-nos, modelar o nosso coração e a nossa vontade, fazer de nós homens espirituais e comunidades de vida no Espírito. De um modo especial, nós, os sacerdotes, havemos de crescer por dentro para nos tornarmos homens verdadeiramente espirituais. Nessa altura não viveremos ancorados no que fazemos, mas no que somos, trabalharemos mais motivados mais pelo dom que recebemos do que pelo sucesso pessoal que pretendemos, agiremos mais a partir da interioridade do que das solicitações externas. Convido-vos, caríssimos irmãos, a renovar o desejo íntimo de viver no Espírito como a caraterística fundamental que nos define, como o nosso modo de ser, pois fomos ungidos para permanecer no Espírito e em cooperação humilde com Ele levarmos a Boa Nova a todos os povos da terra. O modo como celebramos os sacramentos, o tempo que damos à oração pessoal, o retiro anual ou as recoleções periódicas, o silêncio e a meditação, a programação da vida motivada pelos valores do Reino, são meios que a Igreja nos oferece e sem os quais podemos cair no ativismo exterior apesar de paralizados ou vazios por dentro.   Na nossa caminhada de cristãos e sacerdotes temos sempre a certeza da companhia da Virgem Maria, o “tipo e a figura da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo”, tal como a definiu a Lumen Gentium (Cap. VIII, nº 63). Mais do que os seus privilégios, contemplemos as suas virtudes, particularmente a sua disponibilidade para acolher o Espírito Santo como Dom que renova, transforma e faz dela a Mulher espiritual, que se torna a Mãe de Deus e a Mãe da Igreja. Como referiu o mesmo Concílio Vaticano II, “o próprio Espírito Santo a modelou e d\'Ela fez uma nova criatura” (LG 56), como pode modelar-nos a nós e fazer de nós novas criaturas, se nos apresentarmos diante dele como servos abertos à realização da Sua Palavra. Com Maria aprendamos a ser templos do Espírito Santo, morada do Deus Altíssimo, filhos de Deus Pai, que acolhem Cristo no coração e na vida para O apresentar ao mundo como o Único Salvador. Peçamos ao Senhor humildemente que, como fez em Maria, também em nós faça maravilhas e, por meio do Seu Espírito, nos dê a graça de proclamar que o Seu Nome é Santo!   Coimbra, Sé Nova, 13 de abril de 2017   Virgílio do Nascimento Antunes Bispo de Coimbra  
Morreu no dia 30 de março de 2017, na sua residência em Pombal. Nasceu no dia 20 de Agosto de 1925 na freguesia de Santiago da Guarda. Entrou para o Seminário em outubro de 1932 e foi ordenado sacerdote no dia 14 de agosto de 1949, na Sé Nova de Coimbra, por D. Ernesto Senna de Oliveira. Cargos exercidos Prefeito e Professor no Seminário da Figueira da Foz; Pároco de Redinha, novembro de 1953; Pároco de Tapéus, julho de 1982; Pároco Interino de Pelariga, fevereiro de 1998; Pároco interino da Almagreira, fevereiro de 1998. Pregou em várias paróquias da Diocese e dedicou-se à formação da juventude, sendo professor de diversas disciplinas no colégio de Pombal e no colégio da Redinha fundado por ele. Exerceu o seu apostolado com muita generosidade para com os seus paroquianos, para a sua diocese e para com os colegas no sacerdócio. Quando as forças começaram a faltar recolheu-se a sua casa em Pombal onde continuou o seu apostolado ajudando o pároco desta freguesia e recebendo, em sua casa, com muito alegria, os sacerdotes daquela zona e os seus muitos amigos A missa de corpo presente foi celebrada na igreja do Cardal em Pombal, presidida pelo Senhor Vigário Geral e em representação do Senhor Dom Vigílio, ausente no estrangeiro. Foi sepultado no Mogadouro, sua terra natal, depois de feita a ultima encomendação na capela desta povoação. As cerimónias fúnebres tiveram sempre muita assistência de sacerdotes e fieis.  
No inicio da Quaresma, o Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil, realizou mais uma peregrinação diocesana a Taizé que contou com a participação de cinquenta e oito jovens, incluindo cinco pessoas da equipa de organização, que tiveram a oportunidade de passar uma semana em silêncio e em comunhão com outros jovens que professam a mesma fé em Jesus Cristo.   A partida realizou-se no dia 25 de fevereiro e a chegada no dia 4 de março. A semana passou-se em comunhão, silêncio e partilha, proporcionando o aprofundamento da fé de cada um e o diálogo religioso tão desejado pelo Santo Padre. Para além disto, houve também tempo para fazer alguns serviços - como servir a comida, cozinhar, etc. – e para a diversão. Os nossos jovens viveram uma semana cheia de alegria, em conjunto com outros jovens (portugueses e estrangeiros) da qual saem de coração cheio e com uma grande vontade de voltar.   Deixamo-vos com dois testemunhos: \"Há já cerca de 10 anos que planeava ir a Taizé e apesar da curiosidade ser grande, o que poderia vir a encontrar sempre me foi mantido como segredo. Amigos meus que já tinham vivido a experiência nunca quiseram desvendar aquilo que se podia sentir nesta pequena aldeia isolada das grandes cidades. Assim, tentei ir sem receios e sem grandes expectativas. Tinha apenas a certeza que seria um momento marcante na minha caminhada. Para muitos de nós, esta semana em Taizé foi como um tempo de viragem, um tempo de reflexão sobre as nossas maiores dúvidas e a procura pelas suas respostas. Este local é sem dúvida o indicado para o fazer. O silêncio que paira sobre o recinto, especialmente na enorme igreja que acolhe milhares de jovens, é verdadeiramente apaziguador. Cada pessoa dirige-se com uma motivação diferente, mas no fundo com o mesmo propósito: a comunhão. Naquela simplicidade rotineira, podemos dedicar-nos aos outros, servindo a comunidade que ali se encontra; podemos serenar e dedicar tempo para reflectir sobre as nossas prioridades; podemos reunirmo-nos e   aprofundar o nosso  conhecimento bíblico; entre muito mais. Seja de que idade ou nacionalidade for, todos sentimos uma paz de espírito que não conseguiríamos encontrar na azafama do nosso quotidiano. Foi um tempo de paragem muito importante para todos nós. Voltámos com uma frescura diferente, com uma dose de fé maior que a que já tínhamos e com vontade de fazer mais e melhor! \" Patrícia Murta   \"Taizé é uma pequena aldeia no centro de frança sem nada no seu redor, apenas a natureza. É um sitio sereno, tranquilo, reconfortante, apaziguador e acima de tudo muito simples. Esta viagem até Taizé serviu principalmente para refletir. Pude parar um pouco e pensar no que me rodeia, nas minhas inquietações, na minha vida escolar, no que ando realmente a  fazer. Por outro lado, ensinou-me também a viver com o outro e para o outro.  O que gostei mais foram as orações. A igreja de Taizé é um lugar extraordinário que proporciona momentos únicos de silêncio e paz de espírito que nao consigo encontrar em mais lado nenhum.  Quer seja no início, quer a meio, quer no fim da semana, penso que Taizé acabou por tocar a todos e eu nao fui exceção. Saí de lá de coração cheio e a perceber que podemos ser felizes na simplicidade.\" Margarida Nina Rosa   SDPJ Coimbra
MENSAGEM DO BISPO DE COIMBRA PARA A QUARESMA DE 2017 COM MARIA, AO ENCONTRO DO RESSUSCITADO   A celebração do tempo santo da Quaresma aviva em nós a certeza da fé segundo a qual caminhamos animados pela presença do Senhor Ressuscitado. Todas as alegrias e dores da nossa vida pessoal, familiar e eclesial são vividas na esperança da ressurreição e da glória, cujas portas já nos foram abertas por Jesus Cristo, o Filho de Deus. Convido, por isso, toda a comunidade diocesana de Coimbra a renovar a fé no Senhor que por nós sofreu a paixão e a morte, mas está vivo pelo poder de Deus e oferece-nos o caminho da Vida. Se permanecemos n’Ele, Ele enche de luz toda a nossa existência, todos os recantos do nosso ser; Se com Ele morremos, também com Ele ressuscitaremos. A Quaresma deste ano de 2017, vivida no contexto do Centenário das Aparições de Fátima dá-nos a oportunidade de aprofundarmos o lugar da Virgem Maria no mistério de Deus e no mistério da Igreja. Podemos ver nela o modelo da fé, da escuta orante da Palavra de Deus e da caridade para com os irmãos. A companhia de Maria, disponível para fazer caminho connosco, é para a Igreja e para cada um de nós um precioso auxílio que não queremos desperdiçar.   Maria é o modelo para a nossa fé. À voz do Arcanjo Gabriel, expressão da voz de Deus, responde com confiança: Faça-se em mim segundo a Tua palavra! Não conhece o futuro, não sabe onde aquela palavra a pode levar, mas, porque vem de Deus, rico de amor e de misericórdia, cujo desígnio é sempre de salvação, não hesita. Como Abraão, parte sem saber para onde, mas confiando que Deus lhe abrirá sempre caminhos novos e bons, pelos quais há de passar na sua peregrinação constante. Não conhecemos o futuro, não sabemos onde o Senhor nos levará, mas confiamos, como ela, que a Sua vontade é que sejamos salvos, tenhamos a vida e a vida em abundância. A nossa peregrinação consiste em caminhar confiando e confiar andando, numa disponibilidade crescente para que sempre e em tudo se faça a vontade de Deus. A Quaresma com Maria é uma peregrinação interior, pois a vida do crente é sempre uma caminhada baseada na fé e alicerçada na confiança no Deus que nos chama das trevas para a Sua luz. A conversão pessoal é o sinal maior da autenticidade do caminho de fé que o Senhor nos propõe nesta Quaresma.   Maria é o modelo da nossa escuta da Palavra de Deus. Ninguém como a Virgem Maria escutou, meditou, rezou e cumpriu de forma tão completa a Palavra de Deus. O Verbo de Deus encarnou no seu seio virginal por obra da graça e pela força do Espírito Santo, porque ela, na pureza do seu corpo, do seu coração e da sua vontade, a aceitou e acolheu livremente. Grande parte da sua vida foi composta pelos longos silêncios em que considerava tudo atentamente no seu coração, o que compreendia e não compreendia, o que sabia e o que esperava, as alegrias e as dores. No silêncio orante podia sempre encontrar as respostas de Deus para as suas muitas perguntas, entrava mais profundamente no mistério da sua vida cruzada com o mistério de Deus, via abrirem-se horizontes novos para a sua ação. A Quaresma com Maria é um lugar privilegiado de silêncio para a escuta orante da Palavra de Deus, para nos adentrarmos mais profundamente no mistério da nossa vida pessoal e comunitária que também se cruza com o mistério do Deus Altíssimo. A leitura orante da Palavra de Deus, em Igreja e na companhia de Maria, é lugar da presença do Espírito Santo, que faz brilhar na nossa mente e no nosso coração a luz de Cristo que nos salva.   Maria é o nosso modelo de caridade com os irmãos. A visita de Maria a Isabel, com nobres intuitos caritativos, tornou-se também um único momento de revelação da alegria que provoca sempre a presença de Jesus, o Filho de Deus já encarnado no seu seio. A fé de Maria e a sua escuta da Palavra de Deus não foram nela realidades estéreis: abriram-na à caridade, pois a fé tinha de ser compromisso com o próximo e a Palavra tinha de dar frutos de amor. “Minha Mãe e Meus irmãos são os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”, disse Jesus. Desse modo ultrapassou os limites das relações familiares para estabelecer laços espirituais entre todos os crentes; e convidou todos os que ouvem a Palavra de Deus a serem fecundos na prática da caridade, o seu mais precioso fruto. A Quaresma com Maria leva-nos a alargar o coração a todos, faz-nos sair como ela ao encontro dos irmãos, particularmente dos mais necessitados no corpo ou no espírito, com gestos concretos de acolhimento, de consolação, de ajuda, de caridade. Para alguns, esses poderão constituir momentos de revelação do Deus de amor e de misericórdia que desconhecem, que procuram e que, por obra da sua graça, acabarão por encontrar.   Convido toda a comunidade diocesana a fazer uma séria caminhada quaresmal com Maria e numa Igreja de rosto mais mariano: confiantes na fé, guiados pela Palavra e comprometidos na caridade. Informo que o produto da renúncia quaresmal que se recolher nesta Quaresma na Diocese de Coimbra será para ajudar uma instituição de acolhimento de crianças e jovens muito querida por todos nós, a Obra do Frei Gil. Faço votos de que o Coração Imaculado de Maria seja o nosso refúgio neste tempo da Quaresma e nos conduza ao encontro com Cristo Ressuscitado.   Coimbra, 24 de fevereiro de 2017 Virgílio Antunes Bispo de Coimbra