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O Senhor chamou à Sua Divina presença o Mons. Joaquim Ferreira da Cunha, sacerdote muito estimado e querido na nossa Diocese. O Mons. Cunha nasceu no dia 05-12-1928, no lugar de Sobral, Freguesia de Barreira, diocese de Leiria. Depois de frequentar os Seminários diocesanos de Coimbra foi ordenado sacerdote a 15 de Agosto de 1952, na Sé Nova de Coimbra, pelo Arcebispo Bispo D. Ernesto Sena de Oliveira. Logo após a ordenação serviu com inexcedível dedicação a Igreja e a sua Diocese como Secretário Particular do Prelado que o tinha ordenado, tendo recebido dele também muita gratidão e amor tendo pedido ao Santo Padre no final do seu serviço o título de Monsenhor. Os primeiros tempos deste novo sacerdote foram dedicados à Igreja nos serviços centrais da Diocese: em deslocações das Visitas Pastorais, acompanhando a Roma D. Ernesto às sessões do Concílio Vaticano II, correspondência, arquivos. Muito empenho na construção da nova residência Episcopal e seu apetrechamento. Além destas funções dedicou-se ao serviço da Igreja, regressado a Coimbra depois do Curso de Direito Canónico da Universidade Gregoriana de Roma, nos seguintes serviços: professor de Direito Canónico no Seminário; membro do Tribunal para a beatificação dos Pastorinhos, Juiz e Vigário Judicial do Tribunal Eclesiástico de Coimbra, membro da administração da diocese de Coimbra, assistente das equipas de casais de Nossa Senhora, membro do Conselho Presbiteral e da direcção da Mútua do Clero, assistente da Legião de Maria, professor da escola Martim de Freitas e assistente na Penitenciária de Coimbra. Em Abril de 1979 foi nomeado Pároco da Freguesia de Ceira onde esteve até que as forças físicas o permitiram. Antes ajudou muito generosamente os seus colegas, designadamente o Pároco da Sé Nova de Coimbra, P. Manuel de Almeida Alves. A Diocese de Coimbra, na pessoa dos Bispos que serviu, lembra a sua acção generosa sempre disponível ao seu serviço como sacerdote e homem de Deus. O corpo estará em camara ardente na Igreja de Ceira a partir da 16 horas de hoje (20 de Janeiro), e amanhã pelas 11 horas, será celebrada Missa de Corpo Presente presidida pela Sr. Bispo de Coimbra, D. Virgilio Antunes, seguindo-se depois as exéquias e tumulação na sua terra natal, às 15.30 horas. Paz à sua alma.  
FESTA DO BATISMO DO SENHORABERTURA DO JUBILEU DE SANTO ANTÓNIO E DOS PROTOMÁRTIRES FRANCISCANOSIGREJA DE SANTA CRUZ DE COIMBRA - 2020.01.12 Caríssimos irmãos e irmãs! Eis o ano jubilar de Santo António e dos Protomártires Franciscanos, um ano que enche de alegria a nossa comunidade diocesana. Esperamos que seja um verdadeiro tempo de graça, que nos leve a entrar pela porta de uma fé descoberta e aprofundada, como contributo para uma vida pessoal e comunitária mais evangélica e cristã. Aquele mesmo Jesus Cristo que seduziu os Primeiros Mártires Franciscanos e os levou a segui-l’O até à oferta total das suas vidas pelo anúncio do Evangelho, continua a propor-nos uma vida com sentido e a oferecer-nos a proposta de entrar por Ele, a porta da esperança e da salvação. Aquele mesmo Senhor que entrou no coração de Santo António e o conduziu à radicalidade da fé, continua a mostrar-nos que a vida só se ganha quando se perde no amor aos irmãos por quem deu a Sua vida. Aos cristãos, este ano jubilar incentiva a porem-se no caminho da conversão, para que o batismo seja uma realidade assumida com fé e entusiasmo; aos buscadores de Deus, este ano jubilar revela a grandeza do dom de Deus, que faz dos fracos pessoas fortes e faz dos pobres testemunhas do amor eterno de Deus no meio do mundo, quando alimentados pela Palavra e pelo Espírito. A todos, este ano jubilar mostra a força transformadora do mundo, que habita em nós quando, movidos por ideais grandes e nobres, nos entregamos às causas maiores, focados no bem dos outros, na paz e na justiça, na liberdade e no respeito pela dignidade humana. Estamos muito gratos a Santo António e aos Mártires de Marrocos por nos permitirem vislumbrar um modo de acreditar e de viver que os enredos interiores ou exteriores nos podem vedar à vista e ao coração. Que o seu testemunho de santos e de mártires não somente nos convença e seduza, mas também nos arraste na senda da afinação dos nossos caminhos, valores, opções de vida e motivações, tanto humanas como religiosas e espirituais. Estamos a celebrar a Festa do Batismo do Senhor e a reviver o momento em que Ele nos apresenta de forma clara a sua identidade de Filho amado de Deus, mas também a sua vocação e a sua missão. Pela mão de João Batista, o Filho de Deus entra nas águas e sai delas cheio do Espírito Santo, que O conduz na fidelidade total à vontade do Pai, como escutámos no texto do Evangelho de S. Mateus. A missão de Jesus era especificada na Segunda Leitura: passou pelo mundo fazendo o bem e curando todos os oprimidos. Ao dar a mão a todos os que encontra pelo seu caminho, Jesus cumpre a vontade do Pai, que quer felizes e salvos todos aqueles que criou. É a via da caridade ou do amor, da solidariedade e da comunhão, que tem em conta a pessoa integral, com as suas alegrias e esperanças, mas também com as suas debilidades e dores. Desse modo, Jesus cumpre a profecia de Isaías, na qual Deus promete o envio do Seu Servo, Aquele que, cheio do Seu espírito, levará justiça às nações, será mensageiro de luz e de esperança para todos, conduzirá os povos pela mão e aproximá-los-á para que se encontrem e estabeleçam uma aliança de paz. Em todos os tempos e lugares da história, a humanidade sonha com um mundo diferente daquele em que vive, deseja edificar uma sociedade mais justa e mais fraterna para todos, anseia por uma paz e uma esperança que não excluam ninguém. A grande questão continua, porém, sempre de pé: quais os caminhos a percorrer para que este sonho profético inscrito no coração de todos os homens e mulheres se realize? A pessoa de Jesus Cristo e a luz que irradia da sua mensagem e da sua atitude de vida sintetizam a resposta: os céus abriram-se, o Espírito de Deus desceu sobre Ele, e Ele passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo demónio. Para além das ideias, projetos, negociações e manifestações de boa vontade, sempre necessários, a Pessoa e Mensagem de Jesus oferecem-nos uma luz que tem de estar antes de tudo e para além de tudo: a caridade do Deus Criador, comunicada a toda a humanidade criada, para que a acolha, a partilhe e faça dela a luz da sua vida. A santidade, que pode ir até ao martírio, consiste precisamente em acolher a caridade do Deus Criador como fundamento de toda a existência e em partilhá-la em gestos de justiça e de paz com os irmãos. O batismo do Senhor, que hoje evocamos, e o batismo que nós próprios celebrámos, introduz-nos neste dinamismo da caridade de Deus, que nos impele a passar pelo mundo fazendo o bem, a ser uma mão aberta e estendida a todos, a realizar o sonho da humanidade, que é o sonho de Deus. O Jubileu que hoje iniciamos oferece-nos a graça necessária para, livremente, entrarmos pela via da  conversão pessoal, neste sonho da humanidade, que é o sonho de Deus, e darmos o nosso contributo para a renovação da comunidade que sente a urgência de se refazer na verdade e na caridade. O jubileu é uma feliz proposta de santidade de vida como o ideal e a meta do cristão, vendo à frente Jesus Cristo, o Santo de Deus, e acompanhados pelo testemunho dos santos e dos mártires de todos os tempos e, este ano, focados especialmente no testemunho de Santo António e dos Mártires de Marrocos. Além dos desafios feitos à comunidade cristã, que alegremente celebra este jubileu, gostaria de deixar dois outros, dirigidos a toda a nossa comunidade. Santo António, homem, português, sábio e doutor da Igreja, santo, é uma figura que, pela sua grandeza e estatura moral, tem força para unir pessoas, instituições, perspetivas, diversidade cultural, no projeto comum de construir uma sociedade onde todos se sintam membros de pleno direito, acolhidos e dignos. Face à dificuldade de encontrar ideais comuns e mobilizadores no sentido da procura do bem comum, Santo António, que faz parte das nossas raízes culturais e espirituais, tem uma mensagem a comunica uma luz que deve acender-se em nós e criar a unidade necessária como um desígnio a alcançar. A Santo António pedimos que nos inspire a edificar uma cidade e um mundo de desenvolvimento, de progresso, fundados na santidade de vida e na conversão do coração ao amor a Deus e à humanidade. Os Mártires de Marrocos, para além da grandeza da sua vida, da sua fé e do seu entusiasmo pelo anúncio do Evangelho, são o sinal vivo da ânsia de diálogo e de respeito pela dignidade de toda a família humana, um sinal da paz possível entre os homens. Pedimos-lhe a graça de intercederem junto de Deus para que sejamos capazes de construir uma cidade e um mundo de paz, alicerçada nos valores humanos, na liberdade religiosa, no intercâmbio cultural e na fraternidade universal. Que eles nos inspirem a estar juntos no serviço à vida, à harmonia da natureza, à felicidade da pessoa humana, para maior bem dos homens e maior glória de Deus. Desejo a todos, crianças, jovens e adultos, aqui presentes ou que vão passar em celebração festiva por esta Igreja de Santa Cruz, pela Igreja de Santo António dos Olivais ou pela Igreja dos Mártires de Marrocos, um feliz e santo jubileu. Coimbra, 12 de janeiro de 2020Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
Hoje 8 de Dezembro de 2020, chamou o Senhor para si o P. Saul Pires Teixeira, faleceu na Casa Sacerdotal de Coimbra, onde passou os últimos anos da sua vida. O P. Saul nasceu a 29 de Dezembro de 1927 e foi ordenado sacerdote a 15 de Agosto de 1957 por D. Ernesto Sena de Oliveira. Celebrou missa nova na sua terra natal no dia 25 de Agosto do mesmo ano, dia da entrada da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima em Zambujal. Nomeações: 01-12-1957 – Pároco de Pombeiro da Beira 13-10-1963 – Pároco de Cumieira e Lagarteira 24-11-1977 – Pároco de Condeixa-a-Nova e Condeixa-a-Velha 14-02-1982 – Arcipreste de Condeixa, sendo reconduzido por diversas vezes 09-11-1986 – Pároco de Sebal Grande 01-11-1991 – Pároco de Anobra e Belide 19-09-2004 – Pároco de Zambujal e Rabaçal 05-01-1975 – Representante da Diocese da Comissão Municipal de Arte Sacra e Arqueologia Municipal de Condeixa-a-Nova Quem lidou de perto com P. Saul viu sempre um sacerdote muito amigo e dedicado; com sensibilidade muito fina deixou-nos diversas poesias e organizações de peregrinações a diversos lugares sagrados e à Terra Santa. Foi um verdadeiro amigo dos seus colegas no sacerdócio a quem ajudava de diversas maneiras. Em 1970 escrevia ao seu Prelado “continuo a exercer o meu sacerdócio com o mesmo entusiasmo a ser fiel à Santa Igreja”. Hoje haverá missa de corpo presente na Igreja de Condeixa-a-Nova pelas 21.00 horas; as exéquias serão celebradas amanhã na Igreja Paroquial de Zambujal, pelas 15.00 h, seguindo-se a tumulação no cemitério local. Presidirá o Senhor D. Virgílio Antunes.
O Pe. Manuel Pereira Cristóvão, completou hoje, 3 de Janeiro de 2020,a sua Páscoa! Nasceu em Pelmá, concelho de Alvaiázere, em 3 de Fevereiro de 1945, estudou nos seminários diocesanos de Coimbra e foi ordenado em 11 de Agosto de 1974. Licenciou-se em Sociologia na Universidade Católica de Lovaina, vindo depois a leccionar a matéria na Escola do Magistério Primário de Coimbra e na Escola de Enfermagem Bissaya Barreto. Fez parte muitos anos da equipa sacerdotal de São Martinho do Bispo, de onde partiu em 1986 para passar a fazer parte dos da Obra da Rua, servindo as casas de Setúbal e Tojal. Daí partiu, em 2006, para a diocese de São Tomé e Príncipe onde se manteve ao serviço até agora. Faleceu exactamente um mês antes de completar os 75 anos. Partilha-se ainda um excerto do testemunho do bispo de São Tomé, D. Manuel dos Santos, publicado na página oficial da diocese:  “Conheci o Pe. Manuel Cristóvão quando cheguei a São Tomé para assumir a tarefa de pastorear esta Igreja. Ele tinha chegado um ano antes, ainda com D. Abílio Ribas. Entreguei-lhe a paróquia de Santana, até então entregue aos cuidados pastorais das Irmãs Canossianas. Dedicou-se, de alma e coração, àquela gente. Continuou o projecto da Ir. Rosa do Lar Betânia, alargou o apoio a rapazes, assumiu o +prato quente diário de uma cinquentena de idosos, ajudou vários jovens a formarem-se… Além disso, plantou lugares de culto em várias comunidades: Algés, Guégue, Anselmo Andrade, Mendes da Silva… Adquiriu o espaço e fez o restauro do Salão Polivalente de Uba-Budo, restaurou igualmente a Capela do lugar. A catequese deve-lhe a elaboração de catecismos, programas de formação de catequistas, o Dia do Catequista… Resumindo, deu-se até ao fim. Deus o acolha nos seus braços e ele continue a rezar por esta Diocese e pelo povo que ele amou.”
SOLENIDADE DE SANTA MARIA, MÃE DE DEUS - 2020SÉ NOVA, COIMBRA Caríssimos irmãos e irmãs! Um  dos mais belos títulos que a Igreja deu à Virgem Maria foi o de Rainha da Paz. Os cristãos sempre têm recorrido à sua intercessão em favor da paz e a história está recheada de momentos em que se sentiu presente o seu coração de Mãe a dirigir uma palavra ou um gesto que faz tirar o olhar das mãos sujas das guerras para se fixar em Jesus, o Príncipe da Paz, e assim mudar o coração dos seus filhos. No primeiro dia deste novo ano, queremos pôr-nos filialmente nas suas mãos de Mãe, acolher as suas palavras, os seus gestos e o seu silêncio, para que nos ajude e ensine a alimentar a esperança da paz pessoal, familiar, social, universal. “Não se obtém a paz, se não a esperamos”. Esta é uma frase retirada da Mensagem do Papa Francisco para este Dia Mundial da Paz, que estabelece uma ligação muito próxima entre a paz e a esperança. É quase impossível não a ligar a tudo o que se passa no mundo, especialmente aos seus grandes problemas na convivência humana, nas relações entre os povos, na partilha dos recursos disponíveis, na preservação do ambiente. É quase impossível não a ligar à necessidade de paz, pois, como diz também, ela “é um bem precioso, objeto da nossa esperança; por ela aspira toda a humanidade”. A Virgem Maria, fazendo-se receptáculo de todos os problemas da família humana e, ao mesmo tempo, incarnando as aspirações de paz de toda a humanidade, acolheu o Príncipe da Paz, deu-O ao mundo e não cessa de apontar para Ele e para o Seu Evangelho como caminho seguro para alcançarmos a paz. O pior que pode acontecer é desistirmos de ter esperança na construção da paz. Esse é o grande drama do fracasso da humanidade diante das realidades difíceis de alcançar. Nessa altura a paz e a justiça tornam-se impossíveis, pois são sempre fruto do conjugar das vontades dos homens e mulheres de boa vontade, ou seja, daqueles que alimentam um sonho para a humanidade, sonho que coincide com o sonho de Deus, Aquele que nunca desiste de nós nem quer que desistamos uns dos outros. Como Mãe, a Virgem Maria interpreta o sonho de Deus e o sonho da humanidade que anseia pela paz; como Mãe, Ela nunca desiste dos seus filhos e continua sempre a apontar para Jesus, o Seu Filho, o grande construtor da paz. O Evangelho, há pouco proclamado, oferecia-nos um caminho de esperança e de paz, do qual andamos, porventura, todos muito afastados, e que tem de estar nos fundamentos da vida e das opções de todos os que querem ser construtores de paz. Trata-se do silêncio e da contemplação. “Maria conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração”, dizia o Evangelho a propósito do contexto misterioso que envolve o nascimento de Jesus. Nós fazemos parte da sociedade do ruído, da ação, da vida agitada pelo tumulto das sensações, que se pode tornar a sociedade que não reflete sobre as coisas, que não pondera, que quer resultados imediatos, que não se interroga sobre a razoabilidade e a dimensão ética das suas decisões. Mesmo dentro do contexto religioso e cristão, somos mais dados à ação do que à contemplação, mais abertos à pastoral como técnica do que à oração como encontro com a graça de Deus, fundamento de tudo o que somos e fazemos. Maria guardava, ponderava, meditava, rezava, fazia um silêncio ativo, que produzia nela a abertura à graça, fundava a sua esperança, dava sentido à ação e à vida em todas as suas dimensões. O seu silêncio levava-a viver mais do interior do que das sensações exteriores, mais dos impulsos da Palavra e do Coração de Deus do que das suas ideias ou das propostas oferecidas pelo mundo. Esta foi a sua via para encontrar a esperança e a paz que caraterizaram a sua vida, mesmo nos momentos difíceis de compreender ou extremamente dolorosos. Neste Dia Mundial da Paz, a Virgem Maria repropõe-nos o caminho do silêncio, da contemplação e da oração como possibilidade de edificarmos um coração disponível para Deus e para os outros, disponível para esperar a paz pessoal e comunitária. Trata-se da proposta da valorização da espiritualidade, enquanto dimensão inscrita na identidade mais profunda de cada ser humano, mas frequentemente descurada, em virtude do estilo materialista de viver, tão caraterístico das sociedades atuais e que aos poucos mata essa parte de nós. As coisas boas e belas geram-se no silêncio da inteligência e do coração que se deixa iluminar pela sabedoria do Espírito de Deus, dom oferecido a todo o Homem que veio a este mundo. Falar de silêncio e contemplação na nossa tradição cristã é muito mais do que falar do encontro solitário consigo mesmo, como se em nós residissem somente as sementes do bem, da verdade e do amor e não houvesse também a inclinação para o mal. Trata-se de criar um ambiente propício para dar lugar a Deus e aos apelos da Sua Palavra libertadora de todas as raízes de mal, para dar lugar aos outros e à sua ânsia de comunhão na justiça e na paz, para dar lugar a uma relação harmoniosa com toda a Criação. Quando se fica por um encontro solitário consigo mesmo, com os seus impulsos e sensações, facilmente se cai no relativismo ético, no egoísmo assumido como preservação do bem estar pessoal, no monólogo que pode vir a fortalecer um modo de pensar e viver fechado à fraternidade. Quando o silêncio e a meditação se focam exclusivamente numa forma de pacificação individual, pode acontecer que se esqueçam os outros ou até que o seu bem e a sua liberdade pareçam colidir com o bem pessoal. É imprescindível que a paz habite no coração de cada pessoa, mas isso nunca acontece se ela não constrói a paz com Deus, a paz com os outros e a paz com toda a Criação. A meditação, a contemplação, o silêncio e a oração, que podem fundir-se numa única experiência de vida, é sempre uma atitude ativa, que conduz à construção de um coração e de uma vontade disponíveis para se expandirem em gestos de comunhão e de amor com o próximo. Este Dia Mundial da Paz convida cada um de nós a uma profunda mudança de vida: mais silêncio e menos ruído, mais espiritualidade e menos materialismo, mais escuta do que palavra, mais diálogo do que monólogo, mais comunhão do que solidão. Este Dia Mundial da Paz convida a Igreja ao silêncio e à contemplação orante que a levem a dar o contributo que lhe cabe em ordem à “busca duma ordem justa, continuando a servir o bem comum e a alimentar a esperança da paz, através da transmissão dos valores cristãos, do ensinamento moral e das obras sociais e educacionais”, como nos recorda o Papa Francisco na sua Mensagem. Este Dia Mundial da Paz convida-nos a dar lugar no coração e na vida aos homens e mulheres nossos irmãos, como a Virgem Maria que, enquanto Mãe de Deus e Mãe dos Homens, nos acolhe como um povo de filhos e filhas, que não desistem de esperar, de desejar e de construir a paz. Coimbra, 1 de janeiro de 2020Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra