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VIRGÍLIO DO NASCIMENTO ANTUNESBISPO DE COIMBRA  NOMEAÇÃO DE CÓNEGOS DO CABIDO DA CATEDRAL DE COIMBRA   O Cabido de Cónegos da Catedral é o colégio de sacerdotes que têm o dever de celebrar as funções litúrgicas mais solenes na igreja catedral (CDC, 503). Sendo conveniente preencher as vagas existentes e tendo em conta as qualidades requeridas (CDC, 509 § 2) e os cargos de relevo que exercem na Diocese (ApS, 185), Nomeio cónegos do Cabido da Catedral de Coimbra os seguintes sacerdotes: P. Jorge da Silva Santos, Vigário Episcopal para a Pastoral P. Luís Miguel Batista Costa, Vigário Judicial P. Nuno Miguel dos Santos, Reitor do Seminário Maior P. Pedro Carlos Lopes de Miranda, Vigário Geral Os novos Cónegos tomarão posse e farão profissão de fé na missa solene de abertura do ano pastoral, no dia 23 de setembro de 2018, às 17:00, na Sé Nova.   Coimbra, 14 de setembro de 2018Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
DIOCESE DE COIMBRA  CELEBRAÇÃO DO DOMINGO:EUCARISTIA E CELEBRAÇÃO DOMINICAL NA AUSÊNCIA DO PRESBÍTEROORIENTAÇÕES PASTORAIS INTRODUÇÃO A Igreja de Cristo procura continuamente as melhores formas de ajudar os seus fiéis a progredirem na fé, no amor a Deus e ao próximo, e na santidade de vida. Precisa, por isso, de propor às comunidades locais os meios mais adequados, dentro das circunstâncias próprias de cada tempo e lugar. A celebração do domingo constitui um ponto alto da vida do cristão e da comunidade cristã. A Eucaristia, que está no centro do domingo, não pode, hoje, ter lugar em todas as localidades onde se celebrava no passado. Já em 1980, o bispo D. João Alves publicava um documento sobre a possibilidade de haver na Diocese as chamadas Celebrações Dominicais na Ausência do Presbítero (CDAP), apesar de as circunstâncias nessa altura serem bem diferentes das atuais. De então para cá diminuiu consideravelmente o número de sacerdotes, com a consequente diminuição da celebração de missas ao domingo, e aumentou muito o número de celebrações dominicais na ausência de presbítero. Ao longo das últimas décadas, criou-se uma verdadeira rede de celebrações da Palavra por toda a Diocese e pôde contar-se com grande número de leigos, homens e mulheres, disponíveis para coordenar este serviço ao povo de Deus. Pode dizer-se que, deste modo, se constituiu uma verdadeira escola de voluntariado laical, que foi, ao mesmo tempo, uma escola de fé e de espiritualidade, muito enriquecedora para a vida das comunidades paroquiais. Em nome da Diocese de Coimbra, deixo expressa uma palavra de gratidão a todos os que, movidos pela fé e com verdadeiro espírito eclesial, têm servido o Povo de Deus, pondo ao seu serviço os dons que receberam. Não deixo, no entanto, de incentivar toda a Diocese, os ministros ordenados, os consagrados e os leigos, a implementarmos uma verdadeira pastoral das vocações sacerdotais, pois o ministério ordenado, numa relação estreita com a Eucaristia, é essencial à vida da Igreja. A catequese, a evangelização, a liturgia e a totalidade da ação pastoral devem ter uma marcante intencionalidade vocacional, uma vez que é necessário criarmos as condições propícias para que os dons de Deus derramados no coração de cada batizado sejam acolhidos e frutifiquem em novas vocações. Com o passar dos anos, a situação das comunidades cristãs foi-se modificando sob muitos aspetos e gerou a necessidade de uma nova reflexão sobre o culto dominical, especialmente no que se refere aos lugares e requisitos para a celebração da Eucaristia ou para as Celebrações Dominicais na Ausência de Presbítero. Acontece que a geografia humana se alterou profundamente, muitas comunidades viram reduzir-se a sua população, algumas celebrações não preenchem os requisitos mínimos quanto ao número de participantes e à diversidade de ministérios e, noutros casos, estão separadas por pequenas distâncias. Acresce ainda o facto de algumas comunidades se terem acomodado a um modelo de celebração dominical que tende a promover pouco o espírito de comunhão eclesial. O Conselho Presbiteral da Diocese, ouvido o clero e os leigos, desenvolveu esta reflexão, cujo objetivo é proporcionar melhores condições de celebração do culto dominical, em ordem a um maior crescimento da fé e do sentido de pertença à Igreja de Cristo, que é mistério de comunhão. Apresento agora as conclusões sob a forma de orientações pastorais, que devem ser tidas em conta em toda a Diocese de Coimbra. Foi também ouvido o Conselho Pastoral Diocesano, que teceu alguns comentários em ordem a melhorar o documento que lhe foi apresentado. No Capítulo I cita-se parte dos Preliminares do ritual da Celebração Dominical na Ausência do Presbítero (CDAP), aprovado pela Conferência Episcopal Portuguesa na Assembleia Plenária de abril de 2005, cuja leitura se aconselha vivamente e que deve ser seguido pelos coordenadores das CDAP, tanto os diáconos como os leigos devidamente mandatados para o efeito. No Capítulo II oferecem-se as orientações pastorais, fruto do conhecimento da realidade e da reflexão teológica, litúrgica e pastoral. Estas orientações pretendem ajudar a melhor celebrar o domingo nas comunidades espalhadas por toda a Diocese. Espera-se agora que sejam conhecidas e refletidas pelos conselhos pastorais das unidades pastorais, a fim de serem localmente aplicadas. I. A EUCARISTIA E A CELEBRAÇÃO DOMINICAL NA AUSÊNCIA DO PRESBÍTERO 1. “O domingo, dia do Senhor e dia da Ressurreição, encontra as suas raízes naquele «primeiro dia da semana», no qual, Jesus, depois de ter passado pela morte, Se manifestou ressuscitado aos Apóstolos.Neste dia, o Senhor fez-Se presente, explicou as Escrituras em tudo o que a Ele se referia, partiu o pão e confiou aos Apóstolos a missão de levar o Evangelho a todo o mundo. Pela descrição evangélica sabemos que as aparições do Senhor ressuscitado, iniciadas no «primeiro dia da semana», se repetiram oito dias depois. Desta forma, o próprio Senhor marcou o ritmo semanal da celebração do mistério pascal da sua morte e ressurreição” (Conferência Episcopal Portuguesa [CEP], Celebração Dominical na Ausência do Presbítero [CDAP], Preliminares 1). 2. “Desde a primeira experiência com o Senhor ressuscitado até hoje, a Igreja nunca deixou de celebrar neste dia o mistério pascal, «lendo quanto a Ele se refere em todas as Escrituras e celebrando a Eucaristia», entendendo desta forma, o domingo, como a «primordial festa dos cristãos». A Eucaristia é o momento mais alto de todo este dia. Pela sua própria estrutura, dá ao domingo um conteúdo teológico, que ajuda a compreendê-lo em toda a sua profundidade. Na Eucaristia dominical, o Senhor torna-Se presente, tal como na manhã de Páscoa e, por isso, o domingo é o dia da Ressurreição e o dia do Senhor. O regozijo que este encontro produz em cada cristão, faz do domingo o dia da alegria. Na Eucaristia a comunidade cristã reúne-se em assembleia, e, assim, o domingo é o dia da assembleia. Também na Eucaristia se proclama a palavra de Deus, alimento que a Igreja «nunca deixou de tomar e distribuir aos fiéis», mostrando, assim, o domingo como o dia da Palavra. Finalmente, o domingo aparece como o dia da Eucaristia, porque nele se celebra o memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor, o banquete em que se recebe Cristo” (CEP-CDAP, Preliminares 2). 3. “Os cristãos dos primeiros séculos compreenderam que não podiam deixar de celebrar o domingo, a ponto de muitos deles preferirem o martírio a abandonar a assembleia dominical, como é atestado por muitos testemunhos patrísticos. Hoje a Igreja continua a acreditar no valor salvífico do domingo e na sua importância para as comunidades cristãs, mesmo que sejam pequenas, pobres ou dispersas, insistindo que neste dia «devem os fiéis reunir-se para participarem na Eucaristia e ouvirem a palavra de Deus, e assim recordarem a paixão, ressurreição e glória do Senhor Jesus e darem graças a Deus que os regenerou para uma esperança viva pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos»” (CEP-CDAP, Preliminares 3). 4. “Hoje, muitos cristãos dispersos por várias comunidades, embora sentindo a necessidade de celebrar o domingo cristãmente, e desejando corresponder ao convite para a reunião dominical não o podem fazer de forma plena por falta de sacerdotes que celebrem para eles a Eucaristia. Consciente de que «nenhuma comunidade cristã se edifica sem ter a sua raiz e o seu centro na celebração da Santíssima Eucaristia» e, no intuito de favorecer a assistência religiosa a todas as comunidades, a Igreja recomenda aos fiéis que continuem a reunir-se ao domingo mesmo sem a presença do presbítero. Ao propor a reunião dos fiéis em assembleia dominical, a Igreja tem presentes duas verdades fundamentais: primeiro, que a celebração do domingo não se reduz à celebração da Eucaristia e que esta não é a única forma de celebrar cristãmente o dia do Senhor; segundo, que as «celebrações dominicais na ausência do presbítero» oferecem aos cristãos alguns dos elementos essenciais para haver assembleia dominical, a saber, a reunião dos fiéis em assembleia convocada por Deus, a proclamação da Palavra de Deus acompanhada da sua explicação, e a comunhão do Corpo do Senhor, consagrado numa outra celebração eucarística. Na impossibilidade de celebrar plenamente o domingo através da Eucaristia, estas celebrações permitem aos cristãos sentir e manifestar que são Igreja, celebrar o dia da ressurreição do Senhor e participar no «pão da vida, tanto da palavra de Deus como do Corpo de Cristo»” (CEP-CDAP, Preliminares 4). 5. “Nenhuma comunidade cristã se edifica sem a celebração da Eucaristia, nem nenhuma celebração da Igreja se pode comparar à da Missa dominical. Por isso, quando em alguns lugares não for possível celebrar a Missa ao domingo, veja-se primeiro se os fiéis podem deslocar-se à igreja de um lugar mais próximo e participar aí na celebração do mistério eucarístico. Tal solução é de recomendar e até de conservar quanto possível, mesmo com algum sacrifício da parte dos fiéis” (CEP-CDAP, Preliminares 5). II. ORIENTAÇÕES PASTORAIS 6. Evite-se com cuidado qualquer confusão entre as Celebrações Dominicais na Ausência do Presbítero (CDAP) e a celebração da Eucaristia. Tais celebrações não devem diminuir mas aumentar nos fiéis o desejo de participar na celebração eucarística e devem torná-los mais diligentes em frequentá-la. 7. Os fiéis devem ser ajudados a compreender que não é possível a celebração da Eucaristia sem o sacerdote, e que as CDAP estão intimamente relacionadas com a Missa que a comunidade cristã celebra noutros lugares, particularmente na sua igreja paroquial, o que poderá ser feito por meio de breves admonições no decorrer da própria celebração, bem como de preces pelas vocações sacerdotais. 8. Quando a celebração da Missa dominical não é possível, mesmo numa igreja paroquial,é muito recomendada a celebração da Palavra de Deus, seguida da comunhão eucarística. Assim, as CDAP nunca podem realizar-se ao domingo naqueles lugares onde a missa já foi ou vier a ser celebrada nesse dia, ou tiver sido celebrada na tarde do dia anterior. 9. Estabeleça-se um plano de celebrações dominicais no conjunto da unidade pastoral, garantindo, quando possível, uma igreja paroquial onde haja missa todos os domingos. Nesse plano se devem definir os locais de celebração das eucaristias dominicais possíveis, mesmo as vespertinas, atendendo aos sacerdotes disponíveis. 10. A definição dos lugares, além das igrejas paroquiais, onde a necessidade justificacelebrações dominicais na ausência presbítero, terá em conta todos ou alguns dos seguintes critérios: a) número razoável de participantes de acordo comas características de demografia sócio-religiosa da região; b) a necessidade evidente de que haja naquele lugar catequese organizada; c) que não haja eucaristias dominicais em locais próximos compatíveis com uma deslocação habitual; d) que haja condições para uma boa celebração litúrgica, nomeadamente pela diversidade de ministérios ali disponíveis. 11. Compete ao pároco, ouvidos os outros sacerdotes do arciprestado, informar o bispo diocesano sobre a oportunidade das CDAP na área da sua unidade pastoral. Compete-lhe também: a) distribuir tais celebrações pelos diáconos e orientadores dentro da unidade pastoral; b) preparar os fiéis para elas; c) designar leigos idóneos para as orientar; d) dar-lhes formação adaptada e contínua após a preparação inicial prescrita pela diocese; e) preparar com eles celebrações dignas e adaptadas ao número dos participantes e à sua capacidade e confiá-las ao seu cuidado. 12. Para que os fiéis valorizem cada vez mais a participação na missa no Domingo e aumentem o seu amor por ela, é necessário que as CDAP alternem sempre, na periodicidade possível, com a celebração da Eucaristia dominical. 13. Dado o especial relevo do Natal, da Páscoa da Ressurreição e do Pentecostes, recomenda-se vivamente que toda a comunidade cristã se reúna tanto quanto possível para a celebração da Eucaristia. 14. Quando não for possível haver celebração da Missa na festa religiosa de um lugar, poderá haver uma CDAP, bem como a procissão. [1] 15. As CDAP devem ser presididas, se possível, por um diácono. Se não for possível, sejam orientadas por um ministro leigo nomeado pelo bispo diocesano - este deve estar vestido de modo que não desdiga do ofício que desempenha, podendo sempre usar a túnica branca. 16. Dada a natureza da CDAP: a) o ministro leigo que a coordena não ocupa a cadeira da presidência, mas orienta a celebração de um lugar discreto na nave ou à frente do presbitério, de onde seja facilmente visto e ouvido; b) a recolha das ofertas é feita no final da celebração, antes da despedida; c) as leituras são feitas do ambão; d) o altar utiliza-se exclusivamente para nele se colocar a reserva eucarística para a adoração e comunhão. 17. Se preside o diácono, faz a homilia; se é um ministro não ordenado pode ler a homilia previamente preparada pelo pároco ou algum comentário aprovado. 18. Os diáconos que presidem e os ministros leigos que orientam as CDAP participem sempre que possível na Missa, para o que se deverá garantir essa possibilidade no programa de celebrações e sua distribuição. 19. Procurar-se-á em cada unidade pastoral que a planificação das celebrações dominicais contemple a rotatividade entre os vários ministros pelos diferentes lugares. 20. Nas igrejas não paroquiais (capelas) onde não há culto dominical, procure-se, apesar disso, manter uma animação comunitária contínua (catequese de adultos, lectio divina, adoração do Santíssimo, oração do terço, via sacra, via lucis...). Conserve-se a presença do Santíssimo Sacramento apenas nos lugares onde há celebração da Eucaristia com a necessária frequência e culto eucarístico regular. 21. O culto dominical deve tender sempre para a celebração da Eucaristia como alimento e celebração comunitária da fé católica. Coimbra, 17 de maio de 2018Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra   [1] cf. Nota Pastoral sobre Festas Religiosas de Junho de 2004, Diocese de Coimbra.  
Faleceu hoje, 28 de Junho de 2018, junto da família em Alcobaça depois de prolongada doença, o Cónego Anibal Pimentel Castelhano. O Cónego Aníbal Pimentel Castelhano, natural do Seixo, concelho de Mira, nasceu a 09-12-1943, filho de Aníbal Marques Castelhano e de Rosa a Costa Pimentel e irmão gémeo de Manuel. Entrou no seminário da Figueira da Foz a 11-10-1954 e depois de ter concluido o Curso no Seminário Maior de Coimbra foi ordenado Presbítero a 11-08-1968, por D. Francisco Rendeiro na Igreja Paroquial de Seixo de Mira. Desde a primeira hora que se dedicou à Pastoral Familiar, quer na assistencia às Equipas de Nossa Senhora, quer ao Movimento dos Casais de Santa Maria e ainda, em Leiria, apoiou o CPM, durante 9 anos. Os seus muitos encargos foram exercidos com muitas qualidades humanas, mas sobretudo com verdadeiro espirito de fé e entrega à igreja em obdiência ao seu Bispo. Generosidade, alegria, dedicação, serão qualidade que os seus colegas, paroquianos e alunos guardarão com saudade do Cónego Aníbal. O seu funeral realizar-se-à amanha (29 de Junho), com missa celebrada na Sé Catedral de Coimbra presidida pelo Senhor D. Virgílio Antunes, pelas 11h30, seguindo depois para o Seixo-Mira onde haverá nova celebração de corpo presente presidida pelo Sr. Vigário Geral da Diocese pelas 17h, seguindo-se a tumulação no cemitério local. Paz à sua alma! 
SOLENIDADE DO NASCIMENTO DE SÃO JOÃO BATISTA HOMILIA DA MISSA DAS ORDENAÇÕES SÉ NOVA – 2018.06.24   Caríssimos irmãos e irmãs! Esta festa das ordenações na solenidade do nascimento de São João Batista traz um novo alento do Espírito de Deus à nossa Igreja Diocesana de Coimbra. Ajuda-nos a tomar consciência de que a fé vem de Deus, a Igreja é de Deus e a obra de levar a salvação até aos confins da terra também pertence a Deus. Alegra-nos a certeza de que, em todos os tempos e lugares, o Senhor suscita pessoas e meios adequados para a realização da missão confiada à Igreja. Suscitou o pequeno resto de um povo de Israel destroçado, para restaurar as tribos de Jacob e reconduzir os sobreviventes de Israel à sua pátria e ao seu Deus; suscitou-lhes um rei segundo o seu coração e disponível para fazer sempre a sua vontade – dele havia de nascer Jesus, o Salvador; de uma família sem esperança de descendência, suscitou João Batista, o profeta que anuncia a presença de Jesus no meio do seu povo, o grande sinal de que Deus é misericordioso. À luz da fé que foi derramada nos nossos corações, alegra-nos, por isso, a certeza de que Deus pode e quer restaurar o povo que nós somos e reconduzir a Igreja e a humanidade às fontes da salvação e da vida. À luz da fé cristã, na Igreja de Cristo não há lugar para pessimismos nem para otimismos, que são fruto da confiança ou da desconfiança nas capacidades humanas, mas há sempre lugar para a confiança em Deus e para a esperança na realização da sua magnífica obra. A vocação de todos os batizados a seguir Cristo, e as vocações específicas geradas pelo Espírito Santo na Igreja, constituem a resposta dos fiéis ao chamamento divino, que não cessa de nos oferecer motivos para a esperança. Uma Igreja, povo de Deus, que segue Jesus como o seu Mestre e Senhor, enriquecida por todas as vocações, alimentada pela Palavra e pela Eucaristia, conduzida pelo Espírito Santo, é constituída por Deus como verdadeira luz das nações e está disponível para levar a sua salvação até aos confins da terra. Esta Igreja Diocesana que nós somos reconhece as suas debilidades, mas vê sobretudo as suas imensas potencialidades, sempre que, como Igreja carismática, caminha confiada na presença do Espírito que lhe foi dado. Por sua vez, quando a Igreja se torna frouxa na fé e no amor, fechada sobre si mesma, mais humana que divina, sem espiritualidade assente na Palavra e na Eucaristia, quando não vive do Espírito, ela deixa de ser luz para as nações e perde a única força que lhe pertence, a do testemunho por meio da fé, do amor e do serviço que quer prestar a toda a humanidade. Ao ouvir a narração dos acontecimentos que envolvem o nascimento de João Batista, avivamos a fé na realização dos desígnios e Deus em nosso favor. Acreditamos que Ele nos oferece a possibilidade de ver nascer vida nova nas nossas comunidades porventura envelhecidas na fé, acreditamos que nos dará todas as vocações necessárias para que sejamos uma Igreja evangelizada e evangelizadora, acreditamos que as comunidades se podem organizar de forma humanamente adequada e espiritualmente iluminada para comunicarem a alegria de estar com Cristo e de viverem na comunhão de fé, de esperança e de amor com Deus e com os irmãos. Caríssimos irmãos e irmãs! Qualquer vocação cristã encontra a sua razão de ser e o seu sentido no contexto da Igreja, Povo de Deus, na qual o Espírito Santo concede a abundância dos seus dons em ordem ao bem de todos. A vocação sendo um dom pessoal, tem sempre como horizonte a vida da comunidade cristã e o bem de toda a humanidade que Deus quer salvar por meio de Jesus Cristo, o Único Salvador. A própria vida que recebemos do Criador já traz em si mesma a marca do dom que se recebe para se dar. De forma mais visível, a vocação ao ministério ordenado realiza a atitude central que há de animar todo o batizado: como Cristo e em união sacramental com Cristo, ser para Deus e ser para os outros. Assumir uma vocação cristã é, por isso, fruto de uma forma de assumir a vida à luz da fé, que põe o chamado numa tensão generosa e decidida de dar a vida para que outros tenham a vida em abundância. Não admira, portanto, que a fé em Jesus Cristo esteja no centro de qualquer resposta vocacional dentro da Igreja. Não admira também que a chamada crise de vocações sacerdotais tenha na sua origem uma imensa crise de fé que atingiu as nossas comunidades eclesiais. O caminho para o crescimento vocacional passa sempre por um potenciar todos os dinamismos de enraizamento e aprofundamento de uma fé sólida, responsável, consequente. Temos diante de nós, enquanto Igreja Diocesana, a grande missão de proporcionar às comunidades, às famílias e, de modo particular, às crianças e aos jovens percursos de descoberta da fé e caminhos de encontro com Deus. Somente esta experiência sentida poderá ajudar os jovens a interrogarem-se seriamente acerca do seu caminho de vida em Igreja. Salvo as exceções que o Espírito quiser suscitar, as vocações sacerdotais só podem surgir em contexto de vivência da fé como uma realidade determinante do todo que é a pessoa e do estilo de vida que se sente impelida a seguir. Peço, por isso, a toda a comunidade diocesana, que em toda a sua ação pastoral, em todos os seus dinamismos litúrgicos, catequéticos e espirituais, tenha sempre presente uma intencionalidade vocacional. A catequese infantil, a pastoral juvenil e universitária, a pastoral familiar, hão de investir seriamente os seus recursos na oferta de percursos de fé, sempre com uma intencionalidade vocacional. A chamada pastoral das vocações a nível diocesano, encarregar-se-á de acompanhar os jovens em ordem ao discernimento da vocação específica de cada um, de modo que todos aqueles que Deus chamar encontrem a ajuda eclesial e espiritual para perseverarem com coragem e alegria nesse caminho. Caríssimos amigos que hoje recebeis a graça do sacramento da Ordem no grau do Diaconado ou do presbiterado! Em nome desta assembleia cristã e de todo o Povo de Deus, convido-vos a acolher com humildade o dom de Deus que hoje vos é concedido. Agradecei ao Senhor no íntimo do vosso coração porque olhou para vós com misericórdia e amor, a ponto de vos chamar a participar da sua missão de levar ao mundo o Evangelho da salvação e de celebrar unidos a Ele e em sua memória os mistérios da fé. A Igreja alegra-se com o vosso sim generoso e confiante. Espera que sejais pastores segundo o coração de Deus e que exerçais o ministério como um verdadeiro serviço. Tende consciência de que sois portadores de um tesouro, mas em vasos de barro, para que sempre ponhais o Senhor no centro do vosso serviço e nunca penseis em vós como senhores de coisa alguma. Todos esperamos que leveis o Evangelho nos lábios e no coração, na certeza de que a conversão pastoral tem de estar sempre precedida pela conversão pessoal ao Senhor que vos convida a uma feliz história de amizade e serviço. A conversão a Cristo e à sua Igreja há de levar-vos a acolher, por uma lado, e a ir ao encontro, por outro, de cada pessoa e de cada comunidade como aqueles por quem Jesus ofereceu a sua vida ao Pai. O Povo de Deus espera que sejais pastores apaixonados, cujo coração se comove de amor e de misericórdia por cada pessoa, justa ou pecadora, de todas as condições, mas com uma predileção especial, tal como Jesus, o vosso mestre, pelos mais pobres e pelos que vivem nas periferias da humanidade, da fé ou da própria Igreja. Amai a Cristo e amai a sua Igreja, a Igreja presente neste lugar e neste tempo; amai a humanidade com as suas grandezas e misérias; levai a boa nova da esperança aos desanimados e o conforto aos que sofrem. Que nunca sejais meros administradores do sagrado, nem simples gestores da Igreja, mas sinais vivos da fé e condutores do povo Santo de Deus. Recordai-vos sempre que o pastor dá a vida pelo seu rebanho e tudo está disposto a fazer para que encontre pastos verdejantes e águas cristalinas. Que sempre e em tudo possais trabalhar na comunhão da Igreja e que nunca cedais à tentação de romper com a unidade da Igreja, para que, segundo a oração de Jesus ao Pai, todos sejamos um só rebanho sob a condução do Único Pastor. Deixai-vos conduzir pela mão da Virgem Santa Maria, a quem confiamos o vosso ministério e a vossa vida. Coimbra, 24 de junho de 2018 Virgílio do Nascimento Antunes Bispo de Coimbra  
XI DOMINGO DO TEMPO COMUM B PEDRÓGÃO GRANDE – I ANIVERSÁRIO DOS INCÊNDIOS   Caríssimos irmãos e irmãs! Os acontecimentos de há um ano atrás estão bem gravados na memória de todo o povo português. A intensidade com que vivemos aqueles dias e a grandeza das emoções sentidas não permitem nem podem permitir que se esqueçam as pessoas que sofrem na sua própria carne a dor da separação de familiares, vizinhos ou desconhecidos, a perda dos seus bens mais preciosos ou a beleza da paisagem envolvente das suas casas e das suas vidas. O mais surpreendente em tudo isto é que não morreu a esperança nestes homens e mulheres que viram a destruição à sua frente. Sentiram a morte tocar a sua família, experimentaram a noite bem escura e, de novo, se defrontaram com as questões mais duras, para as quais é difícil encontrar respostas portadoras de uma paz completa. A proximidade e solidariedade dos outros, pessoas e instituições – no fundo, de todo um país - deram uma excelente ajuda, mas decisiva foi a força da fé em Deus, que estrutura e anima por dentro, que toca o lugar mais recôndito em que se decidem as motivações para continuar o caminho mesmo no meio das maiores razões para desistir. Agradecemos, por isso, o testemunho de verdadeira fortaleza interior que têm dado a uma sociedade débil nas suas convicções e nas suas motivações; agradecemos a grandeza do espírito de serviço, a atenção aos outros, a coragem para enfrentar as situações difíceis e o gosto de viver. A tragédia ensinou-nos muito sobre o que há a fazer em matérias como o urbanismo, o ordenamento do território, a florestação, os meios de defesa e combate, as comunicações, a fim de prevenirmos adequadamente situações futuras; ensinou-nos mais ainda o valor da pessoa humana em todas as situações, particularmente nas necessidades, o valor da solidariedade humana e material, o valor da proximidade expressa em gestos bem sentidos, visíveis e palpáveis, o valor dos abraços que podem não acrescentar um cêntimo à conta bancária, mas aquecem a alma e confortam abundantemente o coração. Se a tragédia e as suas vítimas ficarão naturalmente inscritas na memória coletiva do nosso país, não podemos permitir que a grandeza de alma do povo português residente no território nacional ou ausente noutras paragens do mundo, seja omitida pelas mesmas páginas ou deixe de ser assinalada entre os nossos feitos gloriosos. Dificilmente poderia encontrar-se maior sintonia de coração e melhor comunhão na solidariedade e no amor ao próximo, como se edificou à volta desta causa. Ninguém ficou de fora, todos nos comovemos com os nossos irmãos e irmãs caídos à beira do caminho e incarnámos, por isso, a parábola do bom Samaritano, uma das mais belas páginas do Evangelho. Se há sentimentos e valores que são universais e que devem ser assinalados, esta união de pessoas, de corações e de vontades, é, sem dúvida um deles, que tornou mais rico o povo que nós somos. A celebração do aniversário que normalmente é marcado pelo tom da alegria e da festa, tem, neste caso, o sabor da dor, da tristeza e da saudade. Felizmente, tem também a força da esperança, bem alicerçada, própria de quem, a partir da fé sente que está nas mãos de Deus e em tom orante consegue repetir: “quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14, 8). Neste sentido, a Missa que estamos a celebrar, e na qual pedimos a Deus o eterno descanso dos defuntos e a consolação dos viventes, acolhe também a ação de graças por tudo o que de bom podemos construir enquanto comunidade humana. Elevemos, por isso, este hino de louvor ao Senhor, nosso Deus, e proclamemos a bondade e a fidelidade do Altíssimo, porque aprofundámos os laços da nossa humanidade, porque nos unimos mais enquanto portugueses e porque se manifestaram as raízes da nossa identidade de terra de cristãos. A liturgia oferecia-nos hoje, por meio da sugestiva linguagem das parábolas, algumas perspetivas quanto ao modo como havemos de ajudar a construir o futuro das pessoas e das comunidades. Fazendo uso de referências a elementos do mundo vegetal, como o ramo novo retirado dos ramos mais altos de um cedro frondoso, a semente lançada à terra, que produz a planta, a espiga e o trigo maduro, e ainda o grão de mostarda que, sendo a mais pequena de todas as sementes, cresce e dá origem à maior de todas as plantas da horta, anuncia a força da vida que há de crescer e dar bom fruto. As referências bíblicas às árvores, aos jardins, aos lugares verdejantes e às águas cristalinas, surgem sempre para falar de vida abundante, com qualidade e com esperança de futuro. Contrastam com as referências ao deserto, terra inóspita, sem plantas e sem água, que prenuncia morte da vida e morte da esperança. Diante da paisagem humana destroçada pelos incêndios e diante das cinzas a que ficou reduzida a nossa floresta, reaviva-se a urgência de cuidar da vida das pessoas e de cuidar do planeta bom e belo que o Criador nos deu como casa comum. Todos sentimos o dever de trabalhar em favor de uma ecologia integral que respeite as legítimas aspirações das populações destas regiões interiores, que respeite o meio ambiente, que promova uma economia sustentável, que lhes possibilite o acesso a bens e serviços essenciais, a fim de encontrarem em pé de igualdade com os outros cidadãos as condições adequadas para uma vida feliz. A parábola da pequena semente lançada à terra que dá origem a uma planta e acaba por dar bons frutos, fala-nos da importância dos pequenos gestos, que parecendo insignificantes, acabam por determinar muito daquilo que são os valores dominantes nas nossas comunidades humanas e nas nossas instituições. Estamos diante do grande desígnio e da enorme missão de nos formarmos como pessoas conscientes, livres e responsáveis e de cooperarmos uns com os outros na tarefa de construir uma humanidade digna da sua condição. Num mundo marcado por tantas apreensões e por densas nuvens quanto ao futuro, todos sentimos o dever de lançar à terra as boas sementes da verdade e do amor, os fundamentos de uma sociedade com um futuro de verdadeira justiça e de paz. A nós, caríssimos irmãos e irmãs, enquanto povo de Deus agraciado com o dom da fé, cabe-nos participar ativamente nesta nobre missão de contribuir, à nossa maneira e com as nossas convicções, para a edificação de uma humanidade mais feliz e mais santa. Para além de nos envolvermos totalmente em todas as ações de solidariedade e caridade, procuraremos levar às comunidades a Palavra de Deus por meio das ações de evangelização e de aprofundamento da espiritualidade cristã, os melhores tesouros que Deus pôs nas nossas mãos. O Senhor chama-nos a ser colaboradores da alegria e da esperança, fazendo germinar e frutificar as sementes do Reino de Deus depositadas no coração de cada pessoa criada à Sua imagem e semelhança. A proposta de Jesus, sendo tremendamente difícil de concretizar, nunca pode ser para nós uma utopia, mas constituirá um desafio e um estímulo, que nos deixará sempre inquietos e desassossegados. Peçamos-lhe a graça de assumir com verdade e com responsabilidade o dom que pôs nas nossas mãos em favor de toda a humanidade. Que a Virgem Santa Maria, Senhora das Dores e também Senhora da Alegria, nos ajude a seguir confiantes por entre as luzes e sombras do caminho, mas sempre animados pela santa esperança.   Pedrógão Grande, 2018.06.17 Virgílio do Nascimento Antunes Bispo de Coimbra