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  Oração pelas Vocações 2018   Jesus Cristo, amor do Pai,que nos chamas, hoje,a escutar a voz do Espírito Santo,na experiência quotidiana;ensina-nos a discernira própria vocação,fruto da graça do baptismo,para vivermos o dom da fé,imensamente amados por deus,e responder com confiança ao chamamento,para servir a alegria do evangelho,como a jovem Maria, Tua e nossa mãe.Amén.   Mensagem do Papa Francisco para o 55º dia de Oração pelas Vocações  
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 55º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES(22 de abril de 2018 - IV Domingo da Páscoa)  Tema: «Escutar, discernir, viver a chamada do Senhor» Queridos irmãos e irmãs! No próximo mês de outubro, vai realizar-se a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que será dedicada aos jovens, particularmente à relação entre jovens, fé e vocação. Nessa ocasião, teremos oportunidade de aprofundar como, no centro da nossa vida, está a chamada à alegria que Deus nos dirige, constituindo isso mesmo «o projeto de Deus para os homens e mulheres de todos os tempos» (Sínodo dos Bispos – XV Assembleia Geral Ordinária, Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, Introdução). Trata-se duma boa notícia, cujo anúncio volta a ressoar com vigor no 55.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações: não estamos submersos no acaso, nem à mercê duma série de eventos caóticos; pelo contrário, a nossa vida e a nossa presença no mundo são fruto duma vocação divina. Também nestes nossos agitados tempos, o mistério da Encarnação lembra-nos que Deus não cessa jamais de vir ao nosso encontro: é Deus connosco, acompanha-nos ao longo das estradas por vezes poeirentas da nossa vida e, sabendo da nossa pungente nostalgia de amor e felicidade, chama-nos à alegria. Na diversidade e especificidade de cada vocação, pessoal e eclesial, trata-se de escutar, discernir e viver esta Palavra que nos chama do Alto e, ao mesmo tempo que nos permite pôr a render os nossos talentos, faz de nós também instrumentos de salvação no mundo e orienta-nos para a plenitude da felicidade. Estes três aspetos – escuta, discernimento e vida – servem de moldura também ao início da missão de Jesus: passados os quarenta dias de oração e luta no deserto, visita a sua sinagoga de Nazaré e, aqui, põe-Se à escuta da Palavra, discerne o conteúdo da missão que o Pai Lhe confia e anuncia que veio realizá-la «hoje» (cf. Lc 4, 16-21). Escutar A chamada do Senhor – fique claro desde já – não possui a evidência própria de uma das muitas coisas que podemos ouvir, ver ou tocar na nossa experiência diária. Deus vem de forma silenciosa e discreta, sem Se impor à nossa liberdade. Assim pode acontecer que a sua voz fique sufocada pelas muitas inquietações e solicitações que ocupam a nossa mente e o nosso coração. Por isso, é preciso preparar-se para uma escuta profunda da sua Palavra e da vida, prestar atenção aos próprios detalhes do nosso dia-a-dia, aprender a ler os acontecimentos com os olhos da fé e manter-se aberto às surpresas do Espírito. Não poderemos descobrir a chamada especial e pessoal que Deus pensou para nós, se ficarmos fechados em nós mesmos, nos nossos hábitos e na apatia de quem desperdiça a sua vida no círculo restrito do próprio eu, perdendo a oportunidade de sonhar em grande e tornar-se protagonista daquela história única e original que Deus quer escrever connosco. Também Jesus foi chamado e enviado; por isso, precisou de Se recolher no silêncio, escutou e leu a Palavra na Sinagoga e, com a luz e a força do Espírito Santo, desvendou em plenitude o seu significado relativamente à sua própria pessoa e à história do povo de Israel. Hoje este comportamento vai-se tornando cada vez mais difícil, imersos como estamos numa sociedade rumorosa, na abundância frenética de estímulos e informações que enchem a nossa jornada. À barafunda exterior, que às vezes domina as nossas cidades e bairros, corresponde frequentemente uma dispersão e confusão interior, que não nos permite parar, provar o gosto da contemplação, refletir com serenidade sobre os acontecimentos da nossa vida e realizar um profícuo discernimento, confiados no desígnio amoroso de Deus a nosso respeito. Mas, como sabemos, o Reino de Deus vem sem fazer rumor nem chamar a atenção (cf. Lc 17, 21), e só é possível individuar os seus germes quando sabemos, como o profeta Elias, entrar nas profundezas do nosso espírito, deixando que este se abra ao sopro impercetível da brisa divina (cf. 1 Re 19, 11-13). Discernir Na sinagoga de Nazaré, ao ler a passagem do profeta Isaías, Jesus discerne o conteúdo da missão para a qual foi enviado e apresenta-o aos que esperavam o Messias: «O Espírito do Senhor está sobre Mim; porque Me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-Me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar o ano favorável da parte do Senhor» (Lc 4, 18-19). De igual modo, cada um de nós só pode descobrir a sua própria vocação através do discernimento espiritual, um «processo pelo qual a pessoa, em diálogo com o Senhor e na escuta da voz do Espírito, chega a fazer as opções fundamentais, a começar pela do seu estado da vida» (Sínodo dos Bispos – XV Assembleia Geral Ordinária, Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, II. 2). Em particular, descobrimos que a vocação cristã tem sempre uma dimensão profética. Como nos atesta a Escritura, os profetas são enviados ao povo, em situações de grande precariedade material e de crise espiritual e moral, para lhe comunicar em nome de Deus palavras de conversão, esperança e consolação. Como um vento que levanta o pó, o profeta perturba a falsa tranquilidade da consciência que esqueceu a Palavra do Senhor, discerne os acontecimentos à luz da promessa de Deus e ajuda o povo a vislumbrar, nas trevas da história, os sinais duma aurora. Também hoje temos grande necessidade do discernimento e da profecia, de superar as tentações da ideologia e do fatalismo e de descobrir, no relacionamento com o Senhor, os lugares, instrumentos e situações através dos quais Ele nos chama. Todo o cristão deveria poder desenvolver a capacidade de «ler por dentro» a vida e individuar onde e para quê o está a chamar o Senhor a fim de ser continuador da sua missão. Viver Por último, Jesus anuncia a novidade da hora presente, que entusiasmará a muitos e endurecerá a outros: cumpriu-se o tempo, sendo Ele o Messias anunciado por Isaías, ungido para libertar os cativos, devolver a vista aos cegos e proclamar o amor misericordioso de Deus a toda a criatura. Precisamente «cumpriu-se hoje – afirma Jesus – esta passagem da Escritura que acabais de ouvir» (Lc 4, 20). A alegria do Evangelho, que nos abre ao encontro com Deus e os irmãos, não pode esperar pelas nossas lentidões e preguiças; não nos toca, se ficarmos debruçados à janela, com a desculpa de continuar à espera dum tempo favorável; nem se cumpre para nós, se hoje mesmo não abraçarmos o risco duma escolha. A vocação é hoje! A missão cristã é para o momento presente! E cada um de nós é chamado – à vida laical no matrimónio, à vida sacerdotal no ministério ordenado, ou à vida de especial consagração – para se tornar testemunha do Senhor, aqui e agora. Realmente este «hoje» proclamado por Jesus assegura-nos que Deus continua a «descer» para salvar esta nossa humanidade e fazer-nos participantes da sua missão. O Senhor continua ainda a chamar para viver com Ele e segui-Lo numa particular relação de proximidade ao seu serviço direto. E, se fizer intuir que nos chama a consagrar-nos totalmente ao seu Reino, não devemos ter medo. É belo – e uma graça grande – estar inteiramente e para sempre consagrados a Deus e ao serviço dos irmãos! O Senhor continua hoje a chamar para O seguir. Não temos de esperar que sejamos perfeitos para dar como resposta o nosso generoso «eis-me aqui», nem assustar-nos com as nossas limitações e pecados, mas acolher a voz do Senhor com coração aberto. Escutá-la, discernir a nossa missão pessoal na Igreja e no mundo e, finalmente, vivê-la no «hoje» que Deus nos concede. Maria Santíssima, a jovem menina de periferia que escutou, acolheu e viveu a Palavra de Deus feita carne, nos guarde e sempre acompanhe no nosso caminho. Vaticano, 3 de dezembro - I domingo do Advento – de 2017. Franciscus   © Copyright - Libreria Editrice Vaticana
Caríssimos irmãos e irmãs! A celebração anual da Páscoa de Jesus permite que nos recentremos em realidades que frequentemente ficam no esquecimento. Em primeiro lugar, leva-nos a considerarmos a nossa condição de criaturas limitadas, que passam por momentos altos e baixos, e que estão sujeitas à morte física e espiritual, apesar de não terem na morte o seu fim. Em segundo lugar, aponta-nos a possibilidade da esperança de viver no tempo e na eternidade, mesmo quando humanamente parece já não haver esperança alguma. A celebração da Páscoa, é muito necessária para que entremos seriamente no sentido da fé cristã e para que retiremos dela todas as consequências em ordem à compreensão do sentido da nossa vida e para que renovemos a alegria de estar com Jesus Ressuscitado. Ouve-se frequentemente dizer aos batizados em Cristo que se desinteressaram da vivência da fé e da prática do culto eclesial porque não acham que lhes traga algum benefício. De fato, se pensamos em benefícios materiais ou mesmo na resolução dos problemas de caráter psicológico ou nas dificuldades de relacionamento com os outros, pode não trazer grandes diferenças, sobretudo se vividos sem fervor e entusiasmo. Se pensamos nas mais sérias questões do sentido para a vida, na compreensão do sofrimento, na esperança de ultrapassar as cadeias da morte que nos é oferecida, no amor divino como condição para sermos felizes, então começamos a entender que a fé é útil, é necessária e traz uma ajuda para a vida que mais nada nem ninguém nos podem dar com a mesma profundidade. Podemos ainda descer a coisas mais simples e mais concretas. O mandamento novo do amor, o apelo a dar a vida em favor dos irmãos, a certeza de que Deus nos ama a ponto de oferecer o Seu Filho à morte por nós, a alegria do perdão divino, que não conhece fronteiras, a consideração do valor único de cada pessoa, a par com tantas outras realidades fundamentais do ensino de Jesus no Evangelho, constituem, sem sombra de dúvida, um imenso benefício para a humanidade. O único caminho para que experimentemos a importância da fé cristã, alicerçada na paixão, morte e ressurreição do Senhor, que celebramos nesta Vigília Pascal, consiste em entrarmos, em nos deixarmos conduzir, em celebrarmos com humildade e com alegria este grande mistério. Quem fica ao lado a observar a fé dos outros e a sua prática cristã, quem fica de parte à procura dos erros e pecados dos membros da Igreja, quem não entra para não assumir compromisso consigo, com Deus e com a comunidade, quem não se entrega, nunca vê, nem sente, nem experimenta a importância e a alegria da fé em Jesus Cristo e da pertença à Sua Igreja. Quem não entra não sente a felicidade nem os benefícios da fé, que são testemunhados por tantos cristãos que, no meio das tribulações da vida, podem dizer com palavras de verdade e em primeira pessoa, a alegria, a esperança e a força de viver que viram nascer dentro de si. A celebração da Vigília Pascal leva-nos, inevitavelmente, ao batismo que recebemos, pois, como dizia o Apóstolo, “fomos sepultados com Ele pelo Batismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova”. O batismo é este dom de Deus que nos chama à sua família, a ser membros do Corpo de Jesus, irmãos uns dos outros e filhos no Filho; é a porta da fé que nasce de um encontro pessoal com o Cristo vivo e a que alimenta uma relação de amor tão profunda, que nada dela nos pode separar; dá início a uma vida nova, marcada por um novo ritmo, um novo estilo a partir do Evangelho, uma nova comunidade eclesial na qual louvamos a Deus e oferecemos o culto espiritual das nossas vidas. Reconhecemos que somos uma Igreja muito grande quanto ao número de batizados e muito pequena, quanto à consciência viva da fé. Pelo sacramento do batismo muitos chegam à porta da fé, mas têm dificuldade de entrar por ela: não chegam, por isso, a saborear a grandeza de entrar e de estar dentro com Cristo e com a Igreja; ficam às portas de um banquete que não desejam saborear por não conhecerem a sua doçura. Muitos outros nem sequer compreendem o batismo a partir de uma fé esclarecida, mas ficam-se por um rito social, por uma tradição ancestral ou até por um desejo de proteção face ao desconhecido – um sentimento religioso quase natural, que não passa os umbrais da fé assumida e não é suficiente para transformar a mente, o oração e a vida. Caríssimos irmãos, fomos sepultados com Cristo na morte, para com Ele ressuscitarmos para a vida. Esta realidade sacramental precisa de ser assumida, a fim de que a graça recebida não seja em vão, a fim de que o batismo possa produzir os seus frutos. Precisamos de passar a porta da fé pelo batismo e precisamos de viver a experiência de fé como encontro pessoal com Cristo e como membros vivos da comunidade cristã. Neste sentido, a maior glória de um batizado, que entrou pela porta da fé, consiste em ser cristão. Significa isso muito, concretamente, dinamizar a totalidade da sua vida a partir de Cristo, fazer da fé a sua referência fundamental no que respeita aos valores e às atitudes; significa ainda sentir a Igreja como família que assumimos e ajudamos a crescer na santidade, deixar-se envolver na comunidade na qual celebramos e convivemos, sentir-se nela como a casa na qual nos sentimos em comunhão com Deus e com os outros. Dizer-se cristão não praticante é uma das maiores contradições teológicas, doutrinais e existenciais. Podemos acreditar na graça sacramental própria do batismo, mas ela não age sem a nossa disponibilidade para a acolher, e muito menos contra  a nossa vontade e a nossa liberdade. Ser cristão é sempre ser praticante, apesar da pobreza das nossas expressões e dos limites da nossa liberdade. Ser cristão é ser praticante porque é permanecer ativa e livremente em Cristo, é participar de uma vida que nos é dada, é acreditar e celebrar na liturgia a ação de graças ao Deus que nos chamou, é envolver-se na comunhão com os irmãos, é partilhar o Evangelho como Palavra transformadora, é estar no mundo com a missão de testemunhar a alegria e a esperança que nos invadem. A celebração da Páscoa do Senhor há de levar-nos a incarnar a fé como graça que nos move na totalidade, sem que nada possa de nós possa ficar de fora; há de tornar-nos mais praticantes em sentido pleno: nas opções, nos valores, nas relações, na liturgia, na oração, na caridade, na evangelização. Se o batismo opera em nós uma mudança, pois nos faz filhos de Deus e membros da Igreja, Corpo de Cristo, com a cooperação da nossa liberdade e vontade ele oferece-nos a possibilidade de caminharmos confiantes em ordem a uma identificação maior com aquilo que somos. A ação pastoral da Igreja precisa, deste modo, de repensar-se. Ela tem de orientar-se mais para fazer novos filhos de Deus do que para preservar um estatuto adquirido no passado; tem de orientar-se mais para fazer cristãos do que para realizar ritos religiosos desprovidos de fé ou desejados por outras motivações; tem de proporcionar ocasiões e meios mais adequados para que os batizados entrem pela porta da fé e experimentem a sublimidade do encontro com Cristo. Enquanto realizamos a liturgia batismal e fazemos a profissão de fé e a renovação das promessas do batismo, renovemos interiormente a nossa gratidão a Deus pelo dom que recebemos e comprometamo-nos a ser cristãos, filhos de Deus e filhos da Igreja disponíveis para transformar a vida e fazer dela sinal da esperança do Ressuscitado. Ao acompanharmos o batismo deste jovem, peçamos ao Senhor que lhe abra os braços para que entre pela porta da fé com alegria. Rezemos para que o testemunho da Igreja seja sempre para ele e para todos os que são batizados um estímulo para uma renovada vida em Cristo. Coimbra, 31 de março de 2018 Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra  
Caríssimos irmãos e irmãs! Este é o dia que não deixa ninguém indiferente, crentes ou não crentes, justos ou pecadores, de todas as condições, pois todos nos identificamos com a dureza do sofrimento e da morte e todos nos queremos identificar com a esperança da vida. Este é o dia que não deixa ninguém de fora e que tem uma palavra a dizer a todos, porque não há ninguém que não passe pelas cadeias do fracasso, do desencanto, do sofrimento e das dúvidas mais dramáticas – fazem parte da nossa condição e nunca nos resignamos a ficar presos nas suas teias enredadas. Se a Boa Nova de Deus contemplasse apenas os dias de alegria, de glória e de vitória, seria porventura apenas para alguns privilegiados pelas circunstâncias felizes da vida, mas não para os deserdados e impedidos de participar dos seus bens. No sofrimento não há vencedores e vencidos, grandes e pequenos, ricos ou pobres, privilegiados ou deserdados. A dor, o medo e a morte são como que um denominador comum, assumido pela paixão do Senhor, que se fez em tudo igual a nós, exceto no pecado, para nos abrir o caminho da confiança, da esperança e da bem-aventurança. A narração da paixão do Senhor perpassa todas as gerações e tem uma palavra a dizer a toda a humanidade, mesmo neste tempo em que se julgava estarem perto os novos céus e a nova terra, sem dor, ser luto e sem morte; a paixão do Senhor encerra uma Boa Nova para a humanidade iludida com o sonho de vencer todos os temores e de edificar sobre esta terra um mundo a todos os títulos feliz. Esconder a cruz de Cristo ou eliminar da vista os sinais do sofrimento e da morte, como se tem pretendido fazer frequentemente, não significa que eles não continuem bem presentes em nós. Não precisamos de exaltar a cruz, o sofrimento ou a morte, porque eles se impõem por si mesmos, e seria doentio e desumano fazê-lo. Precisamos, sim, de os enfrentar com realismo e de nos munir de fortes razões para os acolher e ultrapassar com esperança. A questão da vida é a primeira questão humana. Não se trata de uma questão religiosa, como frequentemente se apresenta nos diferentes fóruns em que se discute a legislação relativa à sua interrupção no princípio, no fim ou quando as circunstâncias a tornam mais difícil. Preservar a vida constitui o sinal maior do progresso de uma civilização. As ciências e a medicina, aliadas a todo o tipo de cuidados, cumprem a sua missão quando fazem tudo o que está ao seu alcance para que ninguém se veja em situações de debilidade e sofrimento que o leve a pensar em desistir de viver. O Estado enquanto servidor da comunidade e de todos os seus membros cumpre a sua missão sempre que promove os meios adequados para que a vida seja estimulada em toda e qualquer circunstância, pois não podem ser as circunstâncias mais favoráveis ou mais adversas que hão de determinar o valor de uma vida humana. A vida humana vale por si mesma. Nesse sentido, são relevantes as condições económicas das famílias, a qualidade da educação, as condições de acesso à saúde, à habitação, à inserção social. Igualmente relevante é a promoção dos valores humanos fundamentais, que obste à tendência de um relativismo que chegue ao ponto de considerar a vida como uma escolha pessoal, como um beco sem saída ou como uma realidade descartável. O trabalho em favor da harmonia interior, da construção da esperança, do fortalecimento da vontade, do enraizamento de relações humanas marcadas pela amizade, dos laços familiares informados pelo compromisso de amor, constitui auxílio indispensável para a edificação de uma cultura que promove e fortalece o desejo de viver. Caríssimos irmãos, temos todos muito a fazer, tanto individualmente como nas instituições públicas e privadas para que a vida seja um valor cuidado, preservado e promovido em todas as suas fases mas, sobretudo, quando está em situação de maior debilidade. Crianças e jovens, idosos e doentes, pobres e marginalizados nas famílias, na escola, na Igreja ou na sociedade em geral, encontram-se entre os que mais precisam de apoio, de carinho e de alguém que, estando verdadeiramente próximo, os ajude a encontrar o sentido para as suas fragilidades materiais, emocionais ou relacionais. Há alguns dias ouvi um adolescente dizer-me com as lágrimas nos olhos: a minha vida é muito difícil. Frequentemente encontro idosos, particularmente nos lares ou outras instituições, onde têm todas as condições materiais para uma vida digna, dizerem: tenho tudo o que preciso, mas não tenho ninguém. Não raro, em casa ou nos hospitais nos deparamos com doentes que podem ter os cuidados médicos adequados, mas sentem com angústia a falta do carinho da família ou da sociedade. Conhecemos também o fenómeno triste de pessoas que morrem e são sepultadas na mais crua solidão, que não têm ninguém ou que não se sentem queridas nem amadas por ninguém. De fato, investimos muito nas condições materiais, mas demasiado pouco na relação humana, na presença, na proximidade, no acompanhamento personalizado, que acaba por marcar mais a qualidade de vida do que tudo o resto. Enquanto comunidades cristãs disseminadas por todas as geografias físicas, humanas e sociais, havemos de estar na linha da frente na defesa da vida, da vida e com qualidade. Não nos bastam as palavras, mas urge uma atitude de proximidade, uma aposta na relação de caridade, uma identificação com todos os que estão em situação de morte. Se outras instituições públicas e privadas têm mais capacidade para se ocupar com as questões do desenvolvimento económico que proporcione a todos condições de vida dignas, a comunidade cristã, a partir da fé e movida por ela, tem uma missão especial a cumprir: o fortalecimento espiritual, o qual, afinal, determina mais seriamente o que se passa no interior de cada pessoa e, por isso, favorece de modo mais completo a confiança e o aconchego para olhar o futuro com  esperança. Caríssimos irmãos e irmãs, como nos disse o Papa Francisco há poucos dias, a cruz de Cristo é um fortíssimo sinal para os cristãos e para a humanidade. É importante que esteja presente e visível nas nossas casas, mas não pode ser simplesmente um objeto de adorno. Pode ser bela sob o ponto de vista artístico e estético ou pode ser tosca e sem harmonia de forma, mas há de ser sempre apta para inspirar a meditação espiritual e nos abrir ao mistério que nos envolve. A sua contemplação pode mudar o rumo de uma vida, mas pode também tornar-se verdadeiramente estéril se não nos leva a estarmos junto das cruzes dos nossos irmãos com comoção e amor. Nesta celebração da Paixão gostaria de deixar-vos uma radical provocação: se passamos ao lado das cruzes dos nosso irmãos, débeis, sem saúde, sem alegria, sem esperança e sem amor, desprezamos e negamos a cruz de Cristo. Proponho, por isso, irmãos e irmãs, que, na nossa vida pessoal de leigos, consagrados ou sacerdotes, no nosso programa familiar, na organização da ação pastoral das paróquias e das comunidades, incluamos em lugar cimeiro a presença junto dos mais débeis, particularmente dos idosos, dos doentes, de todos os sofredores. Adoremos, hoje, solenemente a cruz de Cristo, a cruz do Redentor; contemplemo-l’O desfigurado, sem aparência de um ser humano, sem distinção nem beleza para atrair o olhar, desprezado e repelido pelos homens, homem de dores e acostumado ao sofrimento como quem está às portas da morte, de acordo com a profecia de Isaías; peçamos-lhe que nos ensine a estar de pé, como Maria e João, junto à Sua cruz e junto a todas as cruzes dos nossos irmãos. Coimbra, 30 de março de 2018 Virgílio do Nascimento Antunes Bispo de Coimbra  
Caríssimos irmãos e irmãs! Esta noite tem um sabor muito especial para nós que celebramos o grande momento da instituição da Eucaristia, momento que resume toda a vida de Jesus e o eterno projeto de Deus. A oferta de Jesus ao Pai em favor da humanidade constitui o sinal maior da sua identidade divina e a revelação de quem Deus é, o que quer para nós e como nos trata: Deus dá-nos tudo sem nos exigir nada. A partir da fé sentimo-nos agradecidos e disponíveis para seguir pelo mesmo caminho de dar tudo sem exigir nada. As narrações bíblicas, fruto da história da revelação de Deus ao povo de Israel, levam-nos ao conhecimento dos atributos de Deus, que é criador, Senhor, eterno e omnipotente. Em inúmeros experiências de encontro e no meio de uma história simples, quotidiana, com momentos de glória e de desilusão, aquele povo conhece mais do que um conjunto de atributos de Deus, conhece o seu modo de ser, os seus desejos mais profundos, vê como é tratado pelo próprio Deus, vislumbra a sua verdadeira identidade. Pela experiência de convivência com Jesus e tendo em conta toda a história passada, os discípulos e o povo simples conhecem Deus como misericórdia, pois sentem-se acarinhados por ele no meio das tribulações da vida, acolhem o seu perdão libertador nas situações de pecado, ouvem as suas palavras reconfortantes e portadoras de vida quando o desânimo lhes bate à porta, acompanham o seu caminho para a morte e percebem que só o amor eterno pode estar na origem de tudo o que faz. Na sua conclusão de convertido, resumindo toda a experiência pessoal de encontro com Cristo, cheio de assombro e numa síntese magistral, Paulo confessa: “Deus é amor”.  “Tomai e comei, isto é o Meu Corpo; tomai e bebei, este é o cálice do Meu Sangue”. Depois de oferecer o que tem, as suas palavras, os seus gestos de proximidade, de carinho e de perdão, Jesus vai ao extremo, pois há algo mais sério e mais pleno para oferecer: o seu Corpo e o seu Sangue, a sua pessoa. É este o Deus que conhecemos, é assim o Deus em quem acreditamos. Ali está o seu poder e a sua glória, ali está a razão de ser do seu dinâmico ato criador, ali está patente o sentido do seu desejo redentor. Estamos reunidos a celebrar Missa da Ceia do Senhor porque tivemos a graça deste encontro, que nos comoveu interiormente, porque sentimos que o Senhor nunca nos deixou sozinhos no meio das nossas dores e no ocaso da esperança - Ele esteve sempre connosco. Por duas vezes ouvimos, hoje, a exortação de Jesus que nos convida a assumir a vida na mesma perspetiva em que Ele assumiu a sua: depois de oferecer o pão e o vinho, Ele diz: “fazei isto em memória de Mim” – trata-se de um convite não só a realizarmos aquele gesto ritual e sacramental na celebração da Eucaristia, mas também a oferecermos a nossa própria vida em favor dos outros; depois do lava pés, gesto simbólico, que mostra o serviço como a sua atitude de vida, Ele diz: “dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também” – é um convite a passarmos dos gestos simbólicos aos gestos reais, a um modo de estar na vida como servos uns dos outros, atentos, solícitos, próximos, solidários, em fraternidade e amor. A Eucaristia que celebramos gera sempre em nós um estilo de vida, que corresponde à nossa matriz fundamental de pessoas, criadas para amar e servir a Deus e aos outros. Ao apresentar o Filho de Deus a lavar os pés aos filhos dos homens, o Evangelista leva-nos ao conhecimento de como é Deus e de qual é a primeira vocação da pessoa humana: ser para os outros por meio do serviço. Nesta celebração da Missa da Ceia do Senhor, queremos acolher os desafios que nos chegam por meio da Palavra da Escritura, mas queremos também dar graças a Deus pelos homens e mulheres de todas as condições que vemos a dar passos significativos de resposta à sua vocação primeira, a de ser para os outros e a de viver como servos da alegria, da consolação, do bem estar e da felicidade uns dos outros. No meio da tragédia sem precedentes que assolou as nossas terras e as nossas gentes - os incêndios que devastaram florestas, bens, casas e famílias - emergiu também de forma eloquente o que de melhor carateriza as pessoas que somos. Vimos o luto e a dor bater à porta de muitos, mas vimos também a solidariedade, a justiça e a caridade brotar dos corações e elevarem-se no meio dos escombros materiais e humanos. Ouvimos repetidamente dizer que os portugueses são assim... que nos momentos decisivos nunca deixam de estar presentes e de dar largas à solidariedade e ao amor, estão prontos a sacrificar-se em favor dos irmãos. Gostaríamos de sentir que este modo de ser não é ocasional, de determinados momentos ou circunstâncias especiais, mas algo de estrutural na nossa condição de pessoas e de cristãos, algo de sempre, como realidade essencial do nosso ser e conviver de todos os dias e de todas as horas. Ao longo destes meses manifestámos de diversas formas a nossa solidariedade e caridade para com os pobres, os que choram, os mansos, os aflitos, os que têm fome e sede de justiça, ajudámo-los a encontrar alguma paz e consolação; procurámos ser uma presença amiga para que voltassem a vislumbrar os caminhos da felicidade ou da bem-aventurança. Consideramos que tudo o que fazemos é muito pouco diante das feridas abertas no corpo e na alma dos que se confrontam com o mais profundo sentimento de perda. Tudo o que temos feito, é, no entanto, uma tentativa sincera de estarmos presentes, porventura silenciosamente, a manifestar que temos um coração de carne, que nos comovemos até às entranhas com os nossos irmãos que e gostaríamos de aliviar muito mais a sua dor. Acreditamos que Deus está bem próximo dos nossos irmãos que estão de luto ou privados de pessoas e bens, daqueles que têm impressos na memória dos sentidos e do coração as aflições que não se apagam. Também nós queremos continuar presentes e próximos, de pé, ao seu lado, em sinal de esperança. Nesta noite da vitória do amor de Deus por nós, bem expressa na oferta de Jesus ao Pai, queremos manifestar o nosso maior apreço aos que estiveram mais perto dos aflitos na hora da tragédia, aos que ofereceram o seu trabalho, aos que puseram a sua vida em risco para salvar a vida dos irmãos. Refiro-me em primeiro lugar aos bombeiros, e depois a muitos outros homens e mulheres que, movidos pela voz dos laços de sangue ou simplesmente pela força do dever a cumprir, ofereceram o seu corpo e o seu sangue para salvar alguns. Estamos certos de que com os seus gestos se adentraram mais plenamente na comunhão de Cristo que se ofereceu para salvar a todos, realizaram o ato humano mais excelente, que consiste em dar a vida, e incarnaram na sua fragilidade a força do amor divino. “Se Eu que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros”. Obrigado, caríssimos irmãos bombeiros, porque, porventura sem o saberdes, cumpristes o mandato do Senhor, pusestes a toalha à cintura, ajoelhastes-vos diante dos irmãos, lavastes os seus pés e enxugastes as suas lágrimas de dor; fostes verdadeiro rosto e autênticas mãos de Jesus que lavou os pés ao mais pequenino dos seus irmãos. Em nome do Senhor e desta sua Igreja Diocesana de Coimbra, quero, hoje, inclinar-me diante de vós e lavar os vossos pés, porque também a vossa fragilidade precisa de fortaleza, a vossa memória sofrida precisa de consolação e a vossa determinação em servir precisa de sentir que não estais sós: nós estamos convosco e Deus está convosco. Peço-vos a humildade de reconhecer que pelas mãos deste seu servo, Jesus lava os vossos pés e implora-vos que continueis a tomar o seu exemplo como medida do vosso serviço à comunidade e a cada um dos seus membros mais pequeninos. Irmãos e irmãs, agradeçamos ao Senhor Jesus, o nosso Mestre, que nos deu a única lição importante: a da vida que se recebe para se dar, do amor que se sente para se comunicar. Agradeçamos-lhe a Eucaristia, esse memorial da sua oferta por nós, que nos recorda sempre que sem caridade nada somos. O desafio desta noite é grande, porque pede uma autêntica revolução dentro de nós, pede-nos que organizemos a nossa vida e a nossa sociedade a partir do critério maior: dar a vida pelos homens nossos irmãos, seguindo a Jesus que, sendo Filho de Deus, deu a sua vida por nós. Coimbra, 29 de março de 2018 Virgílio do Nascimento Antunes Bispo de Coimbra