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NOTA PASTORAL CELEBRAÇÃO DOS 700 ANOS DO CULTODA IMACULADA CONCEIÇÃO EM COIMBRA A nossa história No dia 17 de outubro de 1320, o bispo de Coimbra, D. Raimundo Evrard, institui a festividade da Conceição de Maria, isto é “o dia em que a Virgem Gloriosa Santa Maria, foi concebida”, e manda que se celebre todos os anos a 8 de dezembro na Basílica de Santa Maria de Coimbra, hoje, a Sé Velha. Ainda longe de encerradas as discussões teológicas acerca da Imaculada Conceição da Virgem Maria, que durou muitos séculos, estava já, de algum modo, a fazer-se o caminho que culminaria na definição dogmática proclamada pelo Papa Pio IX, em 1854, e que confessa: “Por uma graça e favor singular de Deus omnipotente e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original no primeiro instante da sua conceição” (Catecismo da Igreja Católica, 491). Portugal, à semelhança de outras nações da Europa, insere-se de tal modo nesse percurso, espontâneo e popular, por um lado, académico e doutrinal, por outro, acerca de Maria que, a proclamação da Imaculada Conceição como sua rainha e padroeira pelo rei D. João IV, em 1646, é ponto de chegada de um caminho já feito e abertura para uma filial história futura. A própria aplicação a Portugal da tradicional expressão “terra de Santa Maria” significa igualmente o carinho que sempre fomos nutrindo pela Virgem Maria. Também Coimbra faz parte irrenunciável desta história de acolhimento da Virgem Maria pela Igreja, pois, tanto nas manifestações da piedade popular como na reflexão académica de cariz teológico dá passos muito significativos. Nesse sentido, é significativo o Decreto do bispo D. Raimundo Evrard, mas também o seu acolhimento pelo povo e pela própria Universidade, que inclui essa festividade de Maria nos seus mais altos momentos celebrativos e durante vários séculos, a ponto de podermos dizer, com justiça, que Coimbra é a cidade da Imaculada Conceição. Comemoramos e agradecemos Neste ano de 2020, e passados setecentos anos da publicação da carta do bispo  D. Raimundo Evrard, que dá um forte impulso ao culto da Virgem Maria entre nós, queremos assinalar esse momento alto, pois, de algum modo, as suas repercussões perpassam toda a história da nossa cidade e diocese de Coimbra. Nesta comemoração, sentimos o desejo de agradecer aos que nos precederam e lançaram nestas terras e nestas gentes as raízes da nossa cultura de matriz judeo-cristã, fundamentaram a nossa fé em Cristo e alicerçaram a nossa identidade apostólica e eclesial, na qual encontra lugar privilegiado a Virgem Maria. Sentimos ainda o apelo de dar graças a Deus pelo caminho que nos concedeu percorrer, com alegrias e esperanças, com dores e apreensões; queremos também agradecer a Maria por nos incluir entre o número dos seus filhos, por nos chamar a fazer parte daquelas gerações ditosas que a proclamam bem-aventurada, por estar sempre como Mãe ao nosso lado e por ir como Mestra à nossa frente a indicar Jesus como a Salvação e a Vida. Queremos ainda nesta comemoração olhar para o presente e o futuro da nossa Diocese de Coimbra e renovar nela a esperança de Maria, que esteve presente no nascimento da Igreja de Cristo no Pentecostes e acompanhou a dolorosa gestação das comunidades cristãs das origens. Sentimo-nos herdeiros de uma longa história, mas igualmente chamados a voltar continuamente à frescura do Evangelho de Jesus Cristo, à novidade da força impulsionadora do Espírito Santo, à alegria de ser Povo de Deus e Igreja que vê em Maria a sua imagem e o seu modelo de realização. Na tradição da Igreja A Igreja procura continuamente voltar às fontes bíblicas e à Tradição para encontrar as raízes da fé que professa. A propósito do lugar de Maria, a Lumen Gentium afirma: “A sagrada Escritura do Antigo e do Novo Testamento e a Tradição que veneramos, revelam a uma luz cada vez mais clara o papel da Mãe do Salvador na economia da salvação” (LG 55). Maria tem um lugar insubstituível no plano de revelação e ação de Deus que quer salvar toda a humanidade por meio de Jesus Cristo. Já alguns textos do Antigo Testamento apontam para a leitura mariológica do Novo Testamento e este, embora de forma muito contida nos ajuda a compreender como os apóstolos foram descobrindo progressivamente o mistério de Maria, sempre em ligação estreita com o mistério de Jesus e com o mistério da sua Igreja. A Tradição contínua da Igreja alicerçada na revelação bíblica foi descobrindo progressivamente o mesmo mistério de Maria e formulou as definições dogmáticas, que acolhemos de todo o coração: a maternidade divina, a virgindade perpétua, a conceição imaculada, a assunção à glória celeste. Antes, durante e depois, o Povo de Deus foi sempre exprimindo a sua devoção mariana, que era, ao mesmo tempo, consciência teológica e doutrinal acerca do lugar de Maria na relação com Cristo e com a Igreja. Deste modo, as definições dogmáticas não foram simplesmente uma formulação verbal, académica e teórica acerca de Maria, mas sobretudo uma expressão do sentir e crer dos fiéis, iluminados pela Espírito Santo. Passo decisivo foi dado pelo Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, no capítulo VIII, intitulado: “A Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja”. Apesar de não trazer nenhuma nova doutrina acerca da Virgem Maria, ajudou-nos a vê-la melhor como figura humana e marcada pela fé, dotada, sem dúvida, de singulares privilégios, mas sobretudo cheia de virtudes simples e acessíveis que podemos imitar. O Concílio Vaticano II e o Magistério Pontifício posterior trazem, de facto, um novo olhar sobre a Virgem Maria e sobre o seu lugar na Igreja, acentuando alguns pontos relevantes: ela é vista dentro do contexto da História da Salvação, inserida no projeto de Deus que quer salvar a humanidade por meio de Jesus Cristo, seu Filho e incarnado no seio da Virgem Maria; ela tem um lugar ímpar dentro do Povo de Deus e acompanha toda a sua caminhada histórica, apontando para a dimensão escatológica expressa no livro do Apocalipse; a figura de Maria não é vista como uma figura isolada, mas encontra o seu verdadeiro sentido na ligação com Cristo e com a Igreja. Ao propormos a revitalização de um caminho de acolhimento, compreensão e progresso na espiritualidade mariana, estamos a inserir-nos no caminho contínuo do Povo de Deus que sempre quis preservar a fé revelada e acreditada. Queremos continuar por esta via para sermos fiéis à nossa vocação cristã e à Tradição que recebemos, pois como afirmou o teólogo von Balthasar, toda a Igreja é mariana e é preciso continuar a descobrir o seu rosto mariano. Pela via mariana A celebração desta efeméride constitui ocasião para lançarmos alguns desafios à Igreja Diocesana, que quer prosseguir, na fidelidade à fé, pela via mariana Maria, imagem da esperança Como figura de mulher, Maria acolhe todas as esperanças proféticas do Antigo Testamento, enquanto aguarda a chegada do Messias e Filho de Deus, que há de incarnar no seu seio virginal. Ela vê em Jesus o sinal da esperança divina e transmite essa esperança a toda a Igreja cujo nascimento acompanha, partilha-a com os apóstolos e com as primeiras comunidades cristãs. Na sua maternidade espiritual Maria comunica a esperança a todo o Povo de Deus de quem se torna Mãe da santa esperança. Presente na Igreja de hoje, Maria continua a ser para a multidão dos fiéis refúgio, consolação, sinal de misericórdia e de amor, portadora da esperança de Deus. Por essa via, a humanidade tem acesso à esperança que tem por nome Jesus Cristo, morto e ressuscitado, Aquele que ultrapassa todas as barreiras, mesmo a da morte, pelo poder de Deus. Particularmente neste tempo de debilidade face à pandemia, Maria, enquanto mulher e Igreja, tem uma palavra e um testemunho a face às apreensões d e toda a humanidade. Maria, exemplo da obediência da fé Ela acreditou em Deus e em tudo o que lhe foi dito da parte do Senhor, mesmo no que humanamente lhe parecia impossível, pois a Deus, pelo poder do Espírito, nada é impossível. Acolher a fé como um dom e obedecer à vontade do Pai até à morte, aprendeu-o com Jesus, o Filho obediente até à morte de cruz. Agora ensina-nos o caminho da fé e testemunha que nos traz a felicidade que desejamos, tal como a tornou feliz a ela, apesar de ser a Senhora das Dores. Depois das figuras do Antigo Testamento, nomeadamente Abraão, que acreditou, escutou a Palavra do Altíssimo e se pôs a caminho, encontramos em Maria a realização mais perfeita da fé, que significa submissão à Palavra de Deus, que é a verdade. Diante da incredulidade reinante e de todas as dúvidas acerca da verdade, Maria ensina-nos a buscar em Deus as seguranças de que precisamos para viver. Ela encontrou-as no Evangelho anunciado e comunicado, convidando-nos a acolhê-lo e a anunciá-lo com a linguagem, o fervor e o testemunho adequados ao nosso tempo., tornando-se como se lhe tem chamado a Estrela da Evangelização. Maria, exemplo de oração e de louvor No seu “sim” e no seu “magnificat”, pronunciados com amor, Maria mostra a sua total dependência de Deus e da Sua vontade; louva o Senhor de todo o coração, como tinha aprendido da fé do seu povo de Israel. Em Caná, intercede pelo povo junto de Jesus e alcança a graça de uma resposta poderosa. No Cenáculo, ora com os discípulos amedrontados e recebe o dom do Espírito Santo esperado. Com ela, a comunidade cristã reza, louva, suplica, escuta a Palavra e recebe o Espírito Santo prometido. Maria torna-se a mestra e a escola da espiritualidade fundada no Espírito que connosco reza ao Pai. O seu “sim” é ainda a correspondência humana a uma vocação, que vem de Deus. Torna-se para nós a Mãe de todas as vocações, porque nos ensina a responder à voz que nos chama a ser filhos de Deus, mas também a seguir a vocação pessoal que o Espírito nos dá. Maria, exemplo de santidade A Escritura proclamou sempre o nosso desígnio mais alto quando nos convocou à santidade: “sede santos!”. A Igreja insistiu sempre com os fiéis no sentido de corresponderem ao apelo de santidade que Deus lhes dirige e, no Concílio Vaticano II, recordou-o de modo peremptório: “todos na Igreja, quer pertençam à hierarquia quer por ela sejam pastoreados, são chamados à santidade, segundo a palavra do Apóstolo: «esta é a vontade de Deus, a vossa santificação» (1 Tess. 4,3; cfr. Ef. 1,4)” (LG 39. Como imagem mais perfeita da Igreja, a Virgem Maria é também a figura mais perfeita da santidade e torna-se para nós a Mãe e a Mestra dos caminhos da santidade enquanto acolhimento da graça que o Espírito Santo produz em nós. Num contexto de tanto materialismo, egoísmo e relativismo moral, somos chamados a ir com a Virgem Maria às fontes do Espírito, havemos de abrir-nos no serviço desinteressado da caridade para com os irmãos e havemos de tornar-nos sinceros buscadores da Verdade. Maria, modelo de união e comunhão com Cristo e com a Igreja Da anunciação ao calvário, passando por todos os momentos em que acompanhou física ou espiritualmente Jesus, Maria manteve-se unida a Ele. Fortalecida pelo dom do Espírito, permaneceu junto aos Apóstolos e a toda a Igreja, que havia de permanecer unida a Cristo e na verdadeira comunhão. Em tempos de tantas divisões no Corpo de Cristo, que põem em causa o testemunho da Igreja e fragilizam a comunicação da fé e do Evangelho, somos chamados a voltar a Maria, modelo fiel e puro da união com Cristo e de toda a Igreja. Celebremos a Imaculada Conceição com mais amor Em momento tão significativo  e festivo para a nossa cidade e diocese de Coimbra, peço a toda a comunidade diocesana que tudo faça para revigorar o culto devido à Mãe de Deus e nossa Mãe, invocada sob o título de Imaculada Conceição. Celebremos festivamente e aproveitemos este tempo de graça para colher tudo o que Maria tem para nos ensinar como Mestra da fé, Estrela da Evangelização, Testemunha de Santidade no Seu amor a Cristo e à Palavra de Deus, Serva Fiel do Senhor, Modelo e Imagem da Igreja, que acolhe o Espírito Santo. O programa diocesano inclui como pontos centrais um Colóquio teológico e histórico, no dia 17 de outubro, e a Missa, na Sé Velha, no dia 8 de Dezembro. Às diversas comunidades cristãs, paróquias e unidades pastorais, pedimos que acompanhem com as suas celebrações litúrgicas, catequeses e momentos de piedade, segundo a riqueza legada pelas tradições locais. Que a Imaculada Conceição interceda pela nossa Diocese de Coimbra, pela sua santificação, unidade e comunhão na fé e na missão. Coimbra, 17 de setembro de 2020Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
MISSA DO XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM ACRIAÇÃO DA REITORIA-QUASE PARÓQUIA DO CORAÇÃO IMACULADO DE MARIACENTRO PASTORAL IRMÃ LÚCIA   Caríssimos irmãos e irmãs! Este é, em verdade, um dia de festa para esta comunidade cristã e para a Diocese de Coimbra, pois temos a graça de erigir em Reitoria-Quase Paróquia esta porção do Povo de Deus, até agora pertencente à Paróquia de Santa Cruz de Coimbra. Estamos diante de um sinal da fé e da perseverança de uma população, que ama a Deus e ama a Igreja, desejando criar melhores condições para que o Evangelho seja anunciado a todos, para que a caridade cristã seja viva e para que muitos encontrem a Cristo e n’Ele a salvação que nos oferece. Em tempos nada fáceis para as comunidades cristãs, que sentem muita dificuldade em crescer, e quando pode surgir a tentação de baixar os braços, surgem raios de luz e fontes de esperança, que acolhemos como um dom do Espírito Santo, Aquele que faz crescer a Igreja e que renova todas as coisas. O caminho da Igreja é o caminho da esperança fundada no Evangelho que pregamos, é o caminho do Espírito que sempre nos inunda para fazer de nós, pessoas e comunidades, sentinelas da manhã que anunciam o novo dia de Cristo Ressuscitado presente no meio do Seu Povo. O Livro do Ben-Sirá sugeria-nos como conduta de vida que nos afastemos do mal e do pecado para nos deixarmos guiar pelos mandamentos e pela Aliança do Altíssimo. Faz, no fundo, uma alusão à doutrina sapiencial da Escritura que vê no coração de Deus o lugar da sabedoria e no coração humano o lugar que a recebe, nas suas manifestações de inteligência e de amor. A Epístola aos Romanos vê em Cristo, morto e ressuscitado a verdadeira sabedoria de Deus, o sinal que o Pai nos oferece para que, pela via do coração, alcancemos inteligência e amor. E o Evangelho de S. Mateus especifica pelas referências ao perdão o que isso significa. Está, pois, diante de nós, uma mensagem que deve conduzir a vida da Igreja e desta comunidade cristã, que agora constituímos: pela via da inteligência e do amor, que tem por sede o coração sábio, encontraremos a via da edificação de todos os projetos da Reitoria do Coração Imaculado de Maria. A inteligência do coração deve levar ao conhecimento desta humanidade, que anseia pelo Deus vivo. Tem as suas peculiaridades, o seu contexto humano, social e religioso, que é obrigatório ter em conta, quando se pretende realizar aqui a obra de Deus, que consiste em acreditar no nome de Jesus para encontrar n’Ele a salvação. O pároco, com o Conselho Pastoral e a Equipa de Animação Pastoral, enquanto órgãos de participação e corresponsabilidade previstos na nossa Diocese, por-se-ão numa atitude de escuta da voz do Espírito, numa grande atenção às realidades humanas aqui existentes, para traçarem os caminhos de Deus para toda a comunidade. Este sentido da sinodalidade, que leva o pastor a estar com o seu rebanho e a perscrutar onde está a sua fome e a sua sede, levará a todos à realização da missão da Igreja de uma forma viva, dinâmica e envolvente. O amor do coração, na relação com Deus e com o próximo, que se desdobra em compaixão e misericórdia, terá expressão em tudo o que sois e em todas as ações que empreendeis. Que tudo entre vós seja expressão do amor do coração: a liturgia que celebrais, particularmente a Eucaristia, e que exprime a fé da Igreja e dá a graça do enraizamento pessoal em Cristo; a evangelização – quer sejam as ações de primeiro anúncio, quer sejam as ações dirigidas à consolidação da fé dos crentes – é um sinal da caridade pastoral; o aprofundamento da espiritualidade cristã por meio da leitura e meditação da Palavra de Deus ou por meio da imensa riqueza da piedade cristã, há de levar-vos a viver segundo o Espírito que recebestes; a caridade, que tem muitas formas de expressão, mormente a atenção aos mais pobres e aos mais débeis, selará o testemunho de uma comunidade que aceita prosseguir pela via do amor do coração. Damos graças a Deus por nos ter dado como e guia da nova comunidade o Coração Imaculado de Maria, pois no coração da Mãe de Deus se concentra o modelo do acolhimento humano da verdadeira sabedoria de Deus, inteligência e amor. Ao longo da sua vida, que inclui várias décadas passadas entre nós, em Coimbra, a Irmã Lúcia, cumprindo o mandato da Virgem Maria, difundiu no mundo a devoção ao seu Imaculado Coração. Acolhendo a mesma mensagem, temos agora a possibilidade de, a partir deste lugar, dar continuidade a esse projeto, que, acreditamos, ser caminho seguro de refúgio e consolação que nos conduzirá a Deus. Procuraremos ser comunidade cristã com a Virgem Maria, a Mãe de Deus que “é o modelo e a imagem da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo, como já ensinava Santo Ambrósio” e nos foi recordado pelo Concílio Vaticano II (LG 63). Que esta comunidade, agora erigida, não seja simplesmente uma circunscrição eclesiástica; e que a igreja que aqui quereis edificar não seja simplesmente um edifício ou um monumento, mas que sejam o sinal vivo da Mãe de Deus e nossa Mãe, do Coração Imaculado de Maria, serva fiel e pura, o sinal de um coração sempre aberto à Sabedoria de Deus, inteligência e amor, sempre aberto a Jesus Cristo e sempre aberto à humanidade que Ele ama. Queridos jovens, já presente desta comunidade e da Igreja, especialmente vós, que hoje recebeis o dom do Espírito Santo no Sacramento do Crisma, esta comunidade, porção da Igreja, é a vossa casa, pois nela Cristo vive. Entrai nela com alegria e com fé, com a inteligência e o amor, que o Coração Imaculado de Maria vos, o Coração da Mãe vos ajudará a conhecer e Jesus Cristo, sempre jovem viverá em vós. Coimbra, 13 de setembro de 2020Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
NOTA PASTORAL DO BISPO DE COIMBRAANO PASTORAL 2020-2021   \"Os Jovens, a fé e a vocação - que caminhos na Igreja?\"   I“APROXIMAI-VOS DO SENHOR”AVALIAÇÃO Damos graças a Deus pelo Plano Pastoral que acabamos de viver na Diocese de Coimbra, um triénio subordinado ao lema: “Aproximai-vos do Senhor” (1 Pd 2, 4). A Diocese, as comunidades paroquiais, os secretariados, serviços e movimentos foram iluminados pela Palavra do Senhor, procurando elaborar e concretizar caminhos de encontro com o Senhor e de missão junto da humanidade. Os três objetivos, evangelização, espiritualidade e organização, foram campo aberto para uma renovação da Igreja Diocesana em todas as suas estruturas, mas sobretudo nos seus membros, muitas pessoas disponíveis para acolher as propostas e progredir na fé e no serviço. Houve, ao longo destes anos, muito caminho feito, tanto dando continuidade a projetos que já vêm de longe, como ensaiando perspetivas e intuições novas, na esperança de que correspondam ao discernimento feito pela comunidade cristã e sempre na obediência à voz do Espírito que renova todas as coisas. A Exortação Apostólica do Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, foi o documento de base, na procura da fidelidade à Igreja, que sempre nos oferece a possibilidade de estarmos atentos aos sinais dos tempos em que vivemos, sob a iluminação da Palavra Deus e do Magistério Pontifício. A Carta Pastoral escrita para a totalidade do triénio e a Nota Pastoral oferecida em cada um dos anos procuraram iluminar as estratégias definidas e os dinamismos concretos mais urgentes para a nossa realidade diocesana. Não se ofereceu às comunidades um Plano Pastoral acabado, pois sempre quisemos fazer apelo ao trabalho desenvolvido pelos órgãos de corresponsabilidade e participação, cuja missão é definir com o pároco ou com o coordenador, conforme os casos, as linhas de ação, estratégias e atividades locais. Os Conselhos Pastorais foram chamados a dar esse contributo no que se refere à elaboração do Plano Pastoral de cada unidade pastoral; as Equipas de Animação Pastoral foram incentivadas a liderar a programação e execução, sob a condução dos sacerdotes, que presidem à comunhão das comunidades cristãs. Não me cabe, nesta altura, fazer a avaliação dos frutos alcançados, pois essa será tarefa do Povo de Deus, especialmente representado nos referidos órgãos de corresponsabilidade e participação, nomeadamente nos Conselhos Pastorais e assembleias gerais dos secretariados e  movimentos presentes na Diocese. Proponho, por isso, à Diocese que se detenha sobre os objetivos do Plano Pastoral que agora terminámos e faça a sua avaliação. Não se pretende ficar a olhar para o passado que correu bem ou correu mal, mas repassar com olhar crítico e objetivo estes três anos e perceber quais foram os sucessos e as falhas, quais as suas causas e o que se pode fazer melhor no futuro. Segundo o plano apresentado pelo Secretariado da Coordenação Pastoral, esse trabalho de avaliação deverá estar concluído no final do mês de outubro e seguindo a grelha que se encontra disponível neste mesmo opúsculo.   Seria um erro pensar que o anterior plano pastoral ou os outros que o precederam são coisas a arrumar no passado ou nos anais da história da diocese ou da paróquia. Os seus objetivos continuam presentes, pois fazem parte da vida da Igreja e estamos muito longe de os alcançar. A evangelização é a grande prioridade de todos os tempos, mas especialmente na situação em que hoje vivemos. Sem ela a Igreja não cresce e a humanidade, em cada pessoa da nossa terra, não tem  possibilidade do encontro pessoal com Cristo. A espiritualidade é caminho de todos os dias e leva ao enraizamento no Espírito Santo, que conduz a nossa vida. O vazio de espiritualidade que se sente hoje e a confusão instalada no que se refere às “espiritualidades” exigem uma opção clara da nossa parte. A organização, nos moldes concretos em que temos vindo a progredir, constitui uma mudança tão relevante na vida da nossa Diocese que necessita de longos anos de consolidação. A Unidade Pastoral enquanto modelo organizativo da pastoral territorial está na sua fase inicial, apesar de, nalguns casos, ser já uma realidade implantada e a produzir bons frutos. A missão da Igreja diocesana é muito vasta e tem muitas faces. Que não percamos o impulso iniciado com a definição dos objetivos referidos, mas avancemos para outras áreas que sentimos serem urgentes para a Igreja que somos.   IIDINAMISMO SINODALMÉTODO E CAMINHO Nos últimos anos, a par com a eclesiologia expressa nos documentos do Concílio Vaticano II e com o Magistério dos últimos pontífices, tomámos o dinamismo da sinodalidade como método e caminho da vida da Diocese. Nem o bispo nem os presbíteros, enquanto verdadeiros pastores da Igreja, renunciaram a nenhuma das prerrogativas que lhes vêm do sacramento da Ordem em virtude da sua vocação e missão, mas antes se sentem mais membros da Igreja, Povo de Deus e Mistério de Comunhão. O Povo Santo de Deus exprime melhor essa sua condição querida por Jesus Cristo, Seu Fundador, quando todos e cada um segundo a sua vocação e o dom que recebeu, partilha a responsabilidade de edificação da Igreja. Sinodalidade significa caminharmos juntos enquanto Igreja, sempre na escuta da voz do Espírito, que fala de modo supremo por meio da Palavra de Deus, mas também dando lugar à nossa capacidade de ler o que se passa à nossa volta. Os leigos, os consagrados, os diáconos, são chamados a cooperar com os seus pastores em todas as fases da definição de objetivos e estratégias, assim como a dar o seu contributo na realização da missão da Igreja, que tem muitas faces e precisa da fé e do serviço de todos. A nossa Diocese de Coimbra tem já uma grande tradição de busca da sinodalidade. Realizou ao longo da sua história vários momentos fortes aquando dos sínodos diocesanos, mas entende que a sinodalidade não se esgota na realização de um sínodo. Quer, agora, que o seu percurso seja todo ele de matriz sinodal, o que implica o desenvolvimento das formas de participação e corresponsabilidade previstas e propostas pela Igreja Universal. Quer também que a avaliação periódica da sua vida e a elaboração de um novo Plano Pastoral dê voz aos seus membros, a todos os que movidos pelo desejo salvífico de Deus, possam oferecer elementos para corrigir as debilidades e potenciar os desafios do presente e do futuro. Neste ano pastoral, para além de avaliarmos o último triénio, queremos retomar o dinamismo sinodal em ordem à construção de um novo Plano Pastoral que nos orientará de 2021 a 2024. Peço a todos os organismos da Diocese que acolham com entusiasmo a possibilidade de fazerem parte ativa da edificação do Povo de Deus e que até ao final de janeiro de 2021 reflitam, dialoguem e rezem, procurando perscrutar o que o Espírito diz à nossa Igreja de Coimbra. O Secretariado da Coordenação Pastoral preparou os instrumentos necessários para orientar este dinamismo sinodal, com linhas orientadoras dirigidas aos organismos eclesiais e aos jovens, tanto aos que estão mais integrados na Igreja e nos seus grupos como aos que estão mais distantes ou mesmo totalmente desintegrados.   IIIPRÓXIMO PLANO PASTORAL:OS JOVENS, A FÉ E O DISCERNIMENTO VOCACIONAL 1. Tema do Plano Pastoral 2021-2024 Anuncio com muita alegria e esperança que o próximo Plano Pastoral da nossa Diocese será dedicado aos jovens. Esta decisão tem vindo a ser amadurecida há vários anos nas várias instâncias da Diocese, nomeadamente no Conselho Presbiteral, no Conselho Pastoral, no Secretariado da Coordenação Pastoral e em tantas reflexões ocasionais de sacerdotes, consagrados e leigos. Queremos fazer da pastoral dos jovens a prioridade central da vida da nossa Diocese, pois acreditamos que deles, da sua integração, da sua fé e do seu dinamismo evangelizador depende o presente da Igreja. Reconhecemos que os jovens são uma força da sociedade e da Igreja, que ainda não valorizámos adequadamente. A Igreja tem uma imensa missão junto deles e eles têm muito para dar. Precisamos de descobrir quais os caminhos a percorrer para que isso aconteça; precisamos de mudar de atitude na relação com os jovens e de os considerar protagonistas na ação eclesial, uma vez que são portadores de grandes capacidades e de uma grande vontade de mudar o mundo. Reconhecemos também que os jovens são um dos sectores humanos mais ausentes da vida das comunidades cristãs. Os motivos são muito diversos e vão desde as próprias dificuldades de integração, passando por alguns problemas de aceitação do seu modo de ser por parte das mesmas comunidades, até às dramáticas questões de fé ou à debilidade do percurso catequético.   2. Sínodo sobre os jovens e Jornada Mundial da Juventude Dois grandes acontecimentos reforçam esta escolha do tema dos jovens e criam o contexto próximo, que potencia uma maior envolvência dos jovens e da comunidade cristã em geral. Em primeiro lugar o Sínodo dos Bispos sobre “Os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional”, que conduziu à Exortação Apostólica do Papa Francisco, “Cristo Vive”, publicada a 25 de março de 2019. Convido-vos a lê-la com muita atenção ao longo deste ano e a tomá-la como base de uma reflexão tão necessária como urgente entre nós. As muitas sugestões resultantes do Sínodo ajudarão a quebrar rotinas e a abrir novos caminhos de pastoral juvenil a comunidades demasiado acomodadas e envelhecidas, como são muitas das nossas.   Em segundo lugar, a Jornada Mundial da Juventude marcada para Lisboa, no Verão de 2023. O anúncio feito pelo Papa Francisco, no Panamá, encheu de alegria os jovens de Portugal e do Mundo, e já deu origem a um percurso de renovação catequética e espiritual de adolescentes e jovens, que trará grandes mudanças à vida da Igreja. Este acontecimento ímpar precisa de ser bem aproveitado para que dê um novo impulso à pastoral dos jovens na nossa Diocese de Coimbra. Já se iniciou o trabalho de sensibilização e formação com os adolescentes dos últimos anos da catequese, tendo em conta que serão os jovens de amanhã e os primeiros protagonistas da Jornada Mundial da Juventude de 2023. Neste ano pastoral estará também disponível um percurso formativo para os grupos de jovens das nossas comunidades, que constituirá a preparação remota para a Jornada Mundial. Estas propostas, que esperamos sejam largamente acolhidas, dotadas de uma metodologia de trabalho mais ativo e proporcionando maior participação e diversidade de ação, constituem já o início de um novo modo de abordar a catequese e a pastoral juvenil.   3. A fé e o discernimento vocacional O Sínodo dos Bispos e a Exortação Apostólica do Papa Francisco “Cristo Vive” centraram-nos nas questões fundamentais que movem a Igreja no trabalho pastoral com os jovens. Trata-se do crescimento da fé e da progressão no caminho da vocação cristã, que nos pedem três atitudes: acolhimento, acompanhamento e discernimento. O crescimento na fé situa-se no âmago da ação da Igreja, que tem por missão proporcionar-lhes caminhos de encontro com Cristo vivo e com a sua Igreja. Os jovens são naturalmente pessoas inquietas e desejosas de respostas para as muitas questões que povoam a sua vida e são, por isso, pessoas abertas à busca de Deus. Precisam de se deparar com pessoas, comunidades, experiências fortes e testemunhas convincentes para, na força do Espírito Santo, experimentarem a alegria da descoberta de Deus em e por Jesus de Nazaré. Enquanto Igreja temos a missão e a responsabilidade de lhes proporcionar os meios adequados, que sejam verdadeiramente significativos para eles, o mesmo é dizer, que sejam sérios, profundos, exigentes e portadores de desafios mais elevados do que todos os que a sociedade normalmente lhes apresenta. A outra parte da missão cabe aos próprios jovens, protagonistas como hão de ser da construção de si mesmos e de influenciar os que partilham a mesma fase etária, as mesmas instituições laborais, culturais, educativas, desportivas, sociais, os que levam dentro as mesmas esperanças e as mesmas perplexidades. Se os jovens são o presente da Igreja e, dentro dela, pelo seu estilo de vida, particularmente evangelizadores dos outros jovens, não podem ficar de fora deste processo de renovação, nem à espera que outros façam o que lhes compete a eles mesmos fazer. Quando um jovem partilha a sua fé com outros jovens e com toda a comunidade, partilha ao mesmo tempo a sua visão do mundo e da vida, os seus valores, os seus ideais, os seus fracassos e as suas vitórias. Mais do que nunca, o testemunho de uma vida com sentido e com o entusiasmo próprio de quem encontrou o Senhor é o mais poderoso meio de comunicar a fé entre os jovens. Este testemunho de fé dos jovens na relação com outros jovens supera mesmo o bom trabalho da comunicação da fé na família, na catequese da infância e da adolescência ou da comunidade cristã, que é essencial. E, para toda a comunidade cristã, este testemunho é húmus vital.   Convido os jovens a não ficarem à espera da iniciativa da Igreja, da sua comunidade ou dos outros, mas a porem-se eles mesmos a caminho e a serem protagonistas da busca dos caminhos do acolhimento e da comunicação da fé, como experiência pessoal.   O discernimento vocacional constitui a outra dimensão essencial do caminho dos jovens em Igreja.  O jovem, por estar numa fase da vida em que, naturalmente, olha para o futuro, além de equacionar as questões centrais, que são a família e o trabalho ou a profissão, tem de equacionar também a questão da sua vocação na Igreja, pois a fé traz sempre consigo o chamamento concreto a um estado de vida cristã. Fé e vocação são duas realidades de tal modo interligadas que não podem ser caminhos paralelos: a fé conduz ao conhecimento do chamamento de Deus e a vocação supõe e alimenta a fé. Muitos jovens correm o sério risco de pretender viver a fé sem uma definição amadurecida da vocação e outros pretendem seguir uma vocação sem o suporte de uma fé comprometida. A Igreja tem a missão de proporcionar um percurso de fé sólido que desemboque no discernimento vocacional dos jovens. Precisamos de refletir seriamente acerca dos meios e das experiências a oferecer-lhes para que não cheguem à idade adulta sem se terem interrogado sobre esta dimensão da sua vida humana e cristã. Sendo esta, teoricamente uma convicção de todos, é necessário transformá-la em propostas concretas e assumidas pela Diocese e pelos seus organismos, bem como pela comunidades variadas que a constituem.   IVCRIANDO UMA ONDA A construção do Plano Pastoral pede, para além da definição de objetivos gerais, a proposta de estratégias e de ações que levem à sua concretização. Podemos fazer muito mais e com melhor qualidade, desde que tenhamos clareza nos objetivos e entusiasmo na ação. Acreditamos na possibilidade de uma pastoral dos jovens mais atual e adequada à situação que vivemos, contando com todas as dificuldades, mas acima de tudo com o dinamismo evangelizador da fé que professamos. A definição da pastoral dos jovens como a nossa prioridade diocesana constitui o ponto de partida para virarmos a página e passarmos das lamentações, muitas delas justas, para a paixão por Cristo, pela sua Igreja e pelos jovens que Ele ama e quer agregar ao seu Povo como irmãos e como amigos. Precisamos de uma onda de entusiasmo que envolva as comunidades e que envolva os jovens, a fim de quebrarmos um certo comodismo instalado. Contamos com a colaboração e a criatividade de todos: a nível diocesano, contamos especialmente com o Secretariado da Pastoral Juvenil, o Secretariado da Pastoral das Vocações, o Secretariado da Pastoral do Ensino Superior e a Coordenação Diocesana da Jornada Mundial da Juventude (COD); a nível local, contamos com os párocos, os grupos de jovens, os catequistas de adolescentes, os movimentos de pastoral juvenil. A fim de lançar este movimento e de incentivar todos os seus protagonistas, passarei pessoalmente pelos nossos dez arciprestados para um encontro com os jovens que já concluíram a catequese. Espero, por isso, encontrá-los para um tempo de catequese, de oração e de diálogo, de acordo com um plano já agendado no Calendário Diocesano. Queremos também celebrar a Jornada Mundial da Juventude de 2021, a nível diocesano, no sábado que antecede o Domingo de Ramos, o dia 27 de março, com um programa a anunciar oportunamente. Ainda em ano jubilar, confiamos os caminhos da nossa Diocese à intercessão de Santo António, o jovem que, movido pela fé e pelo Evangelho, gastou a vida a comunicá-lo com ardor e com amor. Invocamos a Virgem Maria, a Imaculada Conceição, na celebração dos 700 anos do seu culto em Coimbra,  e pedimos-lhe que continue a ser modelo e imagem da Igreja sempre jovem que queremos ser. Coimbra, 11 de agosto de 2020Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra  
FESTA DE SANTO AGOSTINHO - 2020PADROEIRO DA DIOCESE DE COIMBRAIGREJA DE SANTA CRUZLeituras: 1ª: Sab 7, 7-10.15-16; 2ª: 1 Jo 4, 7-16; Ev.: Mt, 23, 8-12 Caríssimos irmãos e irmãs! A figura de Santo Agostinho e a sua Regra adotada neste Mosteiro de Santa Cruz tiveram um papel muito relevante na renovação da Igreja Diocesana de Coimbra ao longo dos séculos. Por isso, vimos hoje dar graças a Deus na festa do nosso padroeiro, vimos pedir a sua intercessão para a nossa Diocese e vimos procurar nova inspiração e entusiasmo para a renovação tão desejada e urgente. A figura de Santo Agostinho, marcada por um percurso pessoal profundamente humano e profundamente transformado pela graça de Deus, oferece-nos alguns caminhos de renovação pessoal e eclesial que precisamos de acolher, na fidelidade ao padroeiro que nos foi dado. A sede de Deus é uma constante na humanidade e ele sentiu-a de modo fortíssimo no meio das sua experiência de vida recheada de muitas sedes, que procurou saciar em variadas fontes. As águas passageiras que refrescam no momento e logo a seguir causam uma secura maior, não podiam satisfazer o seu desejo de mais, de melhor, de perene e de infinito. Precisou de mergulhar nos profundos abismos para compreender a importância de subir ao alto do monte para poder contemplar com olhos novos a beleza sempre antiga e sempre nova do Deus Santíssima Trindade. Esta sede de Deus continua a ser uma constante em nós e na humanidade. São muitos os sinais de insatisfação com o que vivemos e as marcas do desejo de eternidade. A confiança desmedida posta nas capacidades humanas e nas suas possibilidades de edificar um mundo justo e bom para todos são frequentemente abaladas pelos acontecimentos. A própria situação de insegurança e medo causada pela pandemia atual fizeram-nos cair no fundo do abismo e estamos com muita dificuldade de, enquanto pessoas, comunidades e humanidade em geral, nos erguermos e readquirirmos a esperança necessária à vida. A sede de Deus em Santo Agostinho teve muitas manifestações e diversos nomes como acontece ainda connosco, mas foi sempre desejo de infinito, busca de paz interior, necessidade de amor, busca de sentido para a vida. Ele encontrou tudo isso em Deus, no mesmo Deus em que o encontraremos nós próprios, mesmo em tempos considerados por muitos como tempos de ausência de Deus. A busca da sabedoria é igualmente uma realidade bem vincada no coração e na mente humana. Conhecer mais, saber mais para viver melhor é algo que nos carateriza enquanto seres dotados de inteligência e vontade, capazes de nos construirmos como pessoas livres e responsáveis, aptos para edificarmos uma sociedade aberta a todos. Santo Agostinho foi um buscador da sabedoria de Deus no seu percurso interior e na sua formação académica de elevado valor. Debateu-se com a grandeza e com os limites dos caminhos percorridos, quase à maneira de Salomão e das suas conclusões referidas no Livro da Sabedoria. Só se sentiu a progredir no caminho da sabedoria quando renunciou a muita coisa que inicialmente lhe parecia preencher todos os requisitos para ser feliz. Já Salomão, segundo o dizer da Primeira Leitura, enquanto pôs a sua confiança nas riquezas que tinha ou desejava, via instalar-se em si o vazio; mas quando amou a sabedoria mais do que o ouro e a prata, mais do que a saúde e a beleza, sentiu que estava nas mãos de Deus, com a totalidade de si mesmo: as palavras, a inteligência e a habilidade, ou seja, a capacidade de dizer ou comunicar, a capacidade de pensar ou discernir e a força para fazer ou realizar. Quando felizmente fazemos tantos avanços no conhecimento, na ciência, na tecnologia e na razão, que, no entanto, nos deixam insatisfeitos, eleva-se de novo entre nós a figura de Santo Agostinho como testemunha do verdadeiro progresso humano alicerçado na sabedoria de Deus. Nela, que está antes, durante e depois de todos os nossos caminhos humanos, encontramos a força maior para a edificação da humanidade justa e feliz que tanto desejamos. Santo Agostinho foi um apaixonado do amor de Deus desde o momento em que descobriu que Deus é amor e que quem permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele, como concluía a Segunda Leitura, tirada da Primeira Epístola de S. João. O amor sintetiza, por um lado, a realidade de Deus e, por outro, a vocação humana, que é ser amor e viver no amor. Essa vocação está de tal modo inscrita em nós que constitui o nosso maior desejo e a nossa verdadeira paixão de pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus, como aprendemos logo no Livro do Génesis e em toda a história da revelação. Como referia a Segunda Leitura, nós conhecemos o amor de Deus e a nossa vocação ao amor por meio de Jesus Cristo, que morreu por nós, e com o auxílio do dom do Espírito Santo que nos foi concedido e é Espírito de amor. O amor humano é manifestação do amor divino e o amor divino gera em nós a possibilidade de caminharmos num amor cada vez mais perfeito e mais santo. Santo Agostinho não foi mais o mesmo a partir do momento em que descobriu o Deus amor, pois pôde refazer plenamente os caminhos dos sucedâneos de amor em que passou parte da sua vida. Quando se tornou um apaixonado do amor de Deus, tornou-se também um apaixonado do amor ao próximo e passou a cumprir de modo diferente o mandamento da Escritura: amai-vos uns aos outros. Em tempos de grande confusão e até de deturpação do verdadeiro sentido do amor acolhido, partilhado e vivido, Santo Agostinho eleva-se como testemunha da necessidade de purificação do amor, na certeza de que o amor vem de Deus, porque Deus é amor. O grande desafio, que deu lugar a um novo modo de ser e de agir a Santo Agostinho foi a sua conversão. Esta teve momentos fortes de autêntica luz acolhida e assumida, quando Ele passou de uma atitude de arrogância a uma atitude de humildade, correspondendo ao ensino de Jesus escutado no Evangelho, há pouco proclamado: “Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”. A sua conversão à fé, fruto da graça divina à qual correspondeu, fez dele um homem grande, um verdadeiro servo da verdade, servo de Deus e servo da humanidade. Usando adequadamente a sua inteligência e a razão, agora orientadas pela sabedoria divina, deixou uma imensa obra escrita, que lhe valeu o título de doutor da Igreja. Usando a capacidade de ser amado e de amar como vocação primeira da sua pessoa e do seu coração, tornou-se um grande pastor do Povo de Deus, conduzindo muitos ao longo da história para o encontro com o Deus Amor, revelado em Jesus Cristo. Usando a sua humildade, conquistada com muita tenacidade, deu os passos difíceis mas seguros em ordem à conversão ao Deus vivo e verdadeiro, reconfigurando toda a sua vida, pensamento e ação. Irmãos e irmãs! Quer estejamos em caminho de conversão, quer estejamos já nos umbrais ou ainda muito longe da fé, Santo Agostinho convida-nos a parar e a entrar no mais fundo de nós mesmos onde nos havemos de deparar com a imensa sede de toda  a humanidade, com a grande fome de sabedoria e com o desejo apaixonado do amor. Estes ão sinais que nos apontam para os caminhos da conversão a Cristo, Aquele que mata a nossa sede de esperança, que é a verdadeira sabedoria de vida e que nos dá a conhecer a paixão do amor de Deus. Entremos, caríssimos irmãos e irmãs, nas vias humildes da conversão: uns, porventura, procurando resolver as grandes questões que a vida lhes põe, indo à procura do seu sentido e da sua finalidade; outros, começando pelas coisas simples e pequenas do quotidiano. De uma forma ou de outra, peçamos, por intercessão de Santo Agostinho, a graça do encontro com Cristo, num processo de conversão que nos faça novas criaturas a viver na luz de Deus infundida em nós pelo Seu Santo Espírito. Coimbra, 28 de agosto de 2020Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
Faleceu hoje, 20 de Agosto de 2020, o padre Manuel de Almeida Alves. O P. Manuel Alves nasceu na Freguesia de Unhais-o-Velho, no dia 06-05-1930, filho de Albano de Almeida e de Maria Amélia. Concluídos os seus estudos nos seminários diocesanos de Coimbra, foi ordenado sacerdote na capela de 5. Miguel do Seminário Maior no dia 28-02-1953, por D. Ernesto Sena de Oliveira. Como sacerdote serviu a lgreja nas seguintes funções: 1952—1958 - Perfeito e prof. Seminário Menor1958-1959 — Pároco de Cabril e Vidual1959-1961 - Secretaria do Bispado1960—1974 — Diretor do Amigo do Povo1961—1965 - Seminário Maior1965-1977 — Pároco de Sé Nova1977-1990 - Capelão do IPO1977 — Capelão das Irmãs Hospitaleiras em Condeixa-a-Nova1968-1977 - Assistente Espiritual da Legião de Maria O P. Manuel viveu o seu sacerdócio com plena entrega ao serviço da sua igreja e seus irmãos. Quer nas prefeituras e aulas nos Seminários que lhe foram entregues e que preparava muito bem quer nas mais diversas funções nas paróquias e capelanias e serviços que lhe foram confiados foi sempre um bom apostolo. Preparava todos estes serviços com fé e verdadeira entrega ao Senhor. Em todos eles procurava a perfeição, quer no aspecto da lgreja, quer no aspecto humano. Qualidades que foram sempre reconhecidas pelos seus superiores, colegas e paroquianos. Falando de colegas não podemos deixar de lembrar o seu colega de sempre, Mons. Joaquim Ferreira da Cunha: companheiros nos Seminários, na Cúria e nas Paróquias, noutros serviços e nas residências, sempre companheiros até na morte pois apenas cerca de meio ano os separou. Os seus colegas recordá-lo-ão com saudade e gratidão por tudo o que nos deixou. Amanhã, 21 de Agosto, na Capela na Casa de Saúde Rainha Santa Isabel das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, em Condeixa-a-Nova, será celebrada missa de corpo presente, presidida pelo Sr. Vigário Geral em representação do Senhor D. Virgílio pelas 9.30 horas seguindo-se o funeral para a cidade de Leiria, onde tinha familiares. Paz a sua alma.