Espiritualidade - Pentecostes - Fernando Pascoal

 

P. Fernando Pascoal

No próximo Domingo completam-se os cinquenta dias da Páscoa, nele celebramos a solenidade do Pentecostes.
Nesta solenidade a Igreja é convidada a tomar consciência que sem o Espírito Santo não é nada, como diz o Papa Francisco seria uma ONG mas, porque animada pelo Espírito a Igreja é o Corpo de Cristo, ela é na história polongamento da missão do Filho Unigénito do Pai, só o será de verdade vivendo na escuta e na docilidade ao Espírito Santo.
Como disse o Patriarca Atenágoras: “Sem o Espírito Santo, Deus fica longe; Cristo permanece no passado; o Evangelho é letra morta; a Igreja é uma mera organização; a autoriade um poder; a missão uma propaganda; o culto uma velharia; e o agir moral, um agir de escravos.
Mas, no Espírito Santo, o cosmos é enobrecido pela geração do Reino; Cristo Ressuscitado torna-se presente; o Evangelho faz-se vida; a Igreja realiza a comunhão trinitária; a autoridade transforma-se em serviço; a liturgia é memorial e antecipação; o agir humano é deificado.
Como obervamos sem o Espírito, podemos afirmar, não é possível ser cristão!… tudo fica esvaziado de sentido! no entanto ainda hoje, um pouco à semelhança do que afirmavam os Padres conciliares no II Concílio do Vaticano: o Espírito Santo continua a ser O grande desconhecido na Igreja. Que relação tenho com o Espírito Santo?... Quando me paro para rezar coloco-me sempre na sua presença?... Peço-Lhe que O escute?... Invoco-O?... O Papa Francisco na homília da solenidade do Pencostes de 2014 afirma: “O Espírito Santo leva-nos a falar com Deus na oração. A oração é uma dádiva que nós recebemos gratuitamente; é diálogo com Ele no Espírito Santo, que ora em nós em e que nos permite dirigir-nos a Deus chamando-lhe Pai,  Abba (cfr Rm 8, 15; Gl 4, 4); e não se trata apenas de um «modo de dizer», mas da realidade: nós somos realmente filhos de Deus. «Todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus» (Rm 8, 14).
Ele faz-nos falar no gesto da fé. Nenhum de nós pode dizer «Jesus é o Senhor» — como ouvimos hoje — sem o Espírito Santo.
Que grande e bom é o Espírito!... age em nós e permanece no silêncio!... Peçamos-Lhe que nos torne humildes para reconhecermos a sua ação e a sua presença nas nossas vidas e Lhe darmos o primeiro lugar em todos os momentos para assim termos acesso ao Pai por Cristo (DV 2).
É ainda o Espírito que nos abre a todos os homens e mulheres sem exceção e nos torna missionários: “O Espírito Santo ergue o nosso olhar para o horizonte e impele-nos para as periferias da existência a fim de anunciar a vida de Jesus Cristo. Perguntemo-nos, se tendemos a fechar-nos em nós mesmos, no nosso grupo, ou se deixamos que o Espírito Santo nos abra à missão.” (Papa Francisco, homília de 19.5.2013).
Convido-vos a rezar com a Igreja: “Vinde, ó santo Espírito, vinde Amor ardente, acendei na terra vossa luz fulgente. Vinde, Pai dos pobres: na dor e aflições, vinde encher de gozo nossos corações. Benfeitor supremo em todo o momento, habitando em nós sois o nosso alento.”