Rádios de inspiração cristã rejeitam visto prévio de cobertura das eleições

A Associação de Rádios de Inspiração Cristã (ARIC) em Portugal manifestou contra a proposta de um “visto prévio” dos planos de cobertura das eleições legislativas deste ano.
Num comunicado emitido mo dia 24 de Abril, as emissoras locais lamentam não ter sido consultada antes da apresentação da proposta de lei, acusando o projecto de revelar “total desconhecimento” da “mecânica de funcionamento da informação radiofónica”.
“Não é aceitável num estado democrático que os poderes políticos queiram limitar a participação dos órgãos de comunicação social tenham que divulgar com antecedência a sua agenda informativa”, refere o texto, divulgado pela Rádio Renascença.
A direcção da ARIC considera “lamentável” que “os legisladores se tenham preocupado com a agenda dos órgãos de comunicação social, mas se tenham esquecido uma vez mais de alterar a lei dos tempos de antena, que tantos problemas tem dado aos operadores e ao Governo”.
O projecto que define as regras da cobertura noticiosa em período eleitoral foi também contestado pelas direcções de informação de jornais, televisões e rádios, entre as quais a Renascença.
Segundo estes responsáveis, a proposta representa uma “ingerência inaceitável e perigosa”.
Num comunicado conjunto divulgado esta sexta-feira à noite, intitulado “Pela liberdade de informação”, os órgãos de comunicação social consideram que o diploma acordado entre PSD, CDS e PS “viola clara e objetivamente os princípios essenciais do jornalismo e a liberdade editorial”.
Os media esperam que a Assembleia da República “saiba defender os valores da liberdade da democracia e rejeite liminarmente todas as tentativas de os limitar e condicionar”.
O comunicado das direções de informação de jornais, televisões e rádios é subscrito por Graça Franco, diretora de Informação da Renascença; Afonso Camões, diretor do Jornal de Notícias; Alcides Vieira, diretor de Informação da SIC; André Macedo, diretor do Diário de Notícias; António José Teixeira, diretor da SIC Notícias; Bárbara Reis, diretora do Público; David Dinis, diretor do Observador; Fernando Paula Brito, diretor de Informação da Lusa; Helena Garrido, diretora do Jornal de Negócios; João Paulo Baltazar, diretor de Informação da RDP; José António Lima, diretor-adjunto do Sol; Luis Rosa, diretor do i; Octávio Ribeiro, diretor do Correio da Manhã; Paulo Baldaia, diretor da TSF; Paulo Dentinho, diretor de Informação da RTP; Pedro Camacho, diretor da Visão; Raul Vaz, diretor do Diário Económico; Ricardo Costa, diretor do Expresso; Rui Hortelão, diretor da Sábado; e Sérgio Figueiredo, diretor de Informação da TVI.