HOMENAGEM AO P. ANTÓNIO VIEIRA NOS 350 ANOS DA PREGAÇÃO DO SERMÃO DE SANTA CATARINA EM COIMBRA - AUDITÓRIO DA REITORIA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

É uma grande honra poder participar nesta homenagem ao P. António Vieira por ocasião da apresentação da nova edição da sua obra e a assinalar os 350 anos da pregação do Sermão de Santa Catarina na cidade de Coimbra.

Trata-se de uma figura ímpar da pátria lusa e de um ilustre filho da tradição cristã, que soube unir a fé e a cultura num serviço singular à Pátria e à Igreja, e servir a humanidade ao mesmo tempo que honrava a Deus.

Esta síntese constituiu para ele a resposta harmoniosa à sua dupla vocação, a de homem embrenhado nas realidades do seu tempo e de cristão ardente no respeito pelos valores ancorados na sua fé.

De tudo o que dele podemos aprender, sublinho a insaciável procura da verdade, como chave de leitura de todo o seu trabalho oratório. Mesmo que os caminhos percorridos nem sempre sejam os mais adequados à luz dos atuais cânones da exegese bíblica, da argumentação teológica, mas sempre respeitando a lógica do raciocínio, o objetivo é bem claro: progredir no conhecimento da verdade, ou, mais ainda, no amor à verdade.

O Sermão de Santa Catarina constitui um monumento à humildade, como única atitude daquele que, mais do que a defesa apologética de uma ideologia, pretende penetrar nos mistérios da vida e da morte, da fé e da razão, da pessoa humana e da divindade. Para ele, a diferença entre uma e outra encontra-se somente na disponibilidade da mente e do coração para empenhar totalmente a pessoa, com o que é e o que tem, na defesa do que reconhece como a verdade, tanto por meio da revelação, que abre as portas da fé sobrenatural, como por meio da razão que faz vislumbrar a sua razoabilidade.

Numa clara referência ao contexto académico conimbricense em que profere o Sermão de Santa Catarina, O P. António Vieira remata a título de conclusão:

“Oh! que ditosas seriam as repúblicas, que veneráveis as universidades, e que bem-aventurados os mestres e doutores delas, se imitassem a verdade, o valor e a constância destes filósofos!” - dos mesmos que antes afirmara estarem disponíveis para dar a vida pela verdade, de acordo com o ideal cristão conhecido por martírio:“antes quiseram perder a vida e ser lançados, como foram, em uma fogueira, que desdizer, nem torcer um mínimo ponto do que entenderam que era verdade” (IX).

Por todos os motivos, mas acima de tudo porque precisamos de continuar insaciáveis na procura da verdade ancorados na humildade, vale a pena ler o P. António Vieira.

 

Coimbra, 24 de novembro de 2013

Virgílio do Nascimento Antunes

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