ABERTURA SOLENE DO ANO PASTORAL DE 2013-2014 - HOMILIA DO XVII DOMINGO COMUM C - SÉ NOVA DE COIMBRA

Irmãos e Irmãs

Na abertura solene deste novo ano pastoral da nossa Diocese de Coimbra reunimo-nos à volta do Senhor Jesus Cristo, o Pastor que nos escolheu como comunidade de discípulos que O seguem e de missionários que anunciam o Evangelho.

A Palavra de Deus aponta-nos as linhas fundamentais que hão-de orientar todo o nosso trabalho pastoral ao longo do ano, que resumirei em três pontos sobre os quais vos convido a refletir comigo.

 

“Aumenta a nossa fé”.

Estas palavras dos Apóstolos, dirigidas como súplica a Jesus, exprimem a fundamental caraterística do cristão: é uma pessoa de fé em Deus, acredita no Senhor Jesus Cristo como Filho de Deus e Salvador do Mundo, lança-se decidido e firme no caminho do seu seguimento como discípulo.

A celebração do Ano da Fé em que ainda nos encontramos ajudou-nos a recentrarmo-nos na fé como a realidade central da nossa vida cristã, do nosso modo caraterístico de ser na interioridade e na espiritualidade, bem como do nosso modo de estar no mundo.

A nossa pertença à Igreja de Jesus Cristo, como o Papa nos tem recordado frequentemente, tem a sua origem e a sua fonte na mesma fé, à qual fomos chamados por Deus e que nos foi dada como um dom do seu amor. Como Igreja somos comunidade de fé, bem enraizados em Cristo, em comunhão com os irmãos e congregados como Povo Santo de Deus para o anúncio da Boa Nova da salvação.

Ao definirmos as linhas fundamentais dos nossos planos pastorais, tanto diocesanos como paroquiais, da unidade pastoral, do arciprestado, do secretariado diocesano ou do movimento eclesial, temos de ter consciência clara de que tudo o que é pastoral destina-se a despertar, aprofundar, promover e aumentar a fé.

Nesse sentido, o Plano Pastoral Diocesano aponta-nos caminhos para que, enquanto Igreja, façamos o nosso encontro pessoal com Jesus Cristo e nos tornemos seus verdadeiros discípulos a viver da fé. Essa é a condição para que possamos realizar a missão da Igreja, que consiste em continuar a anunciar o Evangelho àqueles que de algum modo já o receberam, e em fazer o primeiro anúncio aos que, apesar de terem nascido num contexto cristão, nunca o acolheram de forma pessoal e eclesial.

 

“Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer”.

É a segunda palavra que destacamos do Evangelho que escutámos, porque toda a vida cristã é um caminho de serviço orientado para Deus, por meio do louvor e da ação de graças que realizamos no culto, especialmente na oração, na celebração dos sacramentos e, portanto na liturgia. É igualmente um serviço voltado para os homens, uma fundamental atitude, que se carateriza por vivermos para os outros, tanto nas relações familiares como nas relações sociais ou eclesiais.

Enquanto cristãos e membros do Povo de Deus, a nossa vocação não se resume a formar um grupo de discípulos felizes e fechados sobre si mesmos a viver tranquilos a nossa fé. Ela comporta sempre uma missão, que é um serviço aos irmãos. Significa que nos enganamos quando pensamos ser cristãos pelo simples facto de vivermos a fé numa perspetiva individualista, sem nos abrirmos à missão que sempre nasce da fé viva.

A frase do Evangelho há pouco escutada significa precisamente que o serviço e a condição de servos dos cristãos são uma e a mesma realidade: o cristão é servo e dizer-se cristão significa sempre dizer-se servo de Deus e dos homens. De Jesus Cristo, o nosso Mestre, aprendemos a ser servos de Deus e dos homens, pois toda a sua vida terrena foi serviço, da incarnação até à morte e ressurreição. Como discípulos e enviados essa é a nossa vocação: servir.

A realização da missão da Igreja Diocesana, sintetizada nos objetivos do Plano Pastoral apresentado, impele-nos a acolher com alegria a nossa vocação de servos. Sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos, temos nas mãos um instrumento de trabalho, que acreditamos ter a marca do Espírito Santo e ser adequado para a renovação da Diocese neste princípio do terceiro milénio. A nossa fé, o espírito de serviço e a comunhão na caridade, levar-nos-ão a procurar com toda a humildade, própria dos servos inúteis, a acolher e pôr em prática as ações ali previstas.

 

“Sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus”.

Esta é a terceira palavra, retirada da Segunda Epístola de São Paulo a Timóteo. Nesta frase está Cristo, que sofre e morre pelo anúncio da Boa Nova; está o Apóstolo Paulo, que grita o seu “ai de mim se não evangelizar”; está a Igreja dos mártires, que dão a vida pelo Evangelho; estão homens e mulheres missionários perto ou longe, que deixam tudo e se apagam a si mesmos para que brilhe a luz da Palavra Salvadora.

Sofre comigo pelo Evangelho é um convite a acolhê-lo enquanto Palavra revelada por palavras e ações e enquanto Palavra reveladora, a Pessoa de Jesus Cristo, o enviado do Pai como Palavra Salvadora.

O agente pastoral e servidor da comunidade cristã, seja ele ministro ordenado ou leigo, só pode ser alguém que viva uma imensa paixão por Cristo e pelo seu Evangelho, paixão essa que chega até ao sofrimento, por estar tão entranhada no seu coração e na sua vida.

Caríssimos irmãos, o Evangelho é a nossa vida, é a nossa paixão, é a nossa alegria e a nossa fortaleza, é a nossa fé, porque o Evangelho é Jesus Cristo, que recebemos, que amamos, que sofremos e que anunciamos.

A nossa Igreja Diocesana precisa de homens e mulheres cheios de paixão pelo Evangelho de Jesus Cristo, o Único Salvador. Como bispo enviado para o meio de vós, não posso realizar a missão apostólica que me foi confiada, se não encontrar em vós homens e mulheres, disponíveis para sofrer comigo pelo Evangelho.

Neste dia solene de abertura do ano pastoral, peço a Deus que nos liberte do espírito de timidez e nos dê o espírito de fortaleza, de caridade e de moderação, para que, confiando no seu poder, acolhamos os grandes desafios que a Igreja de hoje nos faz.

 

Confio a Maria todas as nossas ações deste ano, dirigindo-lhe agora a prece que encerra a Carta Pastoral, que há pouco vos ofereci.

 

Mãe da Igreja e nossa Mãe,

Por ti veio ao mundo a esperança do Povo de Deus,

Jesus Cristo, o Verbo Incarnado.

Em ti o Salvador se uniu à nossa humanidade

Para nos abrir as portas da salvação.

Por meio de ti o Evangelho entrou na história,

E contigo, figura da Igreja, continua a ser anunciado.

No presente da nossa história,

Comprometemo-nos a ser portadores da esperança,

Testemunhas de adesão pessoal a Jesus Cristo, pela fé,

Servos do anúncio do Evangelho da salvação.

Confiados na tua poderosa proteção,

suplicamos que intercedas junto de Deus,

Para que a nossa Diocese de Coimbra seja:

Comunidade que vive a fé

E anuncia o Evangelho

Como caminho do encontro pessoal com Cristo, único Salvador,

E com a sua Igreja.

Ámen.

 

 

Coimbra, Sé Nova, 06 de outubro de 2013

Virgílio do Nascimento Antunes

Bispo de Coimbra

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