COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS - SÉ NOVA DE COIMBRA - TERCEIRA MISSA - HOMILIA

O Dia de Fiéis Defuntos conduz-nos ao conteúdo central da fé e da esperança cristãs, a salvação por meio de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, a ressurreição dos mortos e a vida eterna em Deus. Ajuda-nos a compreender o sentido de toda a vida humana, que tem a sua origem em Deus, pode ser vivida com o Senhor na terra e se encaminha para a comunhão com Deus na eternidade. Leva-nos ainda a manter uma atitude de solidariedade e de amor para com os que já partiram, por meio da oração.

Jesus, no Evangelho, estabelece uma relação direta entre a sua paixão, morte e ressurreição – o mistério pascal – a nossa ressurreição e a vida eterna: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia”.

Ao centrar-se no discurso do Pão da Vida, S. João pretende transmitir-nos a certeza da fé segundo a qual fomos salvos por meio da oferta de Jesus ao Pai, em sacrifício de amor, para que fôssemos resgatados do poder do pecado e da morte para o seu reino.

A Eucaristia que celebramos é sinal sacramental que atualiza essa oferta e continua a fazer chegar até nós a mesma salvação realizada por Jesus. O Pão e o vinho que comungamos, o Corpo e o Sangue do Senhor são o alimento da Vida Eterna, porque são Cristo que, morrendo e ressuscitando, nos concede o maior dom, o de permanecermos para sempre na comunhão com Ele.

Possamos nós interiorizar cada vez melhor a grande riqueza que é a Eucaristia que celebramos e comungamos para que a vivamos como tesouro de vida eterna.

 

A segunda leitura ofereceu-nos uma frase que exprime tudo o que é a vida cristã: “estaremos sempre com o Senhor”. De fato, a vida cristã consiste em estar sempre com o Senhor: foi Ele quem nos criou para Si, é Ele quem nos chama a caminhar consigo nas estradas desta vida e é Ele quem nos chama para o encontro definitivo consigo na eternidade. Fomos criados por Deus para viver em Deus na terra e descansar em Deus, no Céu.

Esta mesma realidade foi expressa por Jesus quando disse aos seus ouvintes: “permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós”. Trata-se de um ideal de vida que dá pleno sentido à vida e que inclui tudo o que somos, sentimos, pensamos ou procuramos. A nossa vida tem como objetivo, estar ou ser em Deus, agora, de forma passageira e marcada pelas imperfeições, depois, de forma definitiva e plenamente envolvidos pela sua santidade.

Neste dia em que inevitavelmente pensamos no sentido mais profundo da vida, temos, a partir da fé, uma resposta bem clara e a única capaz de iluminar todas as sombras perturbadoras do espírito: Cristo Deus e Homem, morto e ressuscitado revela-nos os mistérios da vida e da morte, do presente e do futuro, das alegrias e tristezas, da felicidade e do sofrimento. Ele passou por aí e, por vontade do Pai, esse foi caminho de glória. Nós passamos por aí, e esse, por vontade do mesmo Pai, é para nós caminho de glória.

 

No Dia de Todos os Fiéis Defuntos, o nosso pensamento eleva-se para todos os que nos precederam e já dormem o sono da paz. Segundo a tradição multisecular da Igreja, radicada já no Antigo Testamento, rezamos por eles e oferecemos por eles o sacrifício eucarístico, numa ação de solidariedade e amor, para que Deus os acolha no Seu Reino.

Num ato de caridade e de justiça perpetuamos a memória de todos os que nos precederam e damos graças a Deus por tudo o que significaram para nós, pelo que deles recebemos em amor, entrega e sacrifício, condição do que agora somos.

Nesta celebração diocesana, agradecemos de um modo particular a Deus que foram obreiros da Igreja Particular que nós agora somos, porque nos deixaram o legado da fé cristã e do Evangelho, como luzeiros que continuam a brilhar e a orientar os nossos caminhos.

Procuremos colher o testemunho de dedicação e serviço de todos eles e manifestemos a nossa disponibilidade para dar continuidade à construção da mesma Igreja, fundada sobre os mesmos alicerces.

Que Nossa Senhora, a Mãe que permaneceu com Cristo da incarnação até à cruz, e agora permanece com Ele coroada de glória, nos conceda a graça de estarmos sempre com o Senhor neste tempo que passa para permanecermos com Ele na comunhão eterna.

Coimbra, 2 de novembro de 2013-11-02

Virgílio do Nascimento Antunes

Bispo de Coimbra

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