CONGRESSO DO APOSTOLADO MUNDIAL DE FÁTIMA - MISSA NO CARMELO DE SANTA TERESA, COIMBRA

Celebramos a Missa neste Carmelo de Santa Teresa, no dia da Festa do Aniversário da Dedicação da Igreja Catedral de Coimbra e no contexto do Congresso do Apostolado Mundial de Fátima.

A vida contemplativa, que aqui se vive no Carmelo, aponta-nos para o primado de Deus na vida do cristão, para a centralidade da Eucaristia enquanto nosso alimento espiritual, para a adoração enquanto atitude que define a nossa relação de criaturas com o Criador.

A Igreja, na sua realização local como na comunhão universal, é sinal dos dons de Deus, que se orientam para a salvação. Caminha no tempo, mas tem horizontes de eternidade, faz chegar a nós os rios de água viva quem brotam do coração de Jesus Cristo, morto e ressuscitado.

A Mensagem de Fátima, que contou com a Irmã Lúcia como arauto privilegiado, está totalmente ao serviço da mesma Igreja de Jesus Cristo e da salvação da humanidade. Ela constitui um sinal eloquente da misericórdia de Deus, que se comove ao ver os seus filhos perdidos pelo pecado, e não descansa sem que eles retomem o caminho da graça.

O Primeiro livro dos Reis, agora escutado, dá-nos a certeza de que Deus escuta a oração dos seus filhos, quando se dirigem a Ele com um desejo de conversão e quando lhe pedem perdão com um coração sincero. Não é esta mesma certeza que Nossa Senhora, enquanto profeta do Deus Altíssimo, nos deixou em Fátima? Penitência e oração como caminhos de conversão, que rasgam o coração misericordioso de Deus e o fazem derramar sobre nós todas as graças.

A Epístola aos Hebreus apontava-nos para a reunião festiva da multidão, congregada por Deus, no Monte Sião e na Jerusalém Celeste, ou seja, na Igreja dos “justos que atingiram a perfeição, por meio do sangue de Jesus Cristo. Esta é a mensagem da plenitude da esperança cristã, a mensagem perene da Igreja, de novo proclamada pela Mãe de Deus, nas aparições de Fátima. O único desejo de Deus é a salvação do Homem, isto é, poder contar-nos a todos entre os eleitos cujos nomes estão inscritos no Céu. Para isso Jesus Cristo derramou o sangue da nova aliança. Para nos apontar o Caminho num século XX, que é o século em que a humanidade recusa Deus e a Sua salvação, Nossa Senhora proclama em Fátima a perenidade da promessa salvífica de Deus.

No final do episódio da Samaritana, o Evangelho de S. João reafirma a adoração de Deus como a atitude fundamental do cristão. A fé leva sempre à adoração “em espírito e verdade”, exprime-se pela adoração e fortalece-se na adoração. A Samaritana entendeu-o no diálogo com Jesus à beira do poço, e os Pastorinhos de Fátima entenderam-no já nas aparições do Anjo e depois nas de Nossa Senhora.

Na adoração se encontra o centro da Mensagem de Fátima. Ela implica o reconhecimento de Deus enquanto Criador e Senhor e a nossa condição de criaturas frágeis e pecadoras; permite-nos entrar no coração de Deus que, como Pai, nos ama incondicionalmente; conduz-nos à conversão do coração por meio do reconhecimento do nosso pecado e do perdão de Deus; aumenta em nós a esperança da salvação eterna.

Adorar a Deus em espírito e verdade, implica a totalidade da vida. O adorador é aquele que, quer nos seus momentos de oração silenciosa, pessoal ou litúrgica, quer nas ações que realiza vive em Deus e para Deus, Santíssima Trindade.

Os Pastorinhos de Fátima captaram profundamente esta dimensão fundamental da vida cristã e exprimiram-na de diversas formas: prostravam-se nos campos, nos rochedos e nos lugares ermos na oração mais intensa diante da grandeza de Deus, permaneciam longamente silenciosos diante do sacrário em adoração à Eucaristia, faziam da caridade para com os pobres um gesto de amor e adoração a Deus, rezavam e sacrificavam-se continuamente pelos pecadores. A sua vida era, de facto, uma vida em Deus e para Deus; a sua adoração era, de facto, em espírito e verdade, pois incluía a mente, o coração, a fé e as obras.

Neste Ano da Fé em que o Papa Bento XVI nos convida a um encontro pessoal com Cristo, encontramos em Nossa Senhora o modelo para toda a Igreja. Conheceu-O como Mãe, o conhecimento mais profundo e ensinou-nos a conhecê-l’O como irmãos. Ela adorou-O em espírito e verdade e ensinou-nos a adorá-l’O.

Se a experiência do encontro com as testemunhas da fé, como nos diz o Papa, nos ajuda a entrar pela Porta da Fé, temos nos Beatos Francisco e Jacinta Marto duas estrelas fulgurantes de fé. Aprendamos com elas a deixar-nos inundar de Deus e, em sinal de fé, adoremo-l’O em espírito e verdade.

Coimbra, 16 de novembro de 2012

Virgílio do Nascimento Antunes

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