Homilia da Instituição de Ministérios Laicais - 25/05/2014

Irmãos e irmãs

A celebração desta tarde enche de esperança a nossa Igreja diocesana de Coimbra. Constitui uma clara resposta ao pedido que nos fez o Apóstolo Pedro, quando nos disse: “Venerai Cristo Senhor em vossos corações, prontos sempre a responder a quem quer que seja, sobre a razão da vossa esperança”.

Aqui estão cristãos de toda esta Igreja Particular, chamados a venerar Cristo e a dar as razões da sua esperança; obrigado por terdes aceitado este convite do Senhor e por estardes disponíveis para servir o seu Povo, com fé e com alegria.

Em nome da Igreja que tanto amamos e da qual fui chamado a ser pastor com Cristo, agradeço o vosso testemunho, a vossa fé e a vossa disponibilidade para servir. No meio das muitas dificuldades que o Povo de Deus enfrenta, provenientes de dentro e de fora da Igreja, consola-nos este grande sinal, que sois vós, todos os que vos deixastes seduzir por Cristo e que o amais no seu Corpo, que é a Igreja.

Não nos sentimos chamados a fazer nenhuma cruzada contra o mundo, nem a lutar contra nenhum dos que vivem de forma débil a sua fé, dos que inclusivamente a perderam ou se sentem muito longe dela. Sentimo-nos convidados a venerar Cristo nos nossos corações, o mesmo é dizer, a acolhê-lo com amor, a deixarmo-nos conduzir por ele, a conhecê-lo, a deixar que nos ame e a amá-lo, como nos afirmava o Evangelho.

É pela profundidade da nossa relação com Ele, pela segurança da nossa fé e pela capacidade de sofrer com Ele, que ajudaremos a transformar o mundo. A fé não se impõe, mas vive-se e comunica-se pelo testemunho; as razões da nossa esperança não se exprimem pelos argumentos da razão, mas mostram-se pela confiança inabalável em todos os momentos e situações da vida. Em tudo e sempre “com brandura e respeito, conservando uma boa consciência”, como nos exortava a Primeira Epístola de São Pedro.

Quando falamos de evangelização no Plano Pastoral da nossa Diocese, queremos, com certeza, dizer, que o meio mais comum e eficaz de que dispomos para a realizar é o testemunho da alegria que sentimos por ter encontrado o Senhor e da esperança que nos anima por dentro e não nos deixa vacilar.

O nosso amor e a nossa dedicação ao serviço da Igreja, nas mais variadas tarefas que dentro dela assumimos, constituem outro meio eficaz de evangelização, porque assumimos de forma corresponsável a construção da comunidade cristã e damos o nosso contributo correspondendo à palavra do Senhor que nos chama a trabalhar na sua vinha. A nomeação oficial e pública para o exercício de diversos serviços e ministérios laicais, que hoje fazemos, são o reconhecimento de que Cristo vos chamou e vos enviou em missão, por terdes aceitado viver a vossa fé de forma corresponsável na sua Igreja.

O Livro dos Atos dos Apóstolos salientava a pregação da Palavra como a forma mais explícita de evangelização, que há-de acompanhar sempre a nossa condição cristã e à qual alguns se dedicam de um modo muito especial na catequese paroquial, na escola, na comunicação social, na celebração dominical, na distribuição da sagrada comunhão aos doentes e idosos, na educação cristã dos filhos no seio da família ou no exercício da sua profissão.

Quando Filipe pregou o Messias na Samaria, as multidões aderiam unanimemente às suas palavras e houve muita alegria naquela cidade, dizia o texto. Muitos outros lugares bíblicos nos referem o entusiasmo com que os Apóstolos anunciavam o Evangelho no meio dos pagãos e em ambientes difíceis, com a informação de que o número dos que abraçavam a fé crescia todos os dias.

Ao olharmos para a nossa situação, estas palavras podem parecer-nos uma utopia. Quantos não se deixam tomar pelo desalento e pela falta de confiança; quantos não desistem face aos aparentes insucessos do trabalho árduo que realizam; quantos não baixam os braços evocando montanhas de razões, problemas e dificuldades.

“Não vos deixarei órfãos: voltarei para junto de vós”; “o Espírito da verdade habita convosco e está em vós”. Em matéria de evangelização nunca temos o direito de desistir nem de baixar os braços, porque não é ação nossa, mas do Espírito de Deus; nunca é sucesso ou insucesso nosso, mas do Espírito da verdade; nunca é trabalho solitário, mas sempre realizado em comunhão com Aquele que é anunciado e não nos deixa órfãos, mas permanece junto de nós.

Caros seminaristas, que ides ser instituídos no Ministério dos Leitores e dos Acólitos. Mais do que a realizar um trabalho ou uma missão; mais do que a exercer um ministério na Igreja, sois chamados a amar o Senhor, a permanecer n’Ele, pois Ele permanecerá em vós. Daí decorre toda a vossa ação, que o Povo de Deus aguarda, sedento de ministros totalmente tomados pelo amor de Deus e dedicados à Igreja.

Pedimo-vos que avanceis para o ministério sacerdotal desprendidos de particularismos, de qualquer espírito de divisão proveniente das preferências pessoais, de qualquer tipo de ambição humana ou de qualquer outra motivação que não seja o desejo de anunciar o Evangelho da salvação, de elevar a Deus o louvor e a ação de graças, de edificar o Povo Santo de Deus.

Caros irmãos e irmãs que hoje sois designados pela primeira vez ou sois reconduzidos para o exercício dos ministérios laicais. O facto de o Senhor olhar para vós, vos chamar e escolher para serdes seus amigos íntimos e seus colaboradores, deve tornar-vos muito agradecidos e levar-vos a cantar sempre os seus louvores com a pureza do vossa coração e da vossa vida. Que sejais sempre servos de Cristo e da Igreja de coração livre e generoso, pois, como Ele, não estareis lá para ser servidos, mas para servir e para dar a vida em favor daqueles a quem sois enviados.

A Igreja Diocesana, que confia em vós, espera que, em tudo venereis a Cristo e estejais prontos a dar ao mundo as razões da vossa esperança.

Que vos acompanhe Maria, a Estrela da Evangelização e Mãe da Santa Esperança. Ámen.

Plano Pastoral


Bispo Diocesano


Vaticano