Homilia da Peregrinação Diocesana a Fátima

FESTA DO IMACULADO CORAÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA
BASÍLICA DA SANTÍSSIMA TRINDADE, 2014.06.28

 

“Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus”.
Este hino de alegria e júbilo cantado por Isaías ao profetizar a justiça e o louvor que Deus fará brotar diante das nações, pode, hoje, ser entoado por todos nós, que conhecemos Jesus Cristo, o Filho de Deus incarnado no seio imaculado de Maria.
Viemos em peregrinação ao Santuário de Fátima, porque reconhecemos que Maria é a Mãe da linhagem que o Senhor abençoou, por meio de Jesus Cristo. Ao acolher-nos como irmãos, Ele dá-nos a graça de sermos filhos de Deus e de termos em Maria a nossa Mãe do Céu.
A nossa maior alegria e o nosso maior júbilo nascem do facto de nos sentirmos filhos de Deus, irmãos em Jesus Cristo e prediletos de Maria. A nossa presença aqui testemunha que queremos partilhar uns com os outros estes sentimentos de fé que nos vão na alma e que estamos desejosos de animar todos aqueles com os quais nos cruzamos nas estradas da vida e ainda não receberam este feliz anúncio.
Com Nossa Senhora aprendemos o que significa conhecer o Salvador do Mundo, viver em comunhão com Ele no caminho da santidade, e anunciar a alegria do Evangelho que nos deixou. Com ela aprendemos a seguir Cristo pelo caminho da Igreja, em que nos acompanha com misericórdia e amor, como Mãe e como Mestra.
O Papa Francisco convidou-nos a viver e testemunhar esta alegria do Evangelho, fazendo dela o grande sinal da nossa fé, que vence todas as barreiras, mesmo as do sacrifício, da dor e da morte.
Com Nossa Senhora, que acompanhou Jesus e nos acompanha em todos esses momentos, é mais fácil ultrapassar tudo isso, tal como nos testemunharam os três Pastorinhos de Fátima. Havemos de aprender com eles a manter firme a certeza de que nada nos pode separar do amor de Deus e que, o seu coração, que é o nosso refúgio, por fim, triunfará.
A nossa devoção mariana, manifestada nesta peregrinação e em tantos momentos de oração individual, familiar e comunitária, constitui um grande suporte da fé e da vida dos cristãos. Alimentada pela mensagem de Fátima, a vida das nossas comunidades torna-se mais autêntica, a nossa esperança é mais forte, a nossa fé é uma certeza e as nossas dores podem ser suportadas com uma confiança inabalável.

Os textos da Escritura que hoje escutámos apontam-nos alguns dos aspetos fundamentais da fé cristã, que importa colhermos neste dia de graça, que podemos viver, aqui em Fátima.
O Evangelho apresenta-nos Jesus como o centro absoluto da nossa vida, diante do qual se curvam tanto os sábios como os pobres em espírito, por meio da fé. Jesus, sentado entre os doutores da Lei e procurado por Maria e José pronuncia palavras que exprimem a sabedoria de Deus, deixa admirados os que O escutam e aponta caminhos seguros a todos os que O seguem.
A atitude própria dos cristãos consiste em acreditar em Jesus como a Palavra de Deus, que ensina, conduz e oferece caminhos de Vida Eterna; consiste também em deixar-se admirar pela novidade do seu ensino e da sua vida, que é fonte inesgotável de sentido para as nossas dúvidas, perguntas e incertezas; consiste ainda em deixar-se seduzir por Ele, enquanto expressão do amor do Pai, que constantemente nos surpreende com gestos de misericórdia e de perdão.

O Evangelho apresenta-nos Jesus numa relação filial com o Pai, junto de quem quer permanecer constantemente, por encontrar n’Ele a consolação e o amor, que O levarão a cumprir fielmente a Sua vontade.
Do Templo ao Getsémani, de Belém ao Calvário, é no Pai que que Jesus vive, é enviado pelo Pai que anuncia a Boa Nova do Reino, é a vontade do Pai que incarna, é para fazer a vontade do Pai que se entrega à morte e é pelo poder do Pai que ressuscita.
A atitude fundamental do cristão consiste em procurar sempre a vontade do Pai, em deixar-se consolar pelo seu amor e em permanecer no Pai por meio de Jesus Cristo. Aqui encontra sentido a fé como expressão de confiança no Pai, liturgia como ação de graças com Cristo ao Pai, a oração como meio de sintonizar com a vontade do Pai, o testemunho do Evangelho na condição de enviados a proclamar as suas maravilhas, a procura da santidade no quotidiano como sinal de procura da comunhão com o Pai.

O Evangelho conclui que Maria guardava todos aqueles acontecimentos no seu coração, pois é no coração que se dá o encontro mais frutuoso entre a pessoa humana e Deus.
É no nosso coração humano que Deus se dá o encontro de Deus connosco; ali tem lugar o conhecimento que supera a inteligência e a razão para se tornar encontro e relação, intimidade e comunhão. Mais do que um fazer trata-se de uma amizade tão profunda que nos faz contemplar, meditar e silenciar tudo o que d’Ele recebemos e com Ele sentimos e vivemos.
Pela via mariana do silêncio, exemplarmente vivido pelos Beatos Francisco e Jacinta, chegaremos à síntese do amor contemplação e ação, no sentido de Deus e dos irmãos, oração e caridade.

"Quantos os virem terão de os reconhecer como linhagem que o Senhor abençoou”.
Isaías ajuda-nos a sentir que somos esse Povo de Deus, a sua descendência no meio dos povos, agora a Igreja Santa, que tem em Maria a Mãe e a Imagem perfeita.
Com ela, sempre solícita pelo seu Filho e pelos seus filhos, procuramos ser a linhagem que o Senhor abençoou. Pela santidade do nosso coração semelhante ao seu, ou seja, pela santidade da nossa vida, que encontra nela o melhor modelo humano, manifestaremos a grandeza da bênção do Senhor que, com as nossas mãos, dá pão aos que têm fome, levanta do chão os que vivem prostrados, retira da miséria os indigentes, faz conhecer a salvação aos que estão perdidos e eleva à glória todo o que habita nas sombras da morte.
Que, como Maria, façamos da santidade do nosso coração o primeiro caminho e o primeiro método da evangelização do mundo, que a Igreja nos pede. Juntemos-lhe a nossa alegria de ser Povo de Deus, de permanecer com Cristo e de acolher o Evangelho. Acrescentemos-lhe a disponibilidade para trabalhar na comunidade cristã, pondo ao seu serviço os dons que recebemos. Envolvamo-nos na sociedade e no mundo como sal, fermento e luz de Cristo, que transforma e dá sabor.

Fátima, 28 de junho de 2014

 

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