Homilia IV Domingo da Páscoa - Domingo do Bom Pastor - Encerramento VP Pombal - 26-04-2015

ENCERRARMENTO DA VISITA PASTORAL AO ARCIPRESTADO DE POMBAL

Caríssimos irmãos e irmãs!
Hoje, domingo do Bom Pastor, temos a graça de nos reunirmos nesta grande assembleia de cristãos do Arciprestado de Pombal, parte da Igreja Diocesana de Coimbra, na qual subsiste a verdadeira Igreja de Jesus Cristo e a verdadeira fé católica e apostólica. Juntos, manifestamos a nossa disponibilidade para formar um só rebanho, um só povo a viver na comunhão e no amor, sob a condução de um único Pastor, Jesus Cristo, o nosso Mestre e Salvador.
Hoje, esta assembleia exprime de forma mais visível essa nossa condição, pois está presente o sacramento ou sinal da nossa condição de Povo de Deus - a grande assembleia de fiéis -  e o sacramento de Cristo o Bom Pastor, na pessoa do Bispo com os presbíteros unidos a si.

“Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamarmos filhos de Deus”.
Esta frase da segunda leitura resume as razões pelas quais aqui estamos e a fé que nos anima: acreditamos que o Pai nos ama com um amor infinito e acreditamos que somos filhos de Deus.
A nossa condição de cristãos e de membros da Igreja não nasceu da nossa iniciativa. Mas tem a sua origem no Deus que nos ama como um amor de Pai e de Mãe, o melhor de todos os pais e mães. De simples filhos da humanidade podemos chamar-nos filhos de Deus, porque fomos elevados à condição de filhos e entrámos na família ou no povo dos filhos, dos amigos, ultrapassando a condição de estranhos ou de servos.
Vede que admirável amor o Pai nos consagrou... O batismo pelo qual recebemos a fé, constitui o primeiro sinal do amor do Pai; ao acolhê-lo e ao vivê-lo constantemente, manifestamos a alegria de ser filhos de Deus e o desejo de viver na santidade de Deus, como Povo muito amado.
Como nascemos num mundo culturalmente cristão, a fé nem sempre constitui uma opção pessoal, livre e responsavelmente assumida, e, por isso, não valorizamos suficientemente esta nossa condição de homens e mulheres amados por Deus, filhos de Deus, membros deste Povo, que é a sua Igreja.
Quanto mais nos deixarmos envolver pelo amor de Deus; quanto mais aprofundarmos o sentido daquilo que somos em Cristo a partir do batismo; quanto mais nos deixarmos entrar na vida da comunidade cristã, que escuta a Palavra de Deus, que celebra os sacramentos, que reza numa atitude de gratidão ou de súplica, que sai ao encontro dos outros para os evangelizar ou os socorrer nas suas debilidades, mais nos sentiremos gratos a Deus por amar e nos chamar a ser seus filhos.
A fé cristã nasce desta experiência, que se transforma numa certeza que ninguém nos pode roubar e que é fonte de confiança e de esperança para viver. A fé cristã não é uma ideologia, nem uma organização, um código de regras, uma moral ou uma religião... é uma vida assente na certeza o amor de Deus, que nos torna seus filhos e, por meio de seu Filho Jesus Cristo, nos salva.

“Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-Me”.
No Evangelho segundo S. João, Jesus apresenta-se como o Bom Pastor, afirmando que conhece o seu Povo, os seus irmãos, as suas ovelhas, e que estes também O conhecem.
Não pode haver cristãos, batizados, membros da Igreja, que não conheçam Jesus de perto, como o seu amigo, o seu irmão e o seu pastor. Quando isso acontece, ser cristão reduz-se a uma dimensão humana; ser membro da Igreja reduz-se a uma questão social; ser religioso reduz-se ao cumprimento de uma série de ritos, mandamentos e estipulações morais.
Conhecer Cristo como Senhor e Mestre, como Irmão e Bom Pastor, como Salvador, significa aderir a Ele com a inteligência e com o coração, aceitar viver com Ele, sentir-se amado por Ele e querer amá-l’O de todo o coração e com todas as forças.
É longo e sério este caminho do conhecimento de Cristo, que converta a nossa vida, que nos faça confiar n’Ele e que nos disponha a dar a vida por Ele. Mas esse é o caminho da fé cristã. 

“Eu dou a vida pelas minhas ovelhas”.
Todos aqueles que pensam que a fé cristã fecha as pessoas em si mesmas ou as fecha dentro das paredes do templo, encontram nesta afirmação de Jesus a certeza de que a fé nos abre aos outros.
O cristianismo, a partir da atitude de Jesus, que dá a sua vida pelo seu povo, ensina-nos a ser pessoas  em sentido total e pleno: pondo aquilo que somos, a nossa vida ao serviço dos outros, ou, dito segundo as palavras do Evangelho, a darmos a vida pelos outros, no seguimento do Bom Pastor.
Quando Jesus quis reunir à sua volta um povo de irmãos, não se limitou a falar-lhes com entusiasmo acerca do amor do Pai, mas deu-lhes o sinal e o testemunho convincentes, ofereceu por eles a sua vida. “Vede que admirável amor o Pai nos consagrou...”

No encerramento da visita pastoral ao arciprestado de Pombal, importa-nos colher algumas linhas de ação para o futuro, a fim de que esta parte da Igreja Local de Coimbra, se renove e ajude a fortalecer a fé da Igreja que nós somos.
Saliento três aspetos, que vos peço tenhais em conta ao programardes localmente a ação pastoral, em comunhão com toda a Diocese de Coimbra e comigo, que recebi de Deus a graça de ser vosso pastor, em Cristo.

A ação da Igreja tem de dar o primeiro lugar àquilo a que chamamos pastoral da fé. Consiste em privilegiar os fundamentos de tudo o que somos, fazemos e vivemos: o reconhecimento do amor de Deus, a alegria de sermos seus filhos, o conhecimento de Jesus que envolve a inteligência e o coração para se tornar uma relação marcada pela amizade, pela confiança e pelo amor.
A pastoral da fé exige que não nos dispersemos com elementos secundários, mas que tudo encaminhemos para este encontro pessoal e vital com Cristo: a liturgia; a celebração dos sacramentos; a catequese das crianças, dos jovens e dos adultos; a ação sócio-caritativa; a piedade popular, que inclui festas, peregrinações, devoções, expressões culturais e tradições locais. Tudo ao serviço do aprofundamento da fé dos cristãos.

A ação da Igreja tem, depois, de privilegiar a pastoral da evangelização. O anúncio do Evangelho constitui o centro do pedido de Jesus que enviou os seus apóstolos e discípulos a ir pelo mundo e levar este feliz anúncio da salvação.
Voltar a anunciar aos que já o acolheram uma vez, mas se deixaram desfalecer e fazê-lo chegar às periferias, aos que nunca o acolheram no coração por meio do primeiro anúncio, é uma obrigação que nasce na vida de todo o discípulo e de toda a Igreja.
Por meio de cursos, encontros, retiros, momentos fortes de oração, pela catequese dos adultos, com a ajuda da leitura orante da Palavra de Deus, com a ousadia de métodos e meios adequados, é urgente evangelizar um mundo que não conhece a alegria do Evangelho.

A Igreja precisa de trabalhar insistentemente no fortalecimento do sentido de pertença ativa de todos os seus membros, no desenvolvimento do sentido da corresponsabilidade e da comunhão.
Quando Jesus falou de um só rebanho e um só pastor, estava a falar da unidade de todo o Povo de Deus, nas relações de fraternidade e de amor que o caraterizam, na cooperação de todos para a santificação do Corpo e para a sua edificação, bem alicerçado em Cristo Pedra Angular e sobre os fundamentos dos Apóstolos.
Peço, pois a todo o Povo de Deus, com os sacerdotes, consagrados e leigos, que, vivam na unidade e na comunhão desejadas por Jesus, pois esse é o sinal de que vivemos no amor de Deus Pai e como filhos. Essa é condição para que a Igreja seja sinal do amor de Deus e para que o mundo creia e se salve por Jesus Cristo. É condição prévia para a evangelização e para o crescimento da fé como adesão pessoal, que compromete a vida toda.

Que Nossa Senhora, mulher de fé, que trouxe ao mundo o Evangelho da salvação, nos ampare e proteja neste caminho. Que ela nos acompanhe e nos conduza a Cristo, seu filho, nosso irmão e nosso salvador.

Pombal, 2015.04.26

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