Homilia XV Domingo Comum C - Santa Cruz de Coimbra - Procissão da Rainha Santa

A celebração das festividades de Santa Isabel de Portugal faz-nos avivar as raízes da identidade do país e da cidade que somos, alicerçada na fé cristã, o mais profundo sentido de humanidade. 
Esta celebração faz sempre sair à rua uma multidão de pessoas, homens e mulheres, para honrar a memória de uma mulher, que deixou marcas no seu tempo e que atravessa os séculos. Ela não se assume como uma mensagem, mas, na sua humildade, é uma mensageira, que ainda hoje fala com a sua vida, com as suas palavras, com as suas mãos e com o sorriso dos seus lábios.
Em resposta ao desafio evangélico de todos os tempos, ela sai do seu convento, deixa para trás a alteza do seu palácio e entra nas vielas estreitas da vida de todos para ser a rainha dos pobres da palavra, do pão e do sorriso. 
Não saímos hoje à rua por causa da nobreza da sua linhagem, nem por causa da riqueza da sua casa ou dos adornos dos seus vestidos, mas por causa da grandeza da sua alma, do amor do seu coração e da bondade das sua mãos. 
Saímos, hoje, à rua, porque desejamos atualizar no nosso país, na nossa cidade, nas nossas ruas, nas nossas famílias, na nossa Igreja e na nossa sociedade o seu legado, que nos enobrece e desafia.
A história de Santa Isabel está muito longe de ser a história encantada de uma rainha de palácio, onde tudo se descreve com as cores maravilhosas do sonho.

A história da sua vida é comentário real à página da Profecia de Isaías, pois foi terra regada que deu semente ao semeador, pão para comer, vontade e missão realizada; é comentário vivo do Evangelho de São Mateus, pois foi boa terra, ouviu a Palavra de Deus e deu muito fruto; é comentário à Epístola aos Romanos, pois não se deixou corromper pela escravidão, mas viveu na gloriosa liberdade dos filhos de Deus. 

A história da Rainha Santa exprime com verdade o grande apelo do Papa Francisco que nos convida, enquanto pessoas e enquanto Igreja a sair, a estar constantemente numa atitude de saída, centrados nos outros, que são a nossa verdadeira vocação e missão. 

Porque gostamos nós de contemplar a sua imagem?
Porque a Rainha Santa sai com a semente da Palavra de Deus nos seus lábios.
Sentimos o gosto de acolher a mesma Palavra, que conduziu a sua vida, a Palavra do Evangelho que nos orienta e nos seduz entre a superabundância de palavras fúteis e vazias que povoam o nosso quotidiano.
Sentimos o apelo da Evangelização como primeiro mandato que o Senhor nos deixou, como a missão que nasce da nossa condição de Filhos de Deus e discípulos de Jesus Cristo.

Gostamos de contemplar a imagem da Rainha Santa porque ela sai com as suas mãos a distribuir aos pobres o pão que sacia a nossa fome e a fome dos nossos irmãos.
Sentimos o apelo da caridade de Cristo, como a via da partilha, da dádiva, de um estilo de vida aberto aos outros, como o nosso modo de estar na sociedade e na Igreja.

Gostamos de contemplar a imagem da Rainha Santa porque ela sai com o seu sorriso a perfumar o mundo com as rosas da alegria.
Sentimos o apelo a viver com a alegria do Evangelho todos os momentos e a ser portadores do perfume que transforma a dureza dos corações em suavidade e paz.

A celebração destas festividades convidam-nos a fazermos de Coimbra a cidade da Rainha Santa Isabel, cidade evangelizada e evangelizadora, cidade onde a caridade, a paz e a justiça são uma marca constante, cidade onde a sã alegria dos de cá e dos de fora nunca quer ser ofuscada. 

Santa Isabel de Portugal, Rainha Santa, rogai a Deus pela nossa cidade e pela nossa diocese. Continuai a sair e a vir ao nosso encontro com a Palavra de Deus nos lábios, com a caridade nas vossas mãos e com o sorriso de alegria no vosso rosto de mulher e de santa.

Igreja de Santa Cruz de Coimbra, 13 de julho de 2014

 

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