III DOMINGO DA PÁSCOA - MISSA NA SÉ NOVA DE COIMBRA

Caríssimos irmãos e irmãs!

Esta celebração em que nomeamos homens e mulheres para exercerem diversos serviços em favor da comunidade cristã e instituímos alguns jovens nos ministérios de Leitor e Acólito a caminho da ordenação sacerdotal, constitui um grande motivo de esperança para a nossa Igreja Diocesana. Somos aqui Igreja pascal, alegre por conhecer Cristo Ressuscitado e decidida a dar a conhecer o nome de Jesus. Somos ainda Igreja do Pentecostes, pois a abundância do Espírito Santo desce sobre nós para nos fortalecer na fé, na doutrina e na ação evangelizadora.

Depois de terem visto o sepulcro vazio, os discípulos de Jesus testemunharam por várias vezes as aparições do Ressuscitado e viram os sinais miraculosos que ele realizou a favor do desabrochar e crescer da sua fé. No entanto, nada disso seria suficiente para que eles acreditassem em Jesus Cristo como o Messias, o Filho de Deus, o Senhor e o Salvador do mundo, se O não conhecessem como um Irmão, como um Amigo, Alguém que os amava e que eles aprendiam a amar.

O diálogo com Simão Pedro junto ao lago de Tiberíades mostra bem a amizade e o amor que une os discípulos com o mestre, os cristãos com Cristo. “Sim, Senhor, Tu sabes que te amo”, é a resposta mais autêntica de todo aquele que já conheceu o amor de Deus e lhe responde igualmente com amor.

A nossa fé encontra ainda hoje o seu suporte no testemunho dos Apóstolos, nos sinais da presença do Senhor, que a vida nos oferece e no conhecimento do amor que Deus nos tem, ao qual respondemos com a adesão à Sua Pessoa.

 

“Vou pescar”, disse Simão Pedro aos outros discípulos; “Nós vamos contigo”, responderam eles. A fé, mesmo que imperfeita e pobre, impele sempre ao trabalho na Igreja, porque é portadora de uma mensagem e de uma alegria que exigem ser comunicadas.

Esta imagem da pesca narrada no evangelho fala dessa ação do cristão que lança as redes, que anuncia, comunica e atrai para Cristo os homens e mulheres que O não conhecem. Essa decisão marca os outros, pois o testemunho arrasta sempre e é o melhor meio de evangelização de que dispomos. Deste modo, o trabalho ativo na comunidade cristã local, ou na Igreja, é uma grande forma de testemunho da fé e é, ao mesmo tempo, o melhor meio de cultivar a fé.

A ação de ir pescar tornou-se para os discípulos a oportunidade de virem a encontrar Jesus, de verem os seus prodígios, de aprofundarem a sua fé no Senhor e de partilharem com Ele belos momentos de comunhão, de conhecerem em profundidade o significado do Seu amor, de lhe responderem mais seguros “bem sabes que Te amo” e de ouvirem definitivamente o convite enérgico: “Segue-Me”.

Todos nós podemos testemunhar quanto tem sido importante o nosso trabalho na comunidade paroquial, a nossa dedicação na Igreja para o crescimento da nossa fé. Quantas vezes temos ouvido uns dos outros: pode não ser muito importante o que eu faço, nem o tempo que dou à comunidade, mas quanto bem me tem feito, como tenho aprendido a amar ao Senhor e aos irmãos, quanto isso tem ajudado à minha pouca fé!

Para além de ser meio de crescimento na fé pessoal, a nossa dedicação à Igreja nas suas variadas tarefas e formas é essencial para o crescimento da mesma Igreja. O Evangelho dava-nos essa certeza quando nos oferecia o resultado da pesca milagrosa. Num tempo em que muitos cristãos vivem num certo pessimismo ou quando somos atacados por alguma falta de esperança, ouçamos as palavras do Senhor: “lançai a rede para a direita do barco e encontrareis”; entreguemo-nos ao seu poder, como Pedro, sem nada, totalmente confiado na palavra do Senhor, trabalhemos incansavelmente, e Ele fará frutificar em favor da Igreja e da humanidade.

A missão da Igreja e a nossa missão de cristãos e seus enviados só poderá ser bem sucedida se for fonte de alegria para nós. Recordamos como os Apóstolos saíram cheios de alegria do Sinédrio, apesar de terem sido maltratados e ultrajados por causa do nome de Jesus, como ouvíamos na Primeira Leitura.

Não ignoramos as dificuldades que a Igreja enfrenta nos dias de hoje face a um mundo que não crê e professa perspetivas bem diferentes das do Evangelho; bem conhecemos as difíceis situações que enfrentam os cristãos que por palavras e por obras procuram viver na fidelidade a sua fé, nos diferentes meios em que estão inseridos. Tem, hoje, grande atualidade a bem-aventurança de Jesus acerca dos insultos e das perseguições por causa do Reino de Deus.

Não se pode entender a fé e o testemunho cristão sem paixão, sem cruz e sem morte, como caminho de ressurreição e de vida; não nos poderíamos identificar plenamente com Cristo sem nos identificarmos com a Sua Páscoa, com a Sua morte e ressurreição.

A nós, caríssimos irmãos e irmãs, é-nos pedida uma fé firme, convicta, esclarecida, assente no conhecimento do amor de Deus, moldada pela inserção ativa na vida da comunidade cristã, provada pelo testemunho no meio de um mundo adverso, mas sempre alegre e confiante no poder d’Aquele que nos chamou e nos envia.

 

Iniciamos hoje a 50ª Semana de Oração pelas Vocações, subordinada ao tema “As vocações, sinal de esperança fundada na fé”. Na mensagem para este dia, o Papa Bento XVI recordava-nos que “as vocações... nascem da experiência do encontro pessoal com Cristo, do diálogo sincero e familiar com Ele, para entrar na sua vontade”.

Se este é o caminho que cada um de nós precisa de fazer para consolidar e fortalecer a sua vocação, é também o caminho que, enquanto agentes pastorais, temos de ajudar os outros a percorrer. Centremos toda a nossa ação pastoral neste primeiro objetivo: proporcionar o encontro pessoal com Cristo, ajudar a “crescer na experiência de fé, entendida como profunda relação com Jesus, como escuta interior da sua voz que ressoa dentro de nós”.

No exercício do ministério sacerdotal, enquanto ministros extraordinários da comunhão, animadores das celebrações da Palavra, ministros das exéquias, leitores, acólitos, membros de grupos sócio-caritativos, animadores vocacionais, educadores da fé como pais, catequistas ou professores, levemos aos outros a alegria sincera da nossa fé pessoal em Jesus Cristo e o grande entusiasmo de O podermos testemunhar. Esse é o primeiro meio de que todos dispomos para fazer pastoral vocacional.

Depois, temos a oração, que move o coração de Deus e converte os nossos corações. As famílias e as comunidades paroquiais continuam a intensificar a oração pelas vocações, continuam a lançar as redes ao largo e em maior profundidade, e acreditamos que o Senhor responde à Sua Igreja.

A igreja de São Tiago, na cidade de Coimbra, tornou-se o nosso grande santuário de oração pelas vocações. Peço-vos que continueis a reservar algum tempo para estar lá, peço aos jovens que, ali, no silêncio, se deixem interpelar pelo Senhor e que tenham a coragem de lhe responder: “Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo”. Ele não deixará de dizer: “Segue-Me”; ao mesmo tempo dará a confiança e a alegria para iniciar o caminho.

 

Ao teu coração de Mãe, ó Maria, confio estes teus filhos, que hoje confessam a sua fé em Jesus Cristo, e se comprometem a servi-l’O na Igreja, exercendo com amor a missão que solenemente lhes é confiada.

Ao teu coração materno, ó Maria, confio particularmente os nossos seminaristas, que se dirigem para o sacerdócio ministerial, e os que estão a fazer um caminho de discernimento no Projeto Vocacional Sacerdotal.

A uns e outros, guarda-os, ampara-os e dá-lhes a tua alegria na fé e a tua fidelidade no amor.

 

Coimbra, 14 de abril de 2013

Virgílio do Nascimento Antunes

Bispo de Coimbra

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