III DOMINGO DO ADVENTO - ORDENAÇÃO DE UM DIÁCONO PERMANENTE E UM PRESBÍTERO - SÉ NOVA DE COIMBRA

A ordenação de um diácono e um presbítero para a Diocese de Coimbra reforça o sentimento de alegria próprio deste terceiro domingo do Advento. Em nós surge espontâneo um grande obrigado a Deus, que olhou para nós e nos concedeu mais estes dois colaboradores, o Jorge e o João Pedro; um obrigado a cada um deles, por amarem o Senhor e a Sua Igreja, a ponto de quererem entregar-lhe a vida; e um obrigado às comunidades cristãs que os formaram na fé e no espírito de serviço que permitiram chegar a este momento.

“Vivei alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias”, dizia o Apóstolo; alegramo-nos com a chegada do Senhor ao meio de nós por meio destes seus enviados; oramos insistentemente para que eles sejam fiéis e para que os corações dos jovens se abram ao chamamento e aceitem abraçar o ministério ordenado; damos graças porque acreditamos que tudo é dom da Sua misericórdia para connosco.

A liturgia deste Domingo fornece-nos elementos centrais para a compreensão do ministério ordenado na Igreja, sobre os quais fazemos agora a nossa reflexão.

Em primeiro lugar, a profecia de Isaías, que Jesus retomou na sinagoga de Nazaré, no início do Seu ministério público, ensina que toda a iniciativa vocacional nasce do amor de Deus. Ao olhar para o Seu Povo disperso e perdido, as suas entranhas comovem-se de misericórdia e compaixão. Envia profetas, sacerdotes e ministros, ungidos pelo Espírito Santo, a fim de proclamarem um ano de graça. Nos pobres, atribulados, cativos, prisioneiros, estão representados todos os povos da terra, necessitados da palavra salvadora e consoladora de Deus.

Quantas belos testemunhos de anúncio acolhido podiam narrar todos os que foram ungidos pelo Espírito Santo e enviados por Deus ao encontro do Seu Povo, diáconos, presbíteros, bispos, missionários, religiosos e religiosas, leigos nas mais variadas situações de vida! O dom de ser chamado e enviado por Deus é fonte de tanta alegria interior, por um lado, e de tanta consolação e auxílio aos irmãos, por outro. Na certeza de que o Senhor chama e envia ainda hoje, faço um vibrante apelo aos jovens, a fim de que se deixem seduzir por Cristo, incarnem a Sua entranhada misericórdia pela humanidade e se disponibilizem para acolher a vocação sacerdotal, que, com toda a certeza, o Senhor pôs no coração de alguns aqui presentes ou dispersos por esta diocese de Coimbra.

Destaco uma segunda palavra, retirada da Epístola aos Tessalonicenses, dirigida a todos nós e, neste dia, de modo especial aos que vão ser ordenados: “O Deus da paz vos santifique totalmente”. O Povo de Deus em geral, os ministros da Igreja, cada um de vós, Jorge e João Pedro, é portador da vocação comum que recebeu no baptismo e é chamado a ser santo.

Tendes de ter sempre presente que o diácono ou o presbítero não se definem por aquilo que estão aptos a fazer na comunidade cristã ou por aquilo que efetivamente fazem; definem-se pela realidade nova que os sacramentos misteriosamente neles produzem e pela comunhão que vivem com Cristo e com a Sua Igreja, ou seja, pelo caminho que percorrem em ordem à santidade de vida.

A primeira vocação e obrigação que tendes é ser santos, assumir essa realidade invisível, mas real, que vos liga a Cristo, “para que todo o vosso ser – espírito, alma e corpo – se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Sois chamados a ser totalmente de Cristo, configurados com Ele, centrados n’Ele, tanto quando realizais as tarefas quotidianas de acordo com o vosso estado de vida, como quando rezais com a assembleia cristã, quando vos dedicais às tarefas de evangelização, à prática da caridade ou ao governo das comunidades que são confiadas à vossa solicitude. Não vos faltará o auxílio do Espírito, Aquele que nos santifica, desde que, como dizia o Apóstolo, o não apagueis nos vossos corações.

A terceira palavra que desejo salientar, colho-a do evangelho de S. João, que nos transmite o exemplo de vida de João Baptista, ao dizer: “no meio de vós está Alguém que não conheceis; Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias”. Com ele aprendemos a centralidade de Jesus Cristo na vida da Igreja e na vida pessoal de cada um de nós e a humildade de quem sabe que nada seria se não fosse o dom generoso de Deus.

Lembrai-vos, caríssimos irmãos, que fostes chamados para servir o Senhor e o Seu Povo e não para serdes servidos por eles ou para vos servirdes deles; lembrai-vos que, para ganhar a vida é preciso perdê-la; lembrai-vos que o vosso caminho é o caminho da cruz, que conduz à Vida. O caminho de Cristo é, sem dúvida, o da radicalidade e da entrega total e a Igreja de hoje precisa acima de tudo de homens munidos de uma fé forte, de um grande amor a Deus e ao Seu Povo, disponíveis para servir na verdade e na caridade.

Como é bela a minha e a vossa vocação! Trazemos no vaso de barro que somos, o maior tesouro, que não nos pertence, mas do qual fomos constituídos portadores, graças à confiança que o Senhor em nós depositou. Mensageiros como somos, não nos pregamos a nós, nem às nossas ideias ou doutrinas, mas pregamos o Senhor; não centramos as pessoas ou as instituições em nós, mas n’Aquele que nos chama e envia; apontamos exclusivamente para Ele, para a Sua pessoa e para a Sua palavra salvadora.

Esta foi igualmente a vocação e a atitude de Maria, a mulher e a mãe, Senhora do advento e da esperança: ela aponta sempre para Cristo, disponibiliza-se para em tudo ser a Serva do Senhor, e para que nela se cumpra a Sua Palavra. Pequena e pobre, aceitou trazer ao mundo o Senhor do Universo, Deus e Homem, esquecendo-se a si mesma para que brilhasse a Luz de Jesus Cristo.

É a Maria que, neste dia, confiamos a nossa vocação, a nossa entrega e ministério que de Deus, por meio da Igreja de Jesus Cristo, recebemos. Que Nossa Senhora interceda por nós junto de Deus, a fim de que permaneçamos santos e irrepreensíveis para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Coimbra, 11 de Dezembro de 2011

Virgílio do Nascimento Antunes

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