Saudação à Imagem de Nossa Senhora

Entrada na Cidade de Coimbra - Largo da Portagem

Virgem Peregrina de Fátima!

Nós vos saudamos com o coração em festa, neste dia memorável da vossa visita à cidade de Coimbra. Unimos a nossa alegria de filhos à vossa alegria de Mãe e, felizes por este encontro, elevamos ao Deus Altíssimo o nosso magnificat de louvor e gratidão.
Bem-vinda sejais, ó Maria, ao meio deste povo que, desde a remota chegada da fé cristã vos acolhe, vos aclama e vos ama, como Mãe e intercessora junto de Deus.
Bem-vinda à diocese de Coimbra que sempre se confiou à vossa proteção, como continuam perpetuamente a testemunhar as vossas veneradas imagens, os templos de pedra jubilosamente erguidos e, acima de tudo, a alma e o coração das populações de todos os lugares, desde os mais humildes e remotos aos mais visivelmente gloriosos.
Bem-vinda à cidade de Coimbra, a todos os títulos “cidade de Santa Maria”. A vós se dedicaram as mais insignes instituições desta terra: primeiro a Sé Velha, elevada e forte como a fé firme e fiel dos vossos filhos, qual robusta muralha, que dentro alberga e guarda os sinais da devoção à vossa ternura, invocada como Santa Maria de Coimbra; depois a multissecular Universidade, lugar de conhecimento e de sabedoria humana, aberta à sabedoria divina, figurada naquela que adotou como padroeira, sob o título de Imaculada Conceição, a mesma a quem a tradição apelidou de Sede da Sabedoria; acima de tudo, avós se confiam diariamente homens e mulheres, nas alegrias e tristezas, na fé, na esperança e no amor, e em vós encontram refúgio santos e pecadores de todas as condições, na certeza de serem acolhidos e consolados.

Nossa Senhora do Rosário de Fátima, damos infinitas graças a Deus por tudo o que sois e significais para o povo cristão, Mãe de Jesus Salvador, imagem perfeita da Igreja e mensageira da paz.
Agradecemos por terdes acolhido o Verbo de Deus, que incarnou no vosso seio por obra do Espírito Santo, e se tornou para nós fonte de Vida Eterna. Por vós veio a esperança ao mundo inteiro, o vencedor do mal, do pecado e da morte; por vós Deus tornou-se próximo da humanidade e brilhou para o mundo o rosto do amor e da misericórdia, que nos anima a caminhar mesmo no meio de dificuldades e tribulações.
Agradecemos a Deus terdes-nos dado Jesus como Irmão e como Igreja serdes nossa Mãe. Os desafios que a fé nos faz são possíveis convosco; a cruz da nossa vida é mais leve quando levada com o auxílio da vossa companhia e com o estímulo do vosso testemunho junto à cruz.
Agradecemos a Deus por serdes contínuo apelo de paz entre os povos, nas famílias e nos nossos corações. Quanto precisamos do vosso precioso amparo para construir uma paz duradoira, apoiada no amor, que tudo transforma e recria.

Neste momento de graça, trazemos também as dores de todo o povo de Deus, os sofrimentos de toda a comunidade de Coimbra.
Pensamos nas famílias sem paz, nem pão, nem amor, sem trabalho, casa ou dignidade; nas que estão divididas e não são capazes de refazer o lar unido em que todos tenham o seu lugar; nas que se fecham à vida cedem à tentação de construir uma cultura de morte;
pensamos nos doentes dos nossos hospitais e nos que diariamente cuidam deles, uns e outros a precisar de esperança, amparo e fortaleza interior quando tudo se torna difícil de suportar;
pensamos nos presos das nossas cadeias, prostrados nas malhas de um percurso de vida errado, vítimas de si mesmos, dos outros ou das circunstâncias em que caíram ou para as quais foram empurrados;
pensamos nas crianças e jovens, cheios dos mais belos e nobres sonhos de vida, mas tantas vezes impossibilitados de os concretizar; rezamos pelos estudantes desta cidade, a fim de que encontrem os verdadeiros caminhos da sabedoria de vida;
pensamos nos idosos felizes no seio familiar e em tantos outros a viver a amargura da solidão, tanto nas suas casas como nas instituições;
pensamos nos migrantes e refugiados, que lutam pela sobrevivência ou pela dignidade de vida a que têm direito, mas que frequentemente lhes é negada;
pensamos nas vítimas de todas as formas de violências e guerras, especialmente as crianças, as mulheres e toda a espécie de indefesos, que sofrem na sua pele toda a espécie de males, apesar da sua inocência.

Querida Mãe de Deus e nossa Mãe, aqui tendes o povo cristão de Coimbra a vossos pés, com um coração agradecido e disponível para acolher os apelos que trazeis da parte de Deus.
Como Mãe da Sabedoria ensinai-nos ser pessoas, homens e mulheres de alma grande, abertos aos outros, verdadeiramente capazes de amar e servir.
Como Mãe da Misericórdia ensinai-nos a usar de misericórdia para com todos, sem qualquer discriminação, simplesmente porque são pessoas como nós, filhos amados de Deus.
Como Mãe da Igreja ensinai-nos a construir comunidades cristãs vivas, evangelizadas e evangelizadoras, onde a comunhão seja o distintivo e não haja qualquer espécie de divisão.

Santa Mãe de Deus e nossa Mãe, ficai connosco e continuai a apontar-nos os caminhos do amor, da justiça e da paz, Jesus Cristo o Filho de Deus que, convosco, seguiremos até ao fim.

Coimbra, 25 de setembro de 2015

 

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