Abertura do Ano Pastoral 2018-2019 - Homilia de Dom Virgílio

ABERTURA SOLENE DO ANO PASTORAL DE 2018-2019 NA DIOCESE DE COIMBRA

HOMILIA DA MISSA NA SÉ NOVA

Caríssimos irmãos e irmãs!

Estamos a iniciar solenemente o novo ano pastoral, conscientes de que precisamos de momentos celebrativos a marcar o ritmo da vida Igreja Diocesana, constituída por todas as suas comunidades, as paróquias e unidades pastorais, os arciprestados, os órgãos de participação e corresponsabilidade, a cúria diocesana, os secretariados, os movimentos e serviços.

A Igreja de Deus presente na Diocese de Coimbra é um organismo vivo, alicerçado em Cristo e animado pelo Espírito Santo, mas também formado por homens e mulheres que assumem a missão de edificar um templo santo por meio da sua ação refletida, rezada e programada de forma adequada às circunstâncias em que vivemos.

Damos graças a Deus pela Igreja que somos, mas sentimos um grande apelo a ir mais longe na realização da missão que o Senhor nos confiou. Recordamos as palavras que Jesus dirigiu a Pedro e aos outros apóstolos, quando após uma noite infrutífera, lhes disse: “Faz-te ao largo!” Havia para eles, há para nós e para a Igreja de Coimbra um mundo muito vasto de pessoas que ansiavam pelo anúncio da Boa Nova. Não queremos estar fechados nos nossos curtos horizontes, nem queremos ficar teimosamente a deitar sempre as redes para o mesmo lado e da mesma maneira. Acreditamos na força da Palavra do Senhor e estamos disponíveis para acolher a imensa novidade e criatividade que o Espírito concede à Igreja.

Jesus pôde contar com um pequeno número de homens santos para dar início à realização do projeto de Deus e encontrou nos Apóstolos e Discípulos a fé, a alegria e o entusiasmo necessários. A Igreja de hoje, comunidade de apóstolos e discípulos de Jesus, precisa de uma multidão de homens e mulheres santos e disponíveis para dar continuidade ao mesmo projeto. Temos a certeza da sua presença no meio de nós, contamos com a Palavra Viva do seu Evangelho, recebemos o dom do Espírito Santo, havemos de desenvolver o espírito de sabedoria e inteligência que nos permita ser neste tempo os seus discípulos missionários.

Ao mesmo tempo que afirmamos o primado da graça e confessamos que a obra é de Deus, acreditamos que Ele nos chama e nos envia como servos, o nosso maior título de glória. Um Plano Pastoral com os seus objetivos, estratégias e atividades só tem sentido como um instrumento para servir a obra da graça; os agentes de pastoral que o realizam hão de assumir-se como portadores de um tesouro em vasos de barro mas, ao mesmo tempo, chamados e escolhidos pelo Deus misericordioso que se digna ser levado pelas pobres mãos humanas.

Iniciamos este novo ano pastoral com a apresentação da Exortação apostólica do papa Francisco intitulada “Alegrai-vos e exultai”, sobre o chamamento à santidade no mundo atual. A santidade é o caminho do cristão que, tendo renascido no batismo como filho de Deus e membro da Igreja, faz de toda a sua vida um percurso orientado para realizar a sua vocação primeira. Ser santo é viver enraizado em Cristo e conduzido pelo Espírito de forma verdadeira, simples e humilde, apesar das debilidades e pecados; é abrir-se continuamente à graça que converte e transforma a ponto de fazer de um pecador um homem que confia e espera no Senhor.

Os objetivos do nosso Plano Pastoral – evangelização, espiritualidade e organização – orientam-se unicamente para a realização deste primeira vocação de todos os cristãos: ser santos no coração e na vida quotidiana. A Evangelização leva a acolher o anúncio de Jesus Cristo Salvador e a dar lugar a uma relação pessoal com Ele, que tenha a capacidade de transformar uma existência. A espiritualidade leva a dar lugar ao Espírito de Deus, que converte e leva à identificação com Cristo no coração e nas obras. A organização eclesial proporciona as condições e os meios para a inserção na assembleia santa, como membros ativos e missionários.

No tempo em que nos encontramos a Igreja de Deus não tem outra força capaz de atrair e seduzir senão a sua santidade. Estamos num tempo marcado pelas dificuldades e tribulações, por um lado, mas cheio de esperanças, por outro. O Evangelho volta a estar no centro da nossa vida, Jesus reaparece como a nossa única esperança de salvação, o Espírito Santo passa a ter o seu lugar enquanto alma da comunidade cristã, a Igreja com todas as suas estruturas revive a sua vocação de serva de Deus e serva dos homens.

“Que discutíeis no caminho?” Ficaram calados os discípulos e ficamos calados também nós, quando reconhecemos que nos ocupamos e preocupamos com muitas coisas, quando só uma é necessária. Este é o tempo da santidade dos cristãos e da santidade da Igreja como realização da sua vocação e, qual Cristo de rosto desfigurado, manifesta na sua fidelidade ao Pai o eterno amor que tem pelos homens.

Celebrar e acolher. São os dois dinamismos que elegemos para este ano e que nos propomos desenvolver na nossa Igreja Diocesana.

O primeiro, celebrar, tem mais a ver com o aprofundamento da fé enquanto relação pessoal com Jesus Cristo, em Igreja. A celebração da fé por meio dos sacramentos e, particularmente, por meio da Eucaristia, está no centro da vida cristã e torna-se o sinal mais visível da caminhada dos cristãos.

A Igreja manifesta visivelmente a sua fé e o seu desejo de seguir Jesus, quando a comunidade cristã celebra a Eucaristia dominical, reunindo todos os seus membros na diversidade das suas vocações e ministérios.

A celebração manifesta o rosto da Igreja que louva o Senhor, acolhe a Sua Palavra e se compromete a ir para o mundo alimentada pelo Pão da Vida. Por sua vez, constitui para os que procuram a Deus um lugar de encontro, sobretudo quando é marcada pela densidade espiritual, pelo silêncio da escuta, pela beleza da forma e pela unidade de toda a assembleia orante.

Somos convidados a empenhar todas as nossas forças e capacidades no sentido de tornar as celebrações da fé no verdadeiro rosto da Igreja, que adora e que ama o Senhor. Tudo é importante numa celebração e tudo deve ser cuidado com  zelo: o desempenho dos ministros, do sacerdote aos leigos, os espaços, as condições de participação, os meios técnicos, a música. É o encontro com o Senhor que fala e que escutamos; é a presença real de Cristo; é a assembleia santa.

Que este ano seja um tempo forte de renovação das nossas celebrações da fé, para que, por meio delas cumpramos o desafio da Primeira Epístola de Pedro: “Aproximai-vos do Senhor” (6, 4).

O segundo dinamismo, acolher, vai ao encontro da urgência da missão, especialmente junto daqueles que sentem maiores dificuldades em dar passos firmes no sentido da fé e do encontro com a Igreja.

Jesus que acolhe a todos e tem uma proposta para cada um, independentemente da sua situação, é o nosso modelo de pastores, de cristãos ativos na comunidade cristã e de Igreja, Mãe de Misericórdia.

Quando Jesus tomou uma criança, a colocou no meio dos discípulos e lhes disse: “Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe”, estava a mostrar-nos como a Igreja deve acolher cada pessoa, sem esperar nada em troca.

Somos convidados a abrir as igrejas, mas sobretudo a abrir a Igreja, para que nela todos tenham lugar, especialmente os débeis na fé ou na vida, os que chegam com motivações esclarecidas ou os que nem sabem dizer o que querem. Todos são destinatários do Evangelho e das propostas de salvação que Jesus lhes oferece por meio da Igreja. Que não se descarte ninguém, pois quem acolhe um dos mais pequeninos é a Cristo que acolhe.

Que este ano seja pródigo na pastoral do acolhimento em toda as instâncias e estruturas da Igreja e que se dê um lugar de preferência às periferias da fé e da sociedade, em ações concretas, que sejam sinal da solicitude do coração de Deus por cada pessoa.

Gratos porque Deus nos chama e nos acolhe, demos claros sinais de aceitar o convite da Carta aos Romanos: “Acolhei-vos uns aos outros” (15, 7).

Coimbra, 23 de setembro de 2018
Virgílio do Nascimento Antunes
Bispo de Coimbra

 

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