Homilia da Missa do III Domingo da Páscoa - Nomeação de Ministérios Laicais

III DOMINGO DA PÁSCOA A

MISSA NA SÉ NOVA - NOMEAÇÕES DE MINISTÉRIOS LAICAIS

 

Caríssimos irmãos e irmãs!

Voltamos, hoje, a ouvir o anúncio da ressurreição de Jesus de entre os mortos e da sua presença no meio do seu povo, no meio daqueles por quem ofereceu a sua vida sobre a cruz.

Ele foi exaltado pelo poder de Deus e recebeu a promessa do Espírito Santo, que derramou. A Igreja que nós agora somos é o novo Povo de Deus, que acredita na ressurreição de Jesus, professa que Ele foi exaltado e glorificado e que derramou o Espírito Santo sobre nós a fim de que permaneçamos unidos na comunhão e na santidade.

Esta assembleia convocada e aqui reunida mostra a nossa fé na força do Espírito Santo, que nos concede os dons necessários para a edificação da Igreja e nos  capacita para pormos a nossa vida ao serviço das comunidades cristãs, como nos recordou o Concílio Vaticano II: “na edificação do Corpo de Cristo existe diversidade de membros e de funções. É um mesmo Espírito que distribui os seus vários dons segundo a sua riqueza e as necessidades dos ministérios para utilidade da Igreja” (LG 7).

A nossa Diocese tem vindo a fazer um caminho no sentido da corresponsabilidade de todos os seus membros, ministros ordenados e fiéis leigos, um caminho no sentido da afirmação efetiva de uma Igreja ministerial, na qual cada um põe ao serviço dos outros o dom que recebeu. A participação ativa de todos e, concretamente, dos fiéis leigos, é um sinal inequívoco do caminho traçado pelo Concílio Vaticano II, e ao qual queremos dar continuidade, na fidelidade a esse grande momento de manifestação da presença e inspiração do Espírito. Precisamos muito de ministros ordenados, diáconos e presbíteros, mas precisamos igualmente de cristãos leigos, homens e mulheres que, na fidelidade ao batismo que receberam, sejam pedras vivas e membros ativos do Corpo de Cristo.

Nesta celebração, agradecemos ao Senhor, todos os colaboradores que tem dado à nossa Diocese de Coimbra, agradecemos a sua fé e o seu serviço desinteressado nos variados campos da vida das comunidades, pois sem o seu trabalho não seria possível a Igreja edificar-se na comunhão e na santidade nem realizar a sua missão evangelizadora no meio do mundo. Obrigado a todos vós, aqui presentes, disponíveis para assumir novos serviços e ministérios, em resposta ao dom do Espírito que recebestes e ao chamamento que a Igreja vos dirigiu por meio dos seus pastores.

 

Todo e qualquer serviço na Igreja nasce do batismo que recebemos e dos carismas dados pelo Espírito Santo, devidamente reconhecidos e confirmados pela Igreja. Não são, por isso, o simples resultado de um gosto ou de uma inclinação pessoal, mas um fruto da fé e da disponibilidade para a edificação do Corpo de Cristo. Não são o desejo de uma simples realização pessoal, mas o fruto do amor a Cristo e ao seu Povo.

O fundamento de todos os serviços na Igreja é o fato de nos assumirmos como homens e mulheres, como cristãos, alicerçados em Cristo e nos sentirmos verdadeiros membros de comunidades de discípulos do mesmo Cristo; a finalidade de todos os serviços na Igreja é o anúncio do Evangelho da salvação, a verdadeira identidade e razão de ser da Igreja.

Para ajudar a todos os membros da comunidade diocesana a interiorizar este fundamento e esta finalidade, definimos como visão de suporte do nosso Plano Pastoral a frase verdadeiramente programática, nos seguintes termos: “Alicerçados em Cristo, formamos comunidades de discípulos para o anúncio do Evangelho”.

 

O texto do Evangelho de Lucas, que hoje escutámos, o episódio dos Discípulos de Emaús, traça-nos o caminho que havemos de percorrer, na fidelidade a Jesus, o Senhor Ressuscitado, fundamento da nossa fé pascal. Centrados na Palavra de Deus, na Sagrada Escritura, lida, meditada, rezada e contemplada, aprofundaremos a fé e o amor ao Senhor, que nos revela o Pai e o Seu desígnio de salvação; centrados na Eucaristia, celebrada, comungada, partilhada e adorada, aprofundaremos a comunhão com o Senhor e com o Seu Corpo, a Igreja, sinal sacramental da Sua presença no meio de nós.

Não podemos, por isso, servir a Deus e a Igreja, se não entramos na intimidade com Jesus por meio da Palavra da Escritura e por meio da Eucaristia; não podemos ser discípulos fiéis no anúncio do Evangelho se não nos arde por dentro o coração quando Ele nos explica as Escrituras e se não participamos do Seu gesto de partir o Pão, como sinal da Sua entrega à morte por nós e como caminho para a Sua ressurreição gloriosa.

 

A leitura dos Atos dos Apóstolos, um discurso de Pedro, juntamente com os outros Apóstolos, no dia de Pentecostes, referia-se à promessa do Espírito Santo derramado sobre a Igreja. Recorda-nos, deste modo, que a obra de Deus realizada pela Igreja é obra do Espírito Santo. Assegura-nos que o Espírito Santo, derramado nos nossos corações, é quem nos capacita para sermos servidores da Igreja e colaboradores de Deus na realização da vocação e da missão para a qual fomos chamados.

Não podemos, por isso, ser servos bons e fiéis, se não acolhemos o Espírito Santo, se não deixamos que seja Ele a agir em nós, se não aceitamos humildemente ser seus colaboradores na realização de uma obra que não é nossa, mas a obra de Deus.

Em qualquer um dos serviços e ministérios que desempenhamos na comunidade cristã, na evangelização e na catequese, na liturgia e na celebração do domingo, nas exéquias e na caridade, na administração e no secretariado, na limpeza e na ornamentação dos espaços de celebração ou de formação, havemos de ser homens e mulheres espirituais, que procuram amar a Cristo e a Igreja, na fidelidade ao Espírito Santo.

 

Convido-vos, caríssimos irmãos e irmãs, a pôr, de novo, o olhar em Maria, como o nosso melhor e mais belo modelo de servos de Cristo e da Igreja, pois Ela foi a verdadeira Serva do Senhor.

Maria acolheu o Espírito Santo no Seu coração e na Sua vida; viveu sempre enraizada em Cristo; foi fiel discípula no seguimento de Jesus da incarnação até à morte na cruz; acompanhou a Igreja nascente em todos os seus passos; tornou-se a Estrela da Evangelização.

 Que Maria nos ensine, nos acompanhe e nos encoraje na realização feliz e fiel da nossa vocação e missão de servos de Deus e da Sua Igreja.

 

Coimbra, 30 de abril de 2017

Virgílio do Nascimento Antunes

Bispo de Coimbra


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