Missa Crismal - Homilia de Dom Virgílio

MISSA CRISMAL
SÉ NOVA DE COIMBRA

Caríssimos irmãos e irmãs!

Feliz o dia em que fomos ungidos com o óleo do crisma, no batismo, na confirmação, na ordenação presbiteral. Feliz o dia em que por meio desse sinal nos configurámos com Cristo de quem o óleo do crisma recebe o nome, como ouviremos daqui a pouco na oração de consagração. Esses foram os dias maiores da nossa vida de fé e  marcam o ritmo de todos os outros dias, que desejamos sejam vividos por Cristo, com Cristo e em Cristo, na comunhão com a Sua Igreja Santa, como Povo a caminho para a casa do Pai.

Hoje recordamos esses dias de graça, o que significa trazer à memória da mente e do coração o que aí celebrámos, pois não são somente acontecimentos passados, que nos transformaram para nos tornar filhos de Deus, iniciados na fé cristã ou participantes do ministério sacerdotal, mas são uma realidade que continua viva no nosso presente, e que continua a fortalecer-nos no caminho da santidade a que somos chamados. Hoje recordamos com amor a vocação que o Senhor nos concedeu e na qual nos confirmou por meio da água do batismo, por meio do dom do Espírito Santo e por meio da unção com o óleo do crisma.

Convido cada um, cristão leigo, cristão consagrado na vida secular ou religiosa, diácono ou presbítero, a reconhecer que não foi por mérito da nossa parte que recebemos o dom de fazer parte desta grande família de Deus, mas porque fomos chamados por Aquele que nos ama com amor eterno. Este é, por isso, um dia de gratidão, louvor e glorificação ao Senhor, “Àquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai”, como proclamava o Apocalipse na segunda leitura.

Toda a vocação cristã é um sinal do amor de Deus, que nos falou ao coração e nos deu a graça de nos pormos a caminho como discípulos de Jesus, a graça de sermos filhos no Filho e membros desta sua grande família. Consola-nos acreditar que Deus não esquece aqueles que chamou nem os deixa entregues a si mesmos. Ele acompanha os passos da nossa vida com o alimento da Eucaristia, com a Palavra iluminadora da Escritura, com o amparo da comunidade cristã, com o dom do Espírito Santo e com os inúmeros sinais que nos fazem confiar e esperar sem desanimar.

Hoje recordamos de um modo especial o cuidado e o carinho de Deus por nós, expressos nas unções que nos oferece por meio da Igreja. No dia em que apresentamos os santos óleos à comunidade, fixemos o olhar nesse sinal eloquente da solicitude de Deus por todos nós, que fazemos parte desta porção do seu Povo, a Igreja Diocesana de Coimbra.

A unção com o Óleo dos Enfermos constitui o sinal do amor de Deus para com os doentes no corpo ou no espírito, o sacramento do acompanhamento, da cura, do perdão, da comunhão de Deus connosco no meio das nossas fragilidades.

A unção dos doentes aproxima-os sacramentalmente de Jesus Cristo que sofre a sua paixão com todos e por todos, a fim de que sejam salvos e redimidos. Todos somos testemunhas da consolação de muitos doentes que, movidos pela fé no amor de Deus, se sentem renovados interiormente por meio deste sacramento, encontram sentido para as suas dores e abrem as portas do seu coração à renovação espiritual.

É tempo de fazermos uma verdadeira catequese ao Povo de Deus sobre o sacramento da Unção dos Doentes, que retire o medo e aproxime do Deus que enxuga todas as lágrimas e consola todos os que sofrem.

É tempo, especialmente, para incluirmos a pastoral dos doentes, dos frágeis e dos que estão sozinhos no programa pessoal do exercício do nosso ministério e no plano de vida das comunidades que servimos. Quando esta não existe, a Igreja falha na sua condição de Mãe e de cuidadora de todos os seus filhos; nós falhamos como ministros de Jesus Cristo que consola e cura; o sacramento da Unção dos Doentes surge como uma realidade isolada ou até desconhecida e estranha; a Boa Nova fica por anunciar aos prediletos de Jesus.

O óleo dos catecúmenos faz-nos olhar para a nossa debilidade e fraqueza, quando queremos seguir com fidelidade os caminhos da fé e do Evangelho. Fomos ungidos com ele antes do batismo, pois a Igreja conhece as dificuldades dos seus filhos, aquelas que continuamos a viver ao longo de todo o nosso percurso.

A oração de bênção que daqui a pouco faremos, refere a necessidade que temos da sabedoria e da força do alto para compreender o Evangelho de Jesus, do ânimo para empreender os trabalhos da vida cristã e da alegria de renascer e viver na Igreja.

Quando olhamos para a nossa realidade pessoal e comunitária, sentimos bem quanto somos fracos na fé quando é posta à prova, pobres na perseverança quando chegam as dificuldades, débeis no amor gratuito quando há desilusões e ingratidões, vulneráveis na esperança quando as duras realidades nos tocam mais de perto.

Precisamos de grande fortaleza para viver na alegria da fé, para renascer continuamente por dentro e viver na Igreja o compromisso assumido com o Deus que estabeleceu connosco uma aliança de salvação.

Precisamos de grande fortaleza para prosseguir com a coragem criativa que animou São José, e que nos mobilizou ao longo do tempo de Quaresma, para nos levantarmos em todos os momentos de desânimo, para tomarmos as decisões certas quando nos assaltam as dúvidas.

O Óleo do Crisma, que hoje consagramos, fala-nos do dom do Espírito Santo derramado sobre todos os que se dispõem a ser servos de Deus e servos dos irmãos, ou seja, de todos os cristãos. No entanto, realçamos neste momento a celebração do sacramento da confirmação quando, após a imposição das mãos, se unge com o Santo Crisma a fronte dos jovens e se pronuncia a fórmula: “recebe por este sinal o Espírito Santo, o dom de Deus”.

Esta marca indelével fica para a vida, define a nossa identidade e define a nossa missão. Sentimos todos a importância daquele dia em que fomos confirmados na fé do batismo e em que acolhemos o Espírito que dá vida e nos envia a realizar a missão da Igreja no meio do mundo.

Como comunidades cristãs compreendemos como é urgente cuidar deste sacramento da fé, ajudar os jovens a assumirem essa identidade e essa missão, como dom de amor. Ser configurado com Cristo, não pode ser uma formalidade, nem um rito de passagem, mas um momento de graça, pela força do sacramento e com o auxílio da profunda e renovada pastoral catequética que lhe está ligada.

Procuraremos ajudar os jovens a descobrirem a beleza da fé cristã e a conhecerem os encantos de estar em Cristo e de ter Cristo no coração e na vida. Essa é a melhor marca que podemos deixar nas comunidades que servimos, pois comunicar a fé e colaborar na edificação de cristãos felizes supera todos os nossos fracassos e desencantos.

Caríssimos sacerdotes! O óleo do Crisma com que foram ungidas as nossas mãos no dia memorável da nossa ordenação, continue a manter o seu perfume, que é o perfume da santidade de Cristo a que procuramos associar-nos com alegria.

A palavra de Isaías continua a ecoar aos nossos ouvidos: “o espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu”. Quando esta palavra foi acolhida por Jesus na Sinagoga de Nazaré, estava a cumprir-se a profecia e a realizar-se a sua vocação de Messias. Estas mesmas palavras proclamadas, hoje, na Igreja que se põe à escuta do Deus que lhe fala, são atualizadas e envolvem-nos a todos nós que nos identificamos com Cristo, o Ungido de Deus. Participar da sua vocação, apesar da nossa condição e do nosso pecado é de uma grandeza que nos ultrapassa. Acolhemos esse dom em profunda adoração e gratidão.

Juntamente com a vocação, o profeta alude à missão, que lhe está associada: Jesus foi ungido e enviado a anunciar a boa nova aos pobres. Não podemos ficar com a contemplação solitária da nossa vocação ao ministério sacerdotal, mas havemos de alimentar o fervor pela missão, que constitui a primeira e mais específica forma de exercermos a nossa caridade.

O trabalho com os jovens e o cuidado com o cultivo das vocações sacerdotais serão o forte sinal dessa alegria da vocação sacerdotal, que nos impele a comunicar o que recebemos e experimentamos. Convoco, por isso, a Igreja Diocesana a mobilizar-se na atenção aos jovens, a acolhê-los com alegria, a dar-lhes lugar ativo nos organismos de comunhão e participação, a cuidar da sua vida espiritual, do seu crescimento na fé e do seu discernimento vocacional. A onda de rejuvenescimento da Igreja Diocesana que nos leva a um Plano Pastoral centrado nos jovens precisa do entusiasmo de todos, uma vez que contamos sempre com o dom de Deus, celebrado por tantos no Sacramento da Confirmação.

Que o dom do Espírito que renova todas as coisas seja continuamente atualizado em nós, para que, com coragem e criatividade, nos santifiquemos na nossa vocação e nos ponhamos felizes ao serviço da nossa missão.

Que a suave força da unção do Crisma que permanece em nós, nos leve a saborear a alegria de sermos totalmente de Cristo, para sermos totalmente da sua Igreja.

Coimbra, 1 de Abril de 2021
Virgílio do Nascimento Antunes
Bispo de Coimbra

 

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