Introdução ao Plano Diocesano 2013-2016

Introdução ao Plano Diocesano 2013-2016

 

  1. Situando o plano pastoral no ano da fé e na história recente da Diocese:

              Centrados em Jesus Cristo, vivemos o Ano da Fé procurando “descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada”, para crescermos na “alegria de crer” e no “entusiasmo de comunicar a fé”. Foram atitudes e objetivos que nos obrigaram ao estudo, à reflexão, à oração. Da vivência deste ano relevam certamente as celebrações litúrgicas, as múltiplas iniciativas de catequese e reflexão nascidas das comunidades e associações de fiéis, diversas iniciativas de oração e de caridade. Mas a par destas realizações, e alimentado por elas, houve também um movimento denso e contínuo de estudo sobre o modo da Igreja de Coimbra crescer na fidelidade à sua missão de continuar - hoje e aqui - a ação redentora de Jesus de Nazaré. Esse estudo foi feito nas ações de reciclagem teológica do clero, nas Jornadas Pastorais participadas por presbíteros, diáconos e leigos, nas assembleias de movimentos e serviços, nas comunidades arciprestais, em ações específicas – como o curso sobre liderança para diretores de secretariados e arciprestes –, nos organismos de reflexão pastoral – como os conselhos de arciprestes e de presbíteros.

Mais ainda, sabemos que o estudo que fizemos ao longo do Ano da Fé, e os frutos que colhemos dele, é devedor de um longo processo de reflexão teológica e maturação pastoral que a Diocese de Coimbra tem vindo a fazer de há longo tempo, lembrando necessariamente, nestes 50 anos que nos separam do Concílio – entre muitas outras iniciativas – o Centro de Estudos Teológicos ainda na década de 60, a Reciclagem do Povo de Deus nas décadas de 70 e 80 para o aggiornamento da Diocese à doutrina Conciliar, o Congresso de Leigos, o Sínodo Diocesano, as Jornadas de Teologia promovidas pelo ISET, o dinamismo das Regiões Pastorais e os Planos Pastorais das duas últimas décadas.

 

2. Formulação da Missão e sua explicação

              No plano agora apresentado é essa abordagem que gostaríamos de ter em conta. Reflectimos a Missão que Deus nos confia no momento presente da história e expressámo-la da seguinte forma: «Diocese de Coimbra: Comunidade que vive a fé e anuncia o Evangelho, como caminho do encontro pessoal com Cristo, único Salvador, e com a sua Igreja»

 

              Comunidade: conforme enuncia a Gaudium et Spes (GS) logo no primeiro número: somos uma “comunidade” formada por homens e mulheres que, reunidos em Cristo, guiados pelo Espírito Santo, e indo em demanda do reino do Pai, recebemos “a mensagem de salvação para a comunicar a todos”. Como porção do Povo de Deus, somos «sacramento ou sinal e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano» (Lumen Gentium (LG), 1). Mas aquilo que somos por dom divino, é aquilo que também somos chamados a ser como tarefa. Há ainda muita mudança interior e exterior a viver para que a Igreja tanto a nível Diocesano como a nível das paróquias seja percebida como uma comunidade. Neste sentido vai também o plano pastoral

              Fé: Somos uma Comunidade que foi congregada pela fé e pelo baptismo e essa fé vivida no quotidiano é o primeiro testemunho que somos chamados a dar para que o mundo creia.

              Anuncia o Evangelho: o impulso missionário pertence à natureza íntima da vida cristã (RM 1), de tal modo que S. Paulo considerava o anúncio do Evangelho uma obrigação não só eclesial, mas também pessoal: «Ai de mim se não evangelizar!». (1 Cr 9,16). Como diz a Evangelii Nuntiandi “A tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja";(36) tarefa e missão, que as amplas e profundas mudanças da sociedade atual tornam ainda mais urgentes. Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar. Mas na palavra evangelizar cabe toda a atividade da Igreja como o recorda a EN nº 14 (… Evangelizar ou seja, pregar e ensinar, ser o canal do dom da graça, reconciliar os pecadores com Deus e perpetuar o sacrifício de Cristo na santa missa, que é o memorial da sua morte e gloriosa ressurreição.)

No entanto, sem perdermos de vista todas as dimensões do processo evangelizador e dada o crescente fenómeno de descristianização da nossa sociedade, pensamos que é fundamental conduzir a nossa pastoral da evangelização para aquela primeira etapa do processo evangelizador que é o encontro pessoal com Cristo que conduz à Primeira conversão e que permite depois o caminho até à maturidade da fé. Como dissemos atrás, este processo não é estanque e por isso temos de ter em conta que há muitos membros da comunidade cristã que recebem os sacramentos mas que nunca fizeram esta primeira etapa, isto é «nunca fizeram o seu caminho de Damasco» (carta pastoral dos bispos portugueses, 1997)

 

            Único Salvador: Num mundo plural como o nosso, há hoje muitas ofertas de salvação. O mercado das religiões tornou-se uma oferta generalizada que oferece a salvação a gosto do cliente.  É preciso pois, que no nosso anúncio seja dito com clareza “que não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos” (Act 17,11), que Jesus é o Caminho a Verdade e a Vida e que ninguém vai ao Pai sem passar por Ele.

            A Igreja:  Diz a EN: “No processo de evangelização «o anúncio, de facto, não adquire toda a sua dimensão senão quando for ouvido, acolhido, assimilado e quando ele houver feito brotar naquele que o tiver assim recebido uma adesão de coração... Uma tal adesão que não pode permanecer abstrata e desencarnada, manifesta-se concretamente por uma entrada visível numa comunidade de fiéis” (cf. EN 23). Por isso, sem a adesão à Igreja não temos ainda cristão amadurecido.

  1. Formulação da visão e sua explicação

Na Missão exprimimos aquilo que somos, o porque existimos. Na Visão, exprimimos, a partir daquilo que somos, aquilo que queremos ser, e que resultados concretos será possível alcançar nos próximos anos: esses serão prioritários, poucos, práticos, possíveis, partilhados e progressivos. A Visão é unificadora e ajuda-nos a recentrar-nos continuamente no nosso trabalho e quando todos a percebemos e a interiorizamos, pode tornar-se numa grande força motivadora e agregadora de energias. Por isso é que é tão importante que padres e leigos estejamos unidos na mesma Visão, voltados para mesma meta, animados no mesmo sonho e na mesma paixão.

               Assumimos como a nossa grande visão para os próximos anos: «Alicerçados em Cristo, formamos comunidades de discípulos para o anúncio do Evangelho».

              Esta formulação, apesar de sintética, contém todo o processo evangelizador com as suas etapas sucessivas que começa no 1º anúncio e vai até à maturidade da fé.

 

4. A nova Evangelização supõe e exige uma conversão pastoral que passa pelo nosso coração mas também pelos nossos métodos e pelas estruturas eclesiais             

 

              O nosso tempo está em profunda e rápida mudança social, demográfica, cultural, económica, religiosa. Estas mudanças têm especial acuidade na nossa diocese, muito diferenciada, ela própria, entre litoral e interior, urbano e rural, despovoamento e densidade urbana, e onde diferentes estádios socioculturais se justapõem mais ou menos indiferentes entre si, desde o saber universitário de referência ou a falta da mais elementar formação básica em alguns setores sociais. A vida religiosa está igualmente marcada por mudanças significativas, onde releva a falta de clero para manter o tipo de pastoral a que estávamos habituados, a redução do número de praticantes, a desertificação humana de algumas comunidades, a mudança das próprias necessidades religiosas sentidas pelas pessoas. O nosso Plano Pastoral não pode deixar também de ter em conta todas estas realidades, porque é a elas e à sua história que estamos real e intimamente ligados (cfr. GS 1) e é nelas que somos chamados a ser sal e luz.

              Por isso, além da vertente do anúncio e da formação sólida dos que formam a comunidade de discípulos, o Plano Pastoral pretende atender também à edificação da comunhão, e à renovação das estruturas eclesiais; e dará prioridade, no diálogo com o mundo, àquilo que é património comum de cultura e valores com esse mesmo mundo.

              Na nossa Diocese em concreto, e prosseguindo a caminhada que fizemos neste Ano da Fé, a estrutura dos Arciprestados e Unidades Pastorais aparecem como os espaços privilegiados para experimentar a corresponsabilidade, a comunhão eclesial e o dinamismo missionário. A exigência da qualidade da comunidade eclesial nestas dimensões implica necessariamente a exigência da qualidade das estruturas que lhe dão visibilidade e sociabilidade. Sendo uma exigência de qualidade e também teológica, porque a Igreja tem uma estrutura social visível, sinal da sua unidade em Cristo, que é afetada com a evolução da vida social (cfr. GS 44 §3), e «os leigos devem tomar parte ativa em toda a vida da Igreja» (GS 43). Por isso, a Igreja diocesana procurará uma conversão, também nas suas estruturas, para responder com mais exigência à sua missão de «anunciar e instaurar o Reino de Cristo e de Deus em todos os povos» (LG 5).  Como diz o Papa Francisco, «a identidade cristã não é um documento, mas identidade é pertencer à Igreja». Conhecemos as nossas fragilidades e o nosso pecado, mas estamos confiantes, pois sabemos que «caminhando no meio de tentações e tribulações, a Igreja é confortada pela força da graça de Deus que lhe foi prometida pelo Senhor para que não se afaste da perfeita fidelidade por causa da fraqueza da carne, mas permaneça digna esposa do Senhor, e, sob a ação do Espírito Santo, não cesse de se renovar até que, pela cruz, chegue à luz que não tem ocaso» (LG 9). De entre estas fragilidades, precisamos de estar particularmente atentos à constante tentação da auto-referencialidade. Queremos assumir uma atitude missionária e evangelizadora «não de maneira decorativa, como que aplicando um verniz superficial, mas de maneira vital, em profundidade e isto até às suas raízes - a cultura e as culturas do homem, no sentido pleno e amplo que estes termos têm na Gaudium  et Spes, a partir da pessoa e fazendo continuamente apelo para as relações das pessoas entre si e com Deus» (EN 20); e queremos a renovação das estruturas, não pelas estruturas em si, mas pela comunhão e pela missão, no aprofundamento da corresponsabilidade que há de servir à maior transparência para todos do modo como vivemos comunitariamente a conversão permanente aos valores do Reino de Deus.

5. Enumeração dos 4 grandes objectivos do plano

              O Plano Pastoral da Diocese de Coimbra para os próximos três anos sintetiza assim, estas forças, preocupações e orientações em quatro objetivos:

1º - Proporcionar o encontro pessoal com Cristo através do primeiro anúncio

2º - Criar o dinamismo de discipulado missionário nos membros da comunidade cristã

3º - Criar nos cristãos o “sentido de pertença” eclesial

4º - Fomentar a corresponsabilidade pastoral nas Unidades Pastorais.

 

6. O testemunho de vida e a caridade permanecem como valores subjacentes permanentes e transversais

Em todo o caso, não haverá crescimento nem da comunidade nem do anúncio sem testemunho de vida e sem caridade. Esses são, por isso, dois valores subjacentes, permanentes e transversais a todas as realizações e iniciativas, como garantia da sua consistência interna, da sua credibilidade externa e da sua eficácia. De facto, como ensina a Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi (EN) e João Paulo II recorda insistentemente na Exortação Apostólica Redemptoris Missio (RM), «o homem contemporâneo acredita mais nas testemunhas do que nos mestres, mais na experiência do que na doutrina, mais na vida e nos factos do que nas teorias. O testemunho da vida cristã é a primeira e insubstituível forma de missão”. (cfr. RM 42-43). E o testemunho evangélico, a que o mundo é mais sensível, é o da atenção às pessoas e o da caridade a favor dos pobres, dos mais pequenos, dos que sofrem. A gratuidade deste relacionamento e destas ações, em profundo contraste com o egoísmo presente no homem, faz nascer questões precisas, que orientam para Deus e para o Evangelho. Também o compromisso com a paz, a justiça, os direitos do homem, a promoção humana, é um testemunho do Evangelho, caso seja um sinal de atenção às pessoas e esteja ordenado ao desenvolvimento integral do homem ( Cf. Paulo VI, Carta Enc. Populorum Progressio).

 

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