Mensagem da Páscoa de 2020 de Dom Virgílio Antunes

MENSAGEM DA PÁSCOA
2020.03.31

Caríssimos irmãos e irmãs!

Venho ao vosso encontro para dar uma palavra de alento e de esperança no meio das apreensões, dos medos e do sofrimento de tantos ou de todos os que se sentem vacilar no meio da situação de pandemia que nos atingiu.

Enquanto pobre pastor unido a Jesus Cristo, o nosso Bom Pastor, procuro sentir diariamente o que vai no coração de todos e de cada um. No coração de Jesus cabem todos os dramas do mundo e gostaria que no nosso, houvesse lugar para tudo o que a nossa pequenez possa abarcar.

Somos pessoas, membros da mesma comunidade humana, e chegou a nós o tempo desfavorável da dor, que pode e deve ser também o tempo favorável da solidariedade e da caridade. A esta globalização do medo, do sofrimento e da morte tem de corresponder ainda com mais vigor a globalização da amizade e da consolação; este é o tempo de sermos próximos, apesar da distância física que nos separa; este é o tempo favorável da comunhão espiritual, que é bem real e autêntica, mesmo que nem sempre a valorizemos adequadamente.

Convido-vos a professar a certeza da nossa fé que nos diz: depois da quaresma, vem sempre a páscoa; depois da cruz, chega sempre a ressurreição; depois de um inverno duro e frio, chega sempre o calor da primavera.

Nesta mensagem pascal, ainda tingida pelas cores carregadas da quaresma, olhemos para o alto do calvário, que anuncia já o branco esplendor da glória de Cristo sobre a morte, garantia da nossa própria ressurreição.

Nas últimas semanas e no meio da grandíssima tragédia que se abateu sobre a humanidade, têm surgido muitos raios de luz, que dão um suave alento a todos, mas particularmente aos que estão diretamente no meio da tempestade.

Em nome da Igreja de Deus que está na Diocese de Coimbra, agradeço a todos os que animados pela sua humanidade, pela caridade e pelo sentido do dever, estão na linha da frente, como são os profissionais de saúde, os membros das associações humanitárias, os colaboradores das Instituições Particulares de Solidariedade Social, os profissionais de diversos ramos, as autoridades nacionais e autárquicas, os voluntários. Nesta hora, sentimos que há corações e almas muito grandes, compreendemos que dentro de cada um há a força da bondade e do amor, que se revela dia após dia.

Em nome da Igreja de Coimbra, agradeço às famílias, que todos os dias têm de reinventar o seu modo de estar, as suas relações, as formas de ocupar bem o tempo, os gestos para manifestar que estão unidas, mesmo que porventura no isolamento social necessário. Esperamos que todas saiam mais fortalecidas na união e no amor, pois só dessa forma a crise pode ser vencida.

Aos mais pobres, aos doentes e aos idosos ofereço a garantia da oração, que move montanhas, e peço-lhes que não desistam por dentro, porque essa é a força para que não desistam por fora. Às crianças e aos jovens, que vêm a sua vida totalmente transtornada pelas mudanças súbitas, peço que, movidos pela força do seu natural otimismo e pelo seu olhar aberto ao futuro, contagiem com a sua alegria os mais velhos.

Enquanto cristãos estamos privados do acesso a realidades que são tão marcantes para nós, como é a celebração da Missa, a comunhão eucarística, a reunião da assembleia santa e, em alguns casos, até a possibilidade de celebrar na forma habitual as exéquias cristãs. Oferecemos a Deus esse sacrifício em favor dos nossos irmãos e procuramos manter viva a comunhão com Deus e com a Sua Igreja por meio da oração pessoal e familiar, por meio das práticas da piedade e acompanhando, mesmo que seja à distância física, as muitas ofertas que a criatividade dos sacerdotes e das comunidades diariamente nos trazem.

Desejo a toda a comunidade diocesana que o cuidado que temos com a saúde do corpo, que é um dever que temos, seja também acompanhado com o cuidado que temos com a saúde espiritual.

Na esperança de que muito em breve sejamos aliviados desta pandemia, invoco a proteção da Virgem Maria, a cuja proteção nos acolhemos.

Invoco, de todo o coração e de forma bem sentida, para todos, a bênção e a misericórdia de Deus.

Virgílio Antunes, vosso bispo.