Seminário Maior de Coimbra - Celebração dos 250 anos - Palavra do Reitor

Seminário Maior de Coimbra - Celebração dos 250 anos

Caríssimo Senhor D. Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra, Caríssimos Antigos Reitores deste Seminário, Caríssimo P. António Augusto, Reitor do Seminário Maior do Porto, caríssimos irmãos e amigos padres da diocese de Coimbra, mas também das dioceses de Aveiro, Beja, Cabo Verde, Leiria-Fátima, Portalegre-Castelo Branco que aqui estudaram e fizeram a sua formação sacerdotal, caríssimos antigos alunos deste Seminário que aqui discerniram os caminhos de Deus, caríssimas irmãs do Amor de Deus que durante 77 anos serviram esta casa, caríssimos antigos e atuais funcionários que dedicaram e dedicam parte das suas vidas ao serviço desta instituição, caríssimos seminaristas da nossa diocese de Coimbra e das dioceses do Porto e de Vila Real, caríssimos pais e familiares, caríssimos membros das equipas do Projeto Vocacional Sacerdotal e da Pastoral das Vocações, caríssimos irmãos e irmãs em Cristo, membros da nossa diocese de Coimbra.

Hoje é um dia feliz. É um dia feliz para mim, enquanto Reitor e antigo aluno deste Seminário, mas também para todos os que têm por esta casa e pelo que ela significa um carinho profundo. Celebramos hoje 250 anos da inauguração do Seminário Episcopal de Jesus, Maria e José. A 28 de outubro de 1765, depois de 17 anos difíceis de avanços e recuos, era finalmente inaugurado o primeiro e único Seminário construído na diocese de Coimbra, por iniciativa do Bispo D. Miguel da Anunciação. Seminário este que, tendo aberto as suas portas ainda antes da sua conclusão, em 1758, funcionou durante mais de 250 anos de forma ininterrupta, mesmo no meio das várias intempéries da história de Portugal.

Celebrar esta data é um grande convite à gratidão. Em primeiro lugar, a Deus que sempre conduz a nossa história, entre as luzes e sombras do caminho e que sempre tocou e continua a tocar o coração de muitos jovens, desafiando-os a entregarem a sua vida por amor ao serviço dos seus irmãos, como padres. É um convite à gratidão a tantos homens e a tantas mulheres que nos precederam, que foram capazes de olhar o seu tempo e as suas circunstâncias e que, acolhendo os desafios da sua época, lhes responderam com fidelidade e ousadia. É uma dívida de gratidão ao povo da diocese de Coimbra, aos seus padres e aos seus bispos que empreenderam juntos uma obra que, a vários níveis, permanece como um símbolo da fé e da cultura na nossa cidade de Coimbra.

É também o convite a olhar com gratidão para tantos homens notáveis, que foram fazendo a história desta casa, com as suas vidas e a sua dedicação: bispos, reitores, professores, colaboradores e alunos.

Permitam-me que destaque alguns desses nomes: D. Miguel da Anunciação, o Bispo Fundador, que contra tantas resistências lançou as mãos ao arado e iniciou uma obra que tardava dois séculos, desde que o Concílio de Trento determinara a construção dos seminários para a formação sacerdotal; D. Manuel Correia de Bastos Pina, o Bispo Re-fundador que, no momento de um aumento das vocações sacerdotais, promoveu uma grande reforma do edificio central, mandou construir a Casa Nova e a Novíssima e requalificou a totalidade da quinta, dando-lhe a configuração exterior que atualmente exibe; ou ainda, o Bispo que esta noite também homenageamos, D. Manuel Luís Coelho da Silva, que, durante a primeira república levou a cabo com D. António Antunes, seu Bispo auxiliar, um dos trabalhos mais consistentes ao nível da promoção das vocações sacerdotais na nossa diocese, obrigando ao desdobramento do Seminário de Coimbra, primeiro para a Figueira da Foz e mais tarde também para Buarcos.

A estes bispos juntam-se outros homens que em diferentes áreas foram promovendo o diálogo entre a fé, a ciência, a arte, a literatura e a cultura em geral. Homens que fazem olhar com orgulho a história centenária desta casa.

Esta festa é também um convite à gratidão, pela formação espititual, inteletual e humana de tantos rapazes vindos dos quatro cantos da diocese e mais tarde de fora dela e que, mesmo não tendo sido ordenados presbíteros, aqui encontraram uma oportunidade que de outra de forma teria sido mais dificil. Quantos homens aqui se formaram e que, especialmente ao longo do século XX, foram assumindo os mais variados lugares de relevo na nossa sociedade; quantos deles também foram motores de progresso nas suas comunidade locais, por vezes em lugares remotos e isolados das nossas serras. Muitos deles aqui estão esta noite; muitos outros não estar podendo aqui hoje, manifestaram a alegria por este acontecimento e a gratidão por tudo o que o Seminário fez por eles. Apesar de nem tudo ter sido perfeito, porque feito por homens frágeis e limitados, bendito seja Deus.

É um convite à gratidão também a tantos beneméritos, muitos dos quais estão representados neste Salão, mas também tantos homens e mulheres humildes, que não figurando nas paredes desta sala, estão inscritos no livro da vida pela sua generosidade, partilha e amor. Homens e mulheres que sempre amaram, e muitos continuam a amar, e a ter como causa primeira, o cuidado com a formação dos seus pastores. Aos que já partiram que Deus os receba na Sua Paz, aos que ainda vivem entre nós, o nosso muito obrigado.

Contudo, a celebração desta efeméride, não pode ser só a evocação do passado glorioso, de nomes notáveis, nem a exaltação de um património edificado que nos foi legado, antes temos que colher dela os desafios que nos ajudam a viver o nosso tempo e a construir o futuro, particularmente, ao nível da nossa Igreja de Coimbra.

Um seminário é sempre um espaço que é maior do que os edifícios que lhe servem de suporte físico: é uma comunidade formativa que procura discernir os caminhos de Deus à luz da fé e lhes procura responder com alegria e entusiasmo, entregando a sua vida ao serviço de Deus e dos irmãos. Uma comunidade de homens livres que olhando para Cristo, o Bom Pastor, procuram deixar moldar os seus corações na humildade e na simplicidade, na probreza e no desprendimento, na alegria e no amor. Por isso, o seminário não são as pedras, mas as pessoas que nele se acolhem como consequência do «vem e segue-me!» pronunciado pelo Senhor Jesus que passa nas suas vidas.

Ao celebrar 250 anos, em primeiro lugar, somos chamados a olhar para a nossa comunidade formativa, actualmente no Seminário Maior do Porto, e a sentirmo-nos comprometidos e responsáveis por essa mesma comunidade e pelos seus membros, através da oração e da partilha. Confiar ao Senhor da Messe cada um dos jovens que nela procura discernir os caminhos de Deus e lhes procura responder com fidelidade e alegria, pedindo para eles o dom da perseverança e da santidade; confiar ao Senhor também os seus formadores, para que pelo exemplo de vida, suscitem o desejo de entregar a vida ao Serviço do Evangelho e da edificação do Reino.

Em segundo lugar, celebrar 250 anos é sentirmo-nos desafiados a trabalhar com afinco e entusiasmo na promoção das vocações sacerdotais na nossa Igreja Diocesana, com a firme convição de que o Senhor Jesus Cristo continua a passar nas nossas vidas e nas vidas de muitos jovens, lançando-lhes o convite a que as suas vidas sejam significativas e gerem vida e vida em abundância. Essa é uma missão da qual todos nós somos responsáveis e ninguém pode nem deve ser excluído: Bispo, padres, consagrados, todo o Povo de Deus. É um trabalho exigente, muitas vezes desanimador, porque nem sempre vemos os frutos desejados e porque o tempo de Deus é sempre diferente do nosso tempo. Um trabalho que exige de nós a capacidade de fazer caminho com a pessoa do irmão, respeitando o seu ritmo, e criando condições para que a voz de Deus, possa ser escutado no íntimo do coração. Um trabalho que exige de nós a ousadia de propor o caminho de Jesus e o evangelho da vocação, como caminho gerador de vida e de alegria, como caminho de uma felicidade profunda que nasce nos corações que sabem amar e acolher. Apesar das dificuldades é um trabalho também feliz, quando vemos o crescimento humano e espiritual de tantos rapazes que se vão abrindo a Deus e ao seu projeto.

Por último, estas comemorações também nos convidam a reconhecer, a valorizar e a colocar ao serviço da Igreja e da comunidade civil o vasto e imponente património que nos foi deixado e que constitui uma riqueza da qual somos depositários e que neste momento está tem vias de classificação como património nacional. Esta casa, exemplar único em Coimbra da arquitetura e da arte barroca italiana, repleta de histórias e de estórias de vidas que por aqui passaram, nascida para formar pastores, teve e continua a ter também um importante papel no diálogo entre a fé e a cultura.

Para responder a estes três desafios, temos um vasto programa para a vivência deste ano de celebração: todas as quinta-feiras, à noite, na Igreja do Seminário teremos vigílias de oração vocacional, organizadas por diferentes grupos pastorais, secretariado, movimentos e comunidades paroquiais, começando já amanhã dia 29, organizada pela pastoral juvenil; teremos uma exposição vocacional destinada a jovens, a ser inaugurada na semana das vocações; uma semana vocacional para rapazes a realizar em julho e que pretende convidar jovens rapazes a conhecer a vida de uma comunidade formativa; um concerto vocacional, organizado pela pastoral das vocações;

Teremos também concertos de música, nomeadamente os concertos solidários que serão promovidos mensalmente pela Orquestra de Sopros de Coimbra, aqui no Salão de S. Tomás, ou aqueles que o próprio seminário irá promover, nomeadamente o Concerto de Natal a 20 de dezembro, que juntará a estas comemorações, os 25 anos da Escola Diocesana de Música Sacra, e o 10.º aniversário do restauro do Órgão de Tubos da Igreja do Seminário, do qual publicará um pequeno livro comemorativo.

Também queremos ao longo deste ano, apresentar o projeto das obras de requalificação do Conjunto edificado do Seminário Maior de Coimbra. Nos últimos meses foi já discutido, apresentado e aprovado pelo Conselho Presbiteral o programa de intervenção no Seminário, estando a comissão constituída pelo Senhor Bispo a trabalhar na escolha do arquiteto que será responsável pelo projeto. Muito gostaríamos que daqui a um ano, na conclusão destas festividades, pudéssemos estar a lançar a obra do Centro Pastoral Diocesano, que há tantos anos é uma necessidade entre nós.

Este ano celebrativo, quer acima de tudo ter um horizonte de futuro. Olhar para o que foi feito com gratidão, mas acima de tudo continuar a olhar para a missão que o Senhor Jesus nos confia de sermos construtores do Reino, reescrevendo a história sempre com o olhar da fé. Celebrar 250 anos deve ser para todos nós, Povo da diocese de Coimbra e todos aqueles que estão ligados afetivamente a esta casa, um motivo de alegria, de ação de graças e de entusiasmo, pois, mesmo nas contingências da história, o Senhor caminha sempre connosco, é a nossa força, o nosso alento; Ele continua desafiar-nos à criatividade e à busca de caminhos que sejam resposta de fidelidade à Verdade de sempre do Evangelho.

Confiemos à Sagrada Família, Padroeira deste Seminário e especialmente à proteção maternal da Santa Mãe de Deus, este ano, para que possa ser verdadeiramente um ano de graça.

Caros irmãos e amigos, a todos os que fazem parte desta história, muito obrigado pela vossa presença.