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Dia da Europa e a Igualdade de Oportunidades  \"A paz mundial não poderá ser salvaguardada sem esforços criativosque estejam à altura dos perigos que a ameaçam.\"Declaração Schuman, 9 de maio de 1950. Assinalou-se no passado dia 09 de maio, o Dia da Europa, evocando a “Declaração Schuman”, proferida a 9 de maio de 1950, que expôs a visão de Robert Schuman sobre a forma de cooperação política na Europa. Esta declaração constituiu o primeiro passo para a construção de uma Europa unida assente na paz, na prosperidade e no bem-estar dos povos europeus, que tornaria impensável uma guerra entre os países europeu. Celebrar o Dia da Europa é valorizar a importância de um projeto político único de valorização da paz, da solidariedade, da democracia e dos direitos humanos. É também um momento para refletirmos sobre o passado, o presente e o futuro deste projeto, que desde a sua fundação, em 9 de maio de 1950, tem sido um símbolo de esperança e cooperação. Os acontecimentos recentes ao nível mundial e, em particular, junto das fronteiras da União Europeia (UE) demonstraram que a manutenção da paz deve estar sempre no topo das prioridades e que todos e todas temos a responsabilidade de dar o nosso contributo defendendo e promovendo os valores universais sobre os quais assenta a União Europeia. Este ano, o Dia da Europa, assinala-se nas vésperas das eleições europeias que nos devem convocar a todas e todos para a construção de uma Europa dos Direitos e das Liberdades que enfrente os populismos que ameaçam a Democracia e os Direitos Fundamentais conquistados. Por esta ocasião as PES-Women  (Party of European Socialists) desafiaram todos/as candidatas a eurodeputadas/os a assinarem a Carta dos Direitos das Mulheres na Europa, onde se reafirma a importância dos Direitos das Mulheres e da Igualdade de Género como partes indispensáveis e indivisíveis dos direitos humanos, a base do Estado de Direito e das democracias resilientes, um valor fundamental da União Europeia e um direito consagrado na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, dos seus Tratados, bem como um princípio fundamental do Pilar Europeu da Direitos Sociais. O novo parlamento europeu que sair das próximas eleições do dia 9 de junho, tudo deve fazer para assegurar e valorizar a centralidade da Igualdade no  projeto europeu dos Direitos e das  Liberdades, assegurando: a igualdade de acesso de todos à educação e a eliminação dos estereótipos de género no processo educativo; a independência económica das mulheres e a sua plena participação no mercado de trabalho; a representação igualitária dos géneros na tomada de decisões políticas e económicas a todos os níveis; a eliminação da violência e do assédio com base no género, apoiando ao mesmo tempo as vítimas, incluindo no acesso à justiça; o reconhecimento da saúde e dos direitos sexuais e reprodutivos (SDSR); implementação da integração da perspetiva de género e da orçamentação com base na perspetiva de género, bem como a aplicação de avaliações de impacto no género. A União Europeia assenta no princípio da democracia representativa. A participação dos cidadãos e das cidadãs é uma componente fundamental da democracia europeia, pelo que só com participação dos cidadãos e das cidadãs as políticas europeias conseguem ser legitimadas, participe nas eleições para o Parlamento Europeu (2024-2029), que em Portugal decorrerão no dia 9 de junho. A Europa é um projeto em construção que não pode deixar ninguém para trás, e centralidade da Igualdade e da Não Discriminação necessita do empenho de todas/os nós para a construção desta Casa Comum que é a União Europeia.    
Construir a esperança no futuro Vivemos tempos de incerteza nunca experimentados no mundo moderno. Pandemia, guerras, eleições, inflação, emprego, transição digital e energética. Uma realidade de contornos indefinidos e de enorme incerteza, que nos confronta com os nossos limites e com as nossas fragilidades. É nesta realidade que as empresas e as organizações se estão a redefinir e a procurar continuar a sua ação. São milhares de líderes e equipas que procuram minimizar o impacto brutal destes fenómenos nunca antes imaginados. Tempos difíceis que pedem decisões difíceis, muitas vezes tomadas sem todos os dados necessários e no silêncio da consciência de cada um. Nesse sentido, a ACEGE reforça junto dos seus associados que tenham a ousadia de enfrentar todas as situações, mesmo as mais difíceis, com coragem, responsabilidade e esperança, assumindo critérios de racionalidade, de solidariedade e de procura do Bem Comum para as suas empresas, mas também, para todos os que se relacionam com elas. Os líderes empresariais, com os talentos que Deus lhes deu, estão na linha da frente do combate à crise económica e social, são por definição construtores de esperança, capazes de inovar, resistir, sofrer e ser ousados na criação de valor, na construção do nosso futuro. Com as recentes eleições e com um novo Governo eleito em Portugal, este é o momento de superação, de não nos deixarmos isolar nos nossos problemas, mas apostarmos na cooperação entre todos – governo, organizações e pessoas. Este é o momento “de reforçar ainda mais as redes, olhando para os outros e para nós mesmos, aplicando os critérios do amor e da verdade que nos transformam e transformam o mundo. Este é o momento de todos tentarmos, até ao limite da razoabilidade económica, encontrar formas de cooperação e estratégias criativas para manter o emprego com empresas saudáveis e construindo um Portugal melhor. É por isso importante, nesta fase, ter uma ação discernida, serena, e assumindo critérios claros e seguros. Estes tempos pedem-nos rigor, competência, energia, exigência. Mas também paciência, generosidade e confiança. É isso que nos é pedido, é isso que teremos de procurar dar. Nesse sentido a ACEGE coloca alguns critérios orientadores para as decisões:       Refletir sobre todas as decisões, pedindo o discernimento para procurar sempre o Bem Comum;       Cumprir todos os planos e procedimentos ao alcance da sua empresa que promovam a coesão social, assumindo uma postura de responsabilidade social;       Manter uma comunicação aberta, franca e transparente com os colaboradores, partilhando dificuldades e desafios, respeitando os seus direitos legais;       Cumprimento rigoroso das obrigações perante os fornecedores de bens e serviços, nomeadamente o pagamento no prazo aos fornecedores, de modo a não provocar constrangimentos de liquidez;       Fortalecer o conhecimento da realidade social e familiar dos colaboradores, para reforçar gestos e sistemas internos de solidariedade. A proteção da Família deve também estar no centro das preocupações;       Não deixar de acreditar, procurar a reinvenção dos seus negócios, inovar nas estratégias e estar aberto a novas oportunidades e âmbitos de cooperação e entreajuda empresarial que possam criar desenvolvimento económico. Nessa mesma linha, a ACEGE tem um conjunto de propostas, com apresentação de testemunhos pessoais, como o que vai acontecer na próximo dia 8 no Seminário Maior de Coimbra, em que teremos a honra de receber e ouvir o que o Dr, António Pinto Leite tem para nos dizer, nomeadamente, com a apresentação do seu mais recente livro “Não há vidas grátis” e ainda no próximo dia 23 de maio, teremos uma ação sobre certificação de Empresas familiarmente responsáveis (EFR) em parceria com o Clube de Empresários e Coimbra e onde teremos a oportunidade de conhecer, o que de melhor se pode fazer por este tema central, hoje, nas preocupações de todos as organizações, seja no recrutamento, seja na retenção de talentos. Estes são dois bons exemplos do espaço de partilha e desafios que a ACEGE promove no sentido de formar melhores líderes e melhores empresas. Que cada um possa aceitar este desafio de colocar a sua capacidade empreendedora, os seus talentos de liderança, os seus recursos e o seu poder ao serviço das suas organizações, reafirmando sempre a esperança na Vida e ousando com humildade ser construtor do futuro, sabendo que Deus senhor da Vida, nos dará a força, o saber e a coragem necessária para o desafio que temos pela frente: Construir a esperança no futuro. Paulo Barradas RebeloPresidente do Núcleo da ACEGE de Coimbra eMembro da Comissão Diocesana Justiça e Paz
POPULISMO(S?) Passadas as eleições e já com um novo governo, não é algo estranho regressar a uma leitura da Fratelli Tutti e acolher a palavra do Papa Francisco, sempre apostada num serviço ao bem de todos os povos. O capítulo V dessa notável carta sobre a fraternidade humana aborda exatamente a «Política», mais exatamente: «A Politica Melhor». É uma abordagem positiva e um convite a trabalhar pelo bem comum, superando visões estreitas e mecanismos populistas. «O desprezo pelos vulneráveis pode esconder-se em populismos que, demagogicamente, se servem deles para os seus fins, ou em formas liberais ao serviço dos interesses económicos dos poderosos». Está lançado o mote para uma prática política que tenha como horizontes os mais frágeis e respeite as diferentes culturas. A política como nobre arte de serviço e de organização da vida coletiva para que todos tenham vez e voz e sejam sujeitos da sua proporia vida. Por isso é interminável o desafio… Talvez seja bom recordar ao discurso do Papa Francisco no Palácio Presidencial em Atenas, em 4 de dezembro de 2021: «… não se pode deixar de constatar, com preocupação, que hoje – e não só no continente europeu – se verifica um retrocesso da democracia. Esta exige a participação e o envolvimento de todos e, consequentemente, requer fadiga e paciência. É complexa, ao passo que o autoritarismo é despachado, e as garantias fáceis propostas pelos populismos aparecem tentadoras. Em várias sociedades, preocupadas com a segurança e anestesiadas pelo consumismo, o cansaço e o descontentamento levam a uma espécie de «ceticismo democrático». Mas a participação de todos é uma exigência fundamental; e não só para alcançar objetivos comuns, mas porque responde àquilo que somos: seres sociais, irrepetíveis e ao mesmo tempo interdependentes». Este grito de alerta já apresentado na Fratteli Tutti sob o nome de «populismo insano quando se transforma na habilidade de alguém atrair consensos a fim de instrumentalizar politicamente a cultura do povo, sob qualquer sinal ideológico, ao serviço do seu projeto pessoal e da sua permanência no poder» O teólogo Juan José Tamayo vai mais longe e anota, com preocupação, as derivas para o fascismo político em discursos nacionalistas excludentes, xenófobos, racistas e negacionistas em relação às alterações climáticas. Mas vai ainda mais longe ao citar, no seu livro «La compasión en un mundo injusto» a teóloga evangélica alemã Dorothe Sölle que «qualificou de ‘cristofascismo’ a legitimação e o apoio da ideologia totalitária do nazismo por parte de setores cristãos tanto da Igreja católica como da protestante». E eu, escreve Tamayo, «criei o termo ‘cristoneofascismo’ para qualificar a atual aliança entre as organizações políticas e sociais da extrema-direita, apoiada pelo ultra liberalismo e pelos movimentos cristãos integristas, que contam com o apoio de dirigentes eclesiásticos críticos em relação ao Papa Francisco. É a nova religião». A vertiginosa corrida aos armamentos, as situações de conflito, o aumento da violência, a pobreza, etc., são o campo de cultura propício ao aparecimento de novos messias, apresentados como salvadores da vida e das nações. A serenidade da voz profética do Papa Francisco, clamando pela lógica da não-violência e do diálogo, contrasta com os discursos da dissuasão e do confronto ouvidos dos responsáveis políticos. Em Tempo de Páscoa, e diante da morte e ressurreição de Jesus, quero acreditar que esse estreito caminho da não-violência possa ainda abrir-se por entre a espiral de violência a que estamos a assistir. Idalino Simões
Carta do Santo Padre aos Párocos   Queridos irmãos párocos! O Encontro Internacional «Os Párocos em prol do Sínodo» e o diálogo com quantos nele tomam parte dão-me ocasião para recordar, na minha oração, todos os párocos do mundo a quem dirijo, com grande afeto, estas palavras. De tão óbvio que é, quase parece banal afirmá-lo, mas isso não o torna menos verdadeiro: a Igreja não poderia caminhar sem o vosso empenho e serviço. Por isso quero começar por vos exprimir gratidão e estima pelo trabalho generoso que diariamente realizais, semeando o Evangelho nos vários tipos de terreno (cf. Mc 4, 1-25). Como se pode verificar nestes dias de partilha, as paróquias, onde realizais o vosso ministério, encontram-se em contextos muito diversos: desde paróquias situadas nas periferias das grandes cidades – conheci-as por experiência direta em Buenos Aires – até paróquias vastas como províncias nas regiões menos densamente povoadas; desde as localizadas nos centros urbanos de muitos países europeus, onde antigas basílicas acolhem comunidades cada vez mais pequenas e envelhecidas, até àquelas onde se celebra debaixo duma grande árvore, misturando-se o canto dos pássaros com as vozes de tantas crianças. Os párocos conhecem tudo isto muito bem… Conhecem de perto a vida do povo de Deus, as suas fadigas e alegrias, as suas carências e riquezas. É por isso que uma Igreja sinodal tem necessidade dos seus párocos: sem eles, nunca poderemos aprender a caminhar juntos, nunca poderemos embocar aquele caminho da sinodalidade que «é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milénio».[1] Jamais nos tornaremos uma Igreja sinodal missionária, se as comunidades paroquiais não fizerem, da participação de todos os batizados na única missão de anunciar o Evangelho, o traço caraterístico da sua vida. Se as paróquias não forem sinodais e missionárias, também a Igreja não o será. A este respeito, é muito claro o Relatório de Síntese da Primeira Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos: as paróquias, a partir das suas estruturas e da organização da sua vida, são chamadas a conceber-se «principalmente ao serviço da missão que os fiéis levam por diante no interior da sociedade, na vida familiar e laboral, sem se concentrar exclusivamente nas atividades que se desenrolam no seu interior e nas suas necessidades organizativas» (8, l). Por isso, é preciso que as comunidades paroquiais se tornem cada vez mais lugares donde partem como discípulos missionários os batizados e aonde regressam, cheios de alegria, para partilhar as maravilhas operadas pelo Senhor através do seu testemunho (cf. Lc 10, 17). Como pastores, somos chamados a acompanhar neste percurso as comunidades que servimos e, com a oração, o discernimento e o zelo apostólico, empenhar-nos por que o nosso ministério seja adequado às exigências duma Igreja sinodal missionária. Este desafio diz respeito ao Papa, aos Bispos, à Cúria Romana e naturalmente também a vós, párocos. O Senhor que nos chamou e consagrou convida-nos, hoje, a pôr-nos à escuta da voz do seu Espírito e a mover-nos na direção que Ele nos indica. Duma coisa, podemos estar certos: não nos deixará faltar a sua graça. Ao longo do caminho, descobriremos também como libertar o nosso serviço de tudo aquilo que o torna mais cansativo e descobrir o seu núcleo mais autêntico: anunciar a Palavra e reunir a comunidade na fração do pão. Exorto-vos, pois, a acolher este chamamento do Senhor para serdes, como Párocos, construtores duma Igreja sinodal missionária, empenhando-vos com entusiasmo neste caminho. Com tal objetivo, gostaria de formular três sugestões que poderão inspirar o estilo de vida e de ação dos pastores. 1. Convido-vos a viver o vosso carisma ministerial específico cada vez mais ao serviço dos dons multiformes semeados pelo Espírito no povo de Deus. Urge, pois, perscrutar com o sentido da fé, reconhecer com alegria e promover com diligência os carismas multiformes dos leigos, tanto os mais modestos como os mais altos (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decr. Presbyterorum Ordinis, 9), que são indispensáveis para se poder evangelizar as realidades humanas. Estou convencido de que assim fareis surgir muitos tesouros escondidos e encontrar-vos-eis menos sós na grande missão de evangelizar, experimentando a alegria duma genuína paternidade que não sufoca nos outros, homens e mulheres, suas muitas potencialidades preciosas, antes fá-las sobressair. 2. De todo o coração, vos sugiro que aprendais e pratiqueis a arte do discernimento comunitário, valendo-vos para isso do método da «conversação no Espírito», que muito nos ajudou no percurso sinodal e na condução da própria Assembleia. Estou certo de que podereis colher abundantes frutos não só nas estruturas de comunhão, como o Conselho Pastoral Paroquial, mas também em muitos outros campos. Como nos recorda o já citado Relatório de Síntese, o discernimento é elemento-chave da ação pastoral duma Igreja sinodal: «É importante que a prática do discernimento seja realizada também em âmbito pastoral, de modo adequado aos contextos, para iluminar a concretude da vida eclesial. Com esta prática será possível reconhecer melhor os carismas presentes na comunidade, confiar com sabedoria tarefas e ministérios, projetar à luz do Espírito os caminhos pastorais, indo para além da simples programação de atividades» (2, 1). 3. Por fim, gostaria de vos recomendar que coloqueis na base de tudo a partilha e a fraternidade entre vós e com os vossos Bispos. Esta solicitação ressoou forte no Convénio Internacional para a Formação Permanente dos Sacerdotes sobre o tema «Reaviva o dom de Deus que está em ti» (2 Tim 1, 6), realizado no passado mês de fevereiro aqui em Roma, com a participação de mais de oitocentos bispos, sacerdotes, consagrados e leigos, homens e mulheres, comprometidos neste campo, representando oitenta países. Não podemos ser autênticos pais, se não formos, antes de tudo, filhos e irmãos. E não seremos capazes de suscitar comunhão e participação nas comunidades que nos são confiadas se, primeiro, não as vivermos entre nós. Bem sei que, na sucessão das incumbências pastorais, este compromisso poderá parecer lateral ou até uma perda de tempo, mas realmente é verdade o contrário: de facto só assim somos credíveis e a nossa ação não desperdiça o que outros já construíram. Não é só a Igreja sinodal missionária que precisa dos párocos, mas também o caminho específico do Sínodo 2021-2024 que tem por tema «Em prol duma Igreja Sinodal. Comunhão, participação, missão», em vista da Segunda Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que se vai realizar no próximo mês de outubro. Para prepará-la, precisamos de escutar a vossa voz. Por isso, convido quantos participaram no Encontro Internacional «Os Párocos em prol do Sínodo» a serem missionários de sinodalidade nomeadamente entre os seus irmãos párocos, quando regressarem a casa, animando a reflexão sobre a renovação do ministério de pároco em chave sinodal e missionária e, ao mesmo tempo, permitindo à Secretaria Geral do Sínodo recolher a vossa imprescindível contribuição para a redação do Instrumentum laboris. A escuta dos párocos era o objetivo deste Encontro Internacional, mas não pode terminar hoje: precisamos de continuar a ouvir-vos. Queridos irmãos, estou ao vosso lado neste caminho que também eu procuro percorrer. De coração vos abençoo a todos, e por minha vez preciso de sentir a vossa solidariedade e o apoio da vossa oração. Confiemo-nos à Bem-aventurada Virgem Maria Odighitria: Aquela que indica a estrada, Aquela que nos leva até ao Caminho, à Verdade e à Vida. Roma, São João de Latrão, 2 de maio de 2024. FRANCISCO _______________________ [1] Francisco, Discurso na comemoração do cinquentenário da instituição do Sínodo dos Bispos, 17/X/2015.  
Ele Vive nos nossos corações Daniela Sofia Neto Vivemos tempos sombrios, marcados pela incerteza, como uma névoa densa sobre a humanidade. Este tempo da Quaresma e da Páscoa oferece-nos uma reflexão sobre o modo como vivemos os nossos dias e aquilo a que damos importância. À semelhança de Cristo na sua Via Sacra, também os nossos caminhos são percorridos com a dor da Cruz que cada um de nós carrega. São claros os resquícios de uma crise global provocada pela pandemia COVID-19, com uma forte indeterminação quanto ao futuro e que nos abalou física e psicologicamente de modo profundo. A instabilidade política faz-se sentir, desde protestos e manifestações que consequentemente mostram o descontentamento dos povos a eleições com sentimentos agridoces que espelham tensões e polarizações em torno da preservação da democracia. Vemos todos os dias imagens de conflitos armados que ceifam tantas vidas e as notícias que lemos falam-nos de tensões geopolíticas que não sabemos o que futuramente nos trarão. As desigualdades económicas são igualmente avassaladoras, mostrando disparidades na distribuição da riqueza e ameaçando sobretudo as pessoas mais frágeis e vulneráveis. As mulheres, crianças e as minorias são também as principais vítimas de violência e de homicídios, nos seus próprios lares e portos de abrigo, até às ruas. O mundo grita “socorro”, com fenómenos climáticos que representam uma ameaça para a existência global, fazendo transbordar uma preocupação sobre a resiliência das comunidades e dos ecossistemas. Enquanto uns experienciam a ansiedade de alcançar o sucesso, outros passam por ela pela esperança de apenas (sobre)viver. Tantas pessoas vivem alienadas e desconectadas da realidade, não permitindo que se olhe para esta névoa de concomitante(s) crises(s). Vivemos mais solitários, vazios e isolados do que nunca, apesar de a tecnologia ser uma potenciadora de redes sociais (mas não é e nunca será o mesmo). Sofremos perdas, passamos por depressões e deceções. Apercebemo-nos das nossas próprias limitações e fraquezas. E tanto mais que há para dizer sobre uma verdadeira crise de Direitos Humanos, que urge combater com Justiça e Paz. Afinal, “somos pó e ao pó voltaremos”. Esta mensagem, que ecoa na Quarta-Feira de Cinzas e que marca o início da Quaresma é um lembrete poderoso da efemeridade da vida e convida-nos a refletir sobre o que realmente importa: gratidão, amor e generosidade. Devemos olhar para este caminho que Jesus percorre com uma Cruz pesada com esperança e redenção. Ele não esquece os oprimidos e os vulneráveis. Ensina-nos a viver despojados dos nossos bens e a olhar para o nosso interior, mostra-nos como seria belo sabermos perdoar e o valor da reconciliação, mesmo diante de adversidades. A Via Sacra de Jesus deve ser como uma chamada a viver os Seus ensinamentos com coragem, compaixão e solidariedade na construção de um mundo mais harmonioso, justo, compassivo e empático. Ele Morre, por amor e Ressuscita. Também nós temos estes momentos nas nossas vidas. A nossa Ressurreição é quando nos erguemos das cinzas perante dificuldades e encontramos forças para seguir em frente. Quando cometemos erros e temos a coragem para os reparar e com eles aprender. Esta é a verdadeira Páscoa e a mensagem que nos transmite: Ele está vivo, Ele Vive em cada um de nós, Ele Vive nos nossos corações. Que possamos sempre renascer e abraçar o mundo com empatia e amor. Que sejamos pedras vivas na construção de um Mundo melhor. Que tenhamos a coragem de seguir o Seu exemplo ao amar o próximo como ele amou e que não percamos a força e a inspiração em cada passo deste caminho. No fim de contas, Ele Ressuscitou e deixou-nos a sua mensagem de Amor.