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MENSAGEM DO BISPO DE COIMBRA PARA A QUARESMA DE 2026 A Quaresma evoca os quarenta dias de Israel no deserto, um caminho de conversão ao Deus vivo e de encontro com a liberdade; e evoca o percurso interior de Jesus que, no deserto, se deixa conduzir pelo Espírito para fazer em tudo a vontade do Pai. A Quaresma é um tempo oferecido ao Povo de Deus para se fortalecer na sua caminhada espiritual em direção à celebração da Páscoa anual e a caminho da Páscoa eterna. Esta Quaresma propõe-nos uma entrada em profundidade na espiritualidade cristã que “consiste em levarmos o Espírito de Cristo a toda a nossa vida, ou seja, em tornarmos realidade em nós o mistério da comunhão com Cristo e com a sua Igreja iniciado no batismo” (Nota Pastoral para 2025-2026).  Acolhemos como modelo a pessoa dos Apóstolos de Jesus que, no Pentecostes, se deixaram inundar pelo Espírito Santo e se tornaram homens espirituais na vivência da sua fé, no anúncio do Evangelho, na edificação da Igreja e no testemunho no meio do mundo. Sentimo-nos acompanhados pela Virgem Maria, que acolheu o Espírito Santo enviado por Deus e se sentiu agradecida e feliz quando Jesus se fez Homem no seu seio. Com os Apóstolos e com Maria, manifestamos o desejo de acolher o Espírito Santo, que faz de nós cristãos enraizados no espírito de Cristo em quem está toda a nossa vida. As tempestades das últimas semanas fazem-nos viver a espiritualidade cristã na Igreja como casa afetada e sofredora para muitos dos seus membros, mas também como casa de fraternidade e amor que se repartem por todos os irmãos e irmãs.  Vivemos esta Quaresma na solidariedade para com os que sofrem pela perda de pessoas, de bens, de tranquilidade e paz e oferecemos o produto material da nossa Renúncia Quaresmal para ajudar as vítimas das calamidades climatéricas.  Acompanhamos especialmente com a nossa amizade e oração os que estão desanimados e sem forças para se levantar e olhar para o futuro com esperança.  Fazemos este percurso com a Palavra de Deus comunicada à humanidade, que nos dá a conhecer o seu amor e nos propõe os caminhos da vida. A espiritualidade cristã não assenta numa ideia ou num pensamento humano, mas na Palavra da Sagrada Escritura, verdadeira revelação de Deus iluminada pelo Espírito Santo. Somos conduzidos com Jesus ao deserto para nos deixarmos fortalecer pelo Espírito, que nos recorda todas as palavras de Jesus e nos aquece o coração ao comunicar-nos o dom da fé. A leitura orante da Palavra de Deus (lectio divina), mais abundante na Quaresma, torna a nossa espiritualidade mais autêntica, pois leva-nos a ler todos os acontecimentos à luz da fé. Centramos a nossa peregrinação na Eucaristia celebrada, adorada e vivida, que é verdadeiro alimento da nossa espiritualidade cristã, ou seja, de toda a nossa existência. Ela não é um prémio para as nossas virtudes, mas o dom do amor de Deus, que se reparte com os pobres e pecadores, para que se convertam e tenham vida. Na Quaresma reconhecemos a grandeza da oferta de Jesus por nós na cruz e tomamos a decisão de fazer um caminho espiritual que nos conduza à pureza de coração, ao abandono do pecado e à vida na graça que nos santifica. Na Eucaristia Deus sacia a nossa fome de amor e conduz-nos a reconhecer a nossa pobreza de pecadores necessitados de perdão. Preparamo-nos para o encontro com o amor de Deus por meio do sacramento da Reconciliação, verdadeiro milagre da graça e da misericórdia, que nos salva. A espiritualidade cristã leva-nos a assumir a missão de ser cristãos no mundo. Esta Quaresma impele-nos a assumir com coragem a promoção da justiça em favor dos pobres, a missão evangelizadora junto dos não crentes, o empenho social e político em ordem à paz, o testemunho dos valores do Reino dos Céus face às realidades que escravizam. Depois de ser conduzido ao deserto, Jesus saiu cheio do espírito para realizar a missão que o Pai Lhe confiou e dirigiu-se para Jerusalém onde daria a vida por nós. Os Apóstolos, cheios do Espírito Santo partiram para realizar a missão que Jesus lhes confiou e o seu testemunho revolucionou o mundo. Hoje, somos nós, habitados pelo Espírito Santo, as testemunhas enviadas. A Páscoa de morte e ressurreição de Jesus dá-nos o Espírito que nos leva a viver e a testemunhar. Desejo a todos uma santa Quaresma, um verdadeiro enraizamento na espiritualidade cristã, que nos encha do amor de Deus e nos aproxime dos outros como irmãos. Virgílio AntunesBispo de Coimbra  
VIRGÍLIO DO NASCIMENTO ANTUNESBISPO DE COIMBRA COLÉGIO DE CONSULTORES Sendo necessário reformular a constituição do COLÉGIO DE CONSULTORES da nossa Diocese, por se ter verificado a saída de um dos membros nomeados a 12 de maio de 2022; HAVEMOS POR BEM: Constituir o novo elenco do Colégio de Consultores da Diocese de Coimbra, afim de completar o mandato em curso, com termo em 2027, e, nomear membros, os seguintes Presbíteros: Padre Manuel António Pereira Ferrão Padre Manuel Carvalheiro Dias Cónego Pedro Carlos Lopes de Miranda Cónego Nuno Miguel dos Santos Cónego Jorge da Silva Santos Padre Jorge Germano Dias de Brito Padre João Paulo dos Santos Fernandes Dado em Coimbra e Casa Episcopal, aos 04 de fevereiro de 2026. Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra Padre António Joaquim Farinha DominguesChanceler
Preservar o Humano no tempo das máquinas Isabel Maia, Comissão Diocesana Justiça e Paz  O 60.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado anualmente pela Igreja Católica, terá como tema escolhido por Papa Leão XIV: “Preservar vozes e rostos humanos”. Será uma reflexão sobre o impacto da tecnologia na comunicação humana e nunca um pedido de menos ciência ou inovação, mas de mais consciência. Num mundo de máquinas que se multiplicam, falam, respondem e aprendem, coexiste uma verdade inultrapassável: ser humano não é uma função, é uma condição.  Tal como um submarino não substitui uma baleia, o Homem nunca será confundido com a máquina. Neste tempo, de domínio da IA, tende-se a imaginar consequências num futuro distante. O Papa Leão XIV recentra-nos e diz que esse futuro é Hoje. Na justificação da escolha do tema, explica que a lógica algorítmica já nos contaminou e é visível na comunicação política e mediática, com ou sem máquina. Vejamos, nas recentes eleições em Portugal, foi notada a tendência para amplificar gestos simbólicos simples, emocionalmente eficazes e facilmente reconhecíveis, tornando-os virais nos meios digitais – manipulando algoritmicamente o resultado? Diz-se já ter ocorrido nas eleições americanas e em outras. Neste contexto, o uso amplificado e explícito da identidade religiosa é aproveitada, por exemplo, ao serem filmadas intervenções públicas à saída de uma missa. O gesto é legítimo no plano pessoal. O problema começa quando a fé se transforma num código eleitoral padronizado, repetido e consumido sem discernimento. Mas, qual a ligação desta mudança com a lógica algorítmica? Desde logo, a identificação de padrões que geram adesão psicológica emocional de forma eficiente. Esta associação entre religião, moral e autenticidade ou dignidade funciona, no espaço público, como um atalho simbólico, nem sequer exige coerência ética sustentada. Facilmente a comunicação social se torna a via rápida de uma comunicação eficiente e pouco humanizada. Conseguir “Pensar” continua a ser apenas possível ao ser humano e pensar politicamente exige mais do que reconhecer símbolos: é preciso saber distinguir a fé vivida da fé instrumentalizada, ou distinguir um sentimento pessoal de uma estratégia comunicacional. A máquina não faz estas distinções e é aqui que Leão XIV nos alerta para o perigo de o Homem  deixar de as fazer também. Todos temos de estar conscientes de que não se trata de um desafio tecnológico, mas antropológico como identifica Leão XIV. Não basta mostrar o gesto, repetir a imagem, amplificar a frase, sem escutar o contexto, sem ver o rosto, sem interrogar a coerência entre discurso, a prática política e os valores cristãos fundamentais como é a dignidade humana, a solidariedade ou o bem comum. A fé não pode ser um instrumento de segmentação, que não questiona a veracidade, apenas usada por conveniência, tal como a imprensa pode relatar o discurso sem o questionar, mas estando a cumprir a sua função democrática. O Papa Leão XIV não nos pede que rejeitemos a tecnologia, nem que policiemos a fé alheia. Pede algo mais difícil, o discernimento. É preciso pensar, ver e escutar devagar num tempo de respostas imediatas, sobretudo quando podemos estar a usar uma ferramenta de poder. Não é a IA que está em causa, é o compromisso humano de pensar e responder eticamente.
Caríssimos irmãos e irmãs, caríssimos amigos: A situação que estamos a viver é dramática para tantas pessoas que foram atingidas nas suas casas, nos seus carros, nos seus bens e que agora estão privadas da eletricidade, da água, das comunicações, até do contacto com os seus familiares e que portanto estão em situação de apreensão e de sofrimento de quanto ao presente e quanto ao futuro. Gostaria de deixar uma palavra de conforto e de consolação a todos aqueles que estão a sofrer por causa da tempestade que se abateu sobre nós. Gostaria ainda de pedir a todos que estejam atentos às necessidades do seu próximo e que o espírito de caridade que sempre nos deve marcar em todas as situações esteja mais presente ainda nestes momentos trágicos que a sociedade portuguesa está a viver.   Da parte da igreja estamos disponíveis para abraçar a todos e para dar o auxílio necessário àqueles que estão em maiores situações de vulnerabilidade. Que Deus continue a ajudar-nos e a abençoar-nos e que além dos bens que partilhamos, além da solidariedade que trazemos no nosso coração e que pomos em prática na nossa vida, estejamos ainda dispostos a rezar uns pelos outros para que a ninguém falte a esperança para refazer tudo aquilo que perderam para encontrar os meios adequados para dar continuidade ao seu projeto de vida.  Peço a Deus que abençoe todos os nossos trabalhos, de instituições públicas e privadas e da própria igreja e de todos aqueles que têm no coração as necessidades do seu próximo. Assim, juntos, é mais fácil ultrapassarmos as dificuldades que agora estamos a sentir. Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra
Equidade e Sustentabilidade José Aníbal BarreirosComissão Diocesana Justiça e Paz A equidade e a sustentabilidade garantem que todos, independentemente da sua posição económica ou social, tenham acesso aos recursos naturais e sejam tratados de maneira justa pelas políticas ambientais, promovendo a redistribuição equilibrada dos impactos ambientais, reduzindo desigualdades e reforçando a justiça social. Os conceitos fundamentais de equidade social estão intimamente entrelaçados com os princípios do desenvolvimento sustentável. De fato, para garantir um verdadeiro desenvolvimento sustentável, é imperativo que a equidade social seja respeitada, pois garante que os benefícios das políticas ambientais e económicas sejam alcançados por todos, sem exclusão. Essa interconexão cria uma sinergia onde justiça social e sustentabilidade ambiental andam lado a lado. O desenvolvimento sustentável não é apenas uma questão ambiental: ele desempenha um papel fundamental na promoção da justiça social. Ao integrar as necessidades das populações mais vulneráveis, promove o progresso global, respeitando as capacidades do planeta enquanto melhora a qualidade de vida. Essa sinergia produz efeitos visíveis e positivos para a sociedade e o meio ambiente. As políticas sustentáveis que garantem equidade social contribuem para uma melhor coesão social e limitam conflitos relacionados com recursos. Por sua vez, um ambiente saudável apoia a saúde e o bem-estar das comunidades. Assim, compreender as ligações entre esses dois conceitos é crucial para projetar estratégias eficazes, sustentáveis e justas, adaptadas aos desafios contemporâneos. Os principais obstáculos para conciliar equidade social e desenvolvimento sustentável residem, acima de tudo, nas desigualdades persistentes. Esses fatores dificultam o acesso equitativo aos recursos, limitando a eficácia das iniciativas sustentáveis. Por exemplo, populações marginalizadas enfrentam obstáculos estruturais relacionados com a educação, emprego ou habitação, que comprometem a sua participação nas abordagens ecológicas. Outra dificuldade é a tensão entre crescimento económico e equidade social, porque as estratégias de desenvolvimento se focam no desempenho económico imediato em detrimento das necessidades sociais, agravando assim as desigualdades. Por fim, os marcos institucionais e legislativos mostram os seus limites. A rigidez e falta de adaptabilidade dificultam a colaboração entre todos, necessária para estabelecer a equidade social num quadro sustentável. Portanto, é crucial repensar essas estruturas para superar esses obstáculos estruturais e avançar rumo a uma sinergia real. As implicações políticas das escolhas de desenvolvimento sustentável são importantes para garantir um futuro sustentável. Os legisladores devem integrar a equidade social nas suas estratégias, garantindo que os benefícios das iniciativas respeitem todos os segmentos da população. É, pois, necessário fortalecer as políticas de redistribuição, promover a participação dos cidadãos e o acesso equilibrado aos recursos naturais e às tecnologias verdes e fortalecer o acesso à educação ambiental para esclarecimento individual e comunitário. É essencial ter em atenção que as decisões atuais influenciam diretamente a qualidade de vida no futuro, as desigualdades sociais e a resiliência dos ecossistemas. Tem que haver uma avaliação permanente das políticas ambientais para garantir que os seus benefícios sejam distribuídos de maneira justa, equitativa e sustentável pelas populações. A equidade é pois a base da sustentabilidade. Ela garante que todos tenham acesso aos benefícios da preservação ambiental e sejam protegidos contra os seus riscos. Investir em estratégias inclusivas e fomentar a justiça ambiental são passos essenciais para um futuro mais equilibrado. A construção desse futuro depende de ações coordenadas e de uma visão coletiva. Juntos, podemos transformar desafios ambientais em oportunidades para todos.