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Partiu hoje, 11 de Setembro,  para o Pai o nosso querido Padre Olívio Lopes Cardo. Faleceu nos CHUC onde esteve internado nos serviços cirúrgicos. O Padre Olívio, nasceu a 30 de abril de 1933, na freguesia de Maçãs de Dona Maria, concelho de Alvaiázere. Filho de Alberto António Cardo e Maria Augusta Lopes. Entrou para o Seminário Menor em Outubro de 1945 e, terminado o curso de teologia no Seminário Maior, foi ordenado sacerdote no dia 15 de agosto de 1957, na Sé Nova de Coimbra por Dom Ernesto Sena de Oliveira. O seu Ministério sacerdotal até vir residir para a Casa do Clero em Coimbra em 2012, foi exercido nos seguintes Cargos: - Janeiro de 1958 – Vigário Coadjutor de Soure - Dezembro de 1958 – Pároco de Marmeleira, Cercosa e Cortegaça - Outubro de 1962 – Pároco de Candosa - Maio de 1963 – Pároco de Lourosa - Julho de 1969 – Pároco de Alhadas - Setembro de 1973 – Pároco e Arcipreste de Ansião - Outubro de 1978 – Pároco de Lagarteira - Abril de 1979 – Pároco interino de Torre de Vale de Todos - Outubro de 1984 – Pároco de Aguas Belas - Novembro de 1992 – Pároco de Pias - Setembro de 2008 – Pároco in Solidum de Águas Belas, Dornes, Ferreira do Zêzere, Igreja Nova, Paio Mendes e Pias. - Fevereiro de 2010 – ainda Pároco de Areias e Chãos Pelo seu trato fino e amigo, era fácil lidar com o Padre Olívio. Amor à Igreja manifestado para com os seus superiores, colegas e paroquianos, foi uma constante deste pastor enquanto a sua saúde o permitiu. O seu funeral está marcado para segunda feira, dia 13 de setembro, pelas 11h na igreja paroquial de Maçãs de Dona Maria sob a presidência do Senhor Bispo. Paz à sua alma!
NOMEAÇÃOVIGÁRIO EPISCOPAL PARA A PASTORAL Sendo necessário nomear o Vigário Episcopal para a Pastoral da Diocese de Coimbra,  Havemos por bem: Nomear Vigário Episcopal para a Pastoral o Reverendo Padre Manuel Carvalheiro Dias, mantendo as suas outras nomeações. Trabalhará em estreita colaboração com o Bispo Diocesano e com o Secretariado Diocesano da Coordenação Pastoral, órgão que tem a missão de coordenar, ao serviço da dinamização pastoral de toda a Diocese de Coimbra. Agradecemos o grande serviço prestado durante cerca de nove anos pelo Cón. Jorge Silva Santos enquanto Vigário Episcopal para a Pastoral e o entusiasmo, a fé e o espírito de doação à Igreja, que sempre o moveram. Coimbra, 13 de julho de 2021 Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra   O ChancelerP. António Joaquim Farinha Domingues  
SOLENIDADE DE SANTA ISABEL DE PORTUGALIGREJA DE SANTA CLARA A NOVA Caríssimos irmãos e irmãs! Celebramos de novo a solenidade de Santa Isabel de Portugal em contexto de pandemia e sem as habituais expressões de piedade popular, tão caraterísticas da nossa cidade desde há muitos séculos e tão mobilizadoras de multidões de fiéis. Temos pena de não ter as manifestações exteriores de caráter religioso, cultural e popular de culto da nossa padroeira, mas mais nos preocupa a impossibilidade de aproveitar esses momentos para uma forma de evangelização bem enraizada na nossa comunidade. De facto, tudo o que fazemos em Igreja, seja na dimensão estritamente litúrgica, seja na catequese, nas ações pastorais ou na piedade popular marcada pela dimensão cultural e social, tem de ter uma intenção evangelizadora. Anunciar Jesus Cristo morto e ressuscitado, salvador e caminho da humanidade, é a nossa vocação eclesial e nada pode ficar de fora desta missão e deste mandato que nos foi deixado. Frequentemente focamo-nos mais nas multidões que se juntam para participar ou para ver do que na dimensão celebrativa da fé ou na catequese e evangelização que nos deve conduzir. A fé cristã tem sempre uma dimensão celebrativa, particularmente centrada na Eucaristia e nos outros sacramentos, uma dimensão profética, ou seja, de anúncio de Jesus Cristo, e uma dimensão testemunhal, que se exprime pelo modo como se vive e pela caridade com que se serve a todos, de um modo especial os mais pobres no âmbito material, espiritual, social, sanitário ou outro, seja ele qual for. A perda temporária de alguns aspetos destas três dimensões não pode impedir-nos de realizar os outros; antes pelo contrário, deve levar-nos a valorizar adequadamente o que é possível, e que, neste caso, é o mais importante, pois está no centro da afirmação da nossa identidade de Igreja de Cristo, que celebra os mistérios da fé, anuncia a Palavra do Evangelho e testemunha a caridade. A Solenidade de Santa Isabel de Portugal, vivida em tempos difíceis e diferentes, vem ajudar-nos a pensar o presente e o futuro da nossa fé, a conhecer e interiorizar de forma mais clara os seus alicerces e a discernir melhor as suas manifestações. Temos repetido que não podemos sair desta situação como entrámos nela, mas reforçados na nossa fé, na coesão e comunhão da nossa Igreja e mais envolvidos num sério testemunho que opere mudanças no nosso mundo. Havemos de retomar a centralidade da fé na nossa vida de cristãos. Ela não pode ser alguma coisa a mais, um conjunto de ritos ou práticas cíclicas, um calendário de festas, um refúgio nos perigos e medos da vida, uma tradição cultural no meio de tantas outras. A fé cristã, como dom de Deus, que vem ao nosso encontro e nos dá a graça de O encontrarmos na profundidade do nosso ser, gera uma relação de confiança e de amor, que não rivaliza com nada nem com ninguém porque tem o primeiro lugar em nós, mobiliza todas as dimensões da nossa realidade pessoal, gera o nosso rumo e o nosso ritmo de vida. Como ouvimos, na segunda leitura, nós passámos da morte à vida, porque conhecemos o amor de Deus e amamos os nossos irmãos. Trata-se da fé em Deus, revelado por Jesus Cristo, que nos faz passar da morte à vida e, dessa forma, revalorizar todas as nossas realidades. Somos convidados a dar à fé a centralidade única, procurando purifica-la cada vez mais de todas as poeiras que a podem obscurecer e tornar pouco relevante. Santa Isabel, na sua condição social, cultural e religiosa, oferece-nos esse imenso testemunho de alguém que se deixou seduzir por Deus, se centrou no seu amor conhecido e acolhido, e fez da fé cristã o caminho único da sua vida. Havemos de retomar a centralidade do Evangelho como a nossa inspiração de vida. Enquanto Palavra de Jesus Cristo Salvador, o Evangelho tem poder transformador de toda a nossa pessoa e de todas as realidades que dela fazem parte a nível pessoal, social, cultural e religioso. Dia após dia, pela escuta comunitária, pela leitura orante, pela meditação silenciosa, procuramos que ele entre em nós, procuramos o discernimento adequado de todas as situações e acolher a sua verdade com a nossa referência fundamental. O Evangelho de Jesus Cristo não é para nós uma visão do mundo entre muitas outras, nem sugere um estilo de vida que rivalize com outros que o mundo nos propõe, mas, sendo de Jesus Cristo e, em sentido mais pleno, o próprio Cristo, Palavra ou Verbo de Deus feito Homem, é a verdade, como refere de modo explícito em várias das suas passagens. Somos chamados a viver do Evangelho e, como nos disse recentemente o Papa Francisco, a encher o nosso mundo de Evangelho. Para cumprir o mandato de o anunciar a todos os povos da terra, como nos manda o Senhor, é preciso que o tenhamos acolhido de todo o coração e que ele nos transforme por dentro e por fora. O percurso cristão não pode assentar somente em generalidades ou num conjunto de ideias nascidas a partir do Evangelho de Jesus ao longo da história, mas precisa de nos levar diretamente às fontes da Palavra de revelada, ao âmago do coração de Deus que nela se comunica por meio de Jesus Cristo. Santa Isabel de Portugal, bem enraizada na tradição e na chamada cultura cristã, encontrou-se com a Palavra salvadora do Evangelho, foi ao âmago da fé que está para além de todas as suas roupagens, foi às fontes do coração de Deus e deixou que nela fossem regadas as sementes de santidade. A liturgia de hoje, em que seguimos as propostas do lecionário dedicado às pessoas que se distinguiram em santidade pelas obras de amor ao próximo, conduzem-nos à centralidade da caridade como linha central da nossa condição de cristãos. Tanto a profecia de Isaías como o Evangelho de São Mateus nos impelem a purificar a fé pela via da caridade, a manifestação do coração de Deus na ação do coração humano. É evidente para nós que o exercício da única caridade evangélica, reflexo da caridade de Deus e alicerçada na fé cristã, se reveste das modalidades concretas adequadas ao nosso tempo. Da atenção a cada pessoa nas suas debilidades à assistência social organizada, do amor familiar ao sentido de oferta de si mesmo em âmbito laboral, cultural, político, económico, cada um e todos temos à nossa frente uma vastidão de lugares, tempos e modos de exprimir o amor de Deus infundido nos nossos corações. A expressão forte de Jesus, “Quantas vezes o fizestes
a um dos meus irmãos mais pequeninos,
a Mim o fizestes”, tem um alcance muito vasto e inclui as situações mais diversas. Dirigindo-se aos jovens, o Papa Francisco atualiza o sentido da caridade do Evangelho, propondo-lhes a expressão “ser para os outros”, como atitude plenamente humana e plenamente cristã. Santa Isabel emerge no seu tempo e honramo-la no nosso tempo como a mulher da caridade cristã, que acolhe e testemunha de modo exemplar este ir ao encontro dos mais pequeninos, este “ser para os outros”. Fica-nos, hoje, caríssimos irmãos e irmãs - confraria, devotos em geral, comunidade cristã aqui reunida - este desafio grande e belo da liturgia e da santidade de Isabel de Portugal: cresçamos na fé, alimentemo-nos da Palavra de Deus e testemunhemos a caridade. Coimbra, 04 de julho de 2021Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
ORDENAÇÃO DIACONAL DE ANTÓNIO JOSÉ JESUS SEBASTIÃOXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM BSÉ NOVA DE COIMBRA Caríssimos irmãos e irmãs! Quis Deus dar-nos um novo diácono para servir o Seu Povo, que caminha na nossa Diocese de Coimbra. Será no futuro um presbítero a juntar-se àqueles que já animam e conduzem as comunidades cristãs, a anunciar a Boa Nova da Salvação, a celebrar os mistérios da fé e a tocar, com as mãos e o coração de Deus, as pessoas que esperam esse contacto humano e divino. Como os pobres do Evangelho e como Porção deste Povo Santo de Deus, acolhemos felizes e agradecidos esta oferta do Pai da misericórdia, do Cristo redentor e do Espírito santificador. Estremecemos de comoção sempre que a Palavra de Jesus, vem e segue-Me, ecoa e encontra resposta fiel, amiga e generosa no coração de alguém, sempre que se levanta alguém para dizer “sim” com amor humano ao amor divino que se lhe manifesta irresistível e poderoso, apesar de sempre proposto e não imposto, discreto e não ruidoso. A Igreja Diocesana de Coimbra reconhece, hoje, solene e alegremente, que Deus a acompanha com a solicitude de um Pai, que Deus a chama a uma fé viva, que Deus a envia ao mundo vasto de homens e mulheres marcados por inúmeros sentimentos, escolhas, ritmos e rumos de vida. Reconhecemos que somos Igreja de Deus, damos-lhe graças por isso e comprometemo-nos de novo a percorrer a vocação à santidade, a nossa vocação comum e a nossa vocação maior. Este mistério do encontro de Deus com cada pessoa, no mais íntimo de si mesma, que a leva a dar-Lhe a totalidade das suas forças e a entregá-las no serviço aos irmãos em nome da fé cristã, na Igreja e no mundo, não tem outra explicação senão a graça do mesmo Deus, que encontra acolhimento humilde e verdadeiro na inteligência e na vontade de alguém. Esta decisão, que inclui e preenche a totalidade da vida de uma pessoa, é, de facto, um grande mistério, acessível a qualquer um, por estar inscrita na nossa comum condição de criaturas de Deus e por termos recebido as sementes do Verbo, que nos abrem ao Criador e nos enviam para a convivência fraterna com todas as outras criaturas. O Apóstolo S. Paulo depois de elogiar a comunidade a que se dirige, toda a Igreja, destaca a fé, a eloquência, a ciência e a caridade que a animam. Depois, faz um forte apelo à generosidade, própria de quem partilha a condição humana com todos os outros e de quem está alicerçado no Cristo que se fez pobre por nossa causa e para nos enriquecer com a sua pobreza. A generosidade é, em si mesma, uma realidade inscrita em todas as pessoas, que se constroem na relação com as outras pessoas com quem partilham a sua vida, a sua pobreza de criaturas, para enriquecer este tecido humano, social e eclesial que somos. A fé está sempre no início, no meio e no fim de todo o percurso, mas não dá frutos de fraternidade e de serviço se não é engrandecida pela decisão pessoal, se não é potenciada pela generosidade. Muitas pessoas com fé fecham-se em si mesmas, pensam em curar-se e salvar-se a si mesmas, desejam até uma vida pessoal santa e segura, mas carecem da generosidade que as poderia levar a aproximar-se dos outros e a realizar essa mesma fé em modo de serviço. Nessa altura, a eloquência e a ciência procuradas, são para consumo próprio – ficam a falar consigo mesmas num discurso para autoconsumo; a caridade fica-se por gestos de satisfação pessoal e apaziguamento da consciência, negando-se a si mesma, uma vez que carente do seu endereço único, o próximo, os outros, aqueles que Deus ama e pelos quais, em Jesus Cristo, sendo rico, se fez pobre. Sem fé pessoal e amadurecida, não há vocações; sem caridade, não há vocações; mas sem a generosidade, que exprime a fé e caridade e lhes dá o dinamismo do serviço; também não há vocações. A generosidade consiste em dar o passo seguinte: tenho fé em Deus, acredito no seu amor, ofereço a minha pobreza para com ela enriquecer a Igreja. Recordamos a passagem do Evangelho em que o jovem rico responde a Jesus decididamente acerca da fé que possui, acerca dos mandamentos e acerca da sua condição religiosa sincera. No momento em que Jesus lhe oferece o desafio seguinte, “vem e segue-Me”, afastou-se por outro caminho. Não deu o passo decisivo, faltou-lhe a generosidade para se entregar totalmente. Ficou, porventura, com a mesma fé, continuou talvez a conhecer a eloquência e a ciência dos mandamentos de Deus, realizou certamente algumas obras de caridade, mas guardou para si o melhor que possuía. Faltou generosidade para o seguimento integral de Jesus, pois esta implica a inteligência, a vontade, o coração, as mãos, o corpo e o espírito, ou seja, a totalidade da pessoa. Estamos a preparar um plano pastoral, que pretende envolver toda a nossa Diocese numa atenção especial aos jovens, ao seu crescimento na fé e ao seu discernimento vocacional. Desejamos que toda a Diocese se sinta em comunhão de fé e de objetivos pastorais, uma vez que é necessário um novo impulso evangelizador dos crentes e não crentes. Os caminhos a percorrer hão de incluir todos os elementos necessários a uma pré-evangelização, que contam com o despertar das caraterísticas inatas que eles possuem, como são a sua grande humanidade, os seus anseios por mais e melhor, os seus desejos de superação e de edificação de uma sociedade mais justa e fraterna. Convocar os jovens e propor-lhes programas de descoberta e crescimento, são urgentes. Oferecer-lhes lugar na Igreja, momentos e lugares de encontro são frequentemente o princípio de uma simpatia que abre caminho ao anúncio claro e explícito de  Jesus Cristo. Não nos podemos ficar pela atração humana, embora ela seja necessária, nem pela ação concreta, que pode ter muitas modalidades. Os jovens precisam de conhecer Aquele mesmo Jesus que conheceu o chefe da sinagoga ou a mulher doente que nos apresentava o Evangelho. Eles precisam de encontros salvíficos com o Mestre, que diz “a tua fé te salvou”, “Eu te ordeno, levanta-te”, pois, por dentro, podem estar a definhar da doença ou da morte espiritual, que tanto afeta a alegria de viver e de amar. A fé cristã, proposta com verdade, nas ações evangelizadoras, orantes, litúrgicas e sócio-caritativas, precisa de ter qualidade tanto humana como espiritual. E eles terão a humildade necessária para aderir e seguir o Mestre, na Igreja, a partir da sua generosidade caraterística. Quando um jovem quer dar-se na totalidade a partir da fé em Jesus Cristo, encontra na vocação cristã e nas vocações específicas o melhor lugar de entrega. As vocações sacerdotais são sempre o fruto desse encontro de fé do qual brota a generosidade e o serviço aos irmãos, que precisam desse toque divino que cura, ressuscita e salva. Se um jovem cheio de entusiasmo dá a sua pobreza, acolhe com alegria a abundância e a riqueza do dom de Deus. Caríssimos jovens, este é o momento oportuno para as grandes decisões de fé. Não é amanhã nem num futuro próximo ou distante, quando estiverem preenchidos todos os requisitos ou satisfeitas todas as condições que, normalmente, fazem adiar as respostas. Caríssimos irmãos e irmãs, leigos, consagrados, diáconos e presbíteros, com o testemunho da nossa fé e da nossa generosidade, abramos-lhe todas as possibilidades que Deus lhes quer oferecer, neste tempo de graça que o nosso Plano Pastoral e a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 nos trazem. Coimbra, 27 de junho de 2021Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra  
SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – 2021IGREJA PAROQUIAL DA MEALHADA Caríssimos irmãos! Estamos a procurar sair de um tempo difícil a todos os títulos. Tanto nós, bispo, presbíteros e diáconos, como as comunidades constituídas por homens e mulheres cristãos ou não, famílias e instituições, vivemos situações dramáticas, que nos marcarão para sempre. As forças humanas aliadas à graça da fé, os recursos provenientes da nossa humanidade e, no nosso caso, bem enraizados na fé, dão-nos a possibilidade de nos refazermos e ajudarmos as comunidades a reencontrarem-se na busca dos caminhos sempre abertos à nossa frente. Sem deixarmos esquecidas as dores que nos marcam, importa sobretudo que nos fixemos nas verdadeiras alegrias que fazem parte da nossa condição, que a fé em Cristo Ressuscitado suscita em nós e que nada nem ninguém pode arrebatar dos nossos corações. Se há alguém que deve ser mensageiro da esperança e da alegria, somos nós. Se alguém deve ir à frente a abrir rotas de futuro são os discípulos de Jesus, são os que receberam a vocação de compreender e ajudar a compreender “a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo”, como ouvíamos na leitura da Epístola aos Efésios. Acontece que também nós participamos da mesma fragilidade de todos os homens e, não raro, dada a nossa condição de vida, sentimos ainda mais forte a falta do apoio humano. Acontece que também nós participamos da debilidade interior de todos os homens e podemos sentir as inquietudes da solidão e da ausência de solidariedade da instituição que servimos, das comunidades a que fomos enviados ou dos que connosco partilham a vocação e a missão. Estes sentimentos, quer tenham um fundamento real, quer sejam fruto do nosso estado de espírito e da nossa imaginação, causam o mesmo mal estar; estes sentimentos, quer sejam fruto da ausência e negligência dos outros, quer sejam construção nossa e consequência de um fechamento sobre nós mesmos ou de um complexo de abandono e vitimização, causam mal estar e põem em risco a alegria de crer, de esperar e de amar, a alegria de servir a Igreja, o entusiasmo de evangelizar, a disponibilidade para alimentar os laços de comunhão fraterna. Sejam quais forem as causas e as motivações, é necessário que ensaiemos novas vias de saída, que fortaleçamos os laços que nos unem a Deus, os laços que nos unem às comunidades que servimos e os laços de comunhão selados pelo Espírito que nos põem em sintonia de coração e de ação uns com os outros, enquanto ministros ordenados nesta Igreja Diocesana de Coimbra.   A Solenidade do Sagrado Coração de Jesus leva-nos a escutar o grito do coração de Deus, abundantemente revelado nas sagradas Escrituras, agora proclamadas, como o nosso amparo, o nosso refúgio e nosso único aconchego, capaz de transformar os nossos próprios corações em corações de carne animada pelo Espírito de comunhão e de vida. Não somos indiferentes às palavras de Oseias que, profeticamente, nos abrem à única revelação de Deus por meio de Jesus e que nos asseguram o modo de ser do mesmo Deus: “O meu coração agita-se dentro de Mim, estremece de compaixão”. Acreditamos que também nós estamos no coração do Deus cujo nome é misericórdia; também nós somos queridos por Ele; também a nós Ele ensina a andar, leva nos braços, alimenta e acolhe com vínculos de amor. Precisamos de reconstruir o nosso coração humano para fazer dele um coração de irmãos e de amigos, um coração solidário e disponível, um coração de simpatia e de amor. Precisamos de reconstruir o nosso coração de crentes, fazendo apelo à fé que recebemos, à vocação a que fomos chamados e ao sentido de missão em que fomos investidos, não como indivíduos que se somam a outros indivíduos para fazer um número. Precisamos de reconstruir o nosso coração de presbitério e de diaconia como membros de um corpo, que tem a sua dimensão humana e social, mas que, mais ainda, nasce do coração santo de Deus e, por isso, se sente envolvido pela torrente de sangue e água que jorra do lado trespassado de Jesus Cristo.   A segunda leitura desta Solenidade oferece-nos sólidos fundamentos para nos refazermos espiritualmente e caminharmos uns com os outros, como Igreja, santa e pecadora, mas sempre sinal da salvação de Deus para todos, para nós e para os outros. Em primeiro lugar, a humildade proclamada pelo apóstolo, quando se considera o “último de todos os santos” a quem “foi concedida a graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo”. Quando nos reconhecemos como o último dos santificados pela graça do batismo e da vocação a que fomos chamados, não temos autoridade para criticar os outros nem para os menosprezar. Temos sim, a oportunidade de, a todos, dar a conhecer Cristo como o Senhor, o Santo de Deus; temos a missão de reconhecer a grandeza dos outros, mesmo que, porventura, ofuscada pelos mesmos defeitos e pecados que nos mancham a nós. Em segundo lugar, a certeza de que “é por meio da Igreja que se dá a conhecer... a sabedoria de Deus”. Faz-nos bem sentir que somos o que Deus nos chama a ser na Igreja, que a obra não é nossa, mas de Deus, e que somos servos da mesma Igreja, daquela que é o sacramento eficaz da realização da obra de Deus. Passar da auto-referência para a eclesio-referência leva-nos a estar abertos à comunhão na mesma fé, na mesma doutrina e nas mesmas referências pastorais iluminadas pelo Espírito Santo e discernidas nos caminhos de sinodalidade. Em terceiro lugar, a disponibilidade para que “Cristo habite pela fé nos nossos corações”. Passar de uma compreensão do ministério como uma função e da própria Igreja como uma estrutura humana para o ministério como o serviço de Cristo e para a Igreja como mistério de comunhão, conduz-nos a viver da fé como cristãos, como diáconos e como presbíteros. A nossa conversão exige-nos estar em Cristo como a verdadeira raiz da nossa identidade e como o único que deve configurar a nossa ação. Em último lugar, Paulo diz-nos que havemos de viver “profundamente enraizados na caridade”, que é o amor de Deus, revelado por Jesus Cristo. Remete-nos, com certeza, para o programa de vida cristã e sacerdotal, que será a marca da nossa fidelidade, ou seja, para aquela caridade que é paciente e benigna, que não é invejosa, nem altiva, nem orgulhosa, que não é inconveniente nem procura o próprio interesse, que não se irrita nem guarda ressentimento, que não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade, que tudo desculpa, tudo crê, tudo espera e tudo suporta (cf 1 Cor 13, 4-7). Grande é o convite para que vivamos em tudo e sempre na caridade, especialmente no exercício do ministério que nos foi confiado em favor dos irmãos e nas relações que vivemos entre nós, aqueles que Cristo amou, escolheu, chamou e enviou a “manifestar a todos como se realiza o mistério escondido, desde toda a eternidade”. A vida cristã, em geral, e a vida dos pastores, em particular, é a nossa única fonte de alegria e de esperança, mas está também recheada de sacrifícios e dores, quando assumida com fidelidade e amor. É caminho de cruz a apontar para alvores de ressurreição. Guardemos este tesouro nos vasos de barro, que somos. Tenhamos a humildade de ir à frente, embora reconhecendo que somos os últimos, tenhamos a ousadia de “primeirear”, como discípulos missionários “que se envolvem, que acompanham, que frutificam e festejam... que tomam a iniciativa!”, como nos disse o papa Francisco na Evangelii gaudium (24). Temos um lugar no coração de Cristo, o Bom Pastor, e teremos também lugar no coração uns dos outros como pastores, na comunhão de fé e de missão a que nos chamou. Mealhada, 11 de junho de 2021Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra