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A lei da Selva
Finda a II grande Guerra Mundial, ainda com as ruínas fumegantes e perante o peso da tragédia, as nações uniram-se e proclamaram que “nunca mais!” tal aconteceria. Nasceu, então, a esperança de um futuro em que a paz seria um imperativo e os povos se relacionariam com base no principio da igualdade e respeito pela soberania. Despontava o direito internacional e a Carta das Nações Unidas emergia como documento fundamental, apontando novos rumos. Acreditava-se que o respeito pela mesma Carta iria permitir manter a paz e a segurança internacionais e, em paralelo, desenvolver relações amigáveis entre nações, promovendo o progresso social, e económico, e o respeito pelos direitos humanos.
É agora evidente que toda a arquitectura do direito internacional então construído se baseou numa ficção nobre, mas frágil: a igualdade soberana dos Estados. Proclamada no Artigo 2 da Carta das Nações Unidas depara-se hoje com a dura realidade da assimetria dos poderes pois que, recorrendo a Orwell, se todos os estados são "nascidos iguais na lei", alguns são "mais iguais do que outros". Numa sucessão imparável, as grandes potências, fundadas no seu poder militar e económico, ignoram as normas de direito internacional e, sem receio de sanção ou crítica, semeiam a morte e a destruição nas mais diferentes latitudes e longitudes.
Falamos, assim, de toda uma estrutura do direito internacional que se desintegra a que não é alheia a paralisia das Nações Unidas e do respectivo Conselho de Segurança. A Sérvia (NATO, 1999), o Iraque (Estados Unidos, 2003), a Geórgia e a Ucrânia (Rússia, 2008 e 2022), ou o ataque do Hamas a 7 de outubro de 2023, seguido pela resposta desproporcionada de Israel e, agora, o Irão, são sinais pungentes de uma dura realidade: o uso da força nas relações internacionais tornar-se a regra, constituindo o instrumento preferido das políticas externas. O direito internacional passou a ser uma linguagem ornamental.
Perante o vazio importa encontrar respostas nos tempos que correm A lógica da força, já patente num mundo unipolar em que a potência dominante eram os EUA, ganha agora outra dimensão com um universo multipolar em que outras potências regionais, ou globais, pretendem redesenhar o seu lugar no xadrez geopolítico e ocupar um lugar de destaque.
Muitos dos princípios, e valores, que, durante décadas, informaram a construção do direito internacional não são hoje aceites de uma forma consensual. Aos valores partilhados, ao longo de anos, pelas democracias liberais ocidentais contrapõe-se agora a visão da China, e de outras potências emergentes, segundo a qual o elemento determinante das relações internacionais não devem ser os direitos individuais, mas a promoção do desenvolvimento económico das nações menos favorecidas, ou seja, a paz através do desenvolvimento.
Face à emergência de múltiplos centros de poder-económicos, militares e tecnológicos- torna-se cada vez mais difícil sustentar uma ordem baseada na hegemonia de uma só potência. Porém, a transição para um mundo multipolar pode também ser uma oportunidade se for acompanhada pela reconstrução de um quadro normativo partilhado.
Um mundo com vários polos de poder exige mais, e não menos, regras. Exige mecanismos de arbitragem eficazes, instituições reformadas e representativas, e um compromisso renovado com princípios básicos: soberania, integridade territorial, direitos humanos e responsabilidade coletiva.
Construir essa nova ordem internacional implica reconhecer os erros do passado recente . Implica fortalecer tribunais internacionais e garantir que as suas decisões não sejam seletivamente acatadas. Implica, sobretudo, recuperar a ideia de que a força deve ser limitada pela lei e não o contrário.
Talvez a maior dificuldade esteja na confiança. As regras só funcionam quando são percebidas como justas e aplicadas de forma consistente. Num mundo multipolar, isso exigirá negociação constante, concessões mútuas e uma disposição genuína para aceitar limites. Não é um caminho fácil, nem rápido. Mas a alternativa — a normalização da exceção e da força — é um regresso a um passado que o século XX tentou, com tanto custo, ultrapassar.
A Carta das Nações Unidas não é um documento perfeito, mas continua a ser um ponto de partida indispensável. Não como relíquia, mas como base para uma reinvenção. No fim, a escolha permanece a mesma: um mundo governado por regras imperfeitas ou um mundo dominado por poderes sem limites.
Como afirmava o Papa Francisco “Com a guerra ninguém vence!”
José António Henriques Santos Cabral
DOMINGO DE RAMOS 2026
Caríssimos irmãos e irmãs!
Contemplamos, hoje, a paixão de Jesus Cristo. Ela constitui a prova da fidelidade e do amor de Deus por nós. Apesar de cheias de beleza e de verdade, as palavras da revelação de Deus no Antigo Testamento e as palavras de anúncio da Boa Nova do Novo Testamento precisavam de ser provadas pelos gestos, pelos acontecimentos.
A fidelidade de Deus levou-O a cumprir sempre as promessas feitas ao seu povo eleito; agora leva-O a cumprir a promessa de amor a toda a humanidade, a realizar as bem-aventuranças proclamadas no monte, a mostrar a realidade da sua misericórdia e a verdade da sua salvação.
Jesus manifesta a sua fidelidade e o seu amor ao Pai e à humanidade por meio da sua paixão e morte na cruz, pelo seu sofrimento, pela oferta da sua vida, pela sua morte. Não temos outra prova para a nossa fé, senão esta da paixão de Jesus, o Filho de Deus, que cumpre fielmente a promessa do Pai.
Recordamos as relações entre os esposos, entre os pais e os filhos, entre as pessoas que se amam de verdade. São necessárias as palavras e as promessas de fidelidade e de amor, mas são imprescindíveis os gestos de cada dia. Dá-se a prova da fidelidade e do amor, quando se vive verdadeira paixão pelos outros, isto é, quando se é capaz de sofrer com os outros e pelos outros. A prova maior é a da disponibilidade para dar a vida a favor dos outros ou em vez dos outros nos acontecimentos de cada dia.
Ao pensarmos na humanidade martirizada pelas guerras, pelas injustiças e pelas divisões que matam, voltamos a contemplar a paixão de Cristo, acontecimento inspirador da renovação do mundo que desejamos. O único caminho para a paz, a reconciliação e a fraternidade que transformam o mundo, é a vida segundo a Boa Nova de Jesus que se oferece em dádiva de amor.
A paixão de Jesus é a prova para a nossa fé e leva-nos à adoração como sinal de conversão do coração e da vida.
“Ao nome de Jesus todos se ajoelhem”, dizia a Epístola aos Filipenses, resumindo a atitude fundamental do crente, que acolhe o testemunho da fidelidade e de amor de Deus por nós. Ajoelhar-se diante de Deus – no sentido espiritual de O reconhecer e O amar – implica sempre oferecer a fidelidade e o amor pelo próximo.
A falta do sentido de Deus e a perda da dimensão religiosa e crente da vida deixa-nos vulneráveis à nossa débil humanidade, a fidelidade enfraquece e o amor somente humano pode mesmo corromper-se.
Peçamos, hoje, ao Senhor, o dom da fidelidade e do amor inspirados em Jesus Cristo, diante de quem nos ajoelhamos em adoração, louvor e gratidão pela sua oferta por nós ao Pai.
Coimbra, 29 de março de 2026Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
Acolher a graça do perdão
Exortação Pastoralsobre o Sacramento da Reconciliação
A paz nasce de corações reconciliados
Vivemos um tempo marcado por profundas divisões. Em muitas partes do mundo, a guerra continua a ferir povos inteiros, enquanto nas nossas sociedades crescem polarizações que separam famílias, comunidades e nações. As diferenças de opinião transformam-se facilmente em confrontos, o diálogo dá lugar à desconfiança e a cultura do encontro parece, por vezes, ceder perante a lógica do conflito. E nós próprios, pessoalmente, quantas vezes nos sentimos também divididos por dentro, fraturados, carecidos de um abraço reconciliador com a vida, com os outros, com Deus…
A Palavra de Deus recorda-nos que a verdadeira paz nasce de corações reconciliados. A apóstolo Paulo, na Segunda Carta aos Coríntios, deixa-nos uma forte exortação, que nasce da consciência da renovação pascal que a graça de Deus opera na vida de quem a acolhe: «Deus, que nos reconciliou consigo por meio de Cristo, confiou-nos o ministério da reconciliação. Em nome de Cristo, suplicamos-vos: reconciliai-vos com Deus.» (2 Cor 5, 18. 20). É no acolhimento da graça divina, que sempre nos liberta das amarras do mal e nos reintegra como filhos amados, que encontramos a força necessária para sermos no mundo alegres construtores de uma nova fraternidade.
Por isso, neste mundo que tantas vezes responde ao conflito com mais conflito, torna-se cada vez mais urgente redescobrir o valor da reconciliação — não como um ideal distante, mas como um caminho concreto para reconstruir relações feridas e restaurar a esperança. E a Igreja, fiel à missão recebida de Cristo, é chamada a ser sinal e instrumento de reconciliação e de paz. O Senhor, que nos confiou o ministério da reconciliação, convida-nos a superar as barreiras da divisão e a dar lugar à escuta e ao perdão, fundamentais para a abertura ao diálogo, que gera encontro e consolida a paz.
Escrevo esta Exortação Pastoral no contexto deste tempo de Quaresma que a Igreja nos proporciona, acolhendo os numerosos apelos de Deus à reconciliação, contidos na Sagrada Escritura, e os sinais dos tempos, que clamam hoje por uma renovada cultura da “paz, desarmada e desarmante”, como recorda o Papa Leão XIV. A presente Exortação Pastoral tem como propósito convidar os fiéis e todas as pessoas de boa vontade a redescobrir a profundidade espiritual e eclesial do Sacramento da Penitência, que nos faz regressar à comunhão com Deus e com os irmãos.
Que o acolhimento da graça sacramental possa tornar-se fonte de renovação interior e impulso para reconstruir relações nas nossas famílias e comunidades. Só assim poderemos testemunhar, no meio das divisões do nosso tempo, que a misericórdia de Deus é atuante e eficaz, pois continua a abrir caminhos novos de esperança e de paz, recriando o mundo e os corações a partir da Páscoa de Jesus Salvador, nossa vida e reconciliação.
O amor misericordioso de Deus
No exercício do seu ministério público, Jesus revelou à humanidade o coração misericordioso do Pai que O enviou, não para condenar o mundo, mas para o salvar. Ao anunciar o Evangelho, no encontro com os homens e mulheres seus irmãos, Jesus foi curando as doenças, expulsando os demónios e perdoando os pecados, sinal de que tinha chegado o Reino de Deus. Em toda a sua ação revelou que há mais alegria no céu por um só pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento. No seu mistério pascal, Cristo reconciliou com Deus toda a humanidade e instituiu o Sacramento da Penitência, dando à Igreja, de modo especial aos apóstolos e aos seus sucessores, o poder de perdoar os pecados.
A Igreja, enviada por Cristo, com a força do Espírito Santo, nunca mais deixou de chamar ao arrependimento e à conversão aqueles que, pela sua fragilidade, após o batismo, caíram no pecado, reconciliando-os com Deus.
O perdão de Deus na liturgia da Igreja
A forma como o perdão de Deus foi sendo celebrado e experimentado dentro da Igreja adquiriu diferentes expressões ao longo dos séculos: da penitência pública, passando pela penitência tarifada, até à confissão auricular. Nas suas diferentes modalidades, a consciência do pecado, o arrependimento, o desejo de conversão, a confissão dos pecados e a mediação da Igreja, foram realidades constantes do Sacramento da Reconciliação.
A consciência de que o pecado pessoal de um só membro da comunidade tinha implicações na vida da Igreja como um todo, traduziu-se na necessidade da mediação sacerdotal para a reconciliação dos penitentes, fosse diretamente pela presença episcopal, como aconteceu nos primórdios da Igreja, fosse pela presença de um seu delegado, o presbítero, a partir da Idade Média.
A realidade atual, fruto da multissecular sabedoria da Igreja e da sua disciplina sacramental, continua a propor aos fiéis a experiência da celebração do amor misericordioso de Deus que nunca desiste da sua criatura, esperando, dia após dia, o regresso de cada um dos seus filhos para os poder abraçar.
O Sacramento da Penitência na atualidade
O Ritual da Penitência, reformado após o Concílio Vaticano II, de acordo com os princípios da Constituição sobre a Sagrada Liturgia, é um instrumento muito útil para a pastoral da misericórdia que todos somos chamados a viver, quer como pastores, quer como fiéis leigos. O conhecimento do Ritual permite descobrir a grandeza do amor misericordioso de Deus, a beleza do sacramento pelo qual somos absolvidos do nosso pecado e a riqueza da liturgia da Igreja, pela qual somos mergulhados no mistério pascal de Cristo.
O Ritual atual, na Tradição da Igreja, quer realçar a centralidade da pessoa, apresentando o sacramento da penitência, não só como perdão dos pecados graves, mas também como caminho de crescimento espiritual e de santidade, como configuração da vida dos fiéis com Cristo e como meio para viver cada vez melhor a graça do batismo.
A reforma do Ritual teve em conta a dimensão celebrativa da liturgia, a participação ativa dos fiéis e a importância da Palavra de Deus, que deve ser anunciada àquele que se aproxima do perdão de Deus; a fórmula sacramental foi ampliada com uma anamnese trinitária e eclesial, evidenciando o perdão como ação de Deus Trindade, dentro da comunidade cristã; houve também a preocupação de realçar essa dimensão eclesial, propondo orientações específicas para as celebrações comunitárias do Sacramento. Esse perdão amoroso de Deus pode e deve celebrar-se em qualquer tempo ou dia, mas o tempo da Quaresma, dado o seu carácter penitencial, é o mais apropriado para celebrar o sacramento (Cf. Ritual da Penitência, 13).
As várias formas da celebração do Sacramento
O atual Ritual da Penitência, aprovado pela Conferência Episcopal Portuguesa, em 1996, apresenta diversas formas de celebrar o sacramento: a celebração da reconciliação de um só penitente; a celebração da reconciliação de vários penitentes com confissão e absolvição individual; e a celebração da reconciliação de vários penitentes com confissão e absolvição geral.A primeira forma prevista no Ritual, deve, tanto quanto possível, manifestar o acolhimento do penitente, pôr em evidência a importância da Palavra de Deus, a confissão dos pecados, a aceitação da penitência, a absolvição com a fórmula ritual, e a ação de graças pelo dom do perdão. Seria útil, tanto quanto possível, valorizar na celebração individual do sacramento da penitência, cada um destes passos, para que a mesma não se reduza à dimensão do pecado, mas se abra à graça de Deus, que gera no coração do penitente o louvor e a gratidão pela vida nova recebida.A segunda forma prevista, o acolhimento da misericórdia de Deus no contexto de uma celebração penitencial comunitária, põe em evidência o seu carácter eclesial e realça a dimensão litúrgica da penitência. Neste caso, o sacramento realiza-se numa celebração da Palavra, pela qual o Senhor, rico de amor e misericórdia, convida à mudança de vida.
Nesta segunda versão, todos os momentos são comunitários, exceto o momento sacramental, que deve manter o seu carácter pessoal, havendo um espaço para a confissão individual dos pecados e para a absolvição de cada penitente.
Neste caso, o rito prevê, após a homilia, um tempo de exame de consciência, a proclamação de uma fórmula comunitária de confissão, uma litania (oração universal ou cântico) que evidencie a contrição de todos os presentes e a oração do Pai-Nosso, que nunca se deve omitir.
Após o Pai-Nosso, quem desejar aproxima-se de um sacerdote para confessar os pecados, rezar o ato de contrição, acolher a penitência e receber a absolvição sacramental. Para que este momento não seja demasiado longo e não se perca a dimensão comunitária, é útil que se organize uma procissão de penitentes. Cada penitente, de pé junto do sacerdote, confessa os seus pecados com clareza e objetividade, diz o ato de contrição, acolhe a penitência, ajoelha-se e recebe a absolvição do sacerdote. Evite-se neste momento tudo o que se assemelhe a direção espiritual que deve acontecer noutra ocasião. Após a absolvição de cada um dos penitentes, todos juntos, terminam a celebração proclamando as maravilhas do Senhor.A terceira forma do Sacramento da Penitência, absolvição simultânea a vários penitentes sem confissão individual prévia, “não pode dar-se de modo geral, a não ser que: esteja iminente o perigo de morte, e não haja tempo para um ou mais sacerdotes poderem ouvir a confissão de cada um dos penitentes; haja necessidade grave, isto é, quando, dado o número de penitentes, não houver sacerdotes suficientes para, dentro de tempo razoável, ouvirem devidamente as confissões de cada um, de tal modo que os penitentes, sem culpa própria, fossem obrigados a permanecer durante muito tempo privados da graça sacramental e da sagrada comunhão. Não se considera existir necessidade suficiente quando não possam estar presentes confessores bastantes somente por motivo de grande afluência de penitentes” (Cf. Ritual da Penitência, 31).
Esta terceira possibilidade está sujeita sempre à autorização do Bispo Diocesano, de acordo com as normas fixadas em conformidade com a Conferência Episcopal.
Acolher o perdão de Deus
Num mundo ferido e dilacerado por divisões e discórdias, a Igreja é chamada a ser lugar de esperança e presença de Deus, que nos cura, cuida de cada um de nós e derrama abundantemente a sua misericórdia.
Convido, por isso, todos os que exercem qualquer ação pastoral e catequética a formarem as comunidades, desde a infância, para a beleza do perdão misericordioso de Deus, para a celebração regular do Sacramento da Reconciliação e para a necessidade de o integrar no caminho da santidade, iniciado no batismo.
Exorto, de modo especial, os sacerdotes da nossa Diocese a disponibilizarem tempo para a celebração da penitência, com horários adequados, em que os fiéis saibam que alguém está disponível para os escutar e ser instrumento do perdão de Deus.
Por fim, convido todos os fiéis da nossa Diocese a celebrarem com regularidade o Sacramento da Reconciliação, reconhecendo que, através deste sinal da graça, Deus reconstrói em nós a vida divina que recebemos no batismo e que o pecado vai obscurecendo.
Que todos nós, pela liturgia da penitência, sintamos o amor de Deus Pai, que sempre nos espera e que, no nosso regresso, nos abraça, nos restitui a dignidade de filhos e faz festa por termos voltado sãos e salvos.
Coimbra, 19 de março de 2026+ Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
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Faleceu oRev.do Padre Anselmo Ramos Dias Gaspar
Ao final do dia 16 de março de 2026, nos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde se encontrava internado, faleceu o Rev.do Padre ANSELMO RAMOS DIAS GASPAR.
Nasceu a 21 de dezembro de 1942 (83 anos), em Souto do Brejo, freguesia de Janeiro de Baixo, concelho da Pampilhosa da Serra. Era filho de Joaquim Dias Francisco e de Maria Augusta de Jesus Ramos.
Entrou no Seminário Menor da Figueira da Foz a 11 de outubro de 1954 e, concluído o curso de Teologia no Seminário Maior de Coimbra, foi ordenado presbítero no dia 15 de agosto de 1967 no Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima por Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal Patriarca de Lisboa.
O seu fecundo e generoso ministério sacerdotal, que também passou pelo ensino, como professor de Educação Moral e Religiosa Católica, foi exercido nos seguintes cargos:
- outubro de 1967 – Pároco de Colmeal e Cepos
- setembro de 1972 – Prefeito, Ecónomo e Professor no Seminário Maior de Coimbra
- dezembro de 1977 – Pároco de Santo André e de Santa Maria de Arrifana de Vila Nova de Poiares
- março de 1979 – Pároco interino de São Miguel de Poiares e de São José das Lavegadas
- fevereiro de 1982 – Arcipreste de Penacova e Poiares
- outubro de 1996 – Membro do Conselho Presbiteral
- janeiro de 1997 – Pároco de São José das Lavegadas
- outubro de 1997 – Membro do Colégio de Consultores da Diocese de Coimbra
- outubro de 2006 – Pároco de Santa Cruz de Coimbra
- novembro de 2009 – Capelão da Irmandade de Nossa Senhora das Necessidades – Santa Casa da Misericórdia de Poiares
Foi ainda membro da Direção da Casa do Clero da Diocese de Coimbra e da Comissão para a Aplicação do Fundo Diocesano do Clero.
Em janeiro de 2003, por ocasião dos 25 anos por terras de Poiares, foi-lhe atribuída, pela Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares, a Medalha de Ouro do Município.
Dispensado da paroquialidade em setembro de 2016, manteve-se como colaborador generoso e assíduo do pároco de Santa Cruz, encargo que deixou no início deste ano de 2026 por motivos de saúde.
Amanhã, quinta-feira, dia 19 de março, pelas 10h, será celebrada Missa da Solenidade de São José, com o Corpo Presente, na igreja de Santa Cruz de Coimbra, presidida pelo Vigário-Geral da Diocese, seguindo o seu corpo para a sua terra natal, Souto do Brejo, Pampilhosa da Serra, onde pelas 16h, o Senhor Bispo de Coimbra presidirá à Missa Exequial, seguindo-se o sepultamento do seu corpo no cemitério local.
Paz à sua alma!
Coimbra, 18 de março de 2026.
A diocese de Coimbra promoveu no dia 17 de março um diálogo online sobre perdão e reconciliação, entre o Bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, e a jornalista Sónia Neves.






