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VIRGÍLIO DO NASCIMENTO ANTUNESBISPO DE COIMBRA DECRETO DE NOMEAÇÃO DO COLÉGIO DE CONSULTORES Sendo necessário constituir o novo Colégio de Consultores da Diocese de Coimbra, de acordo com o Cânone 502, §1 do Código de Direito Canónico, nomeio os seguintes membros, pertencentes ao Conselho Presbiteral: P. Manuel António Pereira Ferrão P. Manuel Carvalheiro Dias Cón. Luís Miguel Baptista Costa Cón. Nuno Miguel dos Santos Cón. Jorge da Silva Santos Cón. Pedro Carlos Lopes de Miranda P. Jorge Germano Dias de Brito Ao Colégio de Consultores, nomeado por cinco anos, competem as funções determinadas pelo direito. Coimbra, 12 de maio de 2022Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra O ChancelerP. António Joaquim Farinha Domingues
III DOMINGO DA PÁSCOANOMEAÇÃO E RENOVAÇÃO DOS MINISTÉRIOS LAICAIS   Caríssimos irmãos e irmãs! Este tempo pascal aviva em nós a alegria da fé em Cristo Ressuscitado e leva-nos a caminhar confiantes no serviço à Igreja a que fomos chamados. Ao trazer-nos à memória a experiência dos apóstolos e discípulos do Senhor, a Palavra de Deus fortalece-nos e ajuda-nos a passar das situações de desânimo em que, por vezes, nos encontramos, para a fé em Cristo que vence todas as barreiras. A paixão de Jesus foi para os apóstolos uma experiência trágica, pois Aquele em quem tinham depositado todas as suas esperanças, tinha de passar pela morte. O túmulo vazio e as aparições do Ressuscitado são grandes sinais da Páscoa e da vitória de Jesus sobre a morte, mas exigem adesão de fé, decisão pessoal, acolhimento do dom. Quando temos a graça de exclamar como o discípulo predileto «É o Senhor», sentimo-nos interiormente revigorados e abrem-se-nos as portas de um percurso de vida mais seguro e mais feliz. O Evangelho que hoje escutámos oferece-nos a possibilidade de uma reflexão acerca do nosso percurso de vida enquanto cristãos chamados à fé e convidados para a missão de edificar a Igreja de Cristo de acordo com a vocação que recebemos. Hoje, pensamos sobretudo na vossa vocação e missão de leigos convocados para os serviços e ministérios, que manifestam a riqueza dos dons de Deus e se destinam ao crescimento das comunidades na comunhão e na santidade. Tomemos como fio condutor as palavras do Evangelho de João. Simão Pedro disse aos outros discípulos: “Vou pescar”. E eles responderam imediata e decididamente: “Nós vamos contigo”. Esta decisão sem hesitações encontra-se noutros lugares dos Evangelhos aquando do chamamento dos discípulos e manifesta o encanto de cada um deles por Jesus, cujas palavras e gestos manifestam o rosto de Deus. Podemos também pensar na figura de Pedro que se desenha como a rocha sobre a qual assentará a Igreja e na comunhão com ele manifestada pelos outros discípulos. Todos desejam participar na mesma missão eclesial que se está a delinear fundada na fé pascal e no envio em missão feito por Jesus Ressuscitado. Nós estamos aqui, hoje, para manifestar, mais uma vez e de forma decidida, o nosso desejo de corresponder à vocação a que fomos chamados, a nossa disponibilidade em hesitação para o serviço às comunidades que nos é entregue pela Igreja Diocesana. Queremos estar com Pedro, queremos fazer caminho com os outros discípulos, queremos oferecer a nossa vida, com as nossas capacidades e apesar de todas as nossas limitações, para bem do Povo de Deus e edificação da Igreja na santidade. O insucesso na pesca durante toda a noite e o facto de não terem nada para comer ao romper da manhã, conduz os discípulos a confiar na palavra de Jesus - «lançai a rede para a direita do barco e encontrareis» - e a uma forte profissão de fé - «É o Senhor». Esta experiência dos discípulos evoca em nós todas as situações e insucesso na realização da missão que nos foi confiada e ajuda-nos a compreender que, no entanto, não tem a última palavra. Sentimo-nos servos e abrimo-nos às propostas de Jesus, na certeza de que a obra é Sua e que Ele nunca nos falta com a graça necessária. Cabe-nos, com humildade, pormo-nos ao serviço com confiança e esperança, e aceitar com a mesma fé o sucesso e o insucesso. Os discípulos sentiram-se felizes pelo facto de partilharem com Jesus a alegria da pesca milagrosa, que se deveu somente a Ele, sentem-se felizes por estarem com o Senhor que se curva para lhes preparar a mesa, sentem-se revigorados com aquela refeição, que significa muito mais do que comer para alimentar a fome do corpo, pois sacia a sede do espírito. «Tu amas-me?» foi a pergunta dirigida a Pedro e continua a ser a pergunta dirigida cada um de nós por Jesus. A resposta é, porventura, difícil, mas somente num “sim” completo, construído dia após dia e que inclui a oferta da própria vida, oferece sentido a toda a nossa vocação e missão. O serviço concreto à Igreja que nos é pedido pelo Senhor é um grande sinal desse amor que nos move em resposta ao dom recebido. Nesse serviço Jesus indica-nos o “género de morte” com que havemos de dar glória a Deus, ou seja, o modo como havemos de dar testemunho do amor a Deus e à Igreja, com sacrifício de nós mesmos, mas felizes por estarmos com o Senhor e participarmos da sua vida e missão. O texto do Evangelho escutado conclui com o imperativo de Jesus dirigido a Pedro: «Segue-me”. A prova do amor tem um nome para Pedro, para os outros discípulos e para nós aqui presentes: chama-se seguimento de Jesus. É preciso dar continuidade à obra de Deus iniciada em nós, caminhar sem desânimo, pois Ele permanece sempre ao nosso lado, Ele vai á nossa frente a indicar o caminho, partilha connosco a sua Palavra e o Pão da Vida, revela-nos o seu amor que salva. Irmãos e irmãs! Esta celebração que anualmente fazemos na nossa Diocese já há algumas décadas, juntamente com o dia das ordenações de diáconos e presbíteros enche-nos de júbilo. Homens e mulheres de fé provada e de amor consolidado, respondem “sim” à sua vocação para servir a Igreja e oferecem a sua vida em favor da salvação dos irmãos. A Igreja precisa de todos como nos recorda o caminho sinodal que estamos a realizar, e precisa de cada um, de acordo com a graça que recebeu. Os tempos são difíceis como o eram os tempos apostólicos, mas o amor de Deus mantém-se de geração em geração. Agora somos nós os que têm a missão de falar e testemunhar a feliz notícia da salvação realizada por Jesus Cristo e havemos de sentir-nos felizes como os apóstolos que “saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria por terem merecido ser ultrajados por causa do nome de Jesus”, tal como concluía a Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos. Rezemos uns pelos outros a fim de que ninguém desanime diante das dificuldades sentidas nas comunidades paroquiais ou na Igreja diocesana. Aproximemo-nos do banquete da Eucaristia em que o Senhor se continua a oferecer e partilhemos a Palavra que salva. Mesmo as funções consideradas mais humildes que desempenhamos sejam um sinal do amor provado a Deus e ao próximo, pois somos servos de Deus e da humanidade no seguimento de Jesus morto e ressuscitado. Coimbra, 01 de maio de 2022Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
MISSA DO DIA DE PÁSCOA 2022 Caríssimos irmãos e irmãs!A manhã do domingo de Páscoa faz brilhar para nós a luz de Cristo Ressuscitado, que irrompe com a aurora do primeiro dia da semana para iluminar todas as noites escuras da nossa vida e da vida do mundo. Estamos de novo a celebrar a Páscoa do Senhor, na esperança de que preencha todas as trevas das nossas vidas e pedindo ao senhor que se faça presente em todas as pessoas e situações que, no mundo, precisam da luz da sua esperança. A narração do Evangelho apresentava-nos os acontecimentos vividos pelas mulheres e pelos discípulos que, de manhãzinha, vão ao sepulcro de Jesus, tendo-o encontrado vazio. Juntamente com as aparições de Jesus, que se lhe seguem, este é um dos sinais que apontam para a fé na ressurreição, proclamada pelos crentes desde o primeiro momento, tal como o evangelista diz ao concluir a narração, com uma referência ao outro discípulo: “viu e acreditou”.Diante do cenário inesperado, Maria Madalena corre para ir ter com Simão Pedro, a testemunha privilegiada daqueles acontecimentos, e diz-lhe: “Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram”. Estas palavras atestam que Jesus não está ali, como confirma Pedro e a outra testemunha, o outro discípulo que ali acorre com ele. Deparam-se com as ligaduras no chão e o sudário enrolado à parte. O Evangelista pretende, assim, assegurar a veracidade dos factos por meio da descrição dos pormenores e do testemunho de três pessoas, Maria Madalena, Pedro e o outro discípulo.Ao afirmar que o outro discípulo, tendo entrado no sepulcro, viu e acreditou, o evangelista faz-se eco da Epístola aos Romanos, que escutámos na vigília pascal em contexto batismal e que dizia: “Fomos sepultados com Ele pelo batismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, também vivamos uma vida nova”. O evangelista declara por meio desta ação que a porta da fé é o sepulcro aberto de Jesus, onde é preciso entrar pelo batismo, para fazer caminho na vida nova. Morte e ressurreição de Jesus Cristo constituem o mistério pascal, o mistério da nossa fé. A outra expressão que tomamos, hoje para a nossa meditação e a que podemos dar um sentido espiritual, sai também dos lábios de Maria Madalena, ansiosa por encontrar Jesus, que lhe tinha revelado a misericórdia e o perdão de Deus: “não sabemos onde o puseram”.Diante da certeza de que Jesus não está ali, pensa naturalmente, que alguém o terá levado. Falta saber para onde. As aparições do Ressuscitado farão luz sobre esta interrogação e farão acreditar que foi para o Pai de onde viera, mas permanece em nós e no meio de nós.Desde essa altura, a grande questão de crentes e não crentes, inquietos e necessitados de explicar a fé, mas de explicar também os acontecimentos bons e maus da vida, continua a ser a mesma: onde está Jesus? Não raro, diante dos grandes dramas da humanidade, diante do sofrimento dos inocentes, das injustiças flagrantes ou mesmo diante da morte, ouve-se em tom de provocação: “afinal onde estava Deus?” Mas, a mesma pergunta pode ouvir-se também dos lábios crentes que, dessa forma, manifestam a grande dificuldade de penetrar no mistério de Deus, da fé e das realidades humanas.A Páscoa de Jesus é a única realidade que nos ajuda a entrar nesse mistério e a iluminar todas as perguntas que nos surgem, porque é portadora da luz d’Aquele que passa pela morte e chega à glória da ressurreição. Diz-nos que Jesus não está morto no sepulcro e leva-nos a contemplá-lo presente em todas as situações humanas. Às vezes surge a tentação de O pôr do lado errado, de O contemplar na glória sem cruz ou na cruz sem ressurreição.Onde está Jesus? Está com toda a certeza do lado da humanidade por quem ofereceu a sua vida e que não pode salvar-se a si mesma. Jesus está sempre ao lado do bem de cada pessoa e de todas as pessoas com o desejo divino de nos ajudar na estrada da felicidade.Jesus está sempre do lado da vida, que quer ver respeitada, promovida e dignificada. Nunca está do lado da morte e chama continuamente à conversão todos os que põem em causa por palavras, por obras ou por omissões a própria vida ou a dos outros, particularmente dos pobres, dos inocentes e dos indefesos.Jesus está sempre do lado da paz e acompanha com a sua graça os construtores da paz, mesmo que, por vezes, as fações O queiram pôr do lado da violência e da guerra para justificar as suas más ações. Deus não entra nas nossas guerras e sofre sempre na pessoa das suas vítimas, associando-as à sua paixão. Não cessa de pedir a mudança de vida aos que as fazem e de os convidar a um coração fraterno, que partilha, que respeita e que reconhece os direitos das outras pessoas e povos.Jesus está no sofrimento de cada pessoa como consolação e esperança de salvação. Não ofereceu a sua vida ao Pai senão para abrir horizontes de vida a cada um de nós que encontra inevitavelmente dores e penas no seu caminho.Mas Jesus está também no coração feliz de todas as pessoas que se alegram com o bem dos outros, que usam a caridade fraterna como o maior e mais belo recurso do coração. Jesus está na Igreja e na humanidade que dá testemunho d’Ele com coragem e fortaleza. Está na humanidade que é capaz de servir o próximo com amor. Irmãos e irmãs!Neste dia celebramos a Páscoa de Cristo, entramos no sepulcro vazio e professamos a nossa fé na sua ressurreição. Daqui levamos o sério desafio de anunciar à humanidade onde está Jesus Cristo, o Ressuscitado. Daqui levamos o desafio de ajudar os irmãos a fazer caminho para O encontrar no meio das situações felizes ou duras da vida.O testemunho de uma fé feliz constitui o método e a linguagem adequados para realizarmos esta missão que nos foi dada ao entrarmos com Cristo no sepulcro para com Ele ressurgirmos para a vida. Coimbra, 17 de abril de 2022Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra  
VIGÍLIA PASCAL 2022 Caríssimos irmãos e irmãs!A Vigília Pascal constitui o ponto mais alta da vida dos cristãos, porque nela celebramos Jesus Cristo ressuscitado e glorioso, que venceu o pecado e a morte em que jazíamos e nos fez passar à esperança da vida nova.Ela é uma celebração da fé no Deus Criador, como ouvimos na leitura do Livro do Génesis, a celebração da fé no Deus que liberta o seu povo, como ouvimos na narração do Êxodo, a celebração da fé da compaixão de Deus que perdoa as nossas culpas, como profetizou Isaías, a celebração da fé no Deus que sempre renova a sua aliança de amor com o seu povo, de acordo com o texto de Ezequiel. Toda a história antiga concorre para o grande anúncio do sepulcro vazio, sinal da ressurreição de Cristo, a Boa Nova do Evangelho. Da paixão e morte nasceu para nós o batismo como fonte da vida nova que somos convidados a viver para Deus.Esta é a noite da solene profissão de fé no batismo para a remissão dos pecados, na eucaristia como alimento para a nossa peregrinação terrena e na iluminação que nos chega por meio da luz de Cristo, a única luz do mundo. Diz-nos que quem celebra esta vigília na fé, manifesta a sua decisão pessoal de estar em permanente conversão e sem ceder à tentação de ir por outros caminhos que não os de Deus. Ao acompanharmos os nossos irmãos que hoje celebram o batismo, a confirmação e a Eucaristia, os três sacramentos da iniciação cristã, damos graças a Deus por nós e por eles. Por nós, porque obtivemos a graça de ser sepultados com Cristo na sua morte para ressurgirmos com Ele para a vida; por eles, porque foram iluminados pelo Espírito Santo e chamados a responder ao convite para fazerem parte desta grande família, a Igreja de Deus, a comunidade dos que têm por vocação ser santos.Eles e nós temos diante a oportunidade de continuar a descobrir a alegria de conhecer a Deus, de compreender como somos felizes por Cristo nos ter alcançado e ter entrado na nossa vida, de sentir dia a pós dia a força do amor de Deus a ajudar-nos a nossa cruz com esperança.Eles e nós temos diante a oportunidade de pertencer a esta Igreja, comunidade de irmãos que partilham a fé e se amparam com a oração, com a vida fraterna, com o anúncio da Palavra do Evangelho e com a solidariedade espiritual, própria da comunhão dos santos. Caríssimos irmãos e irmãs! A noite da Vigília Pascal leva-nos a aprofundar na mente, no coração e na vida a nossa fé em Deus, Santíssima Trindade, em quem vivemos, nos movemos e existimos como cristãos. Esta é a fé que nos distingue radicalmente de todos os outros povos que acreditam em Deus.A fé é um caminho uma vez iniciado e nunca concluído, pois é um processo de acreditar e amar a Deus que conhecemos pela revelação divina e ao qual aderimos pelo assentimento da nossa vontade, em resposta à graça recebida.Conhecemos os meios adequados para a contínua renovação da fé que a Igreja nos oferece: a celebração da Eucaristia e dos outros sacramentos, a oração pessoal e comunitária, a leitura e meditação da Palavra de Deus, a caridade cristã e a vida em comunidade que anuncia o Evangelho.Sem o alimento quotidiano, que inclui também o silêncio, a meditação, a reflexão e o estudo, a fé não resiste. Ela alimenta-se de um amor pessoal a Deus, que brota da resposta às sementes do Espírito depositadas em cada um de nós. A Vigília Pascal leva-nos também a aprofundar a fé na Igreja. Diante de uma comunidade cristã santa e pecadora, é difícil para muitos acreditar que é muito mais do que organização humana e social. É, por isso, muito urgente que entendamos a Igreja como Corpo Místico de Cristo, templo de Deus e casa habitada pelo Espírito Santo.Muitas pessoas, mesmo cristãs, dizem acreditar em Deus, mas têm muita dificuldade de acreditar na Igreja. Somente quando nos consideramos seus membros e estamos dispostos a dar a vida por ela, e acolhemos o dom do Espírito Santo, temos a força necessária para dizer no credo: Creio na Igreja, uma, santa, católica e apostólica.Com humildade, havemos de alimentar a fé na Igreja Santa, porque Deus é Santo, mas também pecadora, porque nós somos pecadores, até chegarmos a sentir que é na Igreja e como Igreja que nos é dado acreditar e professar a fé em Deus Santíssima Trindade. A Vigília Pascal oferece-nos ainda a possibilidade de fazermos um caminho sério na vida cristã. Homens novos, nascidos no batismo e alimentados na Eucaristia, somos chamados a uma contínua incarnação da fé na totalidade da nossa vida. Não tem sentido falarmos de cristãos praticantes e não praticantes. Sendo cristãos, assumimos fazer parte da Igreja e celebrar nela os louvores de Deus; assumimos igualmente a alegria de fazermos de Cristo e do seu Evangelho a referência da nossa vida em todos os seus detalhes.Ser cristão por tradição ou por nascermos num meio cultural cristão tem o seu valor, pois faz naturalmente parte de nós e é o húmus em que nascemos e crescemos para a vida; no entanto, só por si, essa condição não transforma a vida, como queremos que a fé nos transforme plenamente. Muito desejamos realizar em nós as palavras de Paulo, que definem o que é a vida cristã: “já não sou eu que vive, é Cristo que vive em mim”. Caríssimos irmãos, catecúmenos! Convido-vos a acolher esta vida nova que Cristo Ressuscitado vos oferece no batismo que ides receber. E convido-vos a vós, caríssimos cristãos que já celebrastes o batismo há muito ou há pouco tempo, a renovar alegremente a fé em Deus, que nos renova por meio da fé que, vamos solenemente professar. Coimbra, 16 de abril de 2022 Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra
CELEBRAÇÃO DA PAIXÃO DO SENHOR 2022 Caríssimos irmãos e irmãs! Estamos diante de um cenário verdadeiramente carregado de sentido teológico, espiritual e humano nesta celebração da sexta-feira da paixão do Senhor. Acompanhamos Jesus, o Verbo de Deus feito carne, o nosso rei e Senhor, o nosso irmão, pelas veredas do sofrimento até à morte. Este percurso de dor não deixa ninguém indiferente, quando se trata do Filho de Deus, como não deixa ninguém indiferente, quando se trata dos filhos dos homens. Esta proximidade e configuração de Jesus, o Filho de Deus, com a humanidade e a sua dor, manifesta o mais profundo mistério do desejo salvador de Deus e os seus verdadeiros sentimentos em relação a todos nós. Falar de sofrimento é uma coisa, experimentá-lo é outra bem diferente; consolar os que sofrem com palavras de esperança e alento estando felizes e consolados, tem valor e é bálsamo de solidariedade e amor, mas configurar-se plenamente com os que sofrem com dor igual à sua, é amor redentor. Jesus escolhe o caminho mais duro, mas redentor, a partir do amor com que assume na sua carne as dores, as injustiças, o desprezo e a humilhação da humanidade. Ali se manifesta a vontade amorosa do Pai, que não manda mensageiros a manifestar solidariedade e compaixão junto dos homens, mas manda o seu próprio Filho, como homem de dores, experimentado no sofrimento, para que partilhe plenamente a nossa condição. Ali se manifesta também a autenticidade da incarnação do Verbo de Deus, que sela a sua mensagem com o seu próprio sangue e a sua própria vida: é verdadeiramente homem e identifica-se com a nossa humanidade. Este é o Deus em quem acreditamos, que não está longe de nós, que não manda mensagens do Céu, mas partilha a nossa vida na terra e ilumina os nossos caminhos indo connosco, indo à frente, assumindo tudo o que nos alegra e tudo o que nos dói. Na narração da paixão segundo o Evangelho de S. João, que agora escutámos, há uma expressão de grande significado, que queremos trazer para a nossa meditação. Pilatos, quando apresenta Jesus no Pretório, vestido com a coroa de espinhos e o manto de púrpura, proclama solenemente: «Eis o homem». Pilatos manifesta assim que não acredita que Ele seja o Filho de Deus nem o Rei de Israel, como lhe havia declarado, e que são as acusações que impendem sobre Ele. Aquela cena constitui uma forma de ridicularizar as suas afirmações e a sua pessoa e de dar razão aos que O apresentam como culpado e a quem ele já se referira da mesma forma quando lhes perguntou: “Que acusação trazeis contra este homem?”. “Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprezível e sem valor para nós”, como profetizara Isaías. No entanto, para agudizar o escárnio, é apresentado com as insígnias reais. Jesus anuncia que é Rei de Israel e apresenta-se como o Senhor, Aquele que é a verdade, Aquele que assume toda a humanidade, com as suas debilidades e todas as suas alegrias. E, no entanto, fez-se em tudo igual a nós menos no pecado, pois é o Santo de Deus, cujo amor é divino e, por isso, resgata todo o homem do pecado que o escraviza e o impede de partilhar da sua vida. No nosso pensamento comparecem hoje todos os homens e mulheres de todas as gerações, mas sobretudo do nosso tempo, que são reduzidos à condição assumida por Jesus. O mundo está cheio de pessoas maltratadas, injuriadas, desprezadas, o mundo está cheio de homens de dores, experimentados no sofrimento, de quem se desvia o rosto e considerados sem valor. Custa olhar para eles de frente, pois como o Servo do Senhor narrado por Isaías, estão desfigurados e parecem ter perdido toda a aparência de um ser humano. A guerra, a destruição e a violência exercidas sobre tantos homens e mulheres, pretendem roubar-lhes a alegria de viver, ofuscam a dignidade que, no entanto, ninguém lhes pode retirar. Temos diante o panorama da guerra que devasta a Ucrânia e reduz a escombros aldeias, campo e cidades, mas reduz sobretudo a servos sofredores todos os que morrem, fogem, passam frio e fome, não são respeitados como pessoas iguais em dignidade e humanidade. Todos têm lugar no coração de Cristo, o Servo de Deus, que se entrega livremente à morte por eles. Todos hão de ter lugar no nosso coração, mas também na nossa solidariedade, na nossa caridade e nas ações desenvolvidas por pessoas e instituições que não se resignam à escalada dos horrores a que assistimos. Esta Sexta-Feira Santa é mais dolorosa e triste, porque continuam diante dos nossos olhos e dos olhos do mundo cenas que reproduzem o panorama narrado por Isaías e contado pelo evangelho da paixão. Na palavra homem usada por Pilatos para escarnecer de Jesus, estão incluídos todos os homens maltratados e ofendidos, verdadeiramente escarnecidos pelas ações da maldade humana. O Evangelho segundo S. João que escutamos nesta celebração, introduz uma referência à Virgem Maria, que está de pé, junto à cruz de seu Filho, com o discípulo predileto. Este cenário anuncia a certeza da presença constante da Virgem Maria na vida de seu Filho e a certeza da sua dor diante das cruzes e sofrimentos de todos os que lhe foram dados como filhos. Maria, Mãe e figura da Igreja, fica connosco para nos ajudar a compreender e sentir as dores de Jesus, que ela mesma partilhou junto à cruz do seu Filho e nosso salvador. Maria permanece igualmente connosco como Mãe de toda a ternura para nos consolar nas nossas tribulações e nos assegurar que nada nem ninguém nos pode roubar a nossa condição de homens e de filhos. Enquanto contemplamos Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem suspenso na cruz, pedimos à Virgem Maria que seja a Mãe que nos acolhe como filhos e que proteja especialmente aqueles que, nesta hora, são maltratados e desprezados na sua dignidade humana. Hoje, comprometemo-nos a tudo fazer para que o “eis o homem” do sarcasmo e do escárnio dê lugar ao “eis o homem” do amor e da fraternidade. Coimbra, 15 de abril de 2022Virgílio do Nascimento AntunesBispo de Coimbra