Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo - Homilia de Dom Virgílio

SOLENIDADE DO SANTÍSSIMO CORPO E SANGUE DE CRISTO
Igreja de Santa Cruz de Coimbra

A Igreja elegeu um dia, o da celebração do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, na quinta-feira depois da Santíssima Trindade, para manifestar de forma solene e pública a centralidade da Eucaristia na vida da comunidade cristã. É o que estamos a celebrar aqui na Igreja de Santa Cruz e o que se celebra no mundo inteiro e nas nossas comunidades e paróquias por toda a Diocese de Coimbra.

Este é o mesmo mistério que celebramos cada domingo, a nossa Páscoa semanal, ou em cada dia da semana quando reunimos a assembleia dos fiéis, proclamamos a Palavra do Evangelho, partilhamos o Pão da vida e o cálice da salvação, e enviamos os irmãos pelo mundo a fim de porem em prática a caridade cristã.

Sempre a Igreja celebrou a Eucaristia como o sacramento da presença de Cristo e da caridade de Deus para connosco; sempre a Igreja proclamou a sua fé eucarística, ou seja, a sua fé em Jesus Cristo morto e ressuscitado, presente no meio do seu povo para o conduzir à salvação. Vinte séculos depois da Páscoa de Jesus continuamos a celebrar e viver o mesmo mistério, a mesma entrega, o mesmo culto e o mesmo mandato: “fazei isto em memória de Mim”.

Na Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo aproximamo-nos humildemente do Senhor, convocamos os irmãos para o louvor que Lhe devemos e renovamos a decisão de edificar a Igreja na unidade e na comunhão, para que o mundo creia e seja salvo.

Conhecemos as dificuldades que este convite encontra nos que já aderiram a Jesus Cristo pela fé e nos que estão em caminho de encontro com Ele; sabemos como existem as resistências interiores e como são grandes as dificuldades provenientes da organização da vida das pessoas e famílias, a par com uma acentuada perda do sentido da dimensão comunitária e pública da fé. Mas acreditamos que este é o caminho e que, por isso, a proposta da celebração semanal da Eucaristia com a comunidade cristã, ancorada numa fé pessoal, esclarecida e amada como o centro da vida da Igreja, deve continuar com maior ousadia e com maior capacidade de persuasão.

Às famílias, às crianças, aos jovens, convidamos a experimentarem, com renovada fé e disponibilidade, a realizarem o encontro semanal com a Eucaristia. Procurem ser fiéis na assiduidade, aberto à mensagem da Palavra que se proclama, ativos na escuta, no canto, nos gestos, nas respostas ao presidente da celebração, no silêncio orante, na conversão do coração. Como já acontece com muitas pessoas de todas as idades, descobrirão que a celebração dominical é essencial para a fé, para a fortaleza da vida cristã, para a inserção na Igreja e para o testemunho no meio do mundo.

Deus tem um tesouro que nos quer oferecer e esse tesouro chama-se Eucaristia, isto é, encontro sacramental e real com Jesus Cristo, por quem nos vem toda a graça e todo o amor. Ajudemos as crianças, os jovens, as famílias a conhecer esse tesouro; ajudemos os idosos e doentes a receber a comunhão nas suas casas, nos lares, nos hospitais e que nada nos impeça de acolher Jesus Cristo, o nosso único Senhor, Palavra e Pão da vida eterna.

“Embora sejamos muitos, formamos um só corpo, porque participamos do único pão”. É a afirmação de S. Paulo na Primeira Epístola aos Coríntios. Trata-se de uma conclusão, que é ao mesmo tempo um comentário ao Evangelho segundo S. João, em que Jesus pede ao Pai, na sua oração e testamento, que mantenha os irmãos unidos numa só fé, num só amor e numa só Igreja.

A Eucaristia é o sacramento da unidade, porque é o sacramento de Jesus, o único Senhor. Quem nela participa não pode renunciar a este desejo de Jesus, que se concretiza na unidade da Igreja, Povo Santo de Deus. A diversidade de pessoas – embora sejamos muitos – não pode pôr em causa a unidade de um só povo, constituído por pessoas unidas por laços de comunhão fraterna e em íntima união com Cristo.

A Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo faz-nos um forte apelo para a unidade da Igreja Diocesana de Coimbra e sempre na comunhão da Igreja Católica ou Universal, que professamos no Credo da nossa Fé. Todas as palavras, atos ou omissões que sejam contra a unidade da Igreja são um atentado contra a sua beleza e santidade, que não queremos entre nós.

Convido-vos, por isso, caríssimos irmãos e irmãs a sermos construtores da unidade querida por Jesus. Ela tem muitos aspetos de que havemos de cuidar.

A unidade na fé fundada na Pessoa de Jesus e no Seu Evangelho, interpretada pela Tradição da Igreja ao longo dos séculos, é a base fundamental. Precisamos por isso de ser dóceis à doutrina da fé apostólica de que a Igreja, iluminada pelo Espírito Santo, é a garantia. Não cabe a cada pessoa definir o seu Credo, mas acolher em atitude de humildade, o Credo da Igreja, com todos e cada um dos seus artigos.

A unidade na ação, que inclui tudo o que fazemos, a ética cristã, o testemunho que damos, há de manifestar na vida o que acreditamos com o coração. No meio do individualismo reinante e da fratura de valores humanos, olhemos para Jesus na Eucaristia e escutemos as suas palavras, que nos conduzem às fontes da verdade.

A unidade na liturgia, fruto de um percurso multisecular e sempre na busca da fidelidade a Deus, manifesta a nossa fé na Igreja, como Povo de Deus habitado pelo Espírito Santo, que não se engana nem nos engana. A liturgia, celebrada na unidade e segundo o que ensina a Igreja, dá-nos a garantia de que estamos no caminho querido por Deus para que o seu Povo alcance os dons que lhe reservou.

A unidade na ação pastoral é um desafio muito grande para os ministros ordenados, para os consagrados e para os leigos. Tem como vetores centrais o culto divino, a evangelização e a catequese, e a caridade cristã, bem estruturadas numa boa organização das comunidades cristãs e sob a condução dos pastores, chamados e enviados por Jesus precisamente para serem sinais visíveis da unidade e da comunhão de todo o rebanho. Convido-vos a seguirmos, como Diocese de Coimbra, os caminhos da unidade na ação pastoral, de acordo com as linhas traçadas de muitas formas, mas sobretudo por meio dos Planos Pastorais Diocesanos, elaborados e discernidos pela comunidade diocesana e confirmados e apresentados pelo bispo, o primeiro servo da unidade e da comunhão desta porção do Povo de Deus.

A unidade no Espírito Santo e no amor que Ele infunde em nós, torna-nos discípulos de Cristo e pedras vivas de uma Igreja cada vez mais santa e melhor testemunha do dom que recebeu. A maior prova da nossa fé é o amor que temos uns pelos outros enquanto membros da Igreja e o amor que manifestamos por toda a humanidade querida e amada pelo próprio Deus.

Convido-nos neste dia e agora em silêncio, a pedirmos ao Espírito Santo que nos ajude a crescer no amor a Jesus Eucarístico, que nos ajude a amar mais a Igreja, comunidade de fé e de santidade, e que nos ajude a uma maior disponibilidade para anunciar o Evangelho à humanidade, que precisa de ser cuidada e redimida.

Convoco-vos para a construção da Igreja Diocesana na unidade e na comunhão, que nascem sempre da Eucaristia celebrada, adorada e vivida com amor.

Coimbra, 8 de junho de 2023
Virgílio do Nascimento Antunes
Bispo de Coimbra

 

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