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DOCUMENTOS OFICIAIS DA IGREJA
 
Nota sobre as pessoas idosas

Comissão Episcopal da Família
Outubro de 2000


1. A evolução demográfica dos países europeus e muito particularmente de Portugal é caracterizada por um acentuado envelhecimento da população. Na realidade, já não se pode sequer falar da existência de uma pirâmide etária, uma vez que a marcada redução da natalidade estreitou muito a base da pirâmide, enquanto a sua ponta se torna cada vez menos aguda. Dentro de poucos anos, 20% da população portuguesa corresponderão a cidadãos com mais de 65 anos, ou seja, pertencentes à chamada terceira idade. A redução da natalidade e a mais longa sobrevida dos idosos conduzem a esta situação, que é nova e levanta receios e questões.

2. Não é nossa intenção analisar as causas destas rápidas e profundas mutações demográficas nem perspectivar as linhas de orientação para o modo como a sociedade deve encarar estes problemas, de óbvias consequências sociais, laborais, económicas, relacionais e de saúde. Neste momento limitamo-nos a verificar que esta é a realidade e que ela exige atenta análise e a adopção de atitudes e comportamentos em relação aos idosos e ao sempre crescente número dos muito idosos.

3. Devemos começar por saudar carinhosamente aqueles que atingiram a chamada terceira idade ou até largamente a ultrapassaram, aproximando-se das nove ou dez décadas de vida (fracção da população a que alguns chamam a quarta idade). Já percorreram uma longa vida de trabalho e de canseiras, formaram família, educaram filhos, contribuíram para a construção do mundo em que vivemos e aproximam-se do término da sua existência terrestre. A todos, e muito especialmente aos que vivem na pobreza, no isolamento, no esquecimento ou na amargura, saúda esta Comissão com calorosa amizade e sincera gratidão, certa de que todo o povo cristão a acompanha nesta homenagem. Sempre a Igreja teve especial carinho e atenção pelos mais velhos membros do Corpo de Cristo, ajudando-os nas suas necessidades espirituais e materiais, de forma individual e institucional, recomendando vivamente aos fiéis que respeitem, acarinhem e acompanhem as pessoas idosas.

4. A Igreja reconhece que não basta dispensar cuidados e atenções às pessoas idosas, como se de meros receptores se tratasse. As pessoas idosas são, por sua natureza, fonte de dádivas, tesouro de experiências, conselheiras sábias e prudentes. Graças à disponibilidade que manifestam e à generosidade que as anima, elas oferecem o seu tempo, as suas actividades, as suas habilitações, o seu saber e não raras vezes as suas economias, contribuindo para dar eficácia à solidariedade eclesial e privada, à acção caritativa, ao esforço pedagógico. Voluntários nos hospitais, professores em instituições de solidariedade, educadores, animadores da assembleia dominical, membros de confrarias e comissões fabriqueiras, visitadores de doentes, acompanhantes de deficientes, catequistas, responsáveis por casas de acolhimento e refúgio, consultores e procuradores dos pobres e marginalizados, os idosos, graças aos seus carismas, desempenham um importante e precioso papel na organização e vida da sociedade e muito particularmente da Igreja.

5. Assim sendo, as pessoas idosas têm de ser entendidas como cidadãos, na plena acepção da palavra, com direitos e deveres inalienáveis. Não são pessoas que mendigam a esmola da caridade pública nem se sentem responsáveis pelas preocupações dos organismos oficiais, tementes de um descalabro financeiro dado o aumento de pensionistas e a redução da população activa. O cidadão idoso reivindica para si os direitos humanos, tais como os apresenta a Declaração Universal; não aceita que o considerem como um cidadão de segunda ou uma incómoda causa de risco orçamental. Se as circunstâncias próprias da sua biologia (maior susceptibilidade face a certas doenças, maior frequência de alterações degenerativas, diminuição da acuidade dos sentidos, eventual incapacidade física ou psíquica) o tornam num maior consumidor de cuidados de saúde, tal facto em nada afecta a sua dignidade ou lhe retira direito algum. É indispensável que as famílias e a sociedade se inteirem desta situação e actuem em conformidade, aceitando como uma dádiva a existência de pessoas idosas, respeitando os seus direitos, solicitando a sua colaboração e propiciando-lhes os cuidados de que necessitem.

6. No concreto, conclui-se que embora muito se tenha já realizado, ainda há um longo e difícil caminho a percorrer. É necessário que o Sistema Nacional de Saúde se adapte à realidade desta nova situação, garantindo um acesso rápido e fácil às instituições, criando condições acolhedoras para os idosos, instituindo um esquema de visitação domiciliária, dando prioridade aos cuidados continuados, oferecendo apoio psicológico e de enfermagem, sem esquecer a criação de uma rede de instituições de cuidados paliativos, em apertada e eficaz colaboração com as instituições privadas de solidariedade social. Deve favorecer-se a permanência dos idosos no seu meio familiar, através de medidas sociais, de apoio por equipas de saúde, de natureza fiscal, que constituam no seu conjunto um coerente incentivo e estímulo para que as famílias conservem no seu meio os idosos, sem serem esmagadas por tarefas para as quais estão impreparadas e por despesas que não podem suportar. Apesar disso, é indispensável aumentar o número de lares e de instituições (centros de dia, centros para grandes deficientes, hospícios, etc.), garantindo a sua qualidade e a satisfação de condições de humanização. Devem ser alargados os benefícios concedidos às pessoas idosas necessitadas, facilitando as deslocações, o emprego dos tempos livres, o turismo e o termalismo da terceira idade, a frequência de cursos (técnicos, universitários ou outros), a aprendizagem de artes e ofícios, a criação de micro-empresas, etc.

7. Nenhuma iniciativa ou medida terá êxito se não se basear no princípio fundamental do reconhecimento da dignidade e valia das pessoas idosas, enquanto cidadãos de pleno direito. A Igreja não o esquece nunca, nem poderia fazê-lo, obrigada como está por uma prática bimilenária, pela Palavra, pela Tradição e ainda mais pela esperança que a anima. Esperança que não confunde, supera todas as esperanças do mundo e a todos nos garante que o mais maravilhoso, nos horizontes da pessoa humana, está para chegar. Diante dos olhos de todos, e sobretudo da Igreja, está o exemplo vivo de João Paulo II, velho, doente e frágil, que ocupa a cadeira de Pedro, irradiando carismas, energia, sabedoria, alegria e estímulo ao comprometimento apostólico dos fiéis.

 

 

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