Abertura do Ano Pastoral 2026-2027 – Homilia de Dom Virgílio (com vídeo)

XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM
ABERTURA SOLENE DO ANO PASTORAL
2026.09.27

Caríssimos irmãos e irmãs!

Este é um dia feliz para a nossa Diocese de Coimbra uma vez que acorreram a esta celebração muitos cristãos, homens e mulheres que dizem um “sim” alegre e responsável ao Senhor da Messe e manifestam a sua disponibilidade para assumir a sua missão nas comunidades locais. A nomeação de cada um de vós para o exercício dos ministérios laicais é o sinal de que o batismo vos capacita para trabalhar na Igreja naquilo que é próprio da vossa condição e vocação.

Este é um dia feliz porque se apresentam sete homens como candidatos ao ministério dos diáconos, uma vocação tão viva na nossa Diocese e na Igreja Universal, que tem dado tantos e tão bons frutos em ordem ao crescimento da fé, da caridade e da espiritualidade solidamente alicerçadas. Além destes há outros grupos a caminho do diaconado, acompanhados pela alegria das suas famílias e pelas esperanças das comunidades cristãs.

Este é ainda um dia feliz porque temos a notícia da entrada de alguns jovens no Seminário, com vista à ordenação sacerdotal. E ainda porque esperamos ter brevemente a ordenação de alguns diáconos com vista ao presbiterado, para a configuração sacramental com Jesus Cristo Sacerdote e Pastor da Igreja. Esta é uma causa primeira da vida da nossa Diocese, que deve estar bem presente na nossa ação pastoral, particularmente na catequese de crianças, adolescente e jovens, na pastoral juvenil e universitária, nos movimentos de espiritualidade e na oração das famílias e das comunidades.

A Igreja cresce sempre que alguém ouve as palavras de Jesus, “vem e segue-Me”, e lhe responde afirmativamente, seja para exercer a missão dos apóstolos, seja para realizar a vocação de diácono ou de presbítero, seja para exercer um ministério ou serviço a favor dos irmãos. A Igreja cresce sempre que os batizados, mesmo sem receberem uma nomeação, uma instituição ou uma ordenação, acolhem a vocação de discípulos que vivem e testemunham a sua fé no meio do mundo, e esses são sempre a maior parte dos filhos da Igreja. A Igreja cresce com o trabalho dos catequistas, dos evangelizadores, dos pais e mães de família, com a ação de todos os que crescem e ajudam a crescer na fé com a sua palavra e com o seu testemunho de vida.

O Evangelho de Jesus reconhece as dificuldades que enfrentam todos os que são chamados a ser discípulos e às vocações específicas na Igreja, quando fala das desculpas arranjadas por alguns dos convidados, quando narra a recusa de outros, quando se pronuncia o “não quero” ou o “eu vou, Senhor”, mas de facto, não se vai. Mas, o mesmo Evangelho reconhece com maior veemência a alegria do pecador que se arrepende, do chamado que se põe a seguir Jesus, do que deixa tudo por causa do Reino de Deus. A nossa própria experiência nos mostra que a fuga, a negação, o abandono ou a desistência nos deixam tristes, ao passo que o seguimento de Jesus, mesmo no meio das dificuldades e tribulações que o acompanham, é fonte de alegria, é amor recebido que se dá.

Hoje é o dia de vos dizer um grande obrigado pelo que sois e pelo que realizais na Igreja e na comunidade humana, como pequenos luzeiros de fé e de amor, que se vive e se partilha. Hoje é o dia de vos agradecer, porque no meio de muitas dificuldades, vos pusestes a caminho para afazer a vontade do Pai. Hoje é também o dia de vos convidar a reconhecer com alegria e gratidão a consolação, o conforto na caridade e os sentimentos de misericórdia e caridade que nos vêm do Espírito Santo. Afastemos de nós toda a rivalidade e vanglória, que matam a alegria do serviço, para nos revestirmos dos sentimentos de Cristo Jesus, que se fez livremente Servo de todos sem exigir nada a Deus nem aos homens.

Caríssimos irmãos e irmãs!

Iniciamos um novo no pastoral marcado pela esperança de edificarmos uma Igreja mais espiritual, uma Igreja alicerçada no espírito de Cristo em que está toda a nossa vida. Trata-se, por isso, de construirmos uma Igreja que conhece e ama com maior profundidade o Senhor Jesus Cristo que nos fala, que se nos revela no meio dos acontecimentos, quando eles são iluminados pela Sua Palavra.

Podemos ainda agora escutar a voz de Deus que nos fala, que nos chama, que nos conduz ao aprofundamento espiritual e nos indica os caminhos da eternidade. Isso acontece quando pegamos na Bíblia como Palavra Revelada e fazemos dela a luz para os nossos passos. Quando por meio da Sagrada Escritura, lida, adequadamente compreendida, meditada e rezada nos deixamos conduzir, temos um critério objetivo, firme e verdadeiro para conhecer Cristo e amar os irmãos. Auxiliados pelo Espírito Santo que a inspirou, a trouxe até nós e agora nos inspira para a ler e compreender, podemos rezar ao Pai para que se faça a sua vontade e não a nossa, proclamar, tal como ela nos ensina e exorta, que Jesus Cristo é o Senhor.

A Sagrada Escritura, lida à luz da Tradição da Igreja, é a nossa norma de fé e de vida porque nos dá como critério de ação a Pessoa de Jesus para quem se orienta todo o Antigo Testamento, porque transmite as suas palavras e obras no Novo Testamento e porque nos garante a presença do Espírito Santo nos tempos da Igreja que formamos.

Como escreveu o papa Bento XVI, “a Palavra de Deus está na base de toda a espiritualidade cristã autêntica” (Verbum Domini, 86). Se queremos entrar em profundidade no caminho espiritual próprio da fé cristã, havemos de a escutar atentamente na celebração da Eucaristia e dos sacramentos, havemos de a ter nas nossas mãos, repassá-la com os nossos olhos, compreendê-la com a nossa inteligência, amá-la com o nosso coração, contemplá-la no silêncio e pô-la em prática na nossa vida.

Ao longo deste ano temos a oportunidade de fazer da Sagrada Escritura o nosso primeiro livro, o livro da nossa vida, que nos ensinará a conhecer Jesus, a ouvir a sua voz mesmo no silêncio, e a fortalecer o nosso sim ao seu convite.

Amparamo-nos na Virgem Maria, que ao dizer “sim” a Deus, acolheu no seu seio e na sua vida Jesus Cristo, a Palavra feita Carne.

Coimbra, 27 de setembro de 2026
Virgílio do Nascimento Antunes
Bispo de Coimbra

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