Afinal, como refletem os jovens?

Afinal, como refletem os jovens?

Daniela Sofia Neto
Comissão Diocesana Justiça e Paz de Coimbra

Hoje é dia de reflexão. É um termo que, em vésperas de eleições, significa o intervalo entre o fim da campanha e o ato eleitoral. Significa silêncio político e tempo para pensar.

Na espuma dos nossos dias, a reflexão é substituída pela reação. Vivemos na era do scroll, em que os dedos deslizam nos ecrãs para cima quase como uma metáfora poderosa de como um movimento constante, repetido e quase automático nos liga a tudo e a todos, mas raramente a nós mesmos. Reagimos a uma velocidade que o pensamento já não acompanha. A cada fotografia, a cada vídeo, reagimos antes de compreender. Ora, refletir exige pausa, mas a cultura digital em que permanecemos vive da pressa. Do mesmo modo, o espaço público digital é, cada vez mais, um espaço de visibilidade e não de debate. A identidade constrói-se através da exposição e do reconhecimento, e não necessariamente pela reflexão ou pela coerência. É um pouco como nos relembra Zygmunt Bauman, quando refere que vivemos numa “modernidade líquida”, onde as convicções, os vínculos e até as emoções se tornam voláteis. Não obstante, refletir exige tempo, e o tempo, para muitos jovens tornou-se um luxo raro.

É neste contexto que a canonização de São Carlo Acutis ganha particular destaque. Um jovem italiano falecido aos 15 anos, em 2006, e declarado Santo em 2025. São Carlo, apaixonado pela tecnologia, viveu no coração da cultura digital, usou a internet não para se perder nela, mas para comunicar o Evangelho. Chamaram-lhe o “Santo influencer”, o que não deixa de uma designação curiosa num tempo em que a influência se mede em likes e visualizações. Numa cultura que transforma atenção em mercadoria e visibilidade em poder, São Carlo Acutis inverteu o paradigma porque fez uso da internet não como um palco para se exibir, mas como um espaço de testemunho, onde partilhava o que acreditava ser belo e verdadeiro.

Entre o ruído das notificações e a obsessão pela aparente perfeição, a vida de São Carlo Acutis ergue-se como um apelo à autenticidade. Enquanto muitos se escondem por trás de filtros e de um espartilho social, ele escolheu a transparência e a verdade.

No dia da canonização, as imagens que passavam da mãe de São Carlo Acutis foram realmente emocionantes. Entre lágrimas e sorrisos, viu o seu filho, um jovem aparentemente comum, de sapatilhas e computador, ser proclamado Santo. Foi uma vida breve, mas intensa e que continua a tocar corações em todo o mundo. Muitos jovens, através do seu testemunho simples e luminoso, reencontraram a fé e a esperança. Poucas experiências humanas serão tão comoventes como a de uma mãe ver o seu filho tornar-se Santo. Tornou-se Santo não por fama, mas por um imenso Amor a Deus.

Refletir é um ato de liberdade. Também hoje, ao escolhermos quem queremos que nos represente, somos chamados a um exercício de consciência. Mais profundamente, este dia convida-nos a refletir sobre o rumo da nossa própria vida. Que vozes escutamos? Que ideias seguimos? Em que acreditamos quando o ecrã se desliga?

Jovens, que este seja um exemplo que ajude a refletir e viver de forma autêntica.

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