COP 29 – as mesmas promessas de sempre

COP 29 – as mesmas promessas de sempre

Decorre neste momento e até dia 22 novembro a 29.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP29) em Baku, Azerbaijão, tendo como um dos principais objetivos determinar o financiamento para a ação climática, um novo valor de ajuda financeira Norte/Sul.

Tal como noutras COP, não é tarefa fácil, já que o bilião de dólares anual que é pedido ou sugerido representa dez vezes mais do que a meta dos cem mil milhões estabelecida em 2009 e só alcançada em 2022. A tarefa complica-se ainda mais quando estão ausentes os líderes mundiais dos principais países poluidores (China, a India e EUA que juntos contribuem com 50% das emissões mundiais) e, portanto, que deviam ser pagadores a favor dos países em desenvolvimento.

E se chegar a acordo é difícil, mais difícil ainda é cumprir os compromissos assinados. As cimeiras das Nações Unidas sobre o clima já se realizaram 28 vezes, e, por exemplo no Acordo de Paris assinado por todos os Estados, visava-se limitar o aquecimento global e combater as alterações climáticas (limitar a subida da temperatura a 1,5 graus Celsius) mas as emissões de gases com efeito de estufa continuam a aumentar e o ano passado foi o mais quente já registado, com 2024 a caminho de ser o primeiro a ultrapassar +1,5ºC em relação à era pré-industrial e as emissões de gases com efeito de estufa atingiram um pico histórico, aumentando 1,2% no ano passado, em relação a 2022.

António Guterres foi claro e direto na identificação dos culpados: “Os ricos causam o problema, os pobres pagam o preço mais elevado”, lembrou, citando um relatório da Oxfam segundo o qual “os bilionários mais ricos emitem mais carbono numa hora e meia do que uma pessoa normal numa vida inteira…. “No que respeita ao financiamento climático, o mundo deve pagar o que deve ou a humanidade pagará o preço…O financiamento climático não é caridade, é um investimento. A ação climática não é opcional, é um imperativo.”

Também o Papa Francisco enviou aos participantes da COP29 uma mensagem de encorajamento, pedindo à comunidade internacional que ponha de lado os egoísmos – individual, nacional e de grupos de poder- e coloque no centro o bem da humanidade.

“Não podemos passar e olhar para o outro lado. A indiferença é cúmplice da injustiça. Não podemos lavar as mãos dela, com distância, com descuido, com desinteresse. Este é o verdadeiro desafio do nosso século”.

A verdade é que, apesar dos apelos e da plena consciência de todos para as dramáticas consequências e impactos das alterações climáticas, os adiamentos, os atrasos, as mesmas promessas de sempre, os incumprimentos e o desrespeito pela Humanidade, sobretudo pelos mais frágeis e desfavorecidos é gritante.

Temos que mudar hábitos e mudar a nossa perspetiva sobre a economia e sobre o que é progresso e o desenvolvimento e isso passa, entre outros aspetos, por desenvolver uma economia natural, em que o clima, a natureza e a salvaguarda do bem comum da Humanidade, estejam no centro das decisões económicas.

Ainda há poucos anos, mas que agora nos parecem ser décadas, sonhávamos ser possível construir um Mundo melhor, no qual a pobreza tenderia a desparecer e cuidaríamos desta nossa Casa Comum que é o planeta Terra. Temos esperança que talvez as novas gerações, mais conscientes ambientalmente, possam impulsionar a ação. As gerações mais novas devem ser envolvidas naquilo que são decisões que vão ter muita importância para a sua vida futura… para não ficarmos pelas mesmas promessas de sempre.

Luís Rocha

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