Domigo de Ramos 2026 – Homilia de Dom Virgílio

DOMINGO DE RAMOS 2026

Caríssimos irmãos e irmãs!

Contemplamos, hoje, a paixão de Jesus Cristo. Ela constitui a prova da fidelidade e do amor de Deus por nós. Apesar de cheias de beleza e de verdade, as palavras da revelação de Deus no Antigo Testamento e as palavras de anúncio da Boa Nova do Novo Testamento precisavam de ser provadas pelos gestos, pelos acontecimentos.

A fidelidade de Deus levou-O a cumprir sempre as promessas feitas ao seu povo eleito; agora leva-O a cumprir a promessa de amor a toda a humanidade, a realizar as bem-aventuranças proclamadas no monte, a mostrar a realidade da sua misericórdia e a verdade da sua salvação.

Jesus manifesta a sua fidelidade e o seu amor ao Pai e à humanidade por meio da sua paixão e morte na cruz, pelo seu sofrimento, pela oferta da sua vida, pela sua morte. Não temos outra prova para a nossa fé, senão esta da paixão de Jesus, o Filho de Deus, que cumpre fielmente a promessa do Pai.

Recordamos as relações entre os esposos, entre os pais e os filhos, entre as pessoas que se amam de verdade. São necessárias as palavras e as promessas de fidelidade e de amor, mas são imprescindíveis os gestos de cada dia. Dá-se a prova da fidelidade e do amor, quando se vive verdadeira paixão pelos outros, isto é, quando se é capaz de sofrer com os outros e pelos outros. A prova maior é a da disponibilidade para dar a vida a favor dos outros ou em vez dos outros nos acontecimentos de cada dia.

Ao pensarmos na humanidade martirizada pelas guerras, pelas injustiças e pelas divisões que matam, voltamos a contemplar a paixão de Cristo, acontecimento inspirador da renovação do mundo que desejamos. O único caminho para a paz, a reconciliação e a fraternidade que transformam o mundo, é a vida segundo a Boa Nova de Jesus que se oferece em dádiva de amor.

A paixão de Jesus é a prova para a nossa fé e leva-nos à adoração como sinal de conversão do coração e da vida.

“Ao nome de Jesus todos se ajoelhem”, dizia a Epístola aos Filipenses, resumindo a atitude fundamental do crente, que acolhe o testemunho da fidelidade e de amor de Deus por nós. Ajoelhar-se diante de Deus – no sentido espiritual de O reconhecer e O amar – implica sempre oferecer a fidelidade e o amor pelo próximo.

A falta do sentido de Deus e a perda da dimensão religiosa e crente da vida deixa-nos vulneráveis à nossa débil humanidade, a fidelidade enfraquece e o amor somente humano pode mesmo corromper-se.

Peçamos, hoje, ao Senhor, o dom da fidelidade e do amor inspirados em Jesus Cristo, diante de quem nos ajoelhamos em adoração, louvor e gratidão pela sua oferta por nós ao Pai.

Coimbra, 29 de março de 2026
Virgílio do Nascimento Antunes
Bispo de Coimbra

Eventos

Semana Vocações