ENCERRAMENTO DO ANO DA FÉ
SÉ NOVA DE COIMBRA
SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO
“Damos graças a Deus Pai, que nos fez dignos de tomar parte na herança dos santos, na luz divina” (Cl 1, 12). O Ano da Fé, que hoje encerramos em comunhão com toda a Igreja, foi um dom de Deus que, de todo o coração, lhe agradecemos. Ele fez-nos tomar parte na herança dos santos e, sem mérito algum da nossa parte, revelou-nos a luz divina, chamou-nos a conhecer a luz da fé, libertou-nos do poder das trevas e fez-nos entrar no reino de seu Filho muito amado.
Este ano permitiu-nos compreender o que é entrar pela porta da fé e ver mais claramente a luz da fé, enquanto encontro pessoal com Cristo, em quem se vêm novas todas as coisas. Por meio da Carta Pastoral “A alegria de crer e o entusiasmo de comunicar a fé”, procurei ajudar-vos a caminhar nesta dupla vertente: por um lado sentir bem viva no coração a alegria de acreditar no Senhor, como Aquele que preenche totalmente a nossa vida; por outro, o desejo de comunicarmos uns aos outros a experiência de fé que fazemos e a força que ela nos dá.
A Diocese propôs aos cristãos a realização de um percurso de catequese destinado ao aprofundamento da fé e um itinerário semanal de leitura e meditação da Palavra de Deus, ao ritmo da liturgia dominical e houve muitas iniciativas locais que levaram a um encontro mais forte com Deus e com a Igreja. O fruto maior do Ano da Fé cresceu dentro de cada pessoa que se deixou interpelar e fez caminho de disponibilidade, entrega e amor, que perdura na intimidade do mistério da relação de Deus com o homem.
Enquanto Igreja Diocesana, que o Senhor tornou digna de viver ativamente este Ano da Fé, e enquanto comunidades, que caminharam no conhecimento da luz divina, damos, por isso, infinitas graças a Deus.
“Cristo tem em tudo o primeiro lugar; Ele é a cabeça da Igreja que é o seu corpo”. Estas frases do hino da Epístola aos Colossenses, remetem-nos para o Plano Pastoral da nossa diocese de Coimbra, que estamos a dar a conhecer como indicador das linhas fundamentais de ação durante os próximos anos.
A Carta Pastoral que há pouco vos escrevi, intitulada “Comunidade de discípulos para o anúncio do Evangelho”, pretende ajudar toda a Diocese a tornar-se, de facto, comunidade de discípulos, ancorados na fé e disponível para realizar a nova evangelização que a Igreja nos tem pedido insistentemente pela voz do Papa, o Pastor que preside à comunhão, na caridade.
Por meio dela convoquei a nossa Igreja Particular para a missão de anunciar o Evangelho, a tarefa prioritária que o Senhor nos deixou e sem a qual não somos verdadeiramente discípulos. Aos que estão dentro, ajudaremos a crescer na profundidade do encontro com Cristo, Aquele em quem reside toda a plenitude; aos que estão fora, proporcionaremos os caminhos do primeiro anúncio, a fim de que possam conhecer e amar o Único Salvador, Aquele que tem em tudo o primeiro lugar e que reconciliou consigo todas as coisas e no qual temos a redenção.
No encerramento do Ano da Fé neste dia da solenidade de Cristo Rei, o Evangelho de São Mateus convidava-nos a contemplar Cristo na cruz, o lugar onde nos mostra que o seu reino é o do amor, do perdão e o do serviço. “Hoje estarás comigo no Paraíso” é a sua promessa ao bom ladrão e a promessa a todo o pecador que reconhece o seu pecado, acolhe o seu perdão e a Ele se converte de coração sincero.
A cruz, sinal do seu amor por todos os pecadores, também por nós, é o seu caminho da ressurreição e de glória. Para nós, a sua cruz assinala a porta da fé, pela qual nos convida a entrar confiantes, na certeza de que é a porta da vida.
Enquanto discípulos de Cristo, acolhemos e aceitamos a cruz como o nosso caminho mais seguro; enquanto enviados a anunciar o Evangelho, proclamamos a sua força e ajudamos os homens e mulheres nossos irmãos a acolher e aceitar a sua própria cruz como caminho de redenção.
Um dos grandes obstáculos à fé está na dificuldade que todos temos de aceitar a nossa cruz, por nos parecer uma negação da nossa grandeza humana. Esconde-se a fragilidade, nega-se o pecado, tira-se a visibilidade à morte, porque custa reconhecer a grandeza do amor como sacrifício e o serviço como nossa vocação universal.
Diante do convite a sermos discípulos, impõe-se a cruz como caminho de amor e de glória; diante do mandato a sermos evangelizadores, impõe-se igualmente a cruz como porta da fé e sinal maior do acolhimento da Boa Nova. Ela é o trono de glória de Cristo e será o trono de glória do cristão, o caminho do Paraíso.
Caríssimos sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos, acolhamos com muito amor a nossa missão de discípulos de Cristo para o anúncio do Evangelho. Entremos pela porta da fé e ajudemos os homens e mulheres nossos irmãos a entrar. Saborearemos desde já as delícias do Paraíso prometido e, com Cristo, teremos a força para acolher todas as cruzes.
Que interceda por nós a Mãe de Jesus, a primeira a entrar pela porta da fé e a partilhar a sua cruz com o cruz de Seu Filho e, por isso, a primeira a conhecer a alegria do Paraíso. Ámen.
Coimbra, 24 de novembro de 2013
Virgílio do Nascimento Antunes
Bispo de Coimbra