Robert Francis Prevost – uma nota biográfica
Jorge Bernardino
Comissão Diocesana Justiça e Paz
Robert Francis Prevost nasceu em Chicago, Illinois, a 14 de setembro de 1955. É filho de pai de origem francesa e italiana e de mãe de origem espanhola. Após a Segunda Guerra Mundial, a família Prevost — Louis Marius, Mildred Martínez e os seus filhos, Louis Martin, John Joseph e Robert Francis — residia num bairro popular situado a sul de Chicago. Os três irmãos frequentavam o colégio dirigido pelos religiosos de Santo Agostinho. Aos 14 anos, Robert entrou no pequeno seminário orientado por essa congregação, à qual continua ligado e que marcou o seu percurso.
Sobre o pai, sabe-se que foi diretor de uma escola secundária e que prestou serviço como tenente na Marinha dos Estados Unidos da América durante a Segunda Guerra Mundial. A mãe trabalhou como bibliotecária. Duas das suas irmãs eram religiosas.
Segundo o seu irmão John, a vocação precoce já se manifestava nas brincadeiras da infância: “Ele queria brincar aos padres. Pegava na tábua de engomar da nossa mãe, cobria-a com uma toalha e tínhamos de ir à missa. Sabia as orações em latim e em inglês e fazia-o o tempo todo. E levava aquilo muito a sério”.
Robert Francis Prevost licenciou-se em Matemática na prestigiada Universidade Católica de Villanova, em Filadélfia (Pensilvânia), e iniciou os seus estudos de Teologia em Chicago. Aos 22 anos, não esqueceu os religiosos com quem se cruzou no colégio e na paróquia. Depois de se ter questionado sobre uma vocação diocesana, entrou para o noviciado dos agostinianos a 1 de setembro de 1977. No ano seguinte, a 2 de setembro de 1978, pronunciou os seus votos e, a 29 de agosto de 1981, fez a sua promessa solene.
Prosseguiu a sua formação teológica em Roma, na Universidade de São Tomás de Aquino, junto dos dominicanos, e preparou um doutoramento em Direito Canónico, escrevendo uma tese sobre “O papel do Prior dos Agostinianos”, que concluiu em 1987.
A sua primeira nomeação levou-o, em 1984, ao Peru, como missionário agostiniano. Esta primeira experiência com os fiéis e os pobres marcou-o profundamente, apesar de ter exercido a função administrativa de Chanceler de uma Prelatura territorial remota em Chulucanas. Em 1987, regressa aos Estados Unidos, onde é responsável pelas vocações e pelas missões na província agostiniana de Chicago. No entanto, regressa ao Peru, onde é, ao mesmo tempo, professor de Direito Canónico, juiz eclesiástico e diretor do Seminário Diocesano de Trujillo, uma das cidades mais povoadas do Peru. Além das missões de ensino, de acompanhamento e de gestão, exerceu o seu ministério de padre numa paróquia pobre da periferia.
Em novembro de 2014, o Papa Francisco nomeou-o primeiro Administrador Apostólico da Diocese de Chiclayo, no Peru, durante a vacatura da sede, com o título de Bispo de Sufar, uma sede episcopal na África do Norte ainda por ocupar. Este escolheu como divisa episcopal «In Illo uno unum», que se pode traduzir por «Um só num só Cristo» ou ainda «Em Cristo somos um».
Após alguns meses de responsabilidade como administrador, Robert Prevost foi finalmente nomeado bispo titular de Chiclayo a 26 de setembro de 2015. Adquire então a nacionalidade peruana.
A combinação da educação formal, mas reformista, de Robert Prevost com um longo trabalho de campo junto de pessoas que só tinham a si próprias para enfrentar as dificuldades foi, talvez, o que atraiu o Papa Francisco a promovê-lo rapidamente na hierarquia do Vaticano, quando o seu estado de saúde começou a agravar-se.
Em Janeiro de 2023, o Papa Francisco elevou-o à categoria de arcebispo a título pessoal e nomeou-o prefeito do Dicastério para os Bispos, responsável por avaliar e recomendar candidatos para o episcopado em todo o mundo. Este papel aumentou a visibilidade e a influência de Prevost no seio da Igreja Católica, elevando potencialmente o seu perfil antes de qualquer futuro conclave papal.
Em julho de 2023, sendo, portanto, cardeal diácono, foi novamente elevado, em fevereiro de 2025, a cardeal-bispo da diocese suburbicária de Albano. Esta rápida ascensão colocou o cardeal Prevost entre os sucessores discretamente nomeados por Francisco.
Em maio de 2025, foi eleito o 267º sucessor de Pedro, tornando-se assim o primeiro pontífice americano e peruano.