Jornadas de Formação Permanente - Palavra de Encerramento

  1.       INTRODUÇÃO

    As jornadas de formação que agora encerramos inserem-se no contexto do Plano Pastoral Diocesano entregue à Diocese de Coimbra para o triénio de 2013 a 2016, subordinado ao título Comunidade de Discípulos para o Anúncio do Evangelho.
    Estas jornadas levaram-nos a refletir sobre a catequese de adultos como meio para ajudar a ultrapassar uma das mais graves lacunas da Igreja na nossa Diocese, a falta de formação cristã.
    As conferências que ouvimos levaram-nos a compreender o lugar indispensável da catequese de adultos para nos enraizar em Cristo, para nos fazer crescer à medida da estatura de Cristo, para nos levar a viver de forma responsável em Igreja e para nos levar à transformação do mundo e à defesa da pessoa humana.
    O nosso ponto de partida é a fé em Jesus Cristo, único salvador, que vem ao encontro de todo o homem, para que O acolha com uma fé viva, esclarecida e capaz de conduzir a sua vida em Igreja em ordem à transformação do mundo. No meio de tantas propostas aliciantes que o mundo oferece, é necessário fazer chegar a palavra salvadora, a proposta plena de verdade, que é a pessoa de Jesus Cristo.
    O nosso ponto de partida é o mandato do Senhor, que nos chama a viver na comunhão e a partir para fazer o anúncio a todos os povos da terra.
    O nosso ponto de partida é ainda a humanidade, sedenta de verdade, de amor e de razões profundas para a vida, com tudo o que ela tem de positivo e de negativo.

2. CATEQUESE DE ADULTOS PARA A IGREJA DE HOJE

São muitas as resistências que encontramos quando propomos a catequese de adultos à comunidade diocesana.
Uma parte delas encontra-se em nós, os sacerdotes e os leigos ativos na comunidade cristã.
Eis algumas das dificuldades frequentemente apontadas e algumas das suas debilidades:

  • -          não é necessária porque temos muitas pessoas na Igreja; sim, mas são cada vez menos e faltam algumas faixas etárias, como é o caso das pessoas em idade mais ativa, das famílias e dos jovens. Para além disso, trata-se não somente do número de cristãos, mas acima de tudo do modo como sentem e vivem a fé, a pertença à Igreja e como tudo isso informa a sua conduta no mundo.
    -          não se adequa à nossa realidade cultural, ao contexto da nossa paróquia, às regiões onde todos se sentem cristãos e fizeram o percurso da catequese da infância e da adolescência. A catequese de adultos tem de ter em conta a realidade humana e cultural, bem como as circunstâncias próprias de cada contexto e comunidade. O percurso da catequese de infância não é suficiente para dar consistência a uma fé adulta.
    -          não temos catequistas devidamente formados nem com disponibilidade de tempo. A melhor forma de preparar catequistas ou outros formadores é a ação, a caminhada que se faz, não como mestres, mas como discípulos e aprendizes com os outros.
    -          o clero está sobre-ocupado com paróquias e serviços inadiáveis, como os de caráter litúrgico e sacramental. A vida dos sacerdotes não se reduz à dimensão litúrgico-sacramental, mas inclui sempre a dimensão evangelizadora e catequética, bem como o serviço da caridade, particularmente como caridade pastoral. Dentre as prioridades na ação do clero está incluída a da catequese e a da formação cristã. Por outro lado, este processo não cabe somente ao sacerdote, mas tem de incluir a comunidade cristã, o dinamismo do conselho pastoral, o entusiasmo e o conhecimento dos leigos.
  • Outra parte das dificuldades encontra-se nos destinatários da catequese de adultos.

    -         Não estão abertos a novas propostas e contentam-se com uma fé tradicional, fruto da Igreja de cristandade em que cresceram. A realidade mostra que, quando a proposta é devidamente apresentada, como uma realidade bem estruturada, com convicção e alegria, conseguem-se alguns resultados.
    -          As pessoas estão demasiado ocupadas e não têm disponibilidade. Facto é que se encontra sempre tempo quando a questão nos toca por dentro.
    -          Quase sempre aparecem os que já estão na Igreja e não se consegue chegar às periferias. O Evangelho tem capacidade para entrar no coração de todos pela ação da graça, mas pode não entrar se não houver proposta ousada e cheia de ardor.

    Como não é possível mudar as circunstâncias dos destinatários, a única coisa que podemos fazer é mudar a atitude dos agentes, onde se incluem os sacerdotes e os leigos que já se assumem como discípulos missionários.

    A responsabilidade e o sucesso deste projeto está do nosso lado. Só é possível se nós estivermos entusiasmados e cheios de ardor missionário.
  1.       MEIOS PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA CATEQUESE DE ADULTOS

    Padres - a iniciativa e o envolvimento dos padres é indispensável.
    Outros agentes - a constituição de um grupo de animadores, que faz caminho com os sacerdotes no sentido de conhecer os catecismos, o método, os objetivos, as potencialidades e as dificuldades.
    Âmbito – pode ser o paroquial, mas, o mais adequado será o da unidade pastoral, por possuir um conjunto de meios humanos mais alargado.
    Destinatários – os que andam mais afastados, os que têm uma fé menos comprometida, os que estão à margem da vida eclesial, os que procuram a Igreja por motivos práticos, sobretudo a pedir os sacramentos para si ou para os filhos. 
  1.       CONDIÇÕES PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA CATEQUESE DE ADULTOS

    Fé – sem uma fé viva, alegre e feliz, fruto do encontro pessoal com Cristo não se inicia o caminho.
    Sentido eclesial – um forte sentido da comunhão eclesial que leva a dar ouvidos às exortações da Igreja, particularmente a partir do Consílio Vaticano II, é necessário para a decisão de começar.
    Comunhão com a Igreja Diocesana – o desejo de estar em com a Igreja Local de Coimbra, que se manifesta na adesão às suas propostas e aos seus planos, é fundamental.
    Obediência – além de ser obediência ao Evangelho e a Cristo, inclui a obediência à sua Igreja que, animada pelo Espírito, procura descobrir os caminhos mais adequados para proporcionar o crescimento da fé em cada tempo e lugar da história.
    Humildade – reconhecer que não é cada um o dono e senhor das comunidades cristãs, mas que todos somos servos ao serviço da mesmo e único Senhor, faz-nos fazer caminho na conversão pastoral.
  1.       SINAIS DE ESPERANÇA

    Estas jornadas de formação trouxeram muitos sinais de esperança para a nossa Diocese de Coimbra, porque nos mostraram muito do que já se está a fazer e do que percebemos que é possível vir a fazer ao serviço da formação cristã dos adultos.
    Não nos fixamos nas dificuldades, que são muitas, mas nos objetivos que se tornam cada vez mais claros a partir do magistério da Igreja Universal, assumidos pela Igreja Diocesana.
    Em matéria de catequese de adultos, estamos, finalmente, a passar da expressão repetida de intenções a uma prática tão ardentemente desejada pelas comunidades e tão amplamente referida nos documentos do Congresso Diocesano dos Leigos e no Sínodo Diocesano de Coimbra.
    Estamos no princípio, mas já há muito trabalho feito, com muito sacrifício e com muito amor. A experiência tem muitas fragilidades e limites, mas é aquela que fomos capazes de realizar, e estamos conscientes de que pode ir muito mais longe.
    Estou persuadido da convicção de que se trata de um desígnio divino para a nossa Diocese.
    A comunhão com Deus e a comunhão com a Igreja que somos há de levar-nos mais longe.
    Obrigado pela vossa participação, obrigado pela vossa fé, obrigado pela vossa alegria de evangelizar, obrigado por aceitardes ser comigo comunidade de discípulos corresponsáveis também neste projeto da catequese de adultos.

Coimbra, 21 de janeiro de 2016

Plano Pastoral


Bispo Diocesano


Vaticano