VIGÍLIA PELA VIDA NASCENTE - SÉ NOVA - 2011-11-26 - HOMILIA

Caríssimos irmãos!

Ao iniciarmos o tempo do Advento, celebramos o maior acontecimento: o da vida que se espera e que é fonte de esperança. Hoje centramo-nos em toda a vida humana que maravilhosamente germina em virtude do amor do homem e da mulher e centramo-nos na vida divina que germina no seio de Maria, em virtude da ação do Espírito Santo.

Eis a mais bela forma de entrar no Advento: celebrar o fruto abençoado do ventre de todas as mães, das nossas mães e da Mãe de Deus.

A maternidade e paternidade constituem sempre um motivo de admiração e espanto. Apontam para o grande milagre da existência humana, sinal eloquente para a nossa fé; falam do gesto amoroso do Deus Criador, quando no princípio deu vida a tudo o que existe e colocou o ser humano no cume da obra realizada; falam da solicitude de Deus que deu à Criação capacidade de crescer e quis que a Sua obra tivesse continuidade por todas as gerações.

Como não agradecer ao Senhor por tudo o que somos? Como não cantar os seus louvores com todas as criaturas nos céus e na terra? Como não entoar com Maria o cântico do Magnificat da alegria e da festa de toda a vida nascida e para nascer?

Tomados pela cultura de morte que pretende dominar o nosso tempo, há hoje quem não consiga alegrar-se com a vida que tem ou com a vida gerada ou nascida. Há quem veja na vida nascente um peso, um concorrente ao bem-estar a que se habituaram, ao qual dizem ter direito e ao qual estão dispostos a renunciar. Este é hoje o egoísmo mais refinado, aquele que atinge o ser humano não somente naquilo que tem, mas mais, naquilo que é: pessoa que tem o direito a nascer, a existir e a ser acolhida com carinho e com a mor.

Enquanto atos humanos por excelência, a geração da vida, a sua preservação e valorização, são os atos que exigem maior consciência e maior responsabilidade. Está em causa o que de maior, melhor e mais belo Deus criou. Pensamos nesta noite em tantas irresponsabilidades e faltas de consciência no lidar com a vida própria e dos outros.

Pedimos ao Senhor que converta tantos corações que deixaram de amar a vida acima de todas as coisas e se deixaram escravizar por outros interesses e valores. Ao mesmo tempo, comprometamo-nos a ser arautos de uma cultura da vida, por palavras e por obras, com a força dos argumentos da razão e com as convicções da fé que nos anima; comprometamo-nos a ajudar a resolver muitos problemas familiares, humanos e sociais, que são geradores de armas de morte contra a vida humana.

A Nossa Senhora do Advento, Mãe das Santas Esperanças, confiemos toda a vida humana, para que a proteja, com o mesmo carinho, amor e desvelo com que guardou a do seu filho Jesus Cristo.

Ámen.

 

Coimbra, 26 de Novembro de 2011

Virgílio do Nascimento Antunes

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